Transcrição
Transcrição EP. #363
(transcrição gerada automaticamente, pode haver falhas)
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Olá, eu sou o Bruno Natal, hoje é dia 12 de maio e no RESUMIDO #363: Lima Duarte incendeia a internet em tempos de jornalismo em pílulas, feed transforma notícias em clipes, servidor é o novo petróleo, IA alucina sobre goblins e gremlins, pesquisadora ajuda a largar chatbot, um chip feito com células humanas e muito mais!
Vamos nessa, RESUMIDO!
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Olá, Resumista! Esse é o RESUMIDO, um podcast sobre cultura digital e o impacto da tecnologia em todos os aspectos das nossas vidas. Recebi uma mensagem de um ouvinte dizendo como é que fazia para assinar o RESUMIDO e não receber conteúdo extra. Olha, vou falar que eu concordo muito com essa preocupação que ela demonstrou porque a gente já tem tanto conteúdo, né?
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Então o caminho pra ela que não quer nem receber a newsletter extra que vai só pros assinantes a cada 15 dias, a linkerama, é fazer um pix recorrente através do email brunanatal.resumido.cc e assim ela continua só tendo acesso ao podcast e a newsletter abertas. Mas a reflexão vale a pena, né? Acho que é a primeira vez que alguém escreve falando isso, às vezes falam o contrário. Por que que não tem mais conteúdo extra? E eu tento explicar, que eu tô tentando viabilizar o conteúdo mínimo primeiro.
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antes de pensar em coisa extra e coisas extras que sejam relevantes, né? Aproveitar então para agradecer aos dois novos assinantes, Klauber e Patrícia, muito obrigado. E se você também quiser ser assinante, é só você visitar www.resumido.cc/assinatura, você faz uma assinatura via Substack, tem lá o link direto, é rapidinho. Ainda são 15 reais por mês, mas eu vou aumentar, agora em junho vai ter um pequeno aumento e eu vou informar todos os assinantes atuais por email.
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Vamos de cultura digital e como nosso comportamento online ajuda a mudar a sociedade?
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Não fui porque só tinha a tureta. Que vida, Que coisas eu fui percebendo ao longo dessa vida. Esse foi um trecho da polêmica fala do ator Lima Duarte no evento da APCA, Associação Paulista dos Críticos de Arte. Um ator de 96 anos acabou tendo uma repercussão muito grande durante essa cerimônia da APCA.
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depois que ele relatou uma memória de adolescência que envolvia prostituição e racismo. Durante o discurso de homenagem, ele contou que quando ele tinha 15 anos, ele se recusou a ir a uma zona de prostituição porque, abre aspas, fala dele, só tinha preta, reproduzindo a fala de um amigo da época e descrevendo também a própria decisão dele naquele contexto. Esse relato provocou um constrangimento imediato e abriu vários debates nas redes sociais.
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entre os artistas presentes também, sobre racismo estrutural, memória, responsabilidade pública. E aí parte do público interpretou a fala como uma reprodução racista ofensiva, enquanto vários outros entenderam como uma tentativa de refletir criticamente sobre preconceitos internalizados lá na juventude. As mulheres negras presentes reagiram muito durante o evento. O artista Carmen Luz afirmou que as mulheres negras não estão no mundo para serem recusadas. Recebemos vários aplausos. A Shirley Cruz, a Grace Passot também se manifestaram.
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defenderam a valorização e reconhecimento das mulheres negras na cultura brasileira. E depois dessa repercussão toda, o Lima Duarte divulgou uma nota dizendo que ele falava de um Brasil muito duro e a experiência de um menino vivendo nas ruas afirmando que esse relato dele pretendia mostrar transformação e consciência ao longo da vida. A maneira que essa história toda se desenrolou online me remeteu
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Há uns links que eu estava separando para esse episódio. E aí, para fazer essa costura de maneira adequada, eu conversei com o Agenor Neto, nossa, o Agenor Neto aqui, o corroteirista do RESUMIDO, sobre o significado disso tudo. E o que aconteceu é que, apesar do Lima Duarte ter tentado usar essa memória de adolescência para mostrar como o racismo atravessou a formação dele e como ele hoje se percebe diferente, a tentativa acabou saindo muito mal porque…
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Ao reproduzir essa fala do passado, ele acabou trazendo para o centro da conversa uma associação muito violenta entre mulheres negras e prostituição. A gente sabe, as pessoas mais velhas, quando tentam mostrar que mudaram, às vezes acabam esbarrando na linguagem. A língua é uma coisa muito dinâmica, até os exemplos escolhidos, o limite da própria formação da pessoa. E o Lima Duarte foi infeliz não só pelos termos usados, mas muito mais pelo exemplo que ele escolheu.
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Eu não tenho dúvida que o Lima, como toda pessoa branca criada nesse país, foi autor de muitos episódios racistas, conscientes ou não, ao longo da vida dele. O ponto é que escolher uma lembrança que liga diretamente mulheres negras à prostituição foi o erro principal. Então, ao mesmo tempo que é plausível quando a gente pensa num homem branco de quase 100 anos, que mesmo tentando fazer uma autocrítica ainda possa cometer um tropeço básico que nenhuma pessoa negra…
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muito menos uma mulher negra deixaria passar, o problema é que não está só no comentário dele ou na interpretação isolada da fala. A questão que eu queria trazer aqui para o RESUMIDO não era sobre o comentário dele ou a interpretação isolada da fala dele, mas sim sobre como o jornalismo se comportou nesse caso, através das manchetes, dos compartilhamentos, que acabaram preferindo transformar essa história toda num caça-clique sem contextualizar direito o que aconteceu.
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Parte da imprensa fugiu da discussão mais difícil, empurrou tudo para um tom mais declaratório, como se bastasse dizer Lima Duarte disse frase racista e encerrar o assunto. A maior parte do que eu vi publicado foi nesse sentido. Só que a situação precisa de mais cuidado. Como eu falei, o Lima tropeçou feio, mas ele tentou mesmo, sem sucesso, dizer que hoje ele é um homem mais aberto e menos racista do que ele era há 80 anos. Isso não absolve a fala dele.
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e mostra até como a autocrítica branca pode falhar exatamente quando acredita que já aprendeu o suficiente. É um exercício diário, a fala de racismo estrutural. Só que também a pressa de capitalizar em cliques essa fala transforma o que devia ser uma discussão importante e constante na sociedade em mais um caso curioso que você clica pra ver que diabo esse cara falou agora, quem é que falou a besteira da vez e ninguém aprende nada com isso.
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Isso tem muito a ver com a dinâmica das redes e com a dinâmica das redes vem afetando o jornalismo. Na The Atlantic, o jornalista Michael Scherer publicou um ensaio em que ele refletiu sobre o papel da imprensa e das redes sociais na escalada da violência política hoje em dia. Então, a partir do ataque que aconteceu no jantar de correspondentes na Casa Branca, o jornalista argumentou que essa radicalização hoje em dia não acontece só por conta de ideologia extremista num sentido tradicional.
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mas é muito pelo próprio funcionamento desses sistemas algorítmicos das plataformas digitais. Então ele explica como o conteúdo jornalístico complexo, com nuances, acaba transformado em algum fragmentozinho emocional nas redes sociais que só serve para alimentar indignação, desumanização, uma paranoia política. E aí ele fala de um desconforto enquanto jornalista quando ele percebe que até reportagens que são produzidas com a intenção de informar podem acabar virando combustível para os discursos extremistas quando acabam circulando nesse ambiente.
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que são guiados só por engajamento. Esse sistema que a gente está hoje em dia recompensa indignação, tribalismo, não contexto, não fato, cria um ambiente que a política vira entretenimento mesmo, emocional, uma coisa permanente, que você vai lá, fica indignado, clica e ninguém reflete sobre nada. E parte disso, isso que ele falou dessa atomização das notícias, tem a ver com essa onda de cortes. Nos Estados Unidos eles chamam de clipping, aqui a gente chama de corte.
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que são esses mini vídeos que estão entupindo as redes sociais, que têm pequenos trechos de podcast, de live, de entrevista, de algum vídeo longo, que acabam gerando centenas, às vezes milhares de trechos pequeninhos, feitos especificamente para viralizar nos algoritmos. E muito desse movimento, desses cortes, hoje em dia tem sido feito por contas anônimas. São pessoas que são contratadas para publicar uma versão editada do conteúdo com alguma frase chocante, alguma polêmica, alguma coisa que seja…
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apelativo do ponto de vista emocional para gerar esse alcance. A The Verge falou exatamente sobre essa nova indústria e como isso virou uma estratégia oficial de marketing para podcast, para político, para programas de TV, para influenciador. Volta e meia me perguntam por que não tem corte do RESUMIDO. Aí eu respondo, você tenta e faz, porque eu fico refletindo sobre as notícias, não cabe num corte de 30 segundos e nem eu tô falando e nem tenho interesse em falar uma frase.
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Só pra gerar um corte. Eu acabo fazendo vídeos específicos no Instagram, no TikTok, com a linguagem da plataforma, falando de outros assuntos com reflexões menores, mas não são cortes. Mas ainda assim é parte dessa lógica, né? É uma tentativa de desempenhar nessas redes com a linguagem que funciona lá. E aí essa matéria da Verge fala como plataformas como Clipping.net organizam essas campanhas que os criadores pagam os usuários por visualização.
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Aí deu um exemplo de um podcast de um cara chamado Dan Bodino, como sei quem é, que pagava 150 dólares a cada 100 mil views nos vídeos com os cortes dele. E falou que não é só influenciador. Empresas como a Perplexity, um chatbot de IA, ou o programa RuPaul’s Drag Race, campanhas políticas, todos eles contratam campanhas desse tipo de empresa para ter esse resultado de viralização. E nisso, o que acontece é que o conteúdo original acaba perdendo a importância. Ele só existe
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para gerar corte. E aí esses clipes acabam tirando o contexto, quase sempre. Simplificam o debate. As pessoas acham que ouviram um debate sobre algum tema, na verdade não ouviram nada e já têm uma opinião. E um dos riscos desse uso de IA, para resumir tudo, as pessoas hoje em dia jogam a matéria no ChatGPT, pedem para resumir e não lê. Você perde a nuance das matérias, dos textos que você quer ler, ou você perde o raciocínio, o pensamento crítico quando você vai escrever um texto.
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E a gente vai cada vez indo para uma média, né? Porque esses algoritmos funcionam na média. Ele busca um formato de conteúdo que vai agradar o maior número de pessoas possíveis o mais rápido possível. Isso não combina com pensamento crítico nenhum, que muitas vezes pensar dói. Você tem que confrontar crenças, pensamentos, ideias que você precisa refletir e rever. E esse é o processo de evolução que a gente deveria estar buscando.
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Porque quando a gente só acompanha recortes da realidade, fica difícil saber o que é a verdade. E pra provar que esse caminho rumo à superficialidade não é o único caminho, o New York Times anunciou que passou de 13 milhões de assinantes. E o motivo disso é justamente pessoas procurando o conteúdo com profundidade. A Reuters fez uma análise e disse que isso aí vai deixando o New York Times mais perto de chegar ao alvo de 15 milhões de assinantes até o final de 2027.
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Faltando aí, menos de dois milhões é capaz de chegar lá bem rápido mesmo. Eu sou assinante porque eu gosto de ter acesso aos produtos da maneira organizada que eles apresentam no app. Acho que vale muito a pena e aponta um caminho. Ainda existe público para jornalismo bem feito, mas jornalismo bem feito precisa de recurso para ser bem feito. Vamos ver como que faz. As pessoas vão ter que voltar o hábito de pagar pelo conteúdo que elas gostam ou ficar complicado todo mundo dependendo de publicidade.
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A BBC News Brasil contou a história do sociólogo Douglas Alexandre Santos, que trabalhou por seis meses como entregador de iFood com bicicleta em São Paulo, como parte da pesquisa de mestrado dele para USP, e ele concluiu que esses aplicativos criam um ambiente de trabalho em que a velocidade vale mais do que a segurança. São dois assuntos que não parecem ter nada a um com o outro. Eu estava falando de jornalismo, agora estou falando de entrega de iFood, mas no fim das contas é tudo em nome de uma suposta…
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otimização ou da danada eficiência que eu sempre falo por aqui, como se isso fosse o fim, fosse o propósito final. A gente não se importa mais com o processo, a gente se importa só com a conclusão. Voltando ao estudo do sociólogo Douglas Santos, ele disse que os prazos que são impostos pelos algoritmos do iFood acabam estimulando os entregadores a atravessar sinal vermelho, a pedalar entre os carros, assumir um monte de risco para evitar punições, para não perder corrida.
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E então essa pesquisa dele mostra que muitos jovens entregadores, principalmente os negros e periféricos, acabam enxergando o trabalho por aplicativo como uma liberdade em relação aos empregos tradicionais precários, mas acabam entrando numa rotina que gera um desgaste físico, um risco permanente sem perceber. E aí o pesquisador fez um teste e começou a seguir as regras de trânsito certinho, e que aconteceu foi que ele passou a perder entrega, inclusive a sofrer punição automática do sistema.
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E aí ele notou que o perigo vira parte dessa identidade masculina dos jovens, então correr risco no trânsito passa a ser visto como uma demonstração de coragem, de independência, de masculinidade tóxica. E dessa forma a coisa se retroalimenta. Você pega um monte de jovem sem oportunidade, precisando ganhar dinheiro, tendo a sua masculinidade colocada em cheque, usando aquilo como uma plataforma para se colocar no mundo. E o resultado é esse aí que a gente está vendo.
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E a verdade é que ninguém sabe ainda muito bem como medir essas coisas, onde é que a vai botar o limite para esses usos de tecnologia no nosso dia a dia. A Engadget falou de um estudo que está mostrando que o banimento dos telefones nos Estados Unidos não está melhorando as notas. Então essa pesquisa analisou dados de localização dos celulares em mais de 40 mil escolas entre 2019 e 2026.
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e encontrou um efeito próximo de zero nas notas dos alunos depois dos bloqueios. No curto prazo, o que eles notaram é que teve um aumento de problema disciplinar, queda no bem-estar dos estudantes, tudo isso é atribuído à adaptação inicial a essas restrições, mas que com tempo esses efeitos negativos diminuíram, mas mesmo assim, os pesquisadores não encontraram uma melhora significativa na frequência escolar, na atenção em sala de aula.
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ou na percepção de cyberbullying, e esse estudo entra em choque com essa onda global de restrição ao uso de smartphones nas escolas, tem sido adotado recentemente em vários países pelo mundo. O que o estudo aponta é que você não consegue resolver o problema da tela só removendo o celular da sala de aula. A discussão envolve muito mais coisa, hábitos digitais mais amplos, né? Não soma disciplina escolar até porque as pessoas esquecem esse detalhe. Não adianta você tirar o celular da sala de aula e a criança passar o resto do dia com o celular fazendo sabe lá o quê, vai dar no mesmo.
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O celular não é uma causa isolada, ele é parte de um ecossistema, inclusive dessa nossa atenção fragmentada, que parece ser o tema do episódio. Às vezes aparece no meio do episódio que eu percebo o que me fez juntar tanta matéria que parece não ter nada a ver uma com a outra. Eu, particularmente, não tenho estudo que vai me convencer que não ter o celular dentro de sala de aula vai ser, no mínimo, menos pior em termos de atenção. Todos os outros problemas que o celular causa, ele pode causar fora da sala de aula, mas…
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um pouco difícil imaginar que você ter um celular dentro de aula, por um uso que não seja educacional, vai ser melhor para muita coisa. O New York Times falou também… O New York Times também abordou esse tema, falando sobre como a IA matou a escrita estudantil e depois ressuscitou. E aí conta como escolas e universidades nos Estados Unidos estão abandonando as redações feitas em casa e estão levando esses processos, esses exercícios de escrita de volta para dentro da sala de aula, exatamente por conta do uso de chatbot.
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Os professores falam que é praticamente impossível, hoje em você garantir a autoria de um trabalho que é feito remotamente, porque os estudantes podem usar IA para escrever textos completos, revisar redação, fazer tarefa. E aí a resposta é essa. Várias instituições estão passando a exigir que a escrita seja feita de maneira presencial, os professores lá olhando exatamente como era a prova. Ou ainda é a prova, né? E também os professores começando a reformular o tipo de exercício que é pedido. Você prioriza a reflexão pessoal, interpretação subjetiva.
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experiência individual, todas as coisas que um modelo de IA não consegue ainda resolver muito bem e não consegue falsear para o estudante. A reportagem já ouviu cerca de 400 professores e quase todos relataram muitas mudanças no ensino de escrita. Falou que entre maio e dezembro de 2025 o uso regular de IA para dever de casa subiu de 48% para 62%. Se deixar aí vai bater em 100%, obviamente. Um terço dos alunos afirma que usa IA.
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para redigir ou para revisar texto, e dois terços disseram que acreditam que a IA prejudica o pensamento crítico. Está em linha com o que eu comentei no episódio passado, sobre essas novas gerações já tendo uma consciência maior dos impactos negativos desse tipo de tecnologia quando é mal utilizada. Também no New York Times tem uma história de pais de estudantes nos Estados Unidos que começaram a pressionar as escolas, os governos, para ter um limite mais rígido do uso de tecnologia em sala de aula.
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E aí veja bem, a não está falando de uso de celular, é uso de tecnologia, o que de novo remete ao episódio da semana passada, como por exemplo os Chromebooks da rede pública dos Estados Unidos que receberam um upgrade com a IA do Gemini e a IA invadiu a sala de aula. E isso então está criando uma reação organizada contra digitalização excessiva da educação. Em Los Angeles algumas famílias formaram um grupo chamado Schools Beyond Screens, ou escolas além da tela.
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depois de criticarem o uso muito exagerado de laptop, de tablet, de aplicativo, até em turma de educação infantil. Essa pressão toda deu resultado, um distrito escolar de Los Angeles aprovou umas regras novas, restringindo o YouTube, exemplo, eliminando o dispositivo digital até o primeiro ano escolar e também criando limites de tempo de tela para os alunos mais velhos. Se você conversa com adolescentes, com crianças hoje em dia, você vê que está todo mundo meio à deriva. Está usando a ferramenta por conta própria, talvez os pais…
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Alguns mais preocupados ou com mais conhecimento consigam ensinar e dar alguma dica, mas vários muito perdidos ainda nisso tudo, né? E eu vi um vídeo no YouTube, num canal chamado Soon, falando sobre as redes sociais sem algoritmo. Eu achei esse canal legal, é feito para um público mais novo e ele foi conversar com estudantes universitários da Califórnia em Berkeley, alguns ex-funcionários da Meta e com as pessoas que trabalham em aplicativos como Perfectly Imperfect ou…
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perfeitamente imperfeito e o Retro, que são redes que estão prometendo feeds cronológicos com menos estímulo de vício e um foco de conexão real entre as pessoas. Os fundadores dessas empresas falam que eles não estão preocupados com o tempo de tela, eles querem vender assinatura, não querem ficar trilionários, querem ganhar dinheiro com uma rede menor, mas que seja mais saudável. Talvez isso seja uma tendência, as pessoas começando a fugir desse esquema algorítmico.
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e aceitando que talvez a gente vá fazer parte de redes menores, porque não vai dar pra atingir o mundo inteiro sem perder o controle mental, né? Eu não testei nenhuma dessas redes ainda, vou deixar link pras duas lá no post com todos os links comentados nesse episódio, como tem em todo episódio, que é uma seção exclusiva pros assinantes do RESUMIDO. Se você ainda não é assinante, você pode ir lá, www.resumido.cc/assinatura e fazer a sua pra ter acesso à curadoria de link semanal aqui do RESUMIDO.
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Agora é o momento de explorar as transformações causadas pelas inteligências artificiais.
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Esse áudio que você ouviu agora é trecho de uma reportagem da BBC. A Semafor falou sobre como as empresas estão perdendo o controle sobre como os funcionários usam a IA no trabalho. Isso parece replay de uma coisa parecida que aconteceu na era do Shadow IT.
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que é quando os trabalhadores passaram a usar iPhone, ferramentas em nuvem sem autorização dos departamentos de tecnologia das empresas. A empresa dizia, você não pode usar, sei lá, determinado aplicativo para fazer seu trabalho, mas a pessoa usava no próprio telefone, depois copiava e colava, botava para dentro do sistema da empresa e você não consegue parar isso. Com as ferramentas de IA, vibe coding, você conseguindo criar o seu próprio aplicativo, os funcionários estão fazendo isso, criando seus próprios softwares, criando automação, muito rápido.
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várias vezes mais úteis do que as soluções corporativas que estão aplicadas nessas empresas, que muitas vezes são caras, são lentas. E você tentar bloquear esse movimento não vai funcionar. Então, o que a Semafor fala é que as empresas vão ter que abandonar esses sistemas fechados e acabar criando estruturas mais abertas, onde se encaixem os aplicativos feitos pelos próprios trabalhadores para que eles possam se conectar com segurança aos dados internos. Porque se não for feito assim, os trabalhadores vão usar de qualquer forma.
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e vai correr risco de você ter um vazamento de dados ou algo assim na rede da empresa. Pelo menos essa é a proposta e com certeza as empresas de IA estão muito interessadas nessa anarquia. Eu não sei se é exatamente bom liberar tudo para todo mundo. Às vezes esse sistema e organização tem sentido, É parecido com a crítica App Store da Apple. Eu acho bom que seja amarradinho daquele jeito. Nunca tive um vírus no meu Mac.
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Você tem mais certeza que vai baixar um aplicativo de qualidade? Óbvio que há espaços para publicação geral de qualquer coisa, mas existem alguns ambientes em que você precisa ter algum controle. Talvez o ambiente corporativo seja um desses. Algumas empresas muito grandes não são uma startup, não são capazes de absorver essa lógica. E um exemplo disso é justamente a quantidade de falhas que a gente vê dos sistemas de IA. A Gizmodo falou, por exemplo, de um documento que foi publicado pela OpenAI no GitHub.
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que revelou parte das instruções internas que estavam usando no Codex.li, que é ferramenta de programação baseada no GPT 5.5, que incluiu uma orientação curiosa e repetida várias vezes, que era para o modelo não falar sobre goblins, sobre trolls, sobre bombos, sobre outras criaturas, ao menos que isso fosse claramente relevante para o pedido do usuário. Essa regra chamou a atenção porque ela apareceu duas vezes no prompt do sistema.
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Isso aí deu a entender que a empresa estava tentando corrigir algum comportamento recorrente do modelo, e aí os usuários encontraram vários registros mostrando que versões anteriores da IA estavam inserindo palavras como Goblin toda hora em resposta sem nenhum motivo aparente. No ChatGPT comigo, volta e meia, no meio da resposta, tem alguma coisa escrito em hebraico, às vezes escrito em chinês, do nada, uma palavra solta. E eu vou lá traduzir, a palavra está no contexto, só está aplicada errado.
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E aí esse caso acabou virando um meme, né? Porque expõe aí como essas empresas de IA estão sempre ajustando comportamentos inesperados, coisas estranhas que esses modelos fazem depois que são lançados. A história parece meio boba, mas mostra como esses sistemas não são tão confiáveis assim, porque ninguém nem entende. Você imagina a coisa em casco a falar de Goblin, de Gremlin, e ninguém sabe porquê, você tem que botar uma instrução lá pra não falar. Agora, botar a instrução é depois do fato.
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Você não tem como adivinhar qual é a próxima curva maluca que um sistema desse vai fazer. E eu li dois artigos e vi dois vídeos que têm tudo a ver com esses temas dessa semana. Um foi na Digital Native, a newsletter do Rex Woodbury, em que ele defende que a inteligência artificial está provocando no trabalho intelectual, hoje em dia, o mesmo efeito que a reprodução mecânica provocou na arte do século XX. Ele usa como base, obviamente, quem estudou comunicação já deve ter matado a charada.
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o texto do filósofo Walter Benjamin, que em 1935 escreveu como fotografia, cinema, reprodução em massa, mudaram o valor da arte original. O questionamento do Benjamin era justamente qual seria o valor da arte, uma vez que ela pode ser indefinidamente reproduzida. E para o Rex, a IA está fazendo essa mesma coisa com conhecimento, com análise, com relatório, com diagnóstico, com trabalhos que são considerados especializados muito além da arte.
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Porque se hoje é muito barato você produzir algum artefato de conhecimento, como ele chamou no texto, uma apresentação, um parecer, uma análise financeira, um diagnóstico médico, isso acaba reduzindo o valor do trabalho intermediário e aumenta o peso das credenciais, da reputação, das instituições. Aquilo que eu falo bastante aqui, você vai querer saber qual é a fonte daquela informação, qual é a origem.
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daquela informação para você saber se é confiável ou não. Muito mais que a informação em si. Então, do mesmo jeito que o mercado de arte ficou polarizado entre milhões de criadores baratos e alguns poucos artistas que são muito valorizados, o mercado do trabalho intelectual pode seguir esse mesmo caminho. Enquanto algumas tarefas que antes eram exclusivas de consultoria, de banco, de especialista, acabam virando commodity produzida por IA,
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vai crescer o valor de marca, de diploma, de responsabilidade legal, de confiança institucional, à origem da informação ou daquele trabalho. O ensaio fala do chamado efeito diploma, que diz que o valor econômico de uma formação está menos no aprendizado em si e muito mais no selo de legitimidade que ela oferece. Faz bastante sentido, O nome da universidade pesa muito num currículo.
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Então a conclusão é que o futuro do trabalho intelectual vai ser menos sobre produzir informação e muito mais sobre assumir responsabilidade sobre ela. Achei boa essa análise, porque eu acho que é por aí que o caminho vai mesmo. E uma outra newsletter que eu gosto muito, Blood in the Machine, falou sobre quatro gráficos que falavam sobre o impacto da IA generativa no trabalho criativo. Em cima de um novo estudo da Carnegie Mellon University, que entrevistou quase 400 artistas visuais profissionais,
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Esses quatro gráficos mostram como a IA já alterou a renda rotina, o poder de negociação e a percepção de futuro dos artistas. E quando falo poder de negociação, me lembrou uma outra reflexão que eu vi essa semana sobre esse discurso constante de que a IA vai substituir o trabalhador e como, na verdade, isso é uma forma de desvalorizar o trabalhador. Porque ao você ouvir tanto que você vai ser substituído por IA, você fica mais propenso a aceitar qualquer negócio.
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qualquer cachê, porque é isso ou nada, ou então o robô vai fazer e você vai ganhar zero. Esse discurso é muito perverso. Mas aqui voltando ao artigo, o primeiro gráfico mostrava uma rejeição quase total da tecnologia. 99% dos artistas dizem que não gostam de IA, e 88% se recusam especificamente a gerar imagens com IA. O segundo gráfico mostrava a convivência forçada com essa tecnologia, porque mesmo rejeitando a IA, a maioria dos artistas acabam encontrando essas imagens
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Todo dia no trabalho porque ou é enviado por cliente ou por algum diretor de arte como uma referência, como um brainstorming, algum material pra ser retocado. E aí não substitui totalmente o artista, mas acaba mudando o ofício do artista pra ser uma supervisão de output de máquina. O resultado sai e o cara tem que ali administrar mais ou menos como eu escrevi no LinkedIn outro dia. Minha nova bio é reescrevo textos de IA. Todo mundo tá tendo que refazer o trabalho da máquina, tá trabalhando mais e nem percebe. E o terceiro gráfico…
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Mostrava mais o impacto econômico e impacto psicológico. Mais da metade desses artistas entrevistados relatou perda de renda, e 90% deles afirmaram que a IA reduziu empregos, comissões ou oportunidades de carreira. O quarto gráfico mostra que o mercado criativo está se dividindo. Enquanto publicidade, áreas comerciais estão incentivando a IA…
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Outros mercados, como ilustração científica, mercado editorial, tatuagem, setores artesanais, já estão proibindo, estão pelo menos desencorajando o uso por questão de direito autoral, de reputação, de qualidade e até de uma valorização do trabalho humano. Então o problema não é a IA substituir o trabalho humano. O problema é ela triturar esse trabalho, porque acaba reduzindo o valor percebido da criação humana e isso vai derrubando o preço, e os artistas é que acabam sendo…
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transformados em revisores precarizados. Não precisa nem dizer que em algumas áreas usar IA ou falar que usou IA já é um estigma profissional. Um artista que falar que está usando IA é tipo uma sentença de morte. Um ilustrador que fala isso, ou um escritor, um jornalista que fala que está usando IA para escrever texto. Você pode usar para pesquisa, mas para escrever o texto você vai ter que escrever ainda, não tem muito jeito. E aí, então, eu vi um vídeo de uma influenciadora chamada Var Anovic, que é norueguesa.
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E ela citava uma frase do Thoreau, um filósofo dos Estados Unidos, que ele falava que nós nos tornamos as ferramentas das nossas ferramentas. Ele falou isso em 1854. E acho que a frase está muito bem encaixada nos nossos tempos atuais. E nesse vídeo a menina citava um exemplo usado pelo Thoreau, que era do trem. Duas pessoas tinham que…
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ir para um determinado local e uma pessoa quis ir de trem e a outra quis andando. A que quis ir de trem teve que trabalhar um dia inteiro para poder pagar a passagem do trem e ir no dia seguinte. E a que resolveu ir andando andou o dia inteiro, mas chegou no mesmo dia. E a pergunta é, quem chegou mais rápido? O cara que só andou e chegou no mesmo dia ou o cara que teve que trabalhar um dia inteiro para poder pagar o trem? Óbvio que, antigamente, uma passagem de trem era muito mais cara, mas a anedota é para ilustrar…
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que o camarada estava trabalhando pra poder pagar a passagem de trem. Ou seja, ele estava trabalhando pro trem. Porque ele poderia ter usado aquela mesma 24 horas andando pra onde ele tinha que ir. E aí, trazendo pra nossa realidade atual, a IA promete que vai pensar, mas pra isso você precisa parar de pensar por conta própria. E é aquilo que eu falo, você não pode parar de pensar. Aliás, lembra dessa frase, tá? Não pare de pensar. Ela vai ser importante até o segundo semestre desse ano. Depois eu digo por quê.
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Mas mais do que isso, essa reflexão que ela fez fala sobre quem tem o privilégio de não usar essas ferramentas, porque vira isso, As coisas vão tomando uma forma que você não usar a ferramenta é que vira o luxo. Você poder consumir algo que foi produzido por humanos vai virar um luxo. E essa é a discussão. E aí, pra concluir, eu vi um vídeo no YouTube de um cara chamado Sam Hamper em que ele perguntava, será que você tá olhando corretamente?
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Ele é um ilustrador e é um vídeo-ensaio em que ele fala que observar é uma coisa muito importante que a IA está perdendo essa capacidade. Aí ele fala que desenhar é observar, que o objetivo de você fazer uma aula de desenho ou você desenhar não é o resultado em si, é o exercício de observar. E logicamente ele menciona como exemplo os shows em que todo mundo fica lá com a câmera filmando e que ninguém, na verdade, está observando.
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As pessoas passam por um lugar, vêem uma flor muito linda e tiram uma foto, em vez de observar. E olha que num dado momento, tirar uma foto já foi observar. Mas hoje em é feito de uma maneira que você registra pra ver depois uma coisa que você nem observou. Você só tirou a foto. Então fica aí o pensamento. Será que a gente está olhando direito?
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E falando em observar com atenção, isso me faz pensar numa coisa meio prática do dia dia que eu comecei a valorizar muito, que é a tecnologia que reduz atrito. Aquela coisa que faz a rotina funcionar melhor sem você nem perceber. Isso aí vale até pra roupa. A Insider me mandou umas peças há um tempo e a Tech T-Shirt acabou virando uma das que eu mais uso justamente por isso. Eu trabalho muito de camiseta, eu gravo, saio, corro, resolvo coisa na rua e roupa ruim começa a cansar rápido, Esquenta, perde forma, vai incomodando ao longo do dia.
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A Tech T-Shirt é leve, respirável, facilita a evaporação do suor e desamassa no corpo, mas o principal para mim é que ela simplifica a minha rotina. Em maio, o cupom RESUMIDO continua funcionando, ele dá 15% de desconto para novos clientes e 10% de desconto para quem já comprou, e esses descontos do cupom podem ser somados com os outros descontos do site. O link está na descrição do episódio, já está com o cupom aplicado, é só você clicar.
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mas se você visitar o site da Insider Store diretamente, é só usar o cupom RESUMIDO.
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E agora é hora de falar sobre como as Big Tech moldam o nosso comportamento.
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Então, a poder computação é agora o gargalo na indústria e nós só vimos algo absolutamente histórico. A de Rental e a SpaceX e a XAI dá Cloud AI acesso. Você ouviu um trecho do Over the Horizon? A Anthropic anunciou uma parceria com a SpaceX para usar o supercomputador Colossus-1, uma estrutura que tem mais de 220 mil GPUs da NVIDIA.
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criada pelo Elon Musk para alimentar o sistema de IA em larga escala do XAI, que agora é uma empresa da SpaceX. Esse acordo dá para a Anthropic muito mais capacidade computacional para rodar o Claude e amplia o número de tarefas que os clientes conseguem executar. Essa parceria aparece justamente no auge da disputa pública e judicial entre o Elon Musk, o Sam Altman, CEO da OpenAI, e acaba fortalecendo a rival da empresa criadora do ChatGPT.
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E como parte da parceria, eles estão falando que vão desenvolver data centers no espaço. Essa ideia que o Elon Musk vem falando algumas vezes. Para resolver esse problema de energia da IA, a justificativa é que a demanda por computação está crescendo mais rápido que a capacidade de energia e que lá no espaço você consegue resfriar tudo sem gastar água nem nada disso. E isso mostra que essa corrida da IA não é só sobre software, é sobre chips, é muito sobre energia, sobre a infraestrutura que vai alimentar isso tudo. E tem um outro aspecto importante aqui.
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A SpaceX comprou a XAI por um valor absurdo, supostamente por conta das capacidades da XAI. O que a gente está vendo agora é o Elon Musk alugar os servidores da XAI para o Claude, para a Anthropic, justamente porque não deve estar conseguindo usar muito, não está tendo demanda para o produto dele, XAI. Isso aí dá um sinal já estranho para uma empresa, a SpaceX no caso, que está dando sinais que vai tentar fazer um IPO esse ano.
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Aliás, isso aí foi o assunto no RESUMIDO Tech Invest, que é o canal de investimentos em ações de tecnologia, principalmente de empresas baseadas nos Estados Unidos. Se você não conhece, @resumido.techinvest no Instagram, tem também no YouTube e tem a newsletter. Você pode assinar lá em www.resumido.cc/assinatura. Outra história muito doida que eu vi esses dias, eu vi um primeiro podcast que um amigo meu me enviou para ouvir e depois, lendo essa matéria da BBC,
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é que pesquisadores estão desenvolvendo computadores biológicos feitos com células humanas vivas. Essa área é chamada biocomputação. A BBC visitou o laboratório suíço Final Spark, que está criando esses organoides cerebrais, são apelidados de minicérebros, que usam células-tronco derivadas das células da pele humana. E aí esses organoides são conectados a eletrodos e começam a responder estímulo elétrico, funcionando como uma espécie de hardware biológico.
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A ideia principal por trás disso tudo é justamente a economia de energia, conseguir criar um sistema de computador que seja capaz de aprender usando menos energia do que esses modelos de IA atual. Porque, exatamente como acabei de falar, esses modelos de IA exigem uma quantidade absurda de data centers, de consumo de energia, e vão ter que encontrar alguma solução para isso. Uma das ideias que esses computadores biológicos possam complementar os chips tradicionais no futuro. Vou botar o link para o podcast.
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que fala disso é chamado em inglês de wetware, ou… Tem software, hardware, e esse é wetware, ou wear molhado, equipamento molhado. Exatamente porque usa essas células biológicas. O negócio tá ficando muito doido, imagina quando eu resolver integrar isso no cérebro. Como o episódio já ficou muito longo, eu vou guardar os dois últimos links aqui de Big Tech pra newsletter dessa semana, o Futuro Explicado. Se você não assina ainda, é www.resumido.cc/assinatura. Essa é…
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Newsletter semanal gratuita. Uma é uma newsletter que fez uma análise geopolítica do Met Gala, em 2026, que é aquele evento do Metropolitan Museum feito para arrecadar fundos para instituição, mas que acaba virando um evento de moda, com celebridades, com vestidos super exuberantes. E aí essa newsletter fez uma análise sobre a disputa simbólica, nem tão simbólica, entre os bilionários de Big Tech, de cultura e poder.
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O Jeff Bezos está sempre lá. Mas tinham também vários outros executivos, Mark Zuckerberg, o Sergey Brin, o Evan Spiegel, vários passando por lá. E é uma análise legal, porque é um evento bem de cultura pop, que acabou virando geopolítico. E o outro assunto é sobre como o Chrome, o navegador do Google, está ocupando 4 GB no seu computador sem te pedir licença para rodar uma IA. Tem como cortar, tem como você impedir isso. Não é muito fácil, mas eu vou botar lá na newsletter o link para a reportagem contar mais sobre isso.
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Hora de relaxar com as dicas de ver, e ouvir.
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Já é Copa e falta menos de um mês. Eu sou suspeito pra falar de Copa porque embora eu não troque nem um título do Carioqueta do Flamengo pra uma taça do Mundial, eu gosto do mundo da Copa e fico aguardando os comerciais que eu adoro ver. Tem sempre um monte de coisa especial. Essa semana saíram dois. A Brahma lançou um chamado Tá Liberado a Acreditar, que é um curta que mostra o Ronaldo fenômeno, o Ancelotti.
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e que inclusive usou um dado real como gatilho. Só três em cada dez brasileiros acreditam no hexa Campeonato. Eu sou um desses três. Eu tô botando fé nessa molecada aí. é um dado da Datafolha.
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para contar uma história de esperança no título, em que dá para acreditar. E dá mesmo, a Copa do Mundo é maluquíssima, nada é garantido. E a Adidas foi numa direção oposta em termos de escala, curta de cinco minutos com o Timothée Chalamet na direção, estrelando. Aí tem o Messi, o Bad Bunny, o Bellingham, o Yamal, o Zidane rejuvenescido via IA, provavelmente.
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numa pelada de bairro que eles não perdem desde 96. São campanhas diferentes uma da outra, mas apontando a mesma coisa, A nostalgia como um antídoto a essa ansiedade pré-copa. A Brahma vai por essa memória afetiva nacional e a Adidas empilha capital simbólico até o limite que o Mattel aguenta, botando todos os rastros da marca. E as duas narrativas funcionam. Vem, Copa!
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nova na área, bem ou menos pra mim. Essa aqui foi dica do grande Alexandre Matias, do nosso trabalho sujo. Eles tocaram aqui no Rio na quinta passada, mas os meus intermináveis treinos para maratona não me permitiram ir. O plano era ir, mas eu não fui na Áudio Rebel. E a Tango Mangos é uma banda baiana formada em 2017, que chega agora ao seu segundo disco, Pedaços e Caronas, vai sair pela Deck. E por enquanto só saiu o single do Dominó.
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A faixa fala da experiência deles migrando de Salvador para São Paulo para tentar sair daquela zona cinza da banda que já saiu mas ainda não chegou. E aí o dominó entra como uma metáfora de parceria, de pertencimento. É uma música que já estava tocando nos shows deles antes de ser gravada, dá até para sentir isso. A parece soltinha, eu fiquei animado para ver o show deles, vai ficar para a próxima, mas fica aqui a dica de Dominó.
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Nesse episódio você ficou sabendo que a fala do Lima do Arte virou combustível de indignação, que algoritmos transformam artigos em clipes de raiva, que o New York Times chegou a 13 milhões de assinantes apostando em profundidade, que a parceria entre a Anthropic e a SpaceX concentra a infraestrutura de IA nas mãos de poucos, que cientistas desenvolvem computadores com células humanas e muito mais.
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Se você gosta do RESUMIDO, de assinar, você pode me ajudar divulgando. É bom demais, é muito importante. Se você puder, então recomenda pra mais gente. Manda pelo WhatsApp, pelo Instagram, posta no Stories, eu reposto todo mundo. E não deixe aí de na plataforma onde você estiver escutando o episódio agora. Vai lá dar um curtir, assina, segue, dá cinco estrelinhas, deixe uma resenha, um comentário, tudo isso ajuda. Aliás, falando em comentários, se você quiser comprovar que você viu esse episódio inteiro, a palavra secreta da semana é: corte.
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RESUMIDO é produzido e apresentado por mim, Bruno Natal
O roteiro é escrito por mim e pelo Agenor Neto
O Cauê Marques co-edita a newsletter O Futuro Explicado e as redes sociais, que contam com animações do Peri Semmelmann e design do Felipe Araújo
A edição e mixagem é feita pelo Hugo Rocha da Usina Sons
A foto da capa é do Jorge Bispo
E o tema original foi composto por Gustavo Silveira
Sou o Bruno Natal, obrigado pela audiência e semana que vem tem mais RESUMIDO!