Transcrição
Transcrição EP. #367
(transcrição gerada automaticamente, pode haver falhas)
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Olá, eu sou o Bruno Natal, hoje é dia 09 de junho e no RESUMIDO #367: internet já tem mais conteúdo de bot do que de gente, NYT diz que IA foi construída com roubo, governo dos EUA quer ver modelo de IA antes de lançamento, adolescentes estudam carpintaria para se proteger da automação, moradores tapam câmeras com sacos de lixo para proteger privacidade, chegou a Netflix pública do Brasil e muito mais!
Vamos nessa, RESUMIDO!
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Olá, Resumista! Esse é o RESUMIDO, um podcast sobre cultura digital e o impacto da tecnologia em todos os aspectos das nossas vidas. Hoje, segunda-feira, estou um bagaço. Ontem, corri minha segunda maratona, como alguns de vocês talvez tenham acompanhado pelo Instagram, embora não postem tanto assim. Deu tudo certo, consegui fazer o meu melhor tempo. Depois de cinco meses de muito treino, agora vou voltar até a minha vida normal. Olha que coisa boa. Semana passada, teve Rio 2C.
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Aqui no Rio, participei, apresentei uma palestra que eu vou publicar alguns trechos no Instagram, acho que ainda essa semana. E essa semana tem o Web Summit Rio. Eu vou estar por lá falando sobre podcasts, mediando alguns painéis. O evento já virou um ponto de encontro real do ecossistema brasileiro de inovação, não é só uma vitrine internacional. E o Inova Brá, novo parceiro do RESUMIDO, é o ecossistema de inovação do Bradesco, que reúne mais de 340 startups num ambiente colaborativo.
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conectando essas startups, grandes empresas, parceiros tecnológicos para gerar negócios. Eu vou falar mais sobre esse ecossistema nos próximos episódios. Nessa edição do Web Summit, o Inova Brá está com 24 startups numa ilha dedicada, empresas como a Two Clicks App, BrainSec, ValePay, Tamborim e outras que atuam em áreas que vão de pagamentos até cybersegurança. O bom de estar em eventos como o Web Summit é ter acesso às corporações.
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O conteúdo serve como um gatilho e a feira de negócios acaba abrindo oportunidades exatamente por reunir tantos tomadores de decisão num só lugar. Isso ajuda a impulsionar as startups, trazer visibilidade para quem está construindo e também abrir conversas com grandes empresas, clientes, parceiros, investidores nesse espaço que todo mundo já está aberto e prestando atenção. Se você se interessa pelo ecossistema de startups e inovação brasileira, vale muito acompanhar a newsletter do Inova Brá, do Hype ao ROI,
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O link tá na descrição do episódio, é só você clicar, assinar e começar a receber.
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Vamos de cultura digital e como nosso comportamento online ajuda a moldar a sociedade.
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Eu queria ser um aluno. Eu me que eu queria ser um eletricista. A agência pública de saúde da Suécia fez uma recomendação bem dura agora sobre o uso de telas e passou a pedir para os pais guardarem o celular quando estiverem com seus filhos. Essa mudança tem a ver com essa preocupação não só do tempo de tela das crianças, mas também do comportamento dos adultos. Como a gente sabe, criança copia o que os pais estão fazendo, os adultos, os cuidadores no entorno.
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E as pesquisas que foram citadas pelas autoridades suecas falam que esse uso frequente de smartphones pelos pais acaba reduzindo a qualidade das interações familiares e influenciando diretamente os hábitos digitais das crianças. É aquela coisa, né? Não é muita novidade, a gente já sabe que funciona assim, mas às vezes quando botam algumas regras, algumas leis assim, ajuda a conter de alguma forma, né? Então a recomendação é bem simples, é pra guardar o celular quando você estiver com o seu filho ou com sua filha.
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e usar só o necessário ou em algumas outras atividades que sejam compartilhadas com a criança. Ver um vídeo junto, jogar um jogo, alguma coisa que a criança também esteja envolvida no uso daquele celular. Porque a gente vai começar a sentir muita falta das interações humanas, porque no mundo digital está ficando bem complicado. Um relatório da Cloudflare disse que os bots já ultrapassaram os humanos no tráfego online pela primeira vez na história da internet. De acordo com essa pesquisa que usou dados da própria Cloudflare,
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As solicitações automatizadas já são 57,5% do tráfego contra 42,5% de humanos, ou seja, os acessos ao site são feitos por bots, já em maior parte não pelos humanos. Isso sem muito a ver com esse crescimento de agentes de IA que vão navegando pela internet em nome dos usuários, às vezes por conta própria, para pesquisar preço, para comparar produto, para fazer pesquisa, consultar página, e isso aumentou muito o tráfego de bots.
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e agora ultrapassando os humanos. Isso é especialmente preocupante porque, além do tráfego, o conteúdo já está sendo produzido em maior parte por bots, alguns especialistas têm uma previsão que em 2026 90% do conteúdo online seja gerado por IA. Acho que essa é previsão um pouco catastrófica, mas é pra onde o barco está apontando.
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Mas é bom lembrar que essa métrica tem a ver com as requisições da web, acesso aos sites e não o tempo de uso. Os humanos ainda dominam essas atividades, porque ficando streaming, vendo vídeo por horas, apps, feeds infinitos, lendo algumas coisas, ou pelo menos assim eu espero. E esses dados começam a confirmar a teoria da internet morta, que é quando a internet tem conteúdo gerado por bot, navegado por bot e poucos humanos fazendo parte do processo.
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E não é só online, offline a gente começa a ver a presença de bots na nossa vida. A gente vê drone para cima e para baixo fazendo filmagem em alguns países, carros autônomos. E aqui no Brasil o iFood anunciou que vai ampliar o uso de drones para algumas entregas em condomínios de São Paulo. Então não é uma entrega de drone ainda na janela da sua casa.
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Embora eu tema por esse dia, eu fico pensando como é vai ser a nossa vida quando tiver um monte de drones voando do lado pro outro, passando a nossa janela, como fica a privacidade, segurança, enfim. Papos distópicos, mas no caso do iFood, essa operação de drone é pra regiões como a Alphaville, que é um condomínio distante que vai conectar então os restaurantes do shopping Granja Viana-Alphaville com os condomínios que são próximos. Isso porque os drones conseguem percorrer esses 3,5 km em 5 minutos.
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E aí o drone entrega para um entregador humano, e aí ele finaliza essa entrega até a residência de quem pediu. A ideia é só acelerar o processo. Mas não vai demorar muito até chegar a hora que você vai receber uma pizza voando na sua janela. Você vai lembrar do dia que eu falei isso. E de acordo com o iFood, o motivo de começar a testar esse tipo de entrega é que 50% dos pedidos nessa região, como eu falei, a Alphaville é um condomínio mais afastado,
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são recusados pelos entregadores exatamente pelo tempo de espera, a dificuldade de acessar o condomínio e como ele perde muito tempo fazendo essa entrega. a ideia é resolver essa parte da operação. E por conta desse mundo automatizado e ultradigital, o New York Times fez um vídeo, um mini doc, com alguns estudantes dos Estados Unidos, especialmente da Califórnia, dando entrevistas, falando sobre como eles estão repensando o caminho tradicional da faculdade.
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Agora que o mercado de trabalho está tão instável. E lá nos Estados Unidos as famílias contraem muitas dívidas para fazer uma faculdade, que é super caro, e sem ninguém entender direito para que lado as coisas estão indo, acaba desanimando fazer esse gasto, Então esse mini-doc acompanhou alguns jovens que estavam considerando fazer medicina, engenharia, tecnologia, mas agora estão olhando para profissões manuais, como construção, elétrica, soldagem, marcenaria.
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tudo isso como uma opção mais segura e financeiramente viável para esse futuro automatizado que está sendo prometido. Uma vez eu li uma outra reportagem que falava sobre como muitas pessoas estão comprando negócios de marcenaria, tipo de serviço manual, de pessoas já mais velhas, cujos filhos não quiseram herdar esses negócios, não quiseram tocar, então esses negócios estavam tendendo a acabar e algumas pessoas estão comprando eles apostando nesse futuro em que essas áreas vão ser super valorizadas.
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Aí um estudante na reportagem fala uma coisa que me chamou a atenção, que ele falou que ninguém se importa mais com o quanto você sabe, porque o ChatGPT vai saber mais. É uma visão meio de acumular conhecimento mesmo, que não faz muito sentido, não adianta você saber tudo no ChatGPT se você não sabe o que fazer com aquela informação. E da mesma forma que esses trabalhos manuais vão ser muito importantes e vão ter muito futuro ainda, porque o bot não vai serrar uma madeira e consertar o seu armário tão cedo.
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Por outro lado, a gente precisa de cérebros humanos processando essas informações que vem do ChatGPT e outros bots para poder fazer sentido. Mas o que acaba freando esse tipo de busca profissional, esse tipo de trabalho manual, é que essas escolas técnicas ainda têm um estigma social, principalmente em torno dos trabalhos manuais, que são vistos como um trabalho de segunda classe de alguma forma, porque não são intelectuais, mas como a gente vê, a coisa está caminhando para isso ficar muito valorizado. Do outro lado da tela,
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A Apple fez um anúncio que chamou a atenção. Eles compraram uma startup israelense chamada QAI, que é especializada em inteligência artificial, que é capaz de interpretar expressões faciais e micro movimentos da pele para detectar o que se chama fala silenciosa. O Financial Times e a Reuters falaram que o negócio custou cerca de um bilhão e meio de dólares, ou dois bilhões de dólares. Uma das maiores aquisições da história da Apple só está atrás da compra da Beats, que era aquele…
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serviço de streaming de música e os fones, do qual só ficou o fone. Eles usaram a parte do streaming para montar o Apple Music. E o objetivo dessa tecnologia é permitir que os usuários consigam interagir com assistentes de IA sem ter que falar em voz alta, que é uma coisa que eu já comentei aqui algumas vezes, né? Porque fala-se muito desses assistentes de IA por voz, mas eu não quero passar meu dia falando, você quer trabalhar em silêncio. E como isso vai poder funcionar sem você estar com um chip neural instalado? Então não é tão simples assim. Agora, o que chama a atenção mesmo é o seguinte.
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Todo iPhone tem uma câmera apontada para a sua cara o tempo inteiro. Um tempo atrás viralizou uma foto do Mark Zuckerberg com o laptop, o MacBook dele, com a câmera tapada com uma fita adesiva. E todo mundo olhou para aquilo e falou, bom, se o Mark Zuckerberg está tampando essa lente, algum motivo deve ter. Eu sou um que tem tampa nas minhas lentes todas de desktop, a câmera do iMac ou a externa do monitor Dell que eu tenho hoje em dia, todas tapadas.
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mas não no telefone. E agora que a Apple é capaz de rodar esse tipo de tecnologia, será que não é um bom negócio fechar a câmera? Será que esse negócio vai ficar desvendando o que a gente está pensando o tempo inteiro? Parece distopia, mas também não é difícil imaginar que isso possa ser verdade. E esse tipo de busca por privacidade está levando algumas cidades nos Estados Unidos a uma medida bem extrema. Eu comentei alguns episódios atrás aqui sobre a Flock Safety, que é um sistema de câmeras
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privado, está sendo instalado em várias cidades dos Estados Unidos, ele trabalha monitorando as placas de carro para poder depois rastrear caso tenha algum crime, algum acidente, poder saber para onde esses carros foram. Todo mundo lembra do caso da Marielle, como foi difícil rastrear os dados do carro usado no crime, teve que quebrar o sigilo telemático dos telefones junto com o Google, e esse tipo de sistema acaba resolvendo um problema que parece trivial, porque a gente pensa, já tem câmera na cidade toda, é só rastrear.
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Mas não é tão fácil assim, e o que o Flock oferece é justamente isso. Essas câmeras que rastreiam dentro de determinadas regiões. Só que conforme eles vão instalando em mais cidades, maior é a área que está sendo coberta. E várias pessoas nos Estados Unidos estão reclamando sobre isso, porque para você monitorar quem fez alguma coisa errada, você tem que monitorar todas as outras pessoas que não estão fazendo nada de errado e muita gente não quer isso. Está tendo várias discussões nos equivalentes às câmaras de vereadores nos Estados Unidos, nos condados.
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E muita gente se opondo a isso, e a solução que está sendo encontrada é tapar as câmeras com saco de lixo. Porque assim ela não consegue ver e acabou. Então tem várias pessoas fazendo isso nas cidades, com uma forma de protesto, uma forma de resistência. E aí a gente vê essa atitude que às vezes é comentada como extrema, tapar uma câmera, você vai botar uma tampa na sua câmera do computador, indo para as cidades, falando em excessos digitais.
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Começou uma campanha chamada Bloqueio no Tigrinho que está pedindo bloqueio das bets e dos cassinos online. Eu vi um vídeo da Camila Fremder do Enjoia Minha divulgando essa campanha, que é a hashtag Bloqueio no Tigrinho, que está pressionando os políticos e as plataformas para começar a restringir a publicidade de bet, cassino online e dos jogos como Tigrinho. A premissa dessa campanha é que vários desses produtos acabaram se espalhando no Brasil com ajuda de influenciadores, artistas, jogadores, todo mundo que a gente vê nas propagandas,
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que acaba normalizando essa ideia de aposta para milhões de pessoas. Inclusive, tem um episódio especial sobre bets aqui no RESUMIDO. É só você buscar onde você estiver ouvindo esse episódio agora. Bota lá RESUMIDO, bets, vai aparecer esse especial. E o foco da campanha é esse, mostrar que tem uma pressão social para proibir tipo de promoção e responsabilizar também as plataformas que estão hospedando e distribuindo esses anúncios que acabam enganando muita gente. E para isso, estão sendo recrutados vários influenciadores bem grandes para poder combater com a mesma…
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linguagem, com a mesma força. Alguns influenciadores online, outros comunicadores, alguns artistas, músicos… A campanha está contando com nomes como Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Emicida, Bacchus Tudoblus, Nath Finanças, Astrid Fontenelle, Camila Pitanga, um monte de gente legal. E de acordo com o movimento, as bets já retiraram R$ 143 bilhões do varejo entre 2023 e 2026. Isso é dinheiro que está vindo para lojas.
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para comércio e vai parar lá na bet e isso tem um impacto direto na economia, né? Sem falar no vício. Também de acordo com a campanha, cerca de 1,4 milhão de pessoas já têm transtornos associados às apostas online e 66% dos apostadores apresentam algum nível de uso problemático. Então a ideia é tentar diminuir pelo menos a normalização desse tipo de jogo. Essa campanha está sendo organizada pela 342 Artes.
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E aí falando em Tigrinho, a Piauí publicou uma reportagem enorme sobre a Virgínia Fonseca, desculpa estar falando o nome dela por aqui, mas é importante e relevante para o tema em questão, para mostrar como a influenciadora transformou a própria vida num negócio de audiência, de vendas e numa polêmica permanente. E aí o texto conecta a trajetória dela nas redes, com a ascensão bilionária da WePink, a participação dela na CPI das Bets.
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e a investigação da Polícia Federal sobre as movimentações financeiras ligadas às empresas da Virgínia. O texto é gigante e mostra como a Virgínia se tornou esse personagem central da economia da influência no Brasil. Alguém conseguiu converter intimidade, luxo, família, separações, namoro, carnaval, qualquer coisa, em engajamento, em seguidor e faturamento. Essa reportagem vem na esteira de uma sonora vaia que a Virgínia recebeu no Maracanã. Óbvio que ali está misturado a questão de Vini Júnior.
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E como bem disse a Thais Iodelli na newsletter dela, Sou meio vagabunda, mas sou boa pessoa, na edição número 236, sororidade tem limite e ela rebateu as críticas de que essas vaias estavam só relacionadas à questão de machismo e uma perseguição com a Virginia por conta da relação com o Vini Jr. e que tem muito mais a ver com as pessoas respondendo justamente essa presença tóxica dela nesse tipo de ambiente. Bom…
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Quero muito acreditar que a Taísa esteja certa e o Brasil esteja acordando. Mas, para animar um pouco mais, o governo federal lançou Tela Brasil, que é uma plataforma pública e gratuita de streaming voltada para os filmes, documentários e animações nacionais. Sempre pensei sobre isso. Tem tanto produto audiovisual produzido com incentivo fiscal que é muito interessante disponibilizar isso para o público, para a população brasileira. Não é bem essa a premissa do serviço.
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O Tela Brasil começou a funcionar no dia 30 de maio, já tem 500 títulos, desde obras antigas de 1910 até a produção mais recente de 2025. Isso aí acaba virando um acervo audiovisual brasileiro que é acessível online, que não tem mensalidade, não tem publicidade, e dá aí uma alternativa de assistir coisas legais sem interesses comerciais por trás. Vou dar uma chance para o Tela Brasil, de repente dar um desafogo desse monte de série tenebrosa que aparece nos streams.
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Muita gente me pergunta como separar o que realmente importa de IA do que é só mais uma ferramenta hype da semana. Isso é obviamente não é pergunta fácil, mas a escola de IA da PUC Paraná montou algo que ajuda a responder. A IA Open Week é uma semana de conteúdo gratuito e online sobre IA. São cinco trilhas por área de atuação, negócio e liderança, marketing e customer experience, RH, saúde, jurídico e cibersegurança.
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Você escolhe a que faz mais sentido pra você e aí tem aulas com professores que trabalham no Google, Amazon, na Microsoft, mostrando como essas empresas usam a IA no dia a dia. Tem também uma parte sobre ferramentas, prompts e também um momento ao vivo com especialistas falando sobre o futuro do trabalho com IA. É uma amostra real da pós-graduação em IA da PUC Paraná sem ter que pagar nada, vale muito pra quem quer sair do básico e entender onde a IA muda o jogo de verdade na carreira. É gratuito e online, é só se inscrever no link que está na descrição do episódio.
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Agora é o momento de explorar as transformações causadas pelas inteligências artificiais.
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E depois tem o E tem outra palavra para data, que conteúdo E o data empurra os algoritmos. Silicon Valley diz que não podíamos pagar, não podíamos afundar. E se você nos a vai ganhar. E eu não acho que verdade. Estamos falando sobre as ricas e mais poderosas na história da humanidade.
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talvez o mais duro feito por uma empresa jornalística de grande porte contra a indústria de inteligência artificial. New York Times está processando a OpenAI, o Perplexity, o Anthropic e várias outras empresas de IA por conta da raspagem de conteúdo do jornal. E o que o Sulzberger fez foi acusar as empresas, que além dessas que eu listei, também o Google, Microsoft, o X, de construírem os seus modelos a partir da apropriação massiva de conteúdo produzido por veículos de imprensa.
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Isso tudo sem autorização ou compensação adequada. Ou exatamente como eu falei, raspando o conteúdo e usando para treinar os robôs. E aí o ponto dele é que isso vai muito além de direito autoral, porque acaba virando uma ameaça direta para a sustentabilidade econômica do jornalismo. E até para a infraestrutura da informação num regime democrático. Ele fala que essa relação entre as plataformas e o veículo acaba reduzindo o tráfego para os sites.
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justamente num momento em que os modelos dependem cada vez mais do trabalho produzido pelas redações. Sem conteúdo produzido por algum humano com qualidade, não tem treinamento de robô que pare de pé, porque o conteúdo sintético de IA já sabe como é que é. E o conteúdo sintético não existe sem o conteúdo humano pra treinar o robô pra produzir aquele conteúdo.
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Então isso acaba virando uma cobra comendo o próprio rabo, porque a indústria vai se consolidando com mais poder sobre os dados, com mais controle da atenção, com a distribuição da informação, ao mesmo tempo que enfraquece quem produz o original da qual ela precisa para poder ter esse poder todo. De acordo com o Sulzberger, o New York Times investiu mais de dois bilhões de dólares em jornalismo só em 2025, publicou cerca de 500 mil conteúdos originais nesse período.
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E o que ele fala é isso, a IA não produz reportagem original, depende do jornalista pra descobrir fato, investigar casos, cobrir guerra e pra poder gerar novas informações. Então ele não consegue entender como que a IA paga engenheiro, chip, energia, mas trata o conteúdo que alimenta o modelo inteiro como algo que pode ser lá raspado e capturado de graça. E aí ele faz uma comparação com Napster, a plataforma que foi o catalisador do compartilhamento de arquivos de música principalmente.
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que aí eu já acho um assunto um pouquinho mais complicado, porque compartilhamento de arquivo é diferente de roubo e raspagem para produzir algo com ganho financeiro, mas enfim, vamos guardar esse debate para um outro episódio, só por questão de tempo mesmo. Mas assim, para concluir, o que o Sulzberger fala é que essa combinação entre ter menos receita para o jornalismo e mais conteúdo sintético vai acabar ampliando a desinformação. Isso gera a teoria da conspiração, deep fake e o AI slop, a gororoba digital toda produzida por IA.
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Então, o que ele fala é que os veículos têm que processar quem está violando por direito autoral. Talvez ele se esqueça que nem todo veículo tem o dinheiro do New York Times para fazer isso. E o Sulzberger é o cara responsável por essa migração do New York Times do sistema analógico para o digital, com muito sucesso. E isso é uma questão que vai ficando cada vez mais urgente mesmo. Porque já está gerando consequências diretas e indiretas. Essa semana teve o exemplo da Folha que na capa do dia 5 de junho…
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publicou um bloco de texto no formato Lorem Ipsum. Lorem Ipsum é um texto fictício que é muito usado em diagramação, quando você está preparando no jornal uma revista, para poder reservar o espaço, saber como vai ficar antes de você inserir o texto final. Aqui precisa ser revisado para ter certeza que ele está lá. Esse erro acabou aparecendo bem numa chamada de política. A manchete estava escrita certa, era Flávio fala em guerra espiritual contra Lula em ato evangélico.
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Isso acabou potencializando a repercussão nas redes, porque acabou associando esse erro editorial bizonho a um tema que já é politicamente sensível e a gente vê o tamanho da encrenca. Isso não é um erro gerado por IA, mas sem dúvida é um erro gerado pela diminuição do número de jornalistas numa redação. Conforme essas empresas vão perdendo receita, porque cada vez tem menos tráfego no site, vende menos jornal, demite mais jornalista, é menos gente fazendo mais coisa e esse tipo de erro acaba aparecendo.
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Esse corte de custo acaba gerando um corte de qualidade e temos aí essa situação bizarra que é o jornalista impresso virar um produto mais caro de nicho e a gente quer que ele ofereça justamente tudo que o digital acelerado não consegue entregar, que é o cuidado, uma precisão, confiabilidade, uma coisa feita com calma e acaba sendo feita com ainda mais pressa e ficando pior do que o digital. Tá feia a coisa. E o Núcleo Jornalismo…
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que é um site independente que virou referência na cobertura de tecnologia, de desinformação, internet no Brasil, citei eles várias vezes por aqui, anunciou que vai interromper temporariamente grande parte das atividades para poder reavaliar o modelo de negócio. Escreveram um texto, não é difícil entender, não tem dinheiro que seja suficiente para bancar operação, eles chegaram a ter mais de 20 pessoas na redação durante as eleições de 2022, eles sobrevivem praticamente com doações institucionais,
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com grants, são sistemas de subvenções, prêmios, editais, que ajudam a financiar muitos projetos, eles perderam isso e agora não tem mais dinheiro pra seguir. E eu sei bem como é que é essa realidade, porque é muito difícil tocar um projeto independente de jornalismo ainda por cima, e é ruim ver o Núcleo, bom, se não fechando as portas, pelo menos não na minha encostada. E isso porque eles falaram que tinham dezenas de milhares de leitores.
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Eu não tenho dezenas de milhares de leitores e cerca de mil assinantes, coisa que eu também não tenho. Então, se você gosta muito do RESUMIDO, como eu falo algumas vezes, pense em fazer a sua assinatura em www.resumido.cc/assinatura para eu poder seguir com isso aqui. Porque também chega uma hora que não dá. Às vezes tem parceiros, às vezes não tem. Para eu poder fazer um planejamento, eu não posso ficar a mercê do que está acontecendo, né? Eu preciso ter aqui um mínimo de previsão para poder fazer até o que eu gostaria de fazer mais, reportagens e a campo pesquisar. Fato é que a IA está aí.
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e não vai a lugar nenhum e as coisas parecem estão afrouxando. O Martin Scorsese, que talvez seja um dos nomes mais simbólicos da defesa do cinema, arte, autoral, virou parceiro e conselheiro da Black Forest Labs, que é uma startup de IA especializada em geração de imagens e vídeos. Um anúncio meio surpreendente. E de acordo com o New York Times, o Scorsese já usou a tecnologia da empresa na pré-produção do novo filme e ele falou que o cinema, ser relativamente jovem, tem que estar aberto à evolução tecnológica.
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O Scorsese usou na pré-produção, para poder gerar o storyboard, para tomar algumas decisões de caminho do filme, mas que ele não usou para gerar cenas nem nada assim. Esses dias eu falei sobre como a Demi Moore falou em Cannes sobre combater IA ser uma batalha provavelmente perdida e alguns outros artistas falando sobre isso, e parece que a discussão em Hollywood já está saindo da IA contra os artistas para uma disputa um pouco mais complicada.
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que é sobre quem controla, quem autoriza e quem se beneficia do uso dessas ferramentas, essas que viraram a grande questão mesmo. E um exemplo disso é uma empresa de software do Vale do Silício, que é especializada em armazenamento e gestão de dados, que está usando a inteligência artificial não para reduzir a equipe, mas para poder criar novos cargos. Eles dizem que já criaram cerca de 13 novos tipos de funções ligadas a IA, coisas como arquiteto de IA, gerente de soluções de IA, líder de plataforma de IA.
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que me dá uma certa impressão que eles pegaram um monte de cargo e botaram IA no fim para dizer que é isso. Mas a verdade é que a tecnologia está aumentando a necessidade de contratação em muitos casos, falei bastante disso no episódio passado, porque com a chegada das ferramentas geram-se novas demandas, tem outras coisas a serem feitas e talvez não as mesmas coisas e certamente tem um problema de transição, mas vai ter que ter gente para tocar isso tudo, porque é impossível uma pessoa só fazer tudo
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por mais IA que você tenha. E dentro dessa questão, trazida em Hollywood, trazida aqui na questão do jornalismo e até aqui nessa questão dessa empresa, seus novos empregos de IA, é a questão de como fica a distribuição dos ganhos de IA. Fala-se muito em aumentar a eficiência, aumentar a produtividade, mas o dinheiro parece ficar retido lá em cima, Algumas pessoas vão ficar com bastante dinheiro e aqui embaixo todo mundo está apinhado pelo que resta. E o CEO da NVIDIA, o Jensen Huang,
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falou que ele tenta pagar os funcionários o máximo possível e que isso é uma forma de compartilhar a riqueza que está sendo gerada pelo boom da inteligência artificial. Ele deu essa declaração em Taipei durante a Computex, num momento que a Nvidia já se tornou uma das empresas mais valiosas do mundo e que ele próprio, o Huang, acumula uma fortuna de cerca de 186 bilhões de dólares. Coisa que eu nunca vou entender porque alguém precisa acumular tanto dinheiro e eu tenho sérias dúvidas se deveria. Mas de novo, também não vou entrar nesses assuntos episódicos, isso é outro fio desencapado.
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pra gente tentar aparar. Mas muito disso aí também é teatro, né? Assim como a Anthropic que se vende como uma empresa mais consciente, preocupada com os riscos de IA, isso também é uma forma dele posicionar a Nvidia como uma empresa que tá sendo a exceção no debate sobre concentração de riqueza. Então enquanto a maior parte do setor tá cortando vaga em nome de automação, O setor de tecnologia, não de IA especificamente.
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O Jensen está defendendo que os trabalhadores qualificados devem ser altamente recompensados exatamente por eles serem o centro da infraestrutura que está movendo essa nova economia. Tomara que mais gente aja como ele ou que ele esteja agindo como ele diz.
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E agora é hora de falar sobre como as Big Tech moldam nosso comportamento.
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A Anthropic pediu uma pausa coordenada no desenvolvimento de IA e alertou para o risco de perda do controle humano. É, mais uma vez, né? Parece que a cada dois meses eles lançam esse tipo de comunicado.
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tentando fortalecer essa imagem que acabei de comentar de empresa preocupada com as questões de segurança da IA. Essa afirmação vem de um documento publicado pelo Instituto de Pesquisa da própria Anthropic, que eles estão falando que a velocidade de evolução da IA está se aproximando de um ponto em que os sistemas de IA vão poder melhorar a si próprios sem intervenção humana. Esse processo é conhecido como autoaperfeiçoamento recursivo.
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E de acordo com a Anthropic, a capacidade dos agentes de IA de executar uma tarefa de forma autônoma vem dobrando a cada quatro meses e que a sociedade não está preparada para lidar com as consequências dessa transição e não está mesmo. Agora, por que a gente vai passar por essa transição? Parece que a IA já tomou conta dos humanos, a gente não tem a opção de frear, de tomar um outro caminho, de escolher algum tipo de limite, não. Vai vir, vai acontecer como vai acontecer e todo mundo que se vire. E essa proposta da Anthropic…
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pede participação de outras empresas, OpenAI, Google, Meta, xAI, Mistral, além de querer criar umas regras mais claras sobre quando essa pausa começaria e quando terminaria. Mas a verdade é que se essas empresas pararem, alguma outra empresa não vai parar dentro dos Estados Unidos, fora de lá, na Europa, na Ásia, na China, onde for, e alguém vai alcançar esse tipo de avanço. Então fica difícil você, como dizem por aí, botar o gênio de volta na lâmpada depois que ele já saiu.
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Como bem apontou o Gary Marcus, eles não pediram exatamente uma pausa no desenvolvimento. Se você ler lá o texto com cuidado, a Anthropic está falando, na verdade, para criar uma opção de desacelerar ou pausar no futuro, caso os outros laboratórios também façam isso de forma verificável. Ou seja, a Anthropic ocupa os dois lugares, fica parecendo responsável, fala do risco do autoaperfeiçoamento de IA, mas vai avançando rápido nessa corrida.
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com o argumento de que outros atores menos cautelosos podem ultrapassar a empresa nesse caminho. Então vira uma retórica meio sem custo nenhum, porque não tem como verificar, ninguém vai parar mesmo. Então você fala que gostaria, mas vai fazer da mesma forma porque ninguém vai fazer. E isso aí é muito conveniente, ainda mais com empresas às vésperas de fazer o seu IPO. E aí a coisa vai ficando quase psicodélica quando você vê o Bernie Sanders, é um congressista democrata dos Estados Unidos.
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publicando um artigo defendendo que a IA não deve pertencer só às grandes empresas de tecnologia e seus donos bilionários, mas que como ela foi construída a partir da inteligência coletiva da humanidade, com livros, músicas, artes, jornalismo, código, pesquisa científica, conversa, imagem, tudo, tudo foi produzido por milhões de pessoas ao longo de várias gerações, e esse material todo que foi usado sem permissão, sem crédito, sem compensação, então essa riqueza toda gerada também tem que voltar para a sociedade.
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E a proposta do Sanders é criar um fundo soberano público com a participação direta nas maiores empresas de IA dos Estados Unidos. Esse fundo seria financiado por uma cobrança única de 50% das ações das empresas e isso seria do governo dos Estados Unidos, do povo dos Estados Unidos, para poder receber os benefícios financeiros dessa evolução de IA. Legal que ninguém fala do resto do mundo, porque parece até que esses laboratórios só usaram o conhecimento gerado nos Estados Unidos como se fosse um silo, uma coisa…
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do resto do mundo e eles fazem lá, resolvem de alguma forma. Agora, é de se espantar você ver uma discussão desse teor acontecer nos Estados Unidos que é o país mais capitalista do mundo. Como eu disse, uma psicodelia. Vai ter gente aí querendo apedrejar o Sanders chamando ele de comunista. Esse assunto que nunca acaba. E olha que eu não sei se é má ideia. Realmente compartilhar os resultados com a humanidade de alguma forma seria muito interessante. Em vez de serem 8 ou 10 donos de Big Tech capturando esses ganhos todos sozinhos.
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Mas para comprovar que a psicodelia não está só do lado democrata, do lado republicano, o governo atual do Trump, que é republicano, anunciou que agora vai solicitar que as empresas de IA submetam voluntariamente os seus modelos mais avançados para uma avaliação de segurança antes do lançamento público. Essa medida foi formalizada por meio de um decreto assinado pelo presidente.
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e a ideia é ampliar essa capacidade do governo de avaliar os riscos associados às IA de fronteira, que são as que estão no limite da tecnologia, que estão mais adiantadas. É uma participação voluntária, não tem uma obrigação legal, é quase que um pedido, e isso aí está ligado a essas preocupações com os riscos associados a IA avançar rápido demais. Agora, eu fico pensando em qualquer outra época recente, políticos americanos falando em…
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estatizar 50% de empresas de IA, ou obrigar a ter uma sanção pública antes de avançar, isso ia dar tanto problema, mas você vê o estado que está, pra estar tudo de cabeça pra baixo, tá todo mundo completamente perdido nisso tudo. E mesmo assim, em meio a esse caos da IA e das super avaliações do valor de mercado das empresas, a Alphabet, que é a empresa dona do Google, né, do grupo inteiro,
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anunciou que vai levantar 80 bilhões de dólares com venda de ações para poder financiar a expansão da infraestrutura de IA. Foi surpreendente esse anúncio porque em tese o Google, Alphabet no caso, tem dinheiro em caixa e quem não perdeu tempo foi o fundo Berkshire Hathaway do Warren Buffett que foi lá e investiu 10 bilhões de dólares já pegou logo uma fatiaça disso aí apostando que eles vão crescer muito.
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A tese do Google é que a demanda pelos produtos e serviços de IA vai superar a oferta disponível e isso aí transforma o compute no novo gargalo estratégico da empresa. Isso aí também mostra que essa corrida de IA já deixou de ser uma disputa só por modelos e vira também uma corrida financeira, industrial de infraestrutura. É aquilo, a IA vai avançar tão rápido quanto a estrutura possa conseguir suportar. Porque tem muita coisa envolvida, você pode ter tudo no papel funcionando, mas daí a fazer tem uma distância.
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Aliás, quiser saber mais sobre esse tipo de leitura do mercado de tech, não deixe de acompanhar o RESUMIDO Tech Invest. Tem a newsletter, tem também o @resumido.techinvest no Instagram, e por lá o assunto é só esse, um canal que eu faço a parceria com o Thiago Linsch, economista formado na PUC, um grande entendedor desse tema. E ainda nas notícias das empresas de Big Tech, a NVIDIA anunciou o RTX Spark, que é o primeiro chip completo para PCs de usuários normais, não de empresas.
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Então eles estão entrando oficialmente nesse território que era antes ocupado pela Intel, pela AMD, pela Apple, pela Qualcomm. Esse processador é para ser usado em laptop, em mini PCs e é feito para rodar IA. Ele está focado em criação visual, game, agentes pessoais. E a Nvidia está dizendo que esse chip vai permitir rodar modelos de IA grandes diretamente no computador sem depender tanto da nuvem, do consumo de tokens.
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transformando a experiência toda numa coisa mais segura, menos cara e também com um pouco mais de privacidade. A Microsoft já anunciou o Surface Laptop Ultra com esse novo chip da NVIDIA. A NVIDIA ainda não falou de preço, nem nenhum benchmark detalhado, mas isso é uma grande mudança. A proposta deles é transformar o PC numa máquina de IA pessoal, que vai ser capaz de executar tarefas por comando de voz, linguagem natural diretamente na máquina. O que muita gente vem fazendo com Mac Mini?
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que chegou até a esgotar em algumas lojas nos Estados Unidos, com muita gente botando pra rodar os agentes autônomos. É isso, muitas mudanças a caminho.
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Hora de relaxar com as dicas de ver, ler e ouvir.
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genuine não sobre descobrir a solução.
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É sobre ser inocente o suficiente para fazer algo exagerante com isso. The Odds and Tears é uma série criada pelo Jonathan Glatzer, que antes disso tinha participações como roteirista em Succession e Better Call Saul, que investiga o Vale do Silício através do consultório de um terapeuta que atende CEOs bilionários. O Zeke Galifianak is, que é um cara que eu adoro, acho ele muito engraçado, interpreta um figurão aposentado que virou um sábio para a geração seguinte,
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Só que nas sessões de terapia acaba se mostrando uma criança cheia de surto de raiva. É menos paródia direta que o Silicon Valley da HBO, outra boa série sobre o Vale do Silício. E é mais um drama mesmo de personagens que é parte da aposta. Lá nos Estados Unidos está sendo exibida pela AMC, ainda não dá pra assistir aqui no Brasil, ao menos sem VPN. Piscou?
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Sempre uma alegria falar do Weezer ainda mais na infelizmente rara ocasião deles lançarem uma música boa. We Might As Well Be Strangers é o single que inicia a divulgação de The Gold Album, está previsto para agosto, e a música é um dueto entre Rivers Cuomo e a Carly Hanson do Wednesday.
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O disco foi produzido pelo Klaas Arlund e pelo Kenneth Bloom, é um produtor que foi conhecido no meio do hip-hop como Kenny Beats. Eles disseram que iriam fazer o álbum mais violento do Weezer. Tomara que tenha dado certo e tem chance de ter dado a jogar pra nossa primeira música que parece um Weezer bom. que coisa boa.
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Nesse episódio você ficou sabendo que pela primeira vez bots superam humanos no volume de tráfego online, que o publisher do New York Times disse que acordos de licenciamento podem não compensar o que a IA está levando, que o governo americano quer acesso prioritário ao modelo de IA antes do lançamento público, que Bernie Sanders propôs que o estado receba 50% das ações das empresas de IA, que adolescentes americanos cursam carpintaria e ofícios manuais para se proteger da automação,
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que cidades cobrem câmeras de vigilância com sacos de lixo por não conseguir cancelar contratos, que o governo brasileiro lançou uma plataforma pública de streaming como alternativa às Big Tech e muito mais. Se você gosta do RESUMIDO, além de fazer sua assinatura, recomenda pra mais gente. É post no Instagram, mensagem no WhatsApp, papo no bar, na hora do almoço, tomando água no trabalho. Já escutou um RESUMIDO? Escuta, você vai gostar? Você vai saber mais sobre mundo de tecnologia, ficar mais por dentro dos verdadeiros impactos da IA?
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Tudo isso aí parece piada, mas é assim que chegou o podcast e só ajuda demais o RESUMIDO. E também não deixe de curtir e seguir o RESUMIDO, estrelinhas, deixar uma resenha, sai clicando em tudo aí na plataforma que você estiver escutando esse episódio agora, porque isso também ajuda muito o RESUMIDO a ganhar autoridade nas plataformas. E se você quiser comprovar que escutou esse episódio inteiro, só você deixar um comentário com a palavra secreta da semana que é: Acesso.
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RESUMIDO é produzido e apresentado por mim, Bruno Natal
O roteiro é escrito por mim e pelo Agenor Neto
O Cauê Marques co-edita a newsletter O Futuro Explicado e as redes sociais, que contam com animações do Peri Semmelmann e design do Felipe Araújo
A edição e mixagem é feita pelo Hugo Rocha da Usina Sons
A foto da capa é do Jorge Bispo
E o tema original foi composto por Gustavo Silveira
Sou o Bruno Natal, obrigado pela audiência e semana que vem tem mais RESUMIDO!