Faça a sua assinatura

Alerta de misantropia / O fim da web / O preço de continuar humano / O cerco às plataformas

Conteúdo

Para Assinantes

A web como conhecemos está desaparecendo e óculos inteligentes apontam para um mundo sem telas. O custo do ChatGPT para a OpenAI mostra o quanto o uso ainda é subsidiado. Reino Unido e Emirados barram menores nas redes e o STF responsabiliza as plataformas no Brasil.

Quem decide as regras do digital?

No RESUMIDO #369: a web está morrendo, IA usa fontes serifadas para parecer humana, startup tenta vibe codar o GTA 6, Skrillex vira repelente de mosquito, Midjourney faz raio-x de corpo inteiro, americanos não confiam na IA, a conta da IA começa a chegar, cresce o cerco às redes para menores e muito mais!

ASSINE O RESUMIDO

Os episódios completos são EXCLUSIVOS PARA ASSINANTES (até atingirmos a meta da campanha). Assine para escutar e não perder nem um minuto do RESUMIDO!

assinatura

RESUMIDO precisa de você para continuar existindo.

podcast e a newsletter nasceram do compromisso de analisar criticamente o impacto da tecnologia na sociedade, com independência editorial e conteúdo feito por uma pessoa real, não por uma IA.

Por R$ 15 por mês, você se torna assinante, garante a continuidade desse trabalho e ainda recebe conteúdos exclusivos: uma edição extra da newsletter, links completos dos episódios, lives quinzenais e participação na comunidade no WhatsApp e Telegram (clique aqui para saber mais).

Se em algum momento o RESUMIDO te ajudou a pensar diferente, trouxe um link útil, inspirou uma decisão de trabalho, de estudo ou virou assunto numa conversa importante, esse é o momento de retribuir.

Clique no botão e vamo nessá!

RECEBA A NEWSLETTER

“O FUTURO EXPLICADO”

Aproveite para assinar, porque em breve a dinâmica de todo conteúdo extra, além do podcast, da newsletter a este espaço, vai mudar um bocado.

RESUMIDO TECH INVEST

Assine a newsletter com análises de investimentos em ações de tecnologia do RESUMIDO.

RESUMIDO Tracks

Playlist semanal do RESUMIDO, atualizada a cada edição (se gostou muito de alguma música, salva em algum lugar!)

Transcrição

Transcrição EP. #369

(transcrição gerada automaticamente, pode haver falhas)

00:00

Olá, eu sou o Bruno Natal, hoje é dia 23 de junho e no RESUMIDO #369: a web está morrendo, IA usa fontes serifadas para parecer humana, Midjourney faz raio-x de corpo inteiro, americanos não confiam na IA, a conta da IA começa a chegar, cresce o cerco às redes para menores e muito mais!

Vamos nessa, RESUMIDO!

00:36

Olá, Resumista! Esse é o RESUMIDO, um podcast sobre cultura digital e o impacto da tecnologia em todos os aspectos das nossas vidas.

00:48

E aí, na madrugada de sábado seu celular apitou também? Eu tomei um susto que eu estava aqui, quietinho, no YouTube, vendo as resenhas pós jogo do Brasil, e tinham três celulares em volta de mim. O meu, da minha mulher e do meu filho, que ficam carregando na sala, e tocou tudo ao mesmo tempo, eu fiquei completamente desnorteado, e ninguém entendeu nada, né? A única coisa escrita na mensagem era a misantropia, que é a aversão à humanidade.

01:17

Mas eu li e nem prestei atenção, eu imediatamente olhei pela janela pra ver se vai vir alguma tempestade, que normalmente é quando esses alertas da defesa civil costumam acontecer. Esse tipo de alerta é feito usando as redes de telefonia celular, não pode ser barrado nem pelo não perturbe, nem pelo modo silencioso, e é usado pra alertas muito importantes. Claramente alguma coisa saiu de ordem, parecia um hack, e o suposto autor

01:45

desse ataque que se identifica no X apenas como misântropo, arroba misantropias com Z, onde deveriam ter esses, dois Z. Numa entrevista para o TecMundo, que conseguiu falar com eles, disse que ele acessou essa interface de divulgação de alertas públicas, o IDAP, usando credenciais antigas que tinham vazado de servidores públicos. Ele usou a credencial de dois bombeiros que tinham acesso a esse sistema.

02:11

e que tinham como senha o seu próprio CPF. E isso serve para ilustrar o tamanho da gravidade que são os vazamentos de dados que a gente vem acompanhando nos últimos tempos, principalmente porque muita gente tem senhas muito simples e muito óbvias de serem hackeadas. E o que chamou a atenção também é a quantidade de instituições e pessoas que tinham acesso a esse sistema para enviar uma mensagem dessas. São 180 instituições com mais de 600 usuários cadastrados e bastava o login e a senha

02:41

e um CAPTCHA normal, numa conta de matemática bem simples, de acordo com o suposto hacker, para você conseguir disparar a mensagem. E aí é aquilo que você viu mesmo, sai por SMS, Telegram, WhatsApp, alerta público do Google, TV por assinatura, telefonia celular, tem várias formas de esse alerta ser disparado em vários estados, vários municípios, e o hacker disse que encontrou essas credenciais em sites de vazamento de dados.

03:05

E ele falou que uma pessoa com tempo suficiente poderia encontrar esses logins também de maneira bem fácil e fazer algo até pior. E a motivação dele não foi nada de muito revelador, disse que foi uma mistura de tédio com antipatia e incômodo com a comemoração da vitória do Brasil sobre o Haiti. Nas palavras do hacker, as pessoas bêbadas, soltando fogos, gritando as brigas, a maldade humana que sempre o entristeceu. O parceiro hacker

03:33

Acabou de perder a maior oportunidade do ano de 2026. Ele podia ter feito o colapso no Brasil. E no Instagram, um usuário levantou a possibilidade, questionou por que o hacker não fez algo pior. E aí ele sugeriu, por exemplo, que o hacker podia ter soltado uma mensagem que pudesse causar o caos total. Mísseis a caminho do Brasil, uma invasão extraterrestre. E é tudo muito engraçado até você pensar que é verdade, né?

04:00

poderia realmente ter sido enviado uma mensagem que causasse o caos e isso poderia ter consequências inimagináveis talvez. Ou então ele podia ter usado esse alerta e mandado para todo mundo, ouça o RESUMIDO, será que aumenta a audiência? Aliás, falando de audiência, agradecer a nova assinante do RESUMIDO, a Débora, muito obrigado pela assinatura, se você ainda não fez a sua.

04:22

é só você visitar www.resumido.cc/assinatura e fazer a sua você passa a ter acesso a todos os links da curadoria de cada episódio pode fazer parte do grupo de ouvintes do RESUMIDO no WhatsApp e também recebe uma edição extra da newsletter e mais coisas que eu vou planejar no futuro quando o número de assinantes gerar também um valor que eu consiga criar mais coisas para o RESUMIDO que por enquanto a ideia é empatar as contas e a gente ainda não atingiu essa meta então se você ainda não fez a sua assinatura

04:51

faça, você vai ajudar o RESUMIDO a seguir.

04:58

Vamos de cultura digital e como nosso comportamento online ajuda a mudar a sociedade.

05:10

Agora, vamos ao fundo dessa coisa, porque eu não posso sentar aqui e olhar por um pacote para próximos 20 minutos. Certo? Quem fez isso? É tão difícil? Quem fez isso?

05:27

Encontrei a configuração que o rootkit com uma forma de adressas Esse foi o Elliot da excelente série Mr. Robot, que já acabou, se você nunca assistiu essa série sobre o hacker, assista. E seguindo nesse tema sobre hackers, a The Atlantic publicou um artigo com um título bem direto, considere que você será hackeado.

05:51

Porque além das várias formas muito fáceis de hackear alguém, como a gente viu aí no caso do sistema de alertas da defesa civil, que bastou um e-mail e uma senha que era o CPF da pessoa, essa reportagem da The Atlantic fala que a segurança na internet agora está numa nova fase, depois que as ferramentas de IA conseguiram aumentar a velocidade, a sofisticação desses ataques, e aí agora passaram a atingir o hospital, rede de energia, governos, bancos.

06:17

E aí cita o caso da Palo Alto Networks, que identificou entre seus milhares de clientes um aumento de quatro vezes nos ataques diários de 2024 para 2025. Então se antes o tempo médio que um criminoso levava para explorar uma vulnerabilidade pública era de 700 dias ou mais, isso lá em 2020, agora caiu para 44 dias. E isso aí é muito mais rápido do que as próprias equipes de segurança conseguem corrigir as falhas.

06:46

e muito disso tem a ver com a forma com que os softwares foram construídos ao longo das décadas, porque como demorava muito para ser atacado, eles eram construídos de uma maneira, vamos dizer, até relaxada, porque depois que era identificado, ainda demorava para alguém encontrar aquela falha, então tinha tempo de consertar, só que isso mudou. Vários modelos avançados de cibersegurança, o Mythos Preview da Anthropic, e o GPT-5.5 da OpenAI, estão sendo descritos como algo muito próximo do nível de hackers humanos de elite.

07:15

E esse é o motivo deles não terem sido liberados publicamente. Semana passada falei sobre a decisão do governo dos Estados Unidos de bloquear o acesso ao Claude Fable 5 exatamente pela capacidade de hackear que esse sistema poderia dar aos usuários. Aí muita gente argumenta que a IA também consegue mapear esses erros mais rápido do que humanos e assim consegue gerar um conserto para aquela falha.

07:38

Mas a verdade é que o acesso a essas ferramentas, vibe coding, que você conseguir programar sem saber nada de código, também está permitindo que criminosos, mesmo sem muita experiência, consigam fazer uma campanha até sofisticada, fazer phishing personalizado, explorar coisas de maneira automática, justamente conseguindo usar essas ferramentas. Então, o que a reportagem da The Atlantic fala é pra gente sair da cultura de evitar ser hackeado pra essa em que você assume que você vai ser hackeado.

08:06

que a nossa vida digital hoje em dia está completamente interligada. Então, mesmo quem se protege também depende de banco, de hospital, de escola, de app, de governo, de empresas, também estejam se protegendo e você não consegue controlar isso e talvez essas empresas nem consigam se proteger. Então, você tem que tomar cuidado com seus dados, tomar cuidado com que você publica por aí, onde você guarda os seus ativos digitais e o acesso aos seus perfis. É sempre bom você usar um administrador de senhas.

08:34

usar senhas longas, complicadas, não a mesma senha em vários lugares, esse tipo de medida para você evitar ser atacado. E à medida que a nossa vida digital vai se robotizando, os laboratórios de IA estão tentando se humanizar, seja no discurso, seja no visual. A Wired comentou sobre a ascensão das fontes serifadas. Serifas são aqueles risquinhos que você vê na fonte, quando ela não é lisa.

09:01

Tipo a letra F, a letra I, quando só estão retinhas, sem nenhum acabamento, tipo na Arial e não como é na Times New Roman, exemplo. Isso porque as fontes serifadas são identificadas como mais humanas, são mais confiáveis, mais sofisticadas, e isso é uma resposta ou uma forma de preparo do terreno, exatamente essa rejeição da estética cada vez mais ostensiva de IA. A designer Keya Vadgama

09:27

escreveu na newsletter dela, Type of Culture, é focado em tipografia, sobre essa renascença das serifas como uma forma de branding das empresas de IA. A crítica online já arrumou um apelido para essa estética que se chama Taste Slop, ou Slop de gostos, que é uma tentativa de dar essa aparência refinada, literária, de bom gosto a produtos que são gerados ou mediados por ferramentas de IA.

09:53

E aí ela citou empresas como Anthropic, Runway, Perplexity, Manus como exemplos de empresas que estão adotando as fontes serifadas na sua marca, na interface, na experiência do usuário em busca dessa identificação humana. Porque outras fontes sem serifa, como a que eu citei, a Calibri, a Helvética, têm esse visual mais limpo, mais tecnológico das telas. Então eles estão tentando fugir disso. Inclusive ela fala que a Anthropic usa esse fundo marrom na comunicação, no logo.

10:22

no design da plataforma com a intenção de parecer um livro, remeter a um livro para dar essa humanizada mesmo que seja subjetiva para o usuário, sentir que está usando uma coisa mais humanizada. E aí é engraçado essa contradição, esse design humanizado, uma estética mais calorosa para criar essa ilusão de competência, confiabilidade, na verdade escondendo o fato que esses sistemas estão cheios de erros, alucinação, automação escala, falta de referência, falta de fontes.

10:51

das poucas empresas que estão indo na contramão disso, a Vadgama citou o ChatGPT, que não usa fonte serifada, e isso faz parecer que eles são mais conscientes da própria identidade, ele sabe o que eles são, o que eles estão fazendo, e a leitura é que até a tipografia virou um campo de disputa simbólica da IA. Então não adianta só a tecnologia funcionar, ela precisa parecer menos ameaçadora, menos máquina e mais feita por gente, que o que todos esses laboratórios estão tentando. E quando a gente fala de estética,

11:21

da experiência na internet, muitas vezes a gente esquece o quanto isso informa a experiência. Todo mundo tem uma memória de como era a internet nos anos 90, nos anos 2000, e o Diego Lafuente, na Mini de .NET, falou sobre como a web aberta, como a gente conhece hoje em dia, onde a gente vai lá, busca, clica, lê, navega, a gente publica o que a gente quer, vai descobrindo conteúdo, não vai sumir de uma vez, mas já está sendo substituído por uma outra coisa.

11:51

mais conveniente talvez, mas também mais centralizado, mais difícil de escapar. Assunto recorrente aqui no RESUMIDO, a gente perdeu o hábito de navegar na internet, a gente consome o que o feed traz pra gente e isso aí já foi moldando bastante a nossa navegação, mas a gente vai ver mais mudanças. E esse texto fala sobre a evolução das interfaces. Primeiro a gente trocava informação com disquete, depois foi BBS, depois veio a web, depois veio o flash, depois a gente teve essa volta aos padrões abertos, os apps.

12:20

de celular e agora essa migração para os buscadores com interfaces de IA. E aí para ele, cada geração acha que a sua interface favorita vai durar para sempre e nunca dura. O que acaba durando não é a interface, mas o comportamento. As pessoas continuam querendo se conectar, publicar, trocar, descobrir, comprar, aprender, reclamar. Isso não muda, não importa a interface. Entre os exemplos que ele citou, ele falou de como a BBS parecia o futuro, né? BBS era uma pré-internet que você…

12:50

visitava repositórios de conteúdo que acabaram ficando obsoletas quando a web tornou tudo mais acessível, todo mundo podia ir de um site para o outro. Depois veio o Flash, quem lembra daquelas animações que tinham lá no início dos anos 2000, que tomou conta da internet, mas era horrível para você conseguir indexar aquilo tudo e era ruim para acessibilidade, muita gente não conseguia ter acesso ao conteúdo daquela forma. Até que o iPhone veio, matou o Flash, porque recusou.

13:17

usar os plugins, dar autorização para os plugins de flash. E aí gente começou a outros formatos surgirem e agora, desde que o ChatGPT chegou em 2022, o modelo da web já está se transformando, já não é mais uma mudança só tecnológica, é de interface mesmo. Em vez de a abrir 10 abas, comparar um monte de link, ler fontes, a gente entra num lugar só e faz uma pergunta, vê lá a resposta e algumas pessoas analisam da onde aquela resposta veio e outras não, já aceitam aquilo como combinado de…

13:46

referências e aceita como uma resposta. Assim como são os AI overviews, aqueles resultados do Google que já vem lá com uma resposta pronta em vez dos links pra você clicar e pesquisar. E aí na análise dele, essa web aberta que a gente navega pode virar uma coisa meio de nerd já já, tipo o IRC, FTP, BBS, não morre, mas fica muito menor. Ficam só alguns entusiastas, arquivistas, desenvolvedores, pesquisadores.

14:12

gente que ainda quer ter esse cantinho próprio na internet como eu, tem o site até hoje, mas que é isso, ninguém vai precisar rejeitar a web aberta, a internet aberta, é que a tendência é todo mundo começar a escolher o assistente, o chat bot, porque é muito mais rápido. E aí como ele acaba resumindo o resultado, então o que pode acabar matando a web é exatamente essa conveniência. E outra mudança na forma de interagir com o conteúdo, além do áudio,

14:39

desses fones inteligentes são os óculos inteligentes. Muita gente aposta que os teclados vão sumir, que a gente vai ter uma tela colada no olho, seja via óculos inteligentes, seja via lentes de contato, o que é que veio inventar. E mais um concorrente entra nessa seara, agora é a Snap do Snapchat, a rede social, que lançou mais uma versão do seu Spectacles. Eles lançaram o primeiro lá em 2013, bem antes de todo mundo, e agora eles anunciaram a nova versão.

15:06

que vai sair em 2026, no segundo semestre, nos Estados Unidos, Reino Unido e na França, e que vai custar a bagatela de 2.195 dólares. É muito caro, né? Pelo que se sabe, agora o óculos parece que é muito potente, não tem nada externo, nenhum cabo, não tem uma bateria extra, como é no caso do Apple Vision Pro, mas eles parecem bem pesados, são 136 gramas, na versão maior, tem dois tamanhos, e ele é muito esquisito.

15:36

É muito feio, já virou motivo de piada. O fundador da Snap, o Evan Spiegel, falou que é de propósito, que a ideia não é aparecer um óculos normal e sim um outro equipamento, mas a verdade é que quem botou a mão no produto disse que é muito pesado e que dificilmente isso vai funcionar da maneira que está ali. Então pode ser mais um óculos que as pessoas vão comprar para depois guardar, porque acho que ainda está muito longe do modelo que vai de fato funcionar, mas parece que isso vem, né? Parece uma insistência da indústria nesse formato.

16:03

Um dos riscos desses óculos é a hiper vigilância. As pessoas vão andar por aí filmando umas às outras, vão poder identificar as pessoas com um clique, saber muitos dados sobre quem tá andando ali na frente, sem que a pessoa saiba. Questão de privacidade, de intimidade, enfim, vários riscos que esses óculos trazem. E aí me lembrou de uma outra matéria que eu li essa semana na Wired, falando sobre a sociedade secreta do Peter Thiel. Peter Thiel é o cofundador do PayPal.

16:31

uma das pessoas mais influentes do Vale do Silício, investidor em quase todas as empresas relevantes que a gente conhece hoje em dia, e uma figura muito polêmica, porque defende coisas complicadas. Eu falei sobre o Peter Thiel recentemente no episódio do Medo e Delírio em Brasília, que eles me convidaram para fazer uma participação, e ele é cofundador do PayPal, foi o primeiro investidor externo do Facebook e cofundou a Palantir, que é uma empresa de análises de dados que é voltada para governos e segurança, que é muito controversa.

17:01

por conta do uso desses dados, ele se considera um tecno-capitalista e ele já falou coisas bem absurdas, como não acreditar que liberdade e democracia sejam compatíveis. E aí por coisas assim, já foi chamado de libertário maluco, supervilão de James Bond, de um provocador de direita, e ele está sempre criticando a esquerda e a IA. Ele fala que a revolução da IA degenerativa está sendo subdimensionada, então isso acaba gerando mais polêmica do que consenso.

17:28

Ele está morando na Argentina, inclusive, se mudou para lá recentemente, e as pessoas estão tentando entender qual o objetivo dele com isso. Obviamente, se aproximou do Milei, que apoia essa visão muito mais à direita, e alguma coisa eles devem estar planejando juntos. Então, voltando à matéria da Wired, essa figura aí, o Peter Thiel, tem um projeto chamado Dialogue, que é uma sociedade privada, ultra secreta, que foi cofundada por ele, que acabou ficando exposta online.

17:57

por conta de alguns vazamentos. E esses vazamentos acabaram revelando nomes, dados pessoais de vários participantes dessa sociedade secreta, Dialogue, que acreditavam que isso aí ia ficar privado. Eles fazem vários encontros anuais que não são públicos, reunindo várias figuras de alto escalão da política, finança, tecnologia, governo estrangeiro, vale do silício. É tipo uma versão tech da Bilderberg.

18:21

E a lista de inscrição para esse retiro em 2026, está marcado para 12 a 16 de agosto, perto de Dublin, na Irlanda, tinha 222 pessoas, algumas com status de membro ativo, outras de convidado e mais 87 pessoas que vão ser participantes pela primeira vez. A programação dessa conferência tinha uns assuntos bem estranhos, por exemplo, navegando a terceira guerra mundial, tecnologias do campo de batalha, traga de volta ao nuclear…

18:50

construam culto e como vai a sua vida sexual. Entre os nomes que foram citados nesse vazamento, tinham várias autoridades, várias figuras ligadas a setores que elas mesmos regulam ou fiscalizam, por exemplo, oficiais de governo, senadores, executivos de dados, gente de vigilância, publicidade, e além de membros da PayPal Mafia, que é como é chamado o grupo de fundadores do PayPal, que além do Peter Thiel, inclui o Elon Musk e mais algumas outras figuras.

19:17

Um dos nomes que chamou a atenção estar nessa lista de participantes de eventos da Dialogue foi o Joseph Gordon-Levitt, um ator que costuma falar bastante sobre o uso de tecnologia nas artes, ele é bastante crítico a IA, ele foi questionado por que ele estaria nesse evento, já teve que se manifestar publicamente, dizendo que gosta de conversar com vozes dissonantes, mas ninguém entendeu muito bem a participação dele não. Mas mais do que a programação e os nomes que vazaram,

19:44

chamou a atenção a forma que as pessoas eram cadastradas. Ninguém usava os seus e-mails de governo, todo mundo usando conta pessoal ou corporativa, e o formulário da Dialogue coletava algumas informações sensíveis como inclinação política, histórico de participação, tokens privados de acesso, até quem tinha interesse em conhecer alguém durante o evento, do ponto de vista amoroso.

20:06

Enquanto a gente está aqui debatendo várias questões, pensando como avançar, como melhorar, a gente descobre que tem encontros de sociedade secretas onde de fato as coisas devem ser decididas. E recebi também uma edição da newsletter Manual do Usuário do Rodrigo Ghedin, em que ele contou que ele quase foi atropelado no início do mês, enquanto ele caminhava no interior do Paraná, saindo de uma farmácia para comprar um remédio para uma crise de enxaqueca, e ao atravessar a rua, ele…

20:33

tomou uma decisão errada, se confundiu onde ele estava, achou que era uma via de mão única e não era. Tudo isso porque ele estava usando um fone de cancelamento ativo de ruído com música tocando e ele perdeu a referência auditiva e nessa ele falou que o carro parou a um metro dele. Eu achei bom esse alerta dele, ele disse que se ele tivesse ouvido os carros se aproximando e não tivesse suprimido a audição, ele talvez não tivesse se visto nessa situação de ser quase atropelado.

21:00

Então recomendação dele é ninguém andar na rua com esses fones de cancelamento que eu assino embaixo. Muita gente esquece disso, parece uma viagem, mas não é não. Cuidado aí andando de fone na rua, principalmente os de cancelamento de ruído e mais ainda se tiver música tocando por cima é porque você vai ficar zonzinho na rua e não vai ver nada, hein? Ainda bem que não aconteceu nada demais aí com o colega.

21:25

A maior parte das empresas que começam um projeto de inteligência artificial não consegue colocar de pé. Tem uma pesquisa da Pluralsight de 2025 que aponta que dois em cada três projetos de IA são abandonados e a trava costuma ser a maturidade técnica para colocar em produção. Existe entusiasmo que falta a gente capaz de transformar isso em algo que funciona de verdade. O Inovabra montou um programa para atacar esse ponto, chama PRIA, Programa de Residência em Inteligência Artificial.

21:54

feito junto com o CEIA da Universidade Federal de Goiás, que é um dos centros de pesquisa de IA mais sérios do país. São seis meses em que até 30 startups em estágio inicial vão participar de imersões presenciais mensais, receber créditos em nuvens e conexão com parceiros tecnológicos. A primeira imersão vai se chamar filtro de realidade e a proposta é ajudar as startups a separar o que de fato muda o mercado do que vira moda e some em alguns meses.

22:21

mais ou menos o trabalho que eu faço aqui no RESUMIDO toda semana, que dentro de uma residência técnica. Para acompanhar algo que está sendo construído nesse ecossistema, inscreva-se para receber a newsletter do Inovabra, do Hype ao ROI. É só clicar no link na descrição do episódio.

22:39

Agora é o momento de explorar as transformações causadas pelas inteligências artificiais.

22:51

Eu li um texto do Ethan Mollick em que ele argumenta que o desafio não é você usar ou não usar a inteligência artificial, mas é escolher quando e como usar, porque a IA pode tanto ampliar as capacidades humanas quanto pode acabar acostumando a gente a ficar terceirizando o pensamento, que eu acho que pra mim é a coisa mais perigosa disso tudo.

23:21

E aí como exemplo, ele fala que os textos que ele tem lido online estão cada vez mais parecidos. Não é só texto corrido, né? Os posts, os comentários, tudo. Até texto de opinião e conto começa a soar como IA. Porque escrever é uma habilidade que a gente constrói com esforço, né? Com professor, com reescrita, com crítica. E quando você começa a usar IA para esse processo, você pode até economizar trabalho, mas você acaba impedindo, ou se impedindo, de desenvolver uma capacidade humana muito importante.

23:50

que é justamente essa habilidade de escrever. E que o problema, claro, não é propriamente o uso de IA que você pode usar para revisar o seu texto, para fazer alguns testes. O problema é você usar IA como um padrão automático. Você não tem nenhuma intenção, você não reflete, você não sabe nem o que você está pedindo e muito menos o que você está perdendo com o resultado. Aí ele comparou dois estudos. Um que foi feito numa escola na Turquia, em que alunos com ChatGPT foram melhor no dever de casa.

24:16

achavam que estavam aprendendo mais, mas acabaram indo pior na prova, sem o uso da IA, porque a ferramenta acabava entregando as respostas e reduzindo o esforço mental. E num outro estudo, em Taipei, alunos de curso de Python, a linguagem de programação, em 10 escolas, tiveram uma sequência personalizada de problemas por um tutor de IA e foram muito melhor no exame final sem a ajuda da ferramenta. Então a diferença não é usar IA ou não, mas sim você usar IA para evitar pensar.

24:44

como os alunos da Turquia estavam fazendo, ou usar para pensar melhor como estavam fazendo esses alunos de Python em Taipei. Já tem até um termo para isso, chama rendição cognitiva, que é quando as pessoas param de pensar e deixam a IA fazer o trabalho, mesmo que a IA esteja errada. Então o desafio é esse, você decidir qual tarefa cognitiva você pode entregar para a IA e qual que deve continuar humana. Então não tem problema você…

25:09

terceirizar o seu telefone, o cálculo, a sua agenda, risco é você entregar a sua escrita também junto com isso seu julgamento, a sua capacidade de aprender, a sua autoria e nem perceber que está fazendo isso. Porque é nessa que a gente não percebe essa mudança cultural, né? Já tem escola dizendo que tem letramento em IA, já tem empregador premiando quem usa IA bem, mas é assim que gente vai criando uma dependência que depois fica muito difícil voltar. Então preste atenção quando você estiver usando IA como muleta e você tiver

25:39

não usando aquilo pra te ajudar, mas pra substituir uma parte do trabalho que é importante pra você mesmo e que você sabe que é, né? Porque dá uma sensaçãozinha quando a tá usando mal que dá pra saber que você não deve estar usando pra aquilo. E aí eu li um outro texto complementar a esse que falava que você ser bom e ar é estupidamente fácil. E isso não tem nada a ver com você conseguir criar prompt como se fosse um engenheiro.

26:01

E tem muito mais a ver com você ter alguns hábitos de uso que são até bem básicos. Então a primeira dica que essa pessoa dá é você usar sempre o modelo mais forte, no Claude Opus 4.8, por exemplo, com aquele thinking, né, pensamento ligado, nível de raciocínio em high. Ou seja, a qualidade da resposta também depende de você escolher a ferramenta certa, né, só de você escrever melhor. E outro truque que ele dá é você pedir pra IA fazer pergunta antes de responder. Então você vai pedir pra ele fazer X?

26:29

você pede pra ele te fazer uma pergunta antes. Porque aí você vai virando meio um power user, porque você vai começar a induzir ou a ensinar pra o que você quer que ela faça. Então, ao invés de você ficar tentando formular tudo direitinho de primeira pra IA, você usa IA pra ela puxar o contexto necessário, com 3, 5 perguntas, e assim ela entender o que você quer pra poder te dar uma resposta mais próxima do que você quer, porque o segredo é esse, é o que você pergunta. A outra dica é você falar, em vez de digitar,

26:57

Isso eu faço muito, no ChatGPT principalmente, que o áudio funciona muito bem. E aí eu explico exatamente que está na minha cabeça, boto tudo pra fora. Se expressar mesmo, né? Você botar a pergunta, o pensamento que você quer, o que está na sua cabeça, como você quer que aquilo seja organizado, em vez de ficar tentando mandar um comando de texto limpinho, que você acaba se confundindo. Depois a terceira dica é usar o Claude Cowork, que não só te responde no chat, mas vai…

27:22

Criando arquivos reais no seu computador, PDF, planilha, documento, tudo numa pasta local. E isso aí eu não recomendo, porque eu não pluguei nada de IA na minha máquina, eu não quero correr esse risco, nem eu tenho outra máquina para fazer esses testes. Se eu tivesse um outro Mac Mini, talvez eu botasse o Claude Cowork rodando para fazer esse tipo de teste, mas no computador que eu tenho eu não vou fazer isso não. E aí a quarta dica dele também é você conectar o Gmail, o calendário, transcrição de reunião.

27:51

para IA começar a um contexto pessoal, operacional para você. Porque para esse autor, a chave do bom uso de IA é o contexto, a IA tem que te conhecer. Eu também não recomendo esse tipo de uso, você conectar essas ferramentas por questões de segurança, de privacidade, mas você deve trazer isso para cada experiência que você tem. Você abre um chat específico, traz o máximo de informação que você puder para aquela tarefa que você vai executar, inclusive de onde você está vindo, o que você quer, o que você fez antes, porque isso ajuda você a ter uma resposta mais baseada.

28:19

nos dados que você trouxe, em vez da IA ir lá buscar sei lá onde a informação. Um texto da The Atlantic intitulado Por que que a IA é incorrigivelmente didática? falou de um ponto sobre essa evolução da IA que eu achei legal. Ele faz uma comparação entre a IA e a fotografia no século 19. Então ele acredita que da mesma forma que a câmera tirou da pintura essa função de representar o real

28:44

e acabou libertando a pintura para buscar novas formas, que nos trouxe o impressionismo, o cubismo, pinturas abstratas. E a provocação que ele faz é que a IA pode fazer uma coisa parecida com a literatura, que quando encher o mundo de prosa, até competente, mas vazia, vai aumentar o valor dos escritores que conseguem expressar a experiência humana por dentro. Porque é aquilo que gente já sabe, né?

29:10

A IA não experimenta o mundo, ela não tem uma história, ela não tem uma experiência própria, não tem um eu fixo, não tem um estilo, ela só vai combinando padrão de linguagem. quando todo texto for feito dessa forma, conseguir escrever diferente, ou se manifestar diferente em outras vertentes das habilidades humanas, vai acabar se destacando, incluindo aí a curadoria, conseguir filtrar a quantidade de conteúdo que vai estar sufocando todo mundo em todas as partes.

29:38

Então a ideia não é você ficar competindo com a máquina, com a capacidade, com a eficiência, e você voltar a fazer o que a máquina não faz, que é desafiar, estranhar, que é você conseguir mostrar uma realidade que você viveu, não só uma média linguística do que já foi publicado por aí. Mas o fato é que essas IAs estão começando a ir bem além desse chatbot, desse uso de texto, e o Midjourney, que ficou muito conhecido como gerador de imagens, acabou de apresentar o seu primeiro produto de hardware.

30:07

E não tem nada a com criar imagem, quer dizer, tem um pouco. É um scanner corporal de ultrassom para mapear o corpo inteiro. É um aparelho com um anel de sensores que vai capturando imagens, em fatias verticais do seu corpo para poder analisar músculo, gordura, ossos, órgãos. Tudo isso, segundo o Midjourney, com uma qualidade comparável a uma ressonância magnética em vários aspectos.

30:30

O que eles querem fazer é permitir exame anual, até diário, pessoas, porque em vez de você ficar 40 minutos numa máquina de ressonância magnética, que ainda por cima é um exame super caro, você entra numa máquina e em cerca de 60 segundos você tem o seu corpo todo escaneado com essa combinação de sensores com dois petaflops de processamento para gerar essas imagens em 3D super detalhadas. Até agora só 12 pessoas foram escaneadas.

30:55

E o processo todo que está sendo proposto pela Midjourney é mais de um spa futurista do que de um hospital. A pessoa entra numa piscina rasa, desce na água por alguns trilhos, passa por esse anel com milhares de transdutores que vão emitindo essas ondas ultrassônicas e vão usando ecolocalização para poder gerar a imagem. Para essa nova empresa poder ter aplicação em diagnóstico vai ter que esperar uma liberação da FDA, que é o Food and Drug Administration dos Estados Unidos, que faz esse tipo de liberação.

31:25

Mas eles falam que por enquanto eles estão fazendo uma aferição de composição corporal, porque não precisa de tanta aprovação regulatória. E você vai vendo, além de todos os seus textos e as suas ideias que você vai botando na IA, eles também vão ter o seu corpo inteirinho escaneado lá dentro. Isso me lembra uma história bem antiga, de quando eu falei sobre esses exames de DNA que muitas pessoas fizeram lá no passado.

31:47

e eu comentava como isso era muito arriscado, porque você não sabe que uso essas informações vão ter, poderiam ser comercializadas, por exemplo, com empresas de seguro de saúde, e nessa talvez você vê o valor do seu plano ser alterado por conta de alguma coisa que foi identificada no seu DNA que talvez possa acontecer e ninguém nem sabe se vai acontecer. O resultado é que a 23andMe faliu e vendeu os dados, sabe-se lá para quem, e todo mundo que cedeu esses dados de DNA para eles agora está em risco de qualquer coisa, porque os dados foram vendidos.

32:15

Então às vezes parece uma pira, mas não demora muito pra acontecer. Em todo caso, eu acho até que vai ter mais resistência pra esse tipo de entrega de dados pra IA. Uma pesquisa do Pew Research citada pelo TechCrunch diz que só 16% dos americanos acreditam que a IA vai ter um impacto positivo na sociedade nos próximos 20 anos. 40% dizem que a IA vai ter um impacto negativo.

32:39

Ou seja, o pessimismo é maior do que o otimismo, mesmo com essa tecnologia estando cada vez mais presente no nosso dia a dia. E a desconfiança também atinge governos e empresas. 67% dos americanos não acreditam que o governo vá regular a IA de forma significativa, e 59% não acreditam que as empresas vão desenvolver a IA com segurança. E os jovens são ainda mais céticos. Entre as pessoas com menos de 30 anos, só 14% acreditam que IA vai ter um impacto positivo na sociedade.

33:07

Pode ser que o impacto seja muito positivo, mas é muito bom você ver esse certo ceticismo que, pelo menos, as pessoas vão questionar o que está sendo feito. Confesso que isso aí me dá um certo conforto, saber que tem tanta gente olhando para a tecnologia dessa forma e assim gerando os questionamentos que vão ser muito necessários para a boa evolução da tecnologia. Eu assisti um vídeo do Yuval Harari chamado O colapso da verdade, em que ele trouxe uns pontos bons também. Ele fala sobre…

33:35

esses grandes feitos humanos, como a IA, por exemplo, ao mesmo tempo que parece estar sempre caminhando para a autodestruição, e que isso tem menos a ver com os seres humanos serem maus ou irracionais, e muito mais com a tomada de decisão. Por que pessoas que são boas tomam decisões ruins quando estão operando com informação ruim? Porque mesmo na sociedade moderna, esse conhecimento todo que a gente tem disponível,

33:58

Todo mundo continua vulnerável a um delírio coletivo. Então, pro Harari, as sociedades não são organizadas só pelos fatos, e muito mais pelas histórias compartilhadas. Aí entra religião, ideologia, dinheiro, empresa, nação, todos esses conceitos, esses entendimentos que a gente tem, que são narrativas que permitem uma cooperação em larga escala. E aí, para ele, no caso da IA, é primeira vez que os humanos deixam de ser os únicos produtores de histórias, ou músicas, ou estratégias, ou qualquer outra coisa.

34:27

E por isso que ele chama a IA de uma inteligência alienígena, porque ela consegue produzir soluções que os humanos não conseguem prever, nem conseguem compreender totalmente. E aí ele fala de alguns exemplos, que a informação acaba reorganizando o poder, que a escrita permite os impostos, registro de propriedade, burocracia, império, que rádio e TV, as telecomunicações permitiram tanto as democracias de massa quanto os regimes totalitários, e que a diferença para ele com a ascensão dessas redes de informação inorgânicas, geradas por IA,

34:57

que operam sem dormir, sem descansar, sem ter o limite biológico que a atenção humana exige. Um sistema consegue monitorar e criar coisa 24 horas por dia, que o risco para ele então não é essa super inteligência dominar tudo, mas milhões de burocratas de IA tomando decisão em banco, em governo, em exército, empresas, em plataformas. E a conta da IA já chegou.

35:21

A Gizmodo falou que a Anthropic está sendo alvo de uma ação coletiva que está acusando a empresa de enganar os usuários dos planos Claude Max 5x e Max 20x de 100 e 200 dólares por mês e a acusação é que os limites de uso na hora do vamos ver são muito menores do que o marketing da empresa está sugerindo e que também é muito difícil você entender como esses tokens estão sendo consumidos, o que eu comprovo, realmente eu me confundo inteiro com esses sistemas do Claude. Até porque quando as pessoas começam a usar esses agentes

35:51

eles vão consumindo muito mais tokens, até por um pedido muito simples. Então, se você for reescrever um e-mail que custa muito pouco, é uma coisa, mas você montar uma landing page com várias etapas, subagentes, processamento, pode acabar queimando uma janela de token muito mais rápido. Outra coisa que está acontecendo, que a TechSpot falou, é do buraco que essas empresas, esses laboratórios de IA, estão cavando através das assinaturas.

36:17

Eles dizem que um plano do ChatGPT Pro que custa 200 dólares para o usuário pode equivaler a até 14 mil dólares em custos de API se ele for usado até o limite teoricamente. No caso do Claude Max 20x por exemplo, também custa 200 dólares, o teto de gasto para a empresa pode chegar a cerca de 8 mil dólares. Isso aí dá uma exata noção do quanto disso está sendo subsidiado e não pode esquecer, né?

36:43

estão deixando a gente usar de graça tanto para criar o hábito quanto para consumir mais dados toda vez que gente está usando, gente está fortalecendo esses sistemas. E esse uso é caro também para as empresas que contratam mesmo o subsidiado e não por acaso vários CEOs já estão sendo forçados a reverter o gasto com o IA porque acaba ficando até mais caro do que um funcionário. Uma reportagem da Futurism citou alguns exemplos, por exemplo, um funcionário que gasta mais de 150 mil dólares por mês em tokens

37:12

ou um executivo da NVIDIA que diz que gasta mais com o IA para a equipe de pesquisa do que com os próprios salários. E também uma empresa que acabou gastando 500 milhões de dólares em um mês usando o Claude. O Uber até, citei acho que no episódio passado, colocou um teto de 1.500 dólares por mês por funcionário depois de questionar o quanto que estava economizando com ganho de produtividade pelo uso dessas ferramentas.

37:36

Nessa dá todo mundo se adaptando, aprendendo a usar outros modelos mais baratos, alguns de código aberto, para umas tarefas mais corriqueiras, evitando usar os modelos mais caros, ou então, pelo menos, usando só para coisas muito específicas, e isso vai indicando que essa fase de um uso desenfreado pode estar com os dias contados. Enquanto está o mundo inteiro pensando em como usar IA para produtividade, coisas do dia dia,

38:02

O New York Times falou que Jeff Bezos já está com uma outra resposta para esse problema, que é sair dessa IA genérica de chat e começar a pensar em aplicação industrial de alto valor. Ele está agora com uma startup nova chamada Prometheus, está avaliada em 29 bilhões de dólares. Ele botou 12 bilhões de dólares sozinho e a ideia é criar um engenheiro artificial geral, que é uma IA que vai ser voltada para acelerar a invenção, design de produto físico.

38:31

O Bezos quer aplicar a IA na engenharia de computador, de carro, de nave, de motor, no que o próprio Bezos está chamando de loop da invenção. Porque se as IAs de consumo têm tido essa dificuldade para fechar as contas vendendo uma assinatura tão barata, a IA industrial consegue justificar esses custos altos, reduzindo anos de desenvolvimento em setores de bilhões de dólares. Então, enquanto a Anthropic e a OpenAI estão enfrentando uma crise da IA como serviço de massa,

39:01

justamente por conta do valor da mensalidade não cobrir exatamente os custos que ele tem, o Bezos vem aí com essa ideia de ir a uma infraestrutura de invenção onde qualquer ganho pequeno de eficiência pode valer muito mais que uma assinatura de 20 ou 200 dólares. Tudo isso aí aponta para a energia desse laboratório indo para outro lugar muito além de facilitar você escrever um e-mail.

39:30

E agora é hora de falar sobre como as Big Tech moldam o nosso comportamento.

39:40

O Supremo Tribunal Federal julgou recursos das plataformas que questionaram o entendimento da corte sobre a ampliação da responsabilidade do conteúdo publicado por terceiros. Por unanimidade, os ministros declararam o trânsito em julgado das ações. A Wired falou sobre uma crise na Meta, uma história falando sobre como essa nova unidade de IA da Meta já virou um caos, vários funcionários executivos bem confusos sobre a estratégia.

40:08

e um episódio em que alguém interrompeu uma apresentação interna mandando dizer para o executivo que ele era um piece of shit ou um pedaço de cocô. E aí a questão aqui não é só fofoca corporativa, é que a empresa que está prometendo um futuro digital organizado está aparentemente bem desorganizada internamente. Então enquanto Mark Zuckerberg tenta reposicionar a Meta no centro da corrida de IA,

40:33

A empresa ainda carrega esse histórico de redes sociais, de vícios, de moderação falha, de questão de privacidade, de explorar a atenção. Isso aí vai mudando a recepção pública. Qualquer produto novo de IA, pode ser óculos, um bot ou um feed, já nasce sob suspeita. E as pessoas estão menos preocupadas agora em qual é a inovação que a meta está trazendo e quer saber qual é o comportamento que isso vai tentar capturar agora. No Reino Unido, eles anunciaram que vão proibir as redes sociais para menores de 16 anos.

41:03

como uma medida para devolver a infância às crianças. A proposta inclui Snapchat, TikTok, Instagram, YouTube, Facebook e o X, mas não incluiu nem o WhatsApp e nem o Signal. E não é só isso não, o New York Times falou também que a medida britânica quer mirar também jogos, transmissões ao vivo, contato com estranhos, uso noturno, rolagem infinita, aí o problema deixa de ser só o conteúdo perigoso e…

41:30

passa a ser o próprio design das plataformas, que são todas feitas para manter crianças e adultos conectados o maior tempo possível. A consulta pública recebeu 116 mil respostas, a maior parte dos pais apoiando a idade mínima de 16 anos, mas alguns especialistas estão criticando que não há evidência clara que esses banimentos funcionem de fato. Mesmo assim, os Emirados Árabes estão indo pelo mesmo caminho da verificação. Eles proibiram as redes sociais para menores de 15 anos, é o primeiro país árabe a adotar esse tipo de restrição.

42:00

e os jovens ainda vão poder usar, mas vão ter algumas salvaguardas. O conteúdo vai ter ser adequado à idade, vai ter restrição de interação com desconhecidos, gestão de tempo de tela, supervisão parental, tudo isso porque para os Emirados essa alta declaração de idade do usuário não tem muita validade, então eles vão precisar usar uma verificação mais robusta mesmo, uma identidade digital, usar IA para tentar impedir que as crianças bulhem esse sistema, que é o que tem acontecido nos lugares que têm adotado essas medidas, por exemplo, na Austrália.

42:29

Aqui no Brasil, o encontro do G7 também falou sobre uma proteção infantil, então numa declaração conjunta que teve a participação do Brasil, Coreia do Sul, Egito, Índia, Quênia, foi feito um pedido para que as empresas de tecnologia criem experiências seguras e protegidas e adequadas à idade. E assim essa pressão deixa de ser local e começa a virar parte da linguagem diplomática global. E aí entra nesse mesmo pacote.

42:55

Vários executivos de IA estavam presentes lá no G7, o Dario Amodei, exemplo, a Anthropic estava lá, e isso aí já mostra que a discussão não é mais só sobre Instagram, TikTok, rede social, e já está sendo falado chatbot, deepfakes, nudes falsos, agentes, recomendação algorítmica, um monte de coisa que a gente vê já acontecendo, já começando a fazer parte do horizonte regulatório. E lá no G7, o Lula também defendeu a soberania digital, falou sobre governança da IA para evitar riscos sociais, concentração de poder,

43:25

E o argumento dele é que países em desenvolvimento não podem continuar sendo só fornecedor de dados, consumidor de tecnologia e exportador de insumo estratégico. A gente precisa ter voz nessa discussão toda. Um dos exemplos que o Lula citou foi o Pix, que é uma infraestrutura digital pública gratuita. E esse ponto é importante porque oferece uma outra imagem de tecnologia de escala. Não é uma plataforma privada baseada em retenção de atenção de publicidade.

43:52

mas é uma infraestrutura pública que organiza a vida digital com outro objetivo. Essa estrutura, inclusive, bem combatida por alguns países justamente por conta das facilidades que criou e como isso está impactando o ganho de algumas outras empresas. E aqui no Brasil, o STF recusou os recursos e ajustou a decisão sobre a responsabilização das plataformas e determinou um prazo de 60 dias para as plataformas implementarem as obrigações.

44:19

Entre elas estão o dever de cuidado, as empresas vão ter que adotar medidas para reduzir risco a direitos fundamentais, combater ilícito, criar canal de atendimento. E a lógica disso tudo é que a plataforma não pode mais ser só um palco neutro, ou supostamente neutro, quando na verdade organiza, recomenda, impulsiona tudo que a gente está consumindo e principalmente lucra com isso tudo. E esse é o ponto central da decisão do STF.

44:44

que agora tem uma presunção de culpa em casos de conteúdos ilícitos que estão ligados a anúncios pagos, ou seja, o que a pessoa paga para impulsionar e a plataforma recebe lucro para levar para mais gente. E é um ponto que eu concordo, porque fica muito difícil quando a plataforma ganha dinheiro ou cria essa escala artificial de um conteúdo e dizer que não tem nada a ver com o dano que é causado. Que aí tem, né? Agora vamos para a fase de implementação e ver como isso tudo se encaixa.

45:15

Hora de relaxar com as dicas de ver, ler e ouvir.

45:24

A Forky,

45:31

…mas marido e…

45:34

Toy Story 5 elege um tablet como vilão. A Bonnie larga os brinquedos para se hipnotizar com os joguinhos e com redes sociais, igual acontece na casa de todo mundo. E como bem pontuou o Rodrigo Salem na sua newsletter de cinema, vale lembrar que a Pixar nasceu de dinheiro do Vale do Silício, foi bancada pelo Steve Jobs no sufoco e hoje pertence a Disney, que vende um monte de bujinganga digital. Então, de certa forma, é meio estranho ver um estúdio demonizando a tecnologia que inventou.

46:04

o próprio estúdio né, mas o filme está sendo muito elogiado e eu adorei que o tema é esse.

46:15

Tic,

46:16

“Axxtion” é o Freddie Gibbs de brincadeira, que costuma ser quando ele voa mais alto. Ele é um dos rappers mais respeitados do ponto de vista técnico. E aqui ele pega Flex, que é um clássico do dancehall do Mad Cobra. E deixa esse sample de reggae carregar a faixa, parecendo quase com um vocal principal. Enquanto o Freddie Gibbs vai deslizando ali entre os fluxos rápidos e cortados do Mad Cobra. Essa música é parte da versão Deluxe de You Only Die 1nce. Que é aquele disco de surpresa do Halloween de 2024.

46:45

que acabou virando um dos melhores discos de rap da Kiliana. E é sempre bom ouvir uma fera dessa rimando em cima de uma base jamaicana, como você sabe. O meu grande fraco.

46:56

Nesse episódio você ficou sabendo que a web como a gente conhece está desaparecendo, que a IA aposta em fontes serifadas para parecer humana, que o Midjourney quer oferecer um scan de corpo inteiro, que só 16% dos americanos acreditam no impacto positivo da IA, que assinatura de 200 dólares do ChatGPT pode custar 14 mil dólares para a OpenAI, que vários países avançam contra o uso de redes sociais por menores, que o STF fixou regras para as big techs no Brasil e muito mais.

47:28

Se você gosta do RESUMIDO, você já sabe o que eu vou pedir agora, né? Pra você recomendar pra mais gente. Manda um e-mail, manda lá uma mensagenzinha no WhatsApp, faz um post no Instagram.

47:38

Eu reposto tudo que vocês postam, isso aí é muito importante pro RESUMIDO chegar mais longe. Outra coisa muito importante é você curtir, assinar, seguir, dar 5 estrelinhas na plataforma que você estiver escutando agora. E também você deixar um comentário. Aliás, é uma forma de você indicar que ouviu o episódio inteiro, deixar lá um comentário com a palavra secreta da semana, que é: serifa.

48:00

RESUMIDO é produzido e apresentado por mim, Bruno Natal

O roteiro é escrito por mim e pelo Agenor Neto

O Cauê Marques co-edita a newsletter O Futuro Explicado e as redes sociais, que contam com animações do Peri Semmelmann e design do Felipe Araújo

A edição e mixagem é feita pelo Hugo Rocha da Usina Sons

A foto da capa é do Jorge Bispo

E o tema original foi composto por Gustavo Silveira

Sou o Bruno Natal, obrigado pela audiência e semana que vem tem mais RESUMIDO!