Transcrição
Transcrição EP. #384
transcrição gerada automaticamente, pode haver falhas)
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Olá, eu sou o Bruno Natal, hoje é dia 6 de outubro e no RESUMIDO #384: ninguém aguenta mais IA, planejar a viagem é a melhor parte, fone com fio está de volta, plágio do plágio vira hit, faxina vira treino de robô, aula de esqui com algoritmo, China aperta o namoro com chatbot, líderes de IA fecham acordo frágil e muito mais!
Vamos nessa, RESUMIDO!
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Olá, Resumista! Esse é o RESUMIDO, um podcast sobre cultura digital e o impacto da tecnologia em todos os aspectos das nossas vidas. E vamos em frente, que é a única coisa que dá pra fazer.
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Vamos de cultura digital e como nosso comportamento online ajuda a moldar a sociedade.
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A gente vai pro almoço de domingo e a gente tem que falar sobre IA com a família. A gente tá na empresa, tem que falar sobre IA. Então essa era uma hipótese também da pesquisa, de entender se havia esse cansaço do assunto, assim. Essa que você ouviu foi a Melissa Resch comentando sobre a pesquisa Alívio e Desconfiança: a dupla postura brasileira diante da IA, no radar da inovação. Semana passada, eu fiz um daqueles posts que você faz sem pensar muito.
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E nem escreve muito, fui lá no LinkedIn e o negócio pegou fogo. Foram quase 200 mil visualizações, mais de 100 comentários, e o que eu falei, basicamente, é que ninguém mais aguenta IA. E parece que esse sentimento tá muito presente, né, porque muita gente comentou concordando, dizendo que era isso mesmo, que não tava sabendo como expressar esse sentimento, algumas outras pessoas entraram pra contestar, algumas numa boa, com bons argumentos, outras nem tanto. Rede social, afinal, né? E o fato é que, como foi um
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post no LinkedIn, meio informal, não fiquei elaborando muito o que eu tava pensando, foi um desabafo. Me deu vontade de elaborar até lendo o que foi escrito ali, os outros comentários, coisa que eu adoro fazer, saudades da época de blog, que tinham tantos comentários e tantas trocas, uma coisa que se perdeu com rede social. Mais ainda com o podcast, eu aqui fico falando sozinho e eu falo com o ouvinte quando me manda mensagem pelo Instagram, @resumido.podcast, ou pelo WhatsApp
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do programa, que aliás é o 21 97969-5848, você pode me mandar um oi por lá, eu falo bastante também no grupo de assinantes, lá eu interajo mais. Mas tirando essas trocas é ficar aqui falando sozinho. Então resolvi elaborar um pouco no episódio. E obviamente não é que a IA não funcione, porque parte do problema, às vezes inclusive, é funcionar bem o suficiente pra gente começar a achar que tudo que a gente faz…
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deveria passar por esse sistema. Então no post eu falei sobre uma sensação bem pessoal, particular mesmo, que eu tenho me sentido bem menos afiado e tenho me sentido muito cansado, soterrado de coisa pra fazer. E parte dessa sobrecarga vem de um monte de projeto, de ideia, que antes ficava na minha cabeça e eu não conseguia materializar e acabava não ocupando tanto espaço pra valer.
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de montar um projeto, né, era mais um espaço mental. E hoje você consegue formatar um projeto, organizar uma ideia, muito rápido montar uma apresentação, o que no meu caso é muito bom pra tirar da cabeça, materializar e diminuir um pouco a ansiedade, mas isso vai abrindo muitas frentes. Você vai abrindo várias abas no computador e também na cabeça, figurativamente, e isso vem me gerando um cansaço muito grande. Apesar de eu criticar vários aspectos da IA,
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e não necessariamente as ferramentas, eu uso muito, eu uso para várias coisas aqui no podcast. Para me ajudar a agilizar vários processos. Como você que ouve o RESUMIDO há bastante tempo sabe, eu faço praticamente tudo sozinho. Eu tenho a ajuda do Agenor na parte inicial do roteiro, o Cauê me ajuda com a newsletter e o Hugo e o Miguel fazem a edição de áudio, mas o conteúdo mesmo, a pesquisa, sou tudo eu sozinho, e organizar as redes sociais,
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revisar newsletter, e a quantidade de conteúdo que tem que produzir. Então as ferramentas de IA têm me ajudado em alguns aspectos e têm me atrapalhado muito em outros. Quando eu tento automatizar partes do processo que eu talvez não saiba como automatizar, ou então que eu não deveria mesmo automatizar, o resultado fica muito aquém do que eu queria e isso vai tomando muito tempo. E às vezes é muito mais tempo do que tomaria se eu simplesmente fizesse o que eu tenho pra fazer. E nos comentários do post algumas pessoas se reconheceram nessa sensação.
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Outras falaram que têm um ganho de produtividade enorme, que o problema sou eu, que eu não sei usar a ferramenta, e grande parte das pessoas que usaram esse argumento são desenvolvedores de software, são programadores, que são parte de uma categoria onde a IA realmente já funciona muito bem. Pra escrever código, não por acaso as ferramentas foram criadas por desenvolvedores de software, eles estão sendo os primeiros a ser atendidos. O Seth Rogen, ator, diretor, roteirista, falou numa entrevista uma vez sobre usar a IA pra escrever.
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E ele questionou por que ele usaria IA para fazer a coisa que ele mais gosta de fazer na vida e que ele gosta do trabalho. Realmente não tem sentido nenhum, eu concordo com isso aí porque eu também trabalho escrevendo, organizando meus pensamentos através da escrita. E eu acho que a programação de software é um pouco diferente, escrever código é chato pra caramba, é trabalhoso. Alguns desenvolvedores vão dizer que não, que têm muito prazer em escrever código, que é uma grande aventura, mas enfim, acho que se todos eles achassem isso, a gente não estava vendo essa ferramenta voando justamente nesse setor, né?
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E lendo esses comentários e querendo responder algumas pessoas, principalmente quem questionou coisas legais, eu acabei me forçando a pensar a respeito daquilo um pouco mais, pelo menos elaborar um pouco melhor o que eu tinha só desabafado ali no LinkedIn. E a questão que fica pra mim, que é uma que eu falo bastante aqui nos episódios do RESUMIDO, é essa busca desenfreada pela eficiência.
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A gente começa a medir a qualidade da ferramenta, a qualidade do trabalho a partir do volume que é gerado e em que velocidade que aquilo é feito, muito acima normalmente do que se conseguia antigamente e isso vira a régua. E eu não acho que essa é a melhor medida. A melhor medida pra mim vai ser sempre a qualidade, mesmo que demore mais. Em muitos casos de trabalho, principalmente de trabalho intelectual, você passar tempo naquilo ajuda a elaborar, ajuda a tornar aquilo algo melhor. Não é uma regra.
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mas acontece bastante assim. Aí voltando a esse exemplo de muitas abas, de muitos projetos abertos, eu acho que tem uma outra questão. Você acelera várias etapas, mas não significa que você diminui o trabalho total. Eu vou citar o que o Rogério disse lá, por exemplo. Eu não conheço as pessoas, comentaram no post. Abre aspas. Talvez você esteja simplesmente fazendo coisa demais. A IA barateou a entrada de projetos, mas a revisão e a conclusão viram uma fila. Fecha aspas.
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E eu concordei muito com esse ponto. E uma outra pessoa chamada Bruno também perguntou por que eu simplesmente não deixo de fazer as coisas com IA, já que eu consigo fazer tão bom ou tão rápido quanto eu faço quando eu estou usando a IA. E eu respondi para ele que o parâmetro para mim não é o tempo, não é se eu consigo fazer mais rápido, é a qualidade, é o processo e principalmente o quanto que eu consigo reter daquilo tudo que eu li e elaborei depois de eu usar a ferramenta.
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E é isso que eu quero dizer quando eu falo que eu não ando tão afiado com essa sensação. É tanta coisa que eu faço hoje em dia, apresentação, projeto, proposta, orçamento, organizar as redes sociais, a newsletter, esse roteiro, separar as matérias de cada episódio, ler aquilo tudo, é um volume tão grande que eu sinto que eu estou absorvendo menos hoje. Eu me lembro menos dos episódios que eu já gravei há três semanas. E eu lembro quando eu escrevi o RESUMIDO de ponta a ponta…
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que era um episódio lido, foi lá do episódio 30 até o episódio 300 eu acho, eu retinha muito mais porque era quase um estudo, era um trabalho, uma reportagem, escrever aquilo. Eu ia estudando e ia aprendendo. E eu acho que hoje em dia eu acabo passando mais rápido pelas matérias, pelas reportagens, até pelo volume de coisas, aumentou muito. E o volume de coisas que eu tenho para fazer para o podcast, os desdobramentos desse episódio, desse podcast.
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Então acho que o que acontece é que esse ganho de produtividade acaba virando uma expectativa de produção. Em vez de você fazer a mesma coisa em menos tempo, você começa a fazer muito mais coisa no mesmo tempo. E daí essa sensação que eu tô, e que acho que bastante gente tá, que é de estar soterrado de coisas. Então acho que a pergunta que fica não é como usar a IA melhor, é perguntar por que você tá usando a IA.
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Porque nem todo processo que pode ser acelerado precisa ser acelerado. Eu não sei se eu preciso botar no papel a quantidade de projetos que passam pela minha cabeça, a não ser pela minha ansiedade. Porque eu não sei se você já reparou, eu sou uma pessoa um pouco ansiosa. E isso aí me ajuda a tirar da cabeça, botar no papel, materializar e sossegar a mente. Eu consigo seguir minha vida depois disso. E tem várias outras vantagens de usar essas ferramentas. Eu tô terminando de escrever o meu primeiro livro, finalmente, adivinha o tema.
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E eu só consegui por conta das ferramentas de IA, porque eu tinha certeza que eu tinha um livro já escrito. São quase 30 mil páginas de roteiro desses 384 episódios do RESUMIDO, mas encontrar ali dentro 150, 200 páginas era uma grande tarefa. Eu tentei várias vezes, eu ficava abrindo os roteiros, revisitando…
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Mas não tem aba que dê conta para você organizar essa quantidade de páginas de um roteiro, para você ficar copiando e colando e tentando resgatar e organizar os trechos. E com essas ferramentas de IA, eu comecei a conseguir fazer isso, começar a identificar o que eu queria dentro dos roteiros, buscar os exemplos, encontrar os temas. Eu penso num assunto, eu consigo achar dentro desse mundaréu de roteiros os exemplos que eu já comentei, as notícias que eu comentei por aqui. Isso foi me ajudando a organizar o livro e para isso foi muito bom.
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Mas depois disso é sentar e escrever o livro. Isso não mudou, essa parte continua igual, ainda bem. Eu até me lembrei de uma coluna que eu li uma vez sobre como impedir o ChatGPT de arruinar a forma que você pensa, que vai voltar para o tema recorrente aqui desse ano no RESUMIDO, que é o não pare de pensar, que está ficando um pouco óbvio qual é o tema do livro. E eu ando meio fixado nesse ponto mesmo, que é uma coisa que tem voltado para mim recorrentemente, essa nossa necessidade de não parar de pensar.
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nesse atual cenário. Aí a coluna citava vários estudos que falam dessa rendição cognitiva, dos usuários abrindo mão do próprio julgamento, adotando as respostas do sistema de IA sem questionar, porque tá ali na frente, seguindo dessa forma. E o que os pesquisadores citados nessa coluna recomendavam é você não deixar a IA gerar sua primeira ideia, não deixar escrever o primeiro ou o último rascunho. Então você tem lá a sua ideia, você escreve a sua primeira versão, depois você usa a IA pra testar o argumento, pra criticar, pra desenvolver o material.
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para te ajudar numa parte mais mecânica, mas não para você fazer o texto final. Porque a questão não é se a IA emburrece as pessoas, é como você usa. Se você só quer o output, o resultado final, beleza, vai funcionar. Você pega lá o que vier, você embrulha, entrega, passa para frente. Mas se você quer entender, se você quer aprender, quer formar sua opinião, quer dominar um assunto, se você quer estudar alguma coisa, esse esforço desse processo, que acaba sendo eliminado quando você está usando uma IA para chegar
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no resultado final, acaba sendo eliminado, esse processo vai sendo eliminado. E eu acho que é isso que atrapalha, que você deixa de exercitar essa parte, e essa parte difícil é que dá um resultado bom. E talvez fique até mais fácil perceber esse tipo de malefício do uso de IA quando o que você está querendo acelerar não é o trabalho. Quando as pessoas começam a fazer o uso de IA para coisas mais pessoais, para escrever uma carta, para analisar uma questão pessoal da vida, para fazer perguntas que talvez não tenha para quem perguntar, como se fosse uma terapia,
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pra pensar na vida, pra tomar decisão, aí você vai sentir que aquilo não é o que você quer. Você precisa passar pelo processo, mas é isso, né? Acho que é muito novo ainda, tudo isso. A gente tá aprendendo a lidar com essa ferramenta nova, mas é sempre bom parar e pensar um pouquinho. Bom, isso era pra ser a introdução do episódio, virou quase o episódio inteiro. Então vou até dar uma acelerada nas notícias aqui. Porque a primeira delas tem tudo a ver com isso que eu tava falando agora.
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que foi uma entrevista que o Brian Chesky, CEO da Airbnb, deu pra TechCrunch, e ele falou que ele não considera o chatbot uma boa interface pra você fazer compra, pra você navegar produto, e principalmente pra você fazer descoberta de viagem. E o que ele falou é que esses chatbots acabam mostrando muito pouca opção de cada vez, você tem que ficar lá tendo uma conversa de várias rodadas, e uma interface visual te possibilita explorar várias possibilidades de maneira diferente, e especificamente falando de viagem,
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ele questionou um pouco essa noção de eficiência, falando que a rapidez em algumas situações não vai tão bem quando, por exemplo, pesquisar faz parte da experiência. E ele cita estudos que dizem que as pessoas às vezes têm mais prazer planejando e antecipando uma viagem do que propriamente viajando. Então que dentro do Airbnb ele acredita que pode ajudar em muitas coisas.
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mas que ele não quer que essa experiência dentro da plataforma elimine a experiência, inspiração, você ficar navegando, sonhando com a viagem que você vai fazer. Eu acho esse ponto muito legal, entendendo bem o próprio negócio dele, porque realmente tem coisa que você não quer agilizar. Imagina, daqui a pouco vão dizer que você vai fazer uma viagem com esse lugar inteiro em um dia, em vez de ficar tanto tempo lá. Ele falou também que os chatbots são feitos para ser usados por uma pessoa só e que as viagens são quase sempre planejadas em grupo.
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Então, que o Airbnb estaria procurando uma solução nesse caminho. E uma designer da Pentagram, que é um estúdio de design super badalado no mundo inteiro, escreveu um artigo falando em defesa do desvio, em que ela fala sobre como esses processos criativos dependem dessa etapa de incerteza, de você tentar, de você descobrir, de você errar, e que isso tudo pode desaparecer quando uma ferramenta entrega algo…
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que parece uma resposta final às vezes cedo demais. Ela cita, por exemplo, as sessões de gravação do Kind of Blue, do Miles Davis, que ele deu só alguns esboços das escalas, das melodias, porque a intenção dele era deixar os músicos descobrindo a música enquanto eles estavam tocando. Ela faz uma comparação com a época da editoração eletrônica nos anos 80, que tornou esse processo gráfico muito mais acessível, mas pra ela o que pega com a IA generativa é justamente essa…
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possibilidade de apresentar alguma coisa com uma aparência de resultado final antes que o pensamento criativo tenha de fato acontecido. Isso me remeteu a um outro ponto que é o do atrito. A dificuldade que a gente tem pra botar uma coisa no papel, pra executar uma ideia, às vezes faz parte da elaboração daquilo. E a gente tem, hoje em uma vida digital em que a falta de atrito é uma das grandes questões. O conteúdo ficou muito fácil, as pessoas conseguem publicar de maneira muito fácil, o alcance
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muito grande, e tudo isso vai fazendo as coisas acontecerem numa velocidade muito grande, de coisas que não estão prontas. E aí o The Guardian fez uma entrevista com Jürgen Klopp, que era o técnico do Liverpool, agora é o técnico da seleção da Alemanha, em que ele foi questionado sobre a reação nas redes sociais de alemães falando que a seleção alemã não era branca o suficiente ou não era alemã o suficiente.
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Todos vendo aí o que está acontecendo com radicalização da extrema-direita na Alemanha. E comentários assim são preocupantes. E o Jürgen Klopp é um cara muito culto. Ele fala muito bem, ele sempre traz ideias muito boas, as entrevistas dele são sempre ótimas. E comentando sobre essas manifestações, ele falou que não ia gastar muito tempo com o que essas pessoas estavam falando, que ele tinha muito pouco tempo para estupidez na vida real, e muito menos nas redes sociais.
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E aí ele disse que hoje em dia a gente tem uma liberdade de opinião maior, a gente já tinha antes, mas hoje em dia qualquer um consegue tornar isso público. E que antes você tinha que escrever uma carta para o editor, você tinha que pegar uma caneta, escrever essa carta, comprar um selo, botar no envelope, e até você chegar na caixa de correio para mandar aquela carta, você já não estava mais tão bravo e acabava desistindo de mandar essa carta para onde quer que fosse.
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Uma analogia para explicar como são as coisas sem atrito hoje em dia. Você vai e sai publicando o que estava na sua cabeça, você nem pensa direito sobre aquilo e as pessoas acabam agindo no impulso. Isso tem a ver com atrito. Outro sinal dessa busca pelo atrito é a volta dos fones com fio. Já reparou isso? Se você reparar, principalmente, nos mais jovens, a geração Z, os millennials…
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Muita gente usando o fone com fio de novo, fugindo dos fones Bluetooth. As vendas já aumentaram muito, não só de fones, tem muita gente querendo comprar iPod, câmeras digitais, uma matéria da BBC fala que teve um aumento no Reino Unido de 50% em 2025 desse tipo de produto, iPod e câmera digital. E aí a Gizmodo comentou sobre o grande lançamento da Bose esse ano.
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que é um fone com fio. A Bose vinha fazendo só fone sem fio, com Bluetooth. Tem várias questões. A conexão cai, o negócio cai do seu ouvido, a qualidade não é tão boa, né? Já tem a compressão digital do próprio player que você estiver usando pra ouvir música, esse podcast, pra assistir alguma coisa. E você ainda perde mais um pouco nesse sinal Bluetooth. E percebendo essa tendência, eles lançaram agora um fone com cancelamento de ruídos com fio por 99 dólares, apostando…
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nessa ascensão, nessa mudança comportamental. A TechCrunch também falou da volta dos CDs nos Estados Unidos, já chegou a 171 milhões de dólares só no primeiro semestre de 2026. As vendas já estão em 58% acima do mesmo período em 2025. 17 milhões de unidades vendidas.
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Pessoas não estão abrindo mão do digital, mas parece que estão começando a querer ter mais escolha, sendo mais seletivo, até aceitando menos conveniência, menos conectividade, em troca de algum controle ou, às vezes, só a materialidade. Você poder segurar o objeto, o produto, ou pelo menos ter menos coisa para administrar. Não sei se eu já falei isso aqui, muita gente corre ouvindo música. Eu comecei a correr, já tenho quase quatro anos.
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E eu comecei com fone, mas na terceira vez eu me vi tendo que escolher que playlist botar para aquele treino. Falei: cara, que saco, cara, eu não quero ter mais uma coisa para fazer não, não quero mais essa função. E comecei a correr sem fone, que muita gente corre e prefere. E eu nunca mais corri de fone e é minha hora do dia que eu tô sem telefone nenhum, sem tá socando informação no cérebro. Só de não ter que escolher a playlist já ganhei muito tempo aí. Isso aí também…
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parte do mesmo movimento, esse interesse por tecnologia, mídia física, coisas que as pessoas acham que são mais simples, esses dumb phones, os telefones que não são smartphone, máquina de escrever também voltando, loucura, as pessoas estão buscando de volta para o passado, eu entendo. Vamos descobrir que tinha uma coisa que não era tão ruim não. Parece estar pintando uma ressaca digital, pode ser bom, tá precisando dar uma desacelerada mesmo.
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Durante anos, inovação corporativa no Brasil teve os hubs como a sua infraestrutura central. Espaço compartilhado, startup, empresa, investidores, todo mundo dividindo o mesmo espaço. E a ideia de que colocar gente boa próximo uma da outra já fazia mais do que acontecer. Funcionou por um tempo e segue sendo bem importante, só que com os investimentos mais dirigidos e a pressão para o resultado cada vez maior, apostar só na conexão não basta. O desafio agora é fazer a conexão virar negócio de verdade.
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Por isso, o inovabra saiu na frente para propor um novo modelo de atuação. Assim, ele deixa a dinâmica de hub, coworking, e se posiciona como um orquestrador de negócios, articulando os desafios das empresas, plugando startup no processo e acompanhando a jornada de ponta a ponta. O prédio da Avenida Angélica, em São Paulo, segue com a operação do WeWork, como já aconteceu anteriormente, e o inovabra se muda para um novo prédio na virada do ano.
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e passa a oferecer pacotes de créditos de uso intencional dos serviços de inovação dedicado a programas, trilhas, arenas de negócios, reuniões, eventos, workshops, tudo de acordo com a necessidade. É uma aposta mais desafiadora porque criar uma categoria de mercado para pensar inovação corporativa como um todo é mais desafiador mesmo e, por outro lado, novos contextos também pedem novos caminhos e nada mais natural que a gente vê o próprio mercado de inovação, tecnologia e negócio se reinventando.
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Se você quiser seguir esse tipo de movimentação, se inscreve para receber a newsletter do inovabra, Do hype ao ROI, o link está na descrição do episódio, é só clicar.
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Agora é o momento de explorar as transformações causadas pelas inteligências artificiais. Um artigo na The New Yorker falou sobre como o humanismo está impulsionando um movimento anti-IA.
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O artigo fala sobre essa vertente da oposição, que não está concentrada só em questões como perda de emprego, concentração econômica, data center, cenário de extinção. E aí essa autora acompanhou o Pro-Human Assembly em Washington, que foi um encontro onde pessoas de posições políticas bem diferentes estavam discutindo criatividade, educação, relação humana, liberdade e finalidade das atividades humanas.
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E o artigo faz a distinção entre dois grupos, o primeiro que são os doomers, são os preocupados com a perda de controle, com o populismo de IA, que vê a tecnologia como um projeto de elite, e um outro grupo que ela chamou de humanismo anti-IA. E esse outro grupo reflete sobre o que aconteceria se a tecnologia funcionasse bem.
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Então, escritor diz que não queria ter o livro dele produzido por IA, mesmo num cenário que não tivesse problema ambiental, regulatório, porque ele acha que uma obra originada numa mente é o que interessa pra ele. Falando sobre educação, alguns dos entrevistados no artigo falaram que tornar uma tarefa mais fácil não é necessariamente a coisa mais desejável, fala sobre como a fricção faz parte do aprendizado, parece o grupo de resumistas. Os temas que a gente fala por aqui.
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E o Dario Amodei, CEO da Anthropic, fala que pra ele essa rejeição à IA é uma crise de confiança nas empresas, nos governos, nas indústrias. Mas isso ainda não explica, por exemplo, quem considera que algumas aplicações de IA são indesejáveis mesmo se elas funcionarem. Então acho que não é tão simples. As pessoas estão questionando uma coisa um pouco além. Não é só a turma não é boa, não gosta de como você tá fazendo. Não, tem gente falando: eu não quero que isso exista. Confuso isso, né?
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A gente está vendo uma tecnologia ser implementada, às vezes à revelia de todos. E aí, para dar uma quebrada na sequência de mais notícias de que o mundo vai acabar e daí para baixo, que a Anthropic e seus funcionários adoram fazer, um estudo da Anthropic estimou que os robôs atuais já são tecnicamente capazes de realizar até três quartos das tarefas físicas que fazem parte dos empregos, nos Estados Unidos principalmente.
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o que seria mais ou menos 34% de todas as horas de trabalho. Só que a capacidade técnica é muito maior do que a viabilidade econômica. Esse é um ponto que fica perdido na discussão, né? Fala-se muito de coisas que a IA vai fazer, mas não necessariamente que essa conta vá fechar, que vai ser possível construir, porque não vai ter um retorno financeiro que precisa para isso parar de pé. Então o estudo parte de um dado histórico, que o preço dos robôs cai em cerca de 3% por ano.
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E mantendo esse ritmo, seriam necessários então 40 anos para os robôs ficarem baratos o suficiente, mais baratos que contratar um humano em 10% de todo o trabalho. Se acelerar esse cenário, com esse custo caindo quatro vezes mais rápido, os robôs aprendendo as novas tarefas até duas vezes mais rápido, a competitividade em metade do trabalho físico só aconteceria lá por 2050.
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Além do preço, tem várias outras limitações, destreza, ambiente pouco estruturado, regulação, preferência humana. É aquilo que eu falo, esse determinismo que a IA vai chegar, vai ocupar, vai ser assim, não vai. As coisas falam, existe um desejo, as empresas apontam um cenário, um projeto, mas isso não significa que vai acontecer daquela forma porque entre a ideia e a execução tem, olha aí, o mundo humano. Mas, em meio a isso tudo,
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vai crescendo um tipo de trabalho que é treinar as máquinas para fazer uma tarefa humana. Há muitos episódios eu falei sobre carpinteiros e outras profissões que estavam sendo contratados para filmar o trabalho em tempo real, para ajudar a gerar material de treinamento para os robôs e virou uma febre aqui no Brasil isso agora. Já deve ter ouvido falar, já deve ter visto no Instagram que tem um monte de brasileiro fazendo vídeo com o celular preso na testa com uma…
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faixa que segura o celular, se filmando, passeando com cachorro, lavando louça, arrumando cama, vendo televisão, tarefas mais cotidianas possíveis, estão sendo pagos por isso por algumas empresas que estão gerando dados. São empresas que estão querendo ter esse banco de dados, provavelmente para vender para empresas maiores depois, e aí prometem pagamentos de 3 a 7 dólares por hora de vídeo aprovado.
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E aí é que vai, né? Vídeo aprovado significa que você vai filmar um monte, eles dizem que não serviu, aí não te paga, e aí você já trabalhou, normalmente já criou o treinamento. Eu não sei se isso vale a pena, nem se isso para de pé, mas tem gente fazendo dinheiro com isso aí hoje em dia. Eu vi na GeekWire também uma outra empresa que está focada em capturar parte do conhecimento de várias pessoas que trabalham com máquinas muito experientes, agora que essas pessoas estão se aposentando. A empresa chama Neuramill.
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E o sistema recebe o desenho de uma peça, sugere as máquinas, as ferramentas, as sequências de fabricação e deixa a aprovação final com o profissional humano. Então, o argumento da empresa é que muito desse conhecimento, desse profissional, não está formalizado, não está no livro de instrução, não está em lugar nenhum. Isso acaba desaparecendo quando um trabalhador veterano se aposenta e, principalmente, quando não entra ninguém no lugar para ser treinado. Questão que já está manjada dos empregos júnior, né? Os empregos de entrada que vão desaparecendo. Semafor falou de um caso parecido também, uma empresa chamada Psyonic.
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que quer distribuir próteses de mão instrumentadas já para remunerar os usuários para registrar o uso, como as mãos seguram, como levantam, como manipulam o objeto. Então, essa prótese mede a força, o toque, como o dedo pega determinado objeto, tudo isso para gerar dado, para ser sincronizado com o vídeo e depois oferecer as informações físicas, que uma gravação não pega. Então, você vai ter a imagem do movimento dessa mão mecânica e os dados
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de como ela se comportou mecanicamente, fisicamente, suavemente, para gerar dados, ser usado em robótica, para treinar a mão de robôs. E aí na outra ponta, eu vi no China Travel News uma empresa de IA que está focada em treinamento de ski. Então essa empresa oferece vários sensores, que ficam instalados nas botas,
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na roupa, um aplicativo, instrução de áudio, tudo pra ficar analisando o movimento de um snowboarder e dando feedback pro usuário. Eles já têm vários dados reais do ski, querem lançar em mais de 30 países, são casos diferentes, mas os três estão tentando capturar uma habilidade humana pra treinar algum sistema. No caso do ski é o contrário também. Sob essa justificativa de te ajudar a esquiar, a empresa vai capturar os movimentos.
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Agora todo mundo aí que esquia pelo planeta, que no Brasil não neva, mas faz outros esportes, aprendeu, você tem que ter sensor preso no corpo, começa a virar uma loucura. Você tem que automatizar tudo, tem que acelerar tudo, e será que vai aprender mesmo? Ficar tomando apito do sensor o tempo inteiro em vez de você encontrar a sua forma de fazer aquele movimento, sei lá, tem uma forma diferente, né? E aí fica essa questão que eu falei no primeiro bloco.
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Cabe ao usuário decidir se isso é uma experiência que precisa ser otimizada, automatizada, o que quer que seja, com gadgets. Até para desacelerar esse processo, a China colocou em vigor em julho algumas regras para os sistemas que são capazes de manter relações emocionais prolongadas com os usuários, os chatbots de companhia. Então, menores de 14 anos vão ter que ter autorização dos pais, os menores de 18 não podem acessar os parceiros românticos,
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familiares virtuais ou qualquer outro tipo de relação que seja considerada íntima e essas plataformas vão ter que informar que o sistema não é humano, dar alerta de uso a cada duas horas, evitar comportamento que possa criar essa dependência emocional, combinando essas tendências de tecnologias antigas e analógicas, esses movimentos anti-IA, buscas por coisas mais humanistas, experiências físicas, eu sinto que…
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essa implementação dessa ultradigitalização não vai ser tão fácil quanto a gente faz parecer que vai ser.
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E agora é hora de falar sobre como as Big Tech moldam nosso comportamento.
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Eu tenho que perguntar sobre as outras notícias da White House. Houve uma ordem oficialmente mudando o rebranding da inteligência artificial para a superinteligência. O que você acha do rebranding? Nós estamos falando sobre a superinteligência por alguns anos agora.
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O presidente Trump e vários executivos das empresas, principais CEOs, estão até falando em trocar o nome da tecnologia. O Trump, inclusive, baixou um decreto para a documentação oficial dos Estados Unidos agora não se referir mais à inteligência artificial, e sim à superinteligência. Eu vou falar que eu nem sei se eu entendi a intenção dele com essa mudança, mas talvez superinteligência soe melhor do que inteligência artificial mesmo. Acho que inteligência artificial, não sei se está muito desgastado o termo, muito usado.
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me dá uma noção de uma coisa mais ambiciosa do que superinteligência, que me parece só tipo, a inteligência é super, melhorou. Mas não sei, superinteligência talvez queira dizer que é acima da inteligência, não sei. Os dois nomes são muito ruins, na verdade, não tem nada de inteligência ali. Esse é o papo do outro dia. O fato é que o encontro serviu para o Trump, para os executivos falarem que a tecnologia vai ser muito boa, que tem uma grande convergência entre todos eles, que chegaram a um grande combinado,
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de que vão tomar conta da própria tecnologia, que vão ter cautela, que não vão lançar as ferramentas antes de estarem prontas, mas na verdade compromisso real, assinado, envolvendo lei e regulamentação, não teve nada. Então o que teve foram eles falando que vão segurar a onda assim. Então, acredita quem quer. A Axios falou que esse encontro, que estava Zuckerberg, Jensen Huang, Elon Musk, Dario Amodei, Sam Altman, todos os grandes líderes de IA
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dos Estados Unidos, só serviu mesmo para dar essa limpada na barra, né? E a troca de nome é só uma tática mesmo para ver se muda o disco. O outro nome já está muito desgastado. Quem definiu melhor o encontro foi a WIRED, que falou que era um pinky swear, o acordo. Pinky swear é um juro com o mindinho, sabe? Quando você põe os dois mindinhos, fala, jura, jura, criança, né? E entrelaça o mindinho com o amigo, com a amiga.
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E você jura? É tipo isso. E juraram que vão fazer, mas não tem nada de fato obrigando eles a efetivamente fazer nada. É um acordo voluntário. Não é uma lei federal, não tem punição. Virou uma grande conversa pra um calma aí, calma aí que vai dar tudo certo. Se vai dar a gente não sabe.
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Lá na Inglaterra o papo engrossou um pouquinho mais. O líder do Banco da Inglaterra falou que as autoridades têm que exigir direito de intervir nos sistemas avançados de IA caso eles apresentem um risco ao sistema financeiro. A preocupação dele é pagamento, transação bancária, mercado, segurança cibernética. Então ele não está propondo uma ofensiva regulatória, mas a recomendação dele é testar os sistemas de maneira bem rigorosa, saber onde estão esses riscos, identificar os pontos de atenção
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e ter essa opção de conseguir intervir, ter o direito de intervir nesses sistemas caso seja identificado algum risco sistêmico. E não é uma preocupação sem cabimento, não. Esse é o tipo de preocupação real. Um ataque coordenado por alguém, logicamente, usando um sistema bancário, pode parar o planeta. E eu não acho que esses sistemas estão tão prontos para isso. E aí, pensando nisso, a NVIDIA lançou um programa chamado Open Agent Safety Platform, ou
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plataforma de segurança de agentes abertos, que é um conjunto de ferramentas feito para limitar o que os agentes de inteligência artificial conseguem acessar e executar. A ideia é dar um ambiente para esses agentes operarem de maneira delimitada, devendo receber um acesso restrito para a internet. Então a proposta, já que esses sistemas de segurança dos próprios modelos não são suficientes, é existir então uma camada de controle que seja externa ao agente. E uma das ideias
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é que os agentes possam dedurar uns aos outros. Eles têm onde ir, hoje não têm, né? No caso do ataque dos agentes da OpenAI à Hugging Face, isso foi discutido, porque alguns agentes, poucos, se manifestaram dizendo que o que estava acontecendo era errado, mas não tinham pra onde levar, não tinham um supervisor, não tinha nada. Então a ideia era essa ferramenta, inclusive, ter um lugar onde os agentes possam ir pra delatar os outros. Enquanto essas empresas se movimentam pra pelo menos parecer que estão tomando medidas pra…
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controlar o mau uso, a The Verge fez uma reportagem que pergunta: você consegue esquecer como você se sente em relação à Meta? E aí eles partem de uma conversa privada do Zuckerberg em 2021, que acabou sendo revelada por conta de um processo judicial, em que depois das denúncias da Frances Haugen sobre os impactos do Facebook nos jovens, uma pessoa teria pedido para o Zuckerberg transformar a segurança infantil
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numa prioridade pessoal mesmo, e ele respondeu que ele se importava com o assunto, mas ele estava concentrado em outras áreas, entre elas o metaverso. E aí a The Verge usa essa história para falar dessas grandes apostas da Meta que não deram em nada. O metaverso acumulou 80 bilhões de dólares em prejuízo, já passou por corte, mudança de estratégia, aí vieram os óculos inteligentes com esse desempenho comercial um pouco melhor, aí alguns milhões de unidades vendidas, a Meta liderando o mercado, mas é isso, já virou mau uso.
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óculos de pervertido, óculos de tarado. E agora, falando das iniciativas da Meta na IA, que já tem investimentos de 14 bilhões de dólares na Scale AI, exemplo, várias contratações. E fica essa pergunta: dá pra levar a sério? Porque já foram tantas tentativas, tanto tiro na água, muda tanto de ideia. E é bom isso ter em mente, porque às vezes está falando novamente da IA como uma coisa certeira e inescapável, talvez não seja assim.
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Hora de relaxar com as dicas de ver, ler e ouvir.
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Tem alguma coisa que está a
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Eu não posso preparar você para isso. Vou tentar te dar tudo que
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Good Luck, Have Fun, Don’t Die, ou Boa Sorte, Se Divirta e Não Morra, é uma comédia sci-fi que não é de nenhum grande estúdio em que o Sam Rockwell interpreta um sujeito que chega do futuro todo coberto de plástico, de frio, recrutando um monte de desconhecidos numa lanchonete para impedir que a IA tome conta de tudo. E a missão dele é a parte menos interessante, o filme vai falando sobre como a tecnologia
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já atingiu cada uma dessas pessoas, professor que disputa a turma com o TikTok, mãe que tenta encontrar um filho morto. Mas é legal ver um filme falando sobre a IA como um problema do presente, não mais do futuro, enquanto a indústria do cinema mesmo tá adotando a ferramenta sem nenhuma cerimônia.
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O rapper Edgar ficou conhecido por um personagem que ele mesmo chamava de tiozinho chato, que ficava falando sobre internet, fake news, antes disso virar um assunto tão popular. E no seu novo disco Faz Frio Mas É Verão, que é em dupla com os cariocas do Os Fita. Os Fita tocaram com o Tantão também, que é uma figura mitológica aqui do Rio de Janeiro. Então a gente vê o Edgar aqui no Rio falando sobre a realidade do Rio, o jogo do bicho, milícia, essas coisas
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típicas aqui da Cidade Maravilhosa. E aí tem jungle, funk, a produção musical deve ser bem interessante. Sujona, eu gosto disso. Essa que você está escutando é Faz Frio, Mas É Verão. Tem participação da Ana Frango Elétrico e do Kiko Dinucci. Nesse episódio você ficou sabendo que a tentativa de automatizar tudo com IA tem gerado mais trabalho e cansaço.
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que o chefe do Airbnb acha que chatbot não é interface certa para descobrir uma viagem, que a Bose lançou fones com fio, que tem brasileiro ganhando por vídeo gravando faxina só para treinar robô, que empresas de IA tiveram na Casa Branca para assinar um acordo voluntário de segurança, que a NVIDIA lançou uma plataforma para vigiar os agentes de IA e muito mais.
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Hora de agradecer, temos novos assinantes na casa. Muito obrigado, Eduardo. Muito obrigado, Lourenço. O RESUMIDO só pode seguir por conta do apoio dos assinantes. Então muito obrigado. Se você está ouvindo o RESUMIDO até aqui, não deixe de fazer a sua assinatura, se for possível. São 20 reais por mês em www.resumido.cc/assinatura e assim a gente garante que o RESUMIDO pode continuar existindo. E além disso, você pode ajudar demais, recomendando para mais gente, indicando para os amigos, para a família.
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curtindo, assinando, seguindo, dando cinco estrelinhas, deixando resenha na plataforma que você estiver escutando esse episódio agora.
E se você quiser comprovar que você ouviu o episódio até o final, é só você deixar um comentário com a palavra secreta da semana é: cansaço
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RESUMIDO é produzido e apresentado por mim, Bruno Natal
O roteiro é escrito por mim e pelo Agenor Neto
O Cauê Marques co-edita a newsletter O Futuro Explicado e as redes sociais, que contam com animações do Peri Semmelmann e design do Felipe Araújo
A edição e mixagem foram feitas pelo Miguel Mermelstein da Usina Sons
A foto da capa é do Jorge Bispo
E o tema original foi composto por Gustavo Silveira
Sou o Bruno Natal, obrigado pela audiência e semana que vem tem mais RESUMIDO!