Transcrição
Transcrição EP. #262
Olá, eu sou o Bruno Natal, hoje é dia 07 de maio e no RESUMIDO número 262: a internet acabou, inteligência artificial não é isso tudo, o novo algoritmo do Instagram, alugue um hacker, ChatGPT ganha memória e muito mais!
Vamos nessa, RESUMIDO!
INTRO
Olá RESUMISTA!
Esse é o RESUMIDO, um podcast sobre cultura digital e o impacto da tecnologia em todos os aspectos das nossas vidas.
Em pleno 2024 resolvi lançar um site. Pode soar fora de moda, mas como você vai ouvir no episódio de hoje, está mais para uma tendência. Nunca foi tão necessário ter fontes confiáveis onde acessar notícias fora dos feeds e por isso a home do www.resumido.cc agora traz notícias diariamente.
E enquanto estive no site, aproveita pra se inscrever na newsletter O Futuro RESUMIDO porque essa semana vai estrear! Aproveita enquanto é grátis.
Quem vai me ajudar a editar estas novas frentes é o Cauê Marques, bem vindo ao time!
Ah, semana passada falei do vídeo da minha visita à piscina de ondas da Boa Vista Village, mas acabei atrasando e só publiquei domingo. Agora sim, quem quiser saber mais sobre a tecnologia usada na piscina e assistir minha performance no surfe, é só conferir no @resumido.podcast no Instagram e no TikTok.
CULTURA DIGITAL
Vamos de Cultura Digital e como nosso comportamento online ajuda a moldar a sociedade.
BIG STORY:
The Declaration of Independence of Cyberspace / John Perry Barlow
Nunca é demais relembrar a Declaração de Independência do Ciberespaço, escrita pelo co-fundador da Electronic Frontier Foundation, John Perry Burlow, em 1996, pra relembrar a proposta original da internet e avaliar onde viemos parar.
ABRE ASPAS
“Estamos testemunhando o fim da internet como a conhecemos, e isso pode não ser uma boa notícia”
FECHA ASPAS
Esse alerta é da Judith Donath e do Bruce Schneier em um artigo publicado na The Atlantic. Você que acompanha o RESUMIDO já sabe muito bem que a internet que conhecemos e revolucionou a forma como acessamos o conhecimento e a informação, está sob uma nova ameaça: o conteúdo sintético gerado por inteligência artificial.
Ao longo da história, o papel dos editores foi essencial para conectar escritores a leitores, atuando como guardiões e amplificadores do bom conteúdo. A internet prometeu mudar esse cenário e permitir qualquer pessoa publicar qualquer coisa, o que, na prática garantia uma ambiente mais democrático, onde todo mundo poderia falar e ser ouvido. O resultado dessa liberdade foi um excesso de conteúdo e a função de filtrar tanta coisa, tradicionalmente dos editores, se tornou ainda mais necessária.
Só que em vez de editores, foram empresas como o Google e Facebook que assumiram essa tarefa, através dos seus algoritmos poderosos, cheios de interesses, capazes de filtrar e amplificar conteúdo numa escala jamais vista.
A otimização do conteúdo para ser encontrado por mecanismos de busca (SEO) virou uma indústria multibilionária que frequentemente manipula esses algoritmos para conseguir destaque para conteúdos que nem sempre merecem atenção.
A coisa pode piorar um bocado com a chegada das ferramentas de IA generativa, capazes de criar textos e imagens num volume absurdo. Se no início da internet a gente buscava ativamente pelo que queria e navegava por links, com a IA os usuários podem simplesmente perguntar o que quiser para uma ferramenta como ChatGPT e receber uma resposta gerada a partir de várias referências, sem nenhuma citação sequer de fonte.
Esse novo tipo de navegação pode acabar com a internet como a gente conhece. Bom, quer dizer, de novo, porque a internet como a gente conhecia acabou com o surgimento da web 2.0, principalmente por conta da plataformização que nos levou a consumir conteúdo através de feeds algoritmos sem transparência nenhuma.
Além do risco de respostas erradas e da falta de crédito, ainda comuns nos resultados gerados por IA, tem um problema ainda maior do uso em larga escala desses modelos de linguagem em larga escala. Tanto empresas, quanto governos e atores políticos podem manipular essas ferramentas para favorecer suas agendas, inserindo suas preferências nos bancos de dado e gerando vieses nos resultados. Como esse modelos de linguagem raspam a internet atrás de conteúdo para aprender mais coisas, não é muito complicado poluir as base de dados com as mensagens que você quiser, se você tiver recursos pra uma operação dessas.
Por isso que a Fast Company resgatou a teoria da “Internet Morta ” pra questionar se isso está virando realidade. Diz a teoria que o conteúdo orgânico criado por humanos e que impulsionou a internet nos anos 90 e 2000 foi soterrado por conteúdo criado artificialmente e isso já domina o que vemos online. Em outras palavras, a internet está “morta” porque o conteúdo que a maioria de nós consome não é mais criado por seres humanos, mas sim por robôs. Uma pesquisa de 2022 mostrou que 47% do tráfego da internet é automatizado, ou seja, feito por bots gerando conteúdo artificial, curtidas falsa e atacando sites.
Embora parte da conspiração desta teoria que diz que há um esforço deliberado de governos e corporações para controlar a percepção pública pareça improvável, a realidade de um domínio do conteúdo gerado por IA já parece bem plausível.
Já estamos vendo uma enxurrada de imagens, vídeos e textos gerados por IA nas redes sociais e sites. E muitas pessoas não percebem que esse tipo de conteúdo é gerado por IA. Os comentários de usuários em posts com conteúdo gerado por IA mostra que muitos acreditam que são fotos reais, criadas por humanos. Falei sobre isso no episódio #256 quando contei como o Jesus Camarão viralizou e dominou o Facebook.
E vira um ciclo, porque o engajamento de muitos desses perfis que publicam esse tipo conteúdo, podem ser curtidas e comentários vindos de outros perfis controlados por IA. Isso é problemático para os usuários das plataformas de rede social e também para os anunciantes, que podem acabar torrando seu orçamento para mostrar propaganda para bots. Só não fica ruim para as plataformas, que faturam independente disso.
Em um ensaio para a Num ensaio para Noema Magazine, Maria Farrell e Robin Berjon disseram que estamos assistindo à transformação da internet em uma monocultura frágil e extrativa. O paralelo entre ecologia e tecnologia não é só uma metáfora, mas um plano de ação. Eles apresentam o conceito de ‘rewilding’, ou renaturalização da internet, que originalmente era aplicado à conservação de ecossistemas, como uma solução para a recuperarmos a diversidade e a saúde da internet.
No contexto original, a renaturalização restaura ecossistemas através da criação de espaços selvagens e biodiversos. No contexto digital, isso significa desmantelar monopólios, promover a interoperabilidade e apoiar inovações abertas e comunitárias que possam florescer fora do controle das grandes corporações.
Essa renaturalização da internet sugere um retorno às suas raízes como uma rede verdadeiramente aberta e descentralizada, onde a inovação pode prosperar sem ser sufocada pela concentração de poder. Venho falando sobre essa dificuldade de consumir conteúdo não filtrado há um tempo e por isso decidi lançar um site, em pleno 2024, porque nunca precisamos tanto de portos seguros online. O novo site do RESUMIDO agora tem um feed de notícias onde vou publicar diariamente notícias sobre o impacto da tecnolgia no nosso dia a dia para quem quiser se informar em tempo real sobre os principais acontecimentos do mundo tech. Estas notícias podem ou não ser aprofundadas nos episódios do RESUMIDO, então pode ser boa ideia prestar atenção neste novo espaço.
E eu não estou sozinho nesse resgate. Em meio à crise de distribuição de notícias nas redes sociais, consumidores de jornalismo digital estão redescobrindo um formato clássico da internet: a boa e velha homepage.
Durante a maior parte da última década, as home pages foram quase esquecidas. Até veículos de comunicação dependem das redes sociais para distribuir seus conteúdos. A The Verge foi uma das primeiras publicações a seguir esse caminho quanod revitalizou sua página inicial em 2022, com um design que remete a blogs e feeds de redes sociais. Muita gente achou que era um tiro no pé, porque, pra que tentar replicar o que as plataformas sociais já faziam melhor?
Mas aí veio o colapso do Twitter com a chegada do Elon Musk, e uma mudança radical nas principais plataformas sociais, que se afastaram da distribuição de notícias. Contrariando as expectativas iniciais, o redesign do The Verge foi um sucesso estrondoso. O número de “usuários fiéis” — aqueles que visitam o site cinco ou mais vezes por mês — disparou em 47% em 2023. O site agora é o mais visitado sob o guarda-chuva da Vox Media.
Do lado de cá, aguardo você no www.resumido.cc pra gente navegar na internet juntos.
CURTINHAS:
Em mais uma prova de que conteúdo humano é melhor do que IA é que filósofos estão recorrendo ao fórum do Reddit “Am I the Asshole?” ou “Sou eu o babaca?” para estudar julgamentos morais cotidianos. A pesquisa de Daniel Yudkin, da Universidade da Pensilvânia, explora decisões morais no contexto de relações pessoais, pra mostrar como nossas considerações éticas são influenciadas pelas pessoas com quem interagimos. A pesquisa coletou 369.000 postagens e 11 milhões de comentários escritos entre 2018 e 2021. Depois, os filósofos usaram a IA para classificar os dilemas em diversas categorias, incluindo justiça processual, honestidade e obrigações relacionais. Os dilemas sobre o que devemos aos outros se mostrou o tipo mais comum.
O Telegram se tornou numa ótima ferramenta para contratar hackers por preços acessíveis, segundo a empresa de segurança Eset. Através de canais públicos no aplicativo, é possível contratar serviços ilegais como invasão de contas de redes sociais e espionagem de dispositivos móveis por valores que começam em cerca de R$ 600. Encontrar esses serviços costumava exigir algum conhecimento de como navegar na deep web, mas agora qualquer um encontra no Telegram. A facilidade de acesso a esses serviços ilegais preocupa as autoridades, que buscam maneiras de combater mais uma nova forma de cibercrime.
Se tá fácil achar hackers, você não deveria facilitar pra eles utilizando senhas fracas. O Reino Unido criou uma lei que proíbe que smartphones, tablets, notebooks e outros aparelhos inteligentes permitam que o usuário cadastre senhas simples como “12345” ou a palavra senha em inglês, “password”. Agora, todos os dispositivos vendidos por lá deverão exigir que os usuários configurem senhas fortes, combinando letras maiúsculas e minúsculas, números e caracteres especiais.
Estamos sempre nos perguntando se podemos confiar nos robôs, mas eles já devem estar se perguntando se podem confiar em nós. Em 2014, dois pesquisadores canadenses soltaram um robô autônomo chamado HitchBOT com a missão de atravessar os EUA dependendo exclusivamente da bondade de estranhos para carona. O HitchBOT tinah uma aparência antropomórfica com pernas feitas daquelas bóias macarrão de piscina e botas de chuva amarelas, além de GPS, câmera e carregamento por energia solar. O robô tinha uma lista de destinos icônicos como Times Square e Grand Canyon e chegou a atravessar o país, mas foi decapitado e encontrado numa rodovia sem as partes mais importantes.
O Ministério Público Federal e a Defensoria Pública da União entraram com uma ação civil pública exigindo que o Google remova vídeos do YouTube onde policiais confessam crimes. A ação, que também solicita uma indenização de R$ 1 milhão por danos morais coletivos, se baseia em uma reportagem da Ponte Jornalismo que mostrou como policiais discutem abertamente sobre atos de violência e abusos em canais dedicados ao tema que fazem muito sucesso. Essa medida busca não só a remoção do conteúdo, mas também uma regulação mais rigorosa na moderação de vídeos similares pra coibir a glorificação de práticas violentas por agentes do estado.
Já pensou em passar uma noite no Museu? Talvez isso seja possível em breve já que Airbnb está lançando uma nova série de experiências chamada “Icons”, que inclui desde encontros com celebridades até pernoites em museus. Entre as ofertas iniciais estão um bate-papo com o ator Kevin Hart, uma estadia noturna na sala do relógio do Musée d’Orsay em Paris, e uma noite numa recriação da mansão dos X-Men em Nova York. A experiência é toda gamificada e os interessados podem participar de um sorteio para ganhar “bilhetes dourados digitais” e, se forem selecionados, ter a chance de reservar essas experiências, muitas delas de graça.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Agora é o momento de explorar as transformações causadas pelas inteligências artificiais
BIG STORY:
air head 🎈 behind-the-scenes
A chegada da Sora, a IA de vídeo generativo a partir de textos da OpenAI, chamou atenção de todo mundo, principalmente após a divulgação de vídeos incríveis supostamente criados pela tecnologia.
Agora, Patrick Cederberg, diretor criativo da Shy Kids, o estúdio que produziu um dos curtas de divulgação, “Air Head”, explicou que pra finalizar o vídeo foi necessário bastante pós-produção, que são os ajustes feitos após a filmagem, ou nesse caso, após a geração das imagens sintéticas.
Diferente do que a OpenAI fez parecer e do que se espera de uma ferramenta totalmente automatizada, a versão final do vídeo precisou de correção de cor e até da eliminação de objetos indesejados nas imagens, inseridos pela IA, incluindo rostos no balão amarelo que faz as vezes da cabeça do personagem.
O diretor criativo contou muitas das interpretações da Sora sobre o personagem foram ruins, produzindo imagens assustadoras ou simplesmente erradas mesmo, como ignorar a cor do balão, que precisou ser ajustada usando softwares de edição.
Longe de ser uma resposta rápida, a IA pode ser um veneno para o processo criativo, comprometendo a originalidade, tornando o trabalho menos interessante e o profissional menos empregável. Chamar as IA de ferramentas pode não ser o ideal, já que esses programas agem mais como um serviço, iniciando as tarefas em vez de apenas auxiliar, o que pode minar a essência da criação artística.
Na prática, a IA não possui inteligência real, ela não pensa, mas simula expressões humanas com base em uma vasta quantidade de dados. A IA não compreende o significado das próprias respostas e muito menos possui emoções ou desejos que motivem suas ações. A utilização direta da IA na criação artística pode retirar o controle do artista sobre o processo criativo e se a personalidade e a perspectiva do artista for substituída por um agregado de médias, o que vamos ver é a perda da essência do que realmente atrai e retém a atenção do público.
Ao mesmo tempo, essa experiência da Sora demonstra que as IA ainda não são tão autônomas quanto propagandeado por seus criadores e ainda dependem muito da intervenção e da criatividade humana para alcançar a qualidade desejada. Isso serve como um lembrete de que, apesar dos avanços, a AI ainda tem um longo caminho a percorrer antes de poder substituir completamente as habilidades humanas em campos criativos. E provavelmente, nem vai.
Mas há avanços. A segunda edição anual do AI Film Festival, em Los Angeles, organizado pela Runway AI, atraiu centenas de cineastas, artistas e investidores para assistir aos dez filmes finalistas realizados com a ajuda de IA. Diferente do ano passado, os filmes deste ano exibiram uma qualidade maior, mais próximo de produções tradicionais do que de experimentos digitais.
Vale conferir o quanto de pós- produção teve nesses filmes também.
CURTINHAS:
A cantora britânica FKA Twigs contou para o subcomitê judiciário do Senado dos EUA que criou uma versão deepfake de si própria para interagir com fãs e jornalistas. Ela defendeu que artistas devem controlar o uso de suas vozes e imagens geradas por IA. Twigs diz que desenvolveu um clone digital capaz de falar vários idiomas, incluindo francês, coreano e japonês, e afirmou que essa tecnologia ajuda ela a explicar melhor seu trabalho e a ter tempo mais tempo para dedicar à arte e sua criatividade, em vez das demandas de promoção. FKA Twigs também destacou a necessidade de leis para proteger os artistas contra o uso não autorizado de suas características por terceiros.
A Viator, uma empresa do site de viagens TripAdvisor, lançou uma campanha publicitária utilizando IA. Criada pela agência Fig, a campanha usou uma IA de análises chamada Story Data para analisar e refinar a mensagem da marca e seus concorrentes e categorizar por tópicos. A partir daí, surgiu o slogan “Faça mais com a Viator”, que já resultou em um aumento no tráfego direto para o site da empresa.
Para surpresa de ninguém, o TikTok e Universal Music Group anunciaram um novo acordo de licenciamento e músicas de artistas como Taylor Swift e Drake retornaram ao aplicativo. A discordância era sobre dinheiro, claro.
A OpenAI anunciou a expansão do recurso “Memória” para assinantes do ChatGPT Plus, exceto na Europa e Coreia. Esse recurso permite que o ChatGPT lembre das suas conversas anteriores e armazene de forma permanente consultas e personalizações feitas pelos usuários. Isso pode melhorar a personalização das respostas e também tornar a coisa toda menos com cara de papo de maluco, quando o ChatGPT não lembra o que você falou cinco minutos atrás e perde o contexto. Os usuários podem controlar as informações memorizadas e pode revisar ou excluir os dados.
O Financial Times firmou um acordo com a OpenAI para permitir a utilização do seu conteúdo jornalístico para treinar os modelos de inteligência artificial generativa da empresa. O acordo permite que o ChatGPT incorpore resumos de artigos do FT nas suas respostas, com links diretos para o site do jornal. A colaboração busca melhorar a precisão e a relevância das interações dos usuários com o ChatGPT, ao mesmo tempo em que garante que o conteúdo jornalístico seja usado de maneira ética e transparente, com a devida compensação para o Financial Times.
Um estudo revelou que as regras da OpenAI podem ser burladas para prejudicar minorias, especificamente latinos nos Estados Unidos, e espalhar conteúdo enganoso e propaganda política. Apesar da OpenAI afirmar que implementa políticas rigorosas para prevenir a desinformação, especialmente com as eleições de 2024 em vista, o Instituto de Democracia Digital das Américas garante que essas medidas têm falhas. Em uma série de testes, o sistema permitiu a criação de chatbots para campanhas direcionadas, mesmo com regras que deveriam impedir isso. Este achado amplia o debate sobre a responsabilidade das empresas de tecnologia em aplicar suas regras, especialmente em idiomas que não o inglês, e destaca a necessidade de maior fiscalização e adaptação das políticas de IA para proteger as comunidades vulneráveis.
De olho nesse tipo de problema, a União Europeia estabeleceu novos padrões na regulação da IA. O Parlamento da UE aprovou a Lei da IA da UE, a nova lei categoriza as tecnologias de IA de acordo com seus níveis de risco e introduz regulações rigorosas para gerir sua aplicação. Especialistas comparam seu impacto potencial ao do GDPR, sugerindo que a Lei da IA da UE poderia se tornar um padrão global para regulação de IA.
BIG TECH
E agora é hora de falar sobre como as Big Tech moldam nosso comportamento.
BIG STORY:
https://www.instagram.com/reel/C6Y0tfRLyfa/
Esse que você escutou foi o Adam Mosseri, funcionário da Meta que é o chefe do Instagram e do Reels.
A reciclagem de conteúdo nas redes sociais é um problema sério. Não bastasse quem copia o conteúdo do post dos outros, tem gente que vai além de nem copia, simplesmente corta e cola aquilo que comprovadamente e publica no próprio perfil, quase sempre sem dar créditos.
A Meta anunciou uma nova atualização no algoritmo do Instagram que vai impactar diretamente esse tipo de perfil que, exatamente porque copia o que sabe que já funcionou, costuma engajar muito e crescer rápido.
Segundo o Instagram, perfis que postarem mais de dez imagens ou vídeos retirados de perfis de terceiros em um período de 30 dias, serão classificadas como “agregadoras de conteúdo” e vão sofrer penalizações que incluem deixar de ser recomendamos na área de Explorar e no feed principal dos usuários.
Mesmo as contas que atribuem crédito aos criadores originais vão ser penalizadas. É uma tentativa do Instagram de proteger o alcance dos criadores autênticos. A medida inclui também conteúdo como capturas de tela e afeta perfis de fãs de artistas e aquelas contas cheias de imagens inspiradoras. As novas regras não deixa claro se a utilização de conteúdos autorais de outras plataformas também vão ser afetados.
O Instagram anunciou um novo sistema de recomendações para promover e aumentar a visibilidade de mais criadores na plataforma. Uma ótima notícia pra quem produz ou quer produzir conteúdo na internet.
Editores de perfis agregadores, muitos deles com milhões de seguidores, alegam que seu trabalho de curadoria atrai muitos seguidores e que com isso conseguem ajudar a impulsionar muitos perfis que não tinham muito alcance antes de serem destacados.
A lógica tem algum sentido, mas só quando os criadores originais são creditados, com @ e link e os seguidores estimulados a irem conferir esses perfis.
CURTINHAS:
A Twitch lançou o recurso Discovery Feed, um sistema de vídeos curtos que quer competir com o TikTok. De acordo com a Folha de São Paulo, essa nova funcionalidade permite que o usuário navegue por trechos destacados de transmissões ao vivo, carro chefe da Twitch. A iniciativa surge uma semana após movimentações legislativas que ameaçam banir o TikTok nos Estados Unidos. Todo mundo de olho no trono.
Segundo o Engadget, o LinkedIn entrou na onda “copia, mas não faz igual” e está entrando no mundo dos games. A plataforma anunciou uma série de games no estilo Wordle, hit que foi comprado pelo New York Times, como parte da sua iniciativa de games que hoje gera grande parte das receitas do jornal. Os jogos serão desenvolvidos pela equipe de notícias do LinkedIn e incluem “Pinpoint”, um jogo de palavras, “Queens”, que combina elementos de Sudoku e Campo Minado, e “Crossclimb”, um jogo de trivia. Esses jogos diários foram adicionados para estimular e a interação dentro da rede, já que a empresa acredita que compartilhar um placar do game pode servir pra quebrar o gelo entre as pessoas e iniciar conversas.
Essa eu li na Ontem, newsletter do Instituto Vero: O Comitê de Supervisão da Meta listou 9 medidas para plataformas lidarem com eleições em 2024. As sugestões para melhorar a moderação de conteúdo em plataformas sociais, especialmente durante eleições, incluem a implementação de padrões globais para eleições, proteções reforçadas para jornalistas e sociedade civil, e diretrizes claras para o manejo de conteúdo gerado por IA e deepfakes. Apesar de gerado pela Meta, o documento também é direcionado a outras empresas e entidades da sociedade civil e quer servir de referência para o setor.
A Apple está expandindo seu recurso Bloqueio de Ativação para bloquear iPhones consertados com peças roubadas. De acordo com o Gizmodo, a é para coibir o roubo e revenda de componentes internos dos aparelhos, atendendo solicitações de clientes e das autoridades. A partir do segundo semestre deste ano, o sistema vai detectar peças roubadas e limitar as funções do aparelho. Curioso pra saber como este sistema vai reconhecer peças individualmente, parece que a Apple traqueia bem mais os seus aparelhos do que pensamos.
O governo brasileiro anunciou a criação de um novo centro de segurança cibernética no Recife, com um investimento planejado de R$ 60 milhões ao longo de três anos. Localizado no Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar), o centro vai focar na formação de especialistas em segurança cibernética e no desenvolvimento de soluções para proteção contra ameaças digitais. A iniciativa é para fortalecer a independência do Brasil no setor de segurança cibernética e aumentar a proteção em áreas críticas como finanças, infraestrutura e serviços públicos, com foco na segurança nacional e na inovação tecnológica.
Quem quiser falar comigo, já sabe onde me encontrar: @urbe no Twitter, @resumido.podcast no Instagram e no TikTok e youtube.com/resumido. Faça parte da comunidade no Discord.
Se você preferir, também pode me mandar um oi pelo Whatsapp e Telegram para:
- 97 969 58 48
E faça parte da lista de transmissão onde envio alerta de novos episódios, conteúdo extra e link para o post no www.resumido.cc com todas as reportagens comentadas em cada episódio para quem quiser se aprofundar.
DICAS DE VER, LER E OUVIR
Hora de relaxar com as dicas de ver, ler e ouvir.
Nintendo na Apple
Olha como a dinâmica da regulação e inovação no setor de tecnologia pode ter impactos positivos imprevisíveis. A Apple teve que reconsiderar suas políticas restritivas na App Store para aliviar a pressão dos processos antitruste ao redor do mundo e com isso o aplicativo Delta, antes proibido, assim como todos os emuladores, que permite jogar videogames clássicos no iPhone, é o app mais baixado nos EUA. Por isso regulamentações que desafiam monopólios são tão importantes. Embora as restrições da App Store ofereça segurança e facilidade, ela também limita a exploração de tecnologias como o Delta e diminui a liberdade do usuário para experimentar. Agora dá licença que vou jogar Double Dragon II e já volto.
Baby Reindeer
“Baby Reindeer” é uma série da Netflix baseada na vida do comediante britânico Richard Gadd, que foi perseguido por uma mulher mais velha por anos. É ele próprio quem faz o papel principal, mas isso eu só soube depois. Como a série abre com o tradicional aviso “baseada numa história real”, parte do público está dedicado identificar a stalker verdadeira. Uma suspeita foi identificada e isso levantou questões éticas sobre a exposição de indivíduos em obras de arte baseadas em fatos reais. Numa entrevista para o Daily Mail, a suposta stalker alegou que, ao criar um programa sobre sua perseguição, Gadd se tornou o perseguidor. A série começa divertida, mas temas de abusos e trauma dão uma pesada no clima. O sucesso de Baby Reindeer disparou uma série de outros casos reais no Brasil, como o da empresária brasileira, Nair Alice Stamoglou, que enfrentou um terror semelhante por sete anos. O Guardian essa semana falou sobre uma nova febre em Manchester: produzir vídeos voyeurísticos de mulheres em situações vulneráveis, muitas vezes bêbadas, voltando da noitada, para compartilhar online sem o seu consentimento. A exposição das nossas vidas online hoje em dia não depende apenas da nossa vontade.
MC CONRAD
MC Conrad, conhecido por uma das parcerias mais gloriosas da história do drum n bass com LTJ Bukem nos anos 90, subiu, com apenas 52 anos. Tive a sorte de ver a dupla no saudoso Skol Beats, em 2003.
Cantor cheio de soul e improvisador de alma jazzística, MC Conrad ajudou a levar o gênero das batidas quebradas ao espaço e além, acompanhando nomes de ponta como Peshay, PFM, Blame e Photek, mas foi com LTJ Bukem que ele voou mais alto, levando a combinação DJ/MC a um nível estratosférico.
Os discos da série “Progression Sessions”, todos gravados ao vivo, são clássicos da música eletrônica, principalmente se você é daqueles que dizem que não gosta de música eletrônica. No YouTube tem dois sets ao vivo deles, gravado na Alemanha em 2002, de arrepiar
E como comentou o Calbuque, a ciência da música é imprevisível, claro, mas a gente fica com a impressão de que o brilho de um artista como ele ainda vai ser muito estudado.
ENCERRAMENTO
Nesse episódio você ficou sabendo a internet vai acabar, das limitações da inteligência artificial, do novo algoritmo pelo Instagram, de como alugar um hacker, da nova memória do ChatGPT e muito mais!
Se você gosta do RESUMIDO, recomende pra mais gente, é muito importante e ajuda demais e não deixe de curtir, assinar, seguir, dar 5 estrelinhas e uma resenha na plataforma que você estiver escutando este episódio agora.
O RESUMIDO tem o apoio do Instituto Vero.
É produzido e apresentado por mim, Bruno Natal
O roteiro é escrito por mim e pelo Agenor Neto
com a colaboração de Carlos “Calbuque” Albuquerque
A edição e mixagem é feita pelo Hugo Rocha
A newsletter O Futuro RESUMIDO e as redes sociais são co-editadas pelo Cauê Marques, com animações do Peri Semmelmann
A foto da capa é do Jorge Bispo
E o tema original foi composto por Gustavo Silveira
Sou o Bruno Natal, obrigado pela audiência e semana que vem tem mais RESUMIDO!