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Autoria em colapso / IA intensifica o trabalho (não reduz) / Algoritmo e scroll infinito no tribunal

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Colunista admite usar IA para escrever e gera debate sobre autoria e transparência. Estudos mostram que, em vez de reduzir, IA intensifica o trabalho. Meta e Google vão a julgamento por scroll infinito e recomendação algorítmica.



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No RESUMIDO #352: colunista admite uso de IA, IA prevê discurso presidencial, automação gera mais trabalho, tem anúncio no chatbot, scroll infinito vai a julgamento e muito mais!

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Transcrição

Transcrição EP. #352


(transcrição gerada automaticamente, pode haver falhas)

00:01
Olá, eu sou o Bruno Natal, hoje é dia 24 de fevereiro e no RESUMIDO #352: colunista admite uso de IA, IA prevê discurso presidencial, automação gera mais trabalho, tem anúncio no chatbot, scroll infinito vai a julgamento e muito mais!

00:33
Olá, RESUMISTA! Esse é o RESUMIDO, um podcast sobre cultura digital e o impacto da tecnologia em todos os aspectos das nossas vidas. Como você já deve ter percebido, minha voz está uma beleza após o Carnaval. Fui à Nárnia, voltei e agora cá estamos gravando um episódio novo, que talvez seja um pouco mais curto, mas toda vez que eu falo que vai ser um pouco mais curto, não é? Então, vocês já sabem. Queria te lembrar que você, ouvinte, é quem possibilita o RESUMIDO existir.

01:02
principalmente os assinantes. Então, queria convidar quem puder fazer uma assinatura do RESUMIDO em resumido.cc/assinatura são 15 reais por mês até março quando o preço vai subir e você ajuda a financiar essa produção jornalística e o RESUMIDO poder continuar existindo, o trabalho do Cauê, do Agenor, do Peri, do Felipe e assim a gente consegue continuar produzindo conteúdo.

01:28
Aproveitar para agradecer muito a Thais, ao Myron e ao Daniel, que fizeram a sua assinatura nas últimas semanas. E também convidar você a conhecer a lojinha do RESUMIDO. Fica lá no studiogeek.com.br/resumido, tem link para isso tudo aqui na descrição do episódio. Tem também no site resumido.cc/. Confere lá. Tem caneca, blusa, bolsa, muita coisa legal. Se você comprar uma aí, posta e marca o RESUMIDO para eu poder repostar.

01:54
Depois do carnaval, aliás, é quando ano engrena de vez, Aí começa a agenda cheia, trabalho acumulado, o calor que continua, que o rio tão… Forno. E zero paciência pra ficar perdendo tempo com roupa que dá trabalho. A Insider funciona muito bem pra mim nessa fase, exatamente porque acompanha esse ritmo. Tem peças confortáveis, que aguentam o dia inteiro sem ficar pedindo cuidado extra. Elas não amassam, né? Não precisa passar. Não esquentam demais, não limitam o movimento. É uma roupa muito boa pra rotina profissional moderna.

02:24
Em fevereiro, o cupom RESUMIDO segue valendo 20 % off para novos clientes e 10 % off para quem já comprou na Insider. Isso aí somado com os descontos do site, o que acaba fazendo uma boa diferença no final. Se você está voltando com tudo para a rotina agora como eu, aproveita, tem o link com o cupom já aplicado na descrição do episódio, confere lá.

02:51
E vamos de cultura digital e como nosso comportamento online ajuda a moldar a sociedade.

03:02
galera fala que não usa Iá, mas usa. Então, o que eu vejo é uma grande falta de coragem de falar que usa com medo. De falar que usa Iá gera uma incapacidade de inteligência ou de pensar ou de ser profundo, entende? Esses dias eu comentei sobre o quanto eu gosto de Black Uhuru por conta da morte do Sly Dunbar, o baterista da clássica dupla Sly and Robbie, e aí eu recebi um link de um amigo de um disco chamado The Lost 1984 Tapes.

03:32
que seriam gravações perdidas da fase áurea do Black Uhuru. Só que assim que eu vi isso eu achei estranho, porque eu não sou nenhum conhecedor enciclopédico de discografias obscuras de bandas de reggae, por mais que eu goste muito, já tenha feito um documentário sobre o assunto, o Dub Echoes. Mas eu não me lembrava de ter visto o nome desse disco nunca, nem ter ouvido falar dessa história. Principalmente porque eu tive o privilégio de estar com o Sly and Robbie durante uma gravação numa viagem na Jamaica, que eu fui fazer um making of.

04:01
do disco da Vanessa da Mata, e falou-se muito sobre esse tipo de assunto, sobre gravações perdidas. Aí eu resolvi dar uma olhada mais de perto e eu vi que era tudo criado por Iá. E eu imediatamente perdi a vontade de ouvir aquilo porque… porque eu vou ouvir uma coisa que não foi de fato gravada só uma fita perdida, só uma invencionice criada por Iá. E aí, curiosamente, nesses últimos dias eu comecei a ver um monte de assunto relacionado a esse tema.

04:28
Um deles foi uma reportagem da revista Time, chamada The People vs. AI, ou As Pessoas Contra IA, que entrevistou várias pessoas de vários setores que estão resistindo ao avanço da tecnologia, entre eles o pessoal do cinema. E aí tem uma entrevista com a cineasta e a atriz Justin Bateman, em que ela fala sobre o episódio em que a Amazon utilizou uma ferramenta de IA para dublar em inglês várias séries de animes japonesas que estavam no Prime Video.

04:57
que teve uma reação imediata dos fãs, que acharam o negócio completamente sem alma, constrangedora, até porque gosta de ver em japonês, legendado mesmo. E ela, que aos 60 anos agora também é formada em ciência da computação, virou uma das principais vozes de resistência à inteligência artificial em Hollywood. Ela atuou como conselheira no sindicato dos atores nas negociações contratuais em 2023, aquela greve dos roteiristas por conta do uso de ar.

05:22
e ela falou sobre como as empresas de tecnologia vêm correndo AIA na produção de narrativas, o que pode acabar tendo um impacto negativo na qualidade artística. Ela citou alguns exemplos sobre obras como Cidadão Kane, algumas já caindo em domínio público, que podem começar a alteradas com o nível de perfeição, e isso pode mudar a história, porque talvez as pessoas não tenham a referência do filme original, vejam uma versão alterada e achem que aquela versão original é complicado.

05:51
para onde isso tudo está indo. Eu vi também no meu grupo de Star Wars. Eu e alguns amigos gostamos muito da série, eles sabem muito mais do que eu. Eu sempre monto o grupo com pessoas que sabem mais do que eu de assuntos que eu gosto, né? E o grupo existe para todo mundo reclamar de tudo que é feito hoje em dia de Star Wars. Mas lá eles mandaram um vídeo de um curta em que o Luke Skywalker encontra a Sokka depois dos eventos de retorno de Jedi, também tudo feito de maneira digital.

06:18
Não é diferente de fanfic, que são as ficções criadas pelos fãs, mas isso antigamente era feito por escrito, em blogs, e agora é feito como se fosse um filme mesmo. Também pode gerar mais confusão. E o Matthew McConaughey, o ator que recentemente registrou a própria aparência para poder se proteger da IA, poder negociar isso no futuro, numa conversa com outro ator, Timothé Chalamet, estava falando sobre como para ele a IA vai chegar ao palco principal de Hollywood, e ele não duvida que daqui a cinco anos

06:46
Tem algum tipo de categoria no Oscar como melhor ator de A, alguma coisa assim, que ele acha que vai ter alguma transição, que pode ocorrer de uma maneira imperceptível, mas que os estúdios já estão recorrendo tanto a tecnologia para fazer, por exemplo, o rejuvenescimento digital, os deepfakes, vários filmes que a gente já viu contemporâneos fazendo esse uso, mas também clonagem de voz, dublê e virtual. Então ele acha que essa ideia de performances totalmente sintéticas não está tão longe assim.

07:14
Isso tudo pode acabar colocando a questão da autoria em colapso. Quando a gente não souber mais o que tem um autor real, ou se aquilo que a gente está vendo é de fato o que o autor criou, se já foi alterado. Outra coisa que gerou bastante burburinho foi o lançamento pela ByteDance, a empresa dona do TikTok, do SeeDance 2.0, que é uma ferramenta de geração de vídeo, que tem gerado vídeos muito perfeitos, e vários vídeos foram feitos com conteúdo protegido por direito autoral.

07:43
Desde Homem-Aranha, Capitão América, até personagens da Disney, a ByteDance anuncia que vai limitar a produção desse tipo de conteúdo com personagens protegidos por direito autoral, porque recebeu muita reclamação dos estúdios, mas o que chamou a atenção desse lançamento foi a facilidade de produzir um vídeo com uma qualidade aceitável para muita gente, como isso já vai indicando um futuro para Hollywood em que vai ter que brigar com esse tipo de produção. E isso eu acho que vai mesmo.

08:11
Eu acho que vai ter esse momento, vai ter essa produção, mas eu acho que ainda nada disso que a está vendo agora ainda não vai ser dessa maneira desordenada, tudo gerado para o usuário. Eu acho que ainda vai ter lugar para o cinema, para um filme que é feito, pensado, não uma coisa no impulso, às vezes sem tanta intenção, com essa camada de viralização, coisa tão descartável que a gente viu hoje em Ou então não, o cinema também vai virar descartável, não sei, tem tanto filme nessas plataformas hoje em dia, dá nem tempo de assistir nada, né?

08:39
E nessa uma discussão que chamou muita atenção foi o caso da Natalia Beuty, é uma colunista da Folha de S.Paulo, que foi acusada por um leitor de usar Iá para escrever as colunas. Esse leitor escreveu para a Folha de São Paulo, disse que passou por detectores de Iá e que o texto dela era gerado por Iá. Isso tudo fez com que ela tivesse que se manifestar, ela admitiu o uso de Iá, mas ela falou uma coisa curiosa. Ela falou que Iá hoje em é como monjauro.

09:08
Aquela injeção para emagrecer, está tão famosa, que todo mundo usa, mas ninguém assume. Eu achei uma comparação inusitada, mas pertinente, porque realmente muita gente usa IA e não diz. Ela falou que o uso que ela faz é para organizar as ideias, o pensamento, que são dela, e aí ela utiliza modelos como o do Claude, o da Anthropic, para estruturar, redigir a coluna, que depois ela revisa.

09:33
E isso tudo me levou a escrever um post lá no LinkedIn. Aliás, se você não me segue lá no LinkedIn, Bruno Natal, procura lá. Posta algumas coisas por ali. Em que eu falei exatamente sobre a ilusão da eficiência. Porque eu uso, e uso bastante. Eu uso para organizar anotação, para montar orçamento, para estruturar apresentação, para filtrar mensagem, para organizar os tópicos do roteiro aqui do podcast, para desdobrar o conteúdo em outros formatos, para rede social. E também uso para me ajudar a escrever.

09:59
Só que eu sempre faço isso a partir de um material de pesquisa que é minha. Eu edito, reviso, reescrevo até o texto ser meu. Eu não vou lá simplesmente e posto o que está vindo daí. Até porque eu não faço esse tipo de pedido. Eu não fico lá batucando um pedido e aceito o que vier. E eu também não passo adiante a gororoba digital que sai lá dessas ferramentas normalmente. Então eu vejo como um ótimo ajudante. Por exemplo, estou organizando o livro do RESUMIDO, finalmente.

10:25
Uma coisa que estava levando anos para eu são mais de 350 roteiros, 30 mil páginas, que me faz ter certeza que deve ter 200 páginas de um livro ali dentro. E com o Claude eu consegui agora filtrar tudo que está no conteúdo. Eu consigo encontrar coisas que eu me lembro de determinados roteiros, coisas que eu falei. Eu consigo organizar uma série de assuntos relacionados ao mesmo tópico que eu falei ao longo desses anos aqui no RESUMIDO.

10:52
é um assistente de pesquisa, não é para escrever o livro propriamente, mas para me ajudar a organizar o material. Mas o que eu noto é que essa promessa de aumento de produtividade é uma balela, porque essa eficiência tão falada virou uma sobrecarga disfarçada. Eu falei sobre isso no LinkedIn e outro dia mesmo saiu uma pesquisa especificamente falando sobre isso, que eu vou comentar no bloco de inteligência artificial.

11:18
Mas antes de eu fechar aqui o bloco de cultura digital, um outro exemplo desse uso pré-escrita e até onde isso pode ir é um site chamado Stat, que criou todo o discurso do State of the Union, é o Estado da Nação, discurso anual do presidente dos Estados Unidos, que vai acontecer nessa terça-feira, criou prevendo o que vai ser esse discurso baseado em todos os assuntos que o Trump vem falando nos últimos meses. Então ele criou um roteiro que não é um roteiro que ele vai ler.

11:47
mas que eles esperam que esteja muito próximo do que vai ser abordado, baseado em tudo que está sendo dito nos últimos meses. Vai ser curioso conferir isso nos próximos dias e ver o quanto ele acertou, porque isso mostra também a capacidade dessas ferramentas de fazer uma previsão de texto, previsão de conteúdo. Como vem acontecendo há um tempo, os blocos de cultura digital com inteligência artificial vão se confundindo às vezes, porque realmente vai fazendo parte da nossa cultura digital, do nosso comportamento.

12:16
essa questão dos usos de ferramentas de ar e às vezes os assuntos acabam se interligando. Mas vamos para o próximo bloco que eu vou falar mais sobre essa questão do excesso de trabalho.

12:30
Agora é o momento de explorar as transformações causadas pelas inteligências artificiais.

12:41
Uma das coisas que sempre injusta nessa comparação é que falam sobre quanto energia é preciso para treinar um modelo também precisa muito energia para treinar um humano. É como 20 anos de vida e toda a comida você come durante aquele tempo antes de você se tornar inteligente.

Nos últimos dias a gente teve o India AI Impact Summit, é um encontro para falar sobre o impacto da AI, que aconteceu na Índia.

13:08
E por lá, falou-se de tudo, das questões tecnológicas, das questões geopolíticas, inclusive teve um baita dum climão, porque teve uma foto dos participantes em que o Sam Altman da OpenAI e o Dario Amodei da Anthropic acabaram lado a lado. Eles não se gostam, o Dario Amodei foi funcionário da OpenAI, saiu pra fundar a Anthropic, todo mundo de mão dada, levantando a mão, eles não deram a mão, ficaram só encostando o braço um do outro, bem patético.

13:35
Mas a agenda oficial do evento trouxe vários resultados práticos. A Índia aderiu à Aliança Pax-Sílica com os Estados Unidos para fortalecer a cadeia de semicondutores. Teve o lançamento do Bharat Gen, que é um modelo soberano de 17 bilhões de parâmetros que suporta as 22 línguas oficiais da Índia. E o evento acabou falando bastante sobre isso, sobre como o sul global pode participar dessa discussão e mostra como alguns países estão muito mais adiantados. A Índia…

14:04
que já teve uma economia que era a metade da do Brasil até 2010. Agora tem uma economia que é o dobro do Brasil, cresce a 7 % ao ano enquanto a gente está aqui penando para crescer a 2%. Eles geram 280 bilhões de dólares por ano em exportação de tecnologia, a gente gera 8 bilhões. O Brasil precisa começar a correr atrás. Agora, um momento emblemático para mim nesse evento foi uma fala do Sam Altman.

14:28
em que ele disse o seguinte, quando ele foi questionado sobre a questão energética do consumo de energia desses data centers, para produzir os resultados de A. O Sam Altman respondeu com a seguinte pérola, abre aspas.

“Também é preciso muita energia pra treinar um ser humano. Leva algo como 20 anos de vida e toda comida que você consome nesse período antes de ficar inteligente. E não é só isso, foi necessária a ampla evolução dos 100 bilhões de pessoas que já viveram.

14:56
que aprenderam a não serem devoradas por predadores e a compreender a ciência e tudo mais para produzir você e depois você consumir tudo que você consumiu.” fecha aspas.

Olha o nível de loucura dessa gente. Sério, não tem como falar de outra maneira. Como que o cara compara o consumo energético de ar com a evolução humana, como se desse para se equiparar uma coisa com a outra? Tem um perfil no Instagram?

15:23
Eu vou linkar lá no post do episódio, no resumido.cc/, onde eu coloco todos os links comentados em cada episódio, é uma sessão exclusiva para os assinantes, inclusive. Eu vou colocar os links desses dois perfis, porque um copia o outro, tem um segundo fazendo igual, em que o cara posta um absurdo dito por um CEO de tecnologia, de Big Tech, por dia. E realmente é um manancial de absurdos, ele não vai ter problema de ter o que postar, o que parece, porque é isso aí, abre a boca, sai isso.

15:53
E nessas promessas todas de IA, o Washington Post fez uma análise em que falou que, apesar desse volume bilionário que está sendo investido em infraestruturas de IA, alguns economistas do Goldman Sachs, do JP Morgan, começaram a sustentar que o impacto direto desse ciclo de investimento IA sobre o PIB dos Estados Unidos em 2025 foi praticamente zero.

16:17
Fala-se muito que a IAGE é responsável por metade da economia dos Estados Unidos, que se essas empresas falharem vai ser um colapso econômico, mas o estudo deles mostra que não, impacto é quase zero. Cala o peso, sente, manter o ritmo custo com os títulos, com os equipamentos que são usados para reduzir atrito faz diferença, principalmente com roupa.

16:36
As peças da Insight transam leves e respiráveis internos, facilitam a evaporação do suor e não pedem manutenção no endo dia. Quando a roupa não atrapalha o movimento vai mesmo leve e fica mais fácil de manter. Mas o eu queria falar, que é relacionado ao bloco interior, foi uma matéria que eu li na half of the review falando sobre como IA não reduz o trabalho e, intensifica. A promessa que gente vai trabalhar menos cuidado, vai ser substituto louro, gente, mas a camarada, você se executar automaticamente.

17:06
Você que eu vou resumir sabe que não acredito nisso. Clica no link na descrição do episódio que já está com o POM RESUMIDO aplicado. É capaz de funcionar sem a intervenção humana, sem um humano supervisionar o que está sendo criado, produzido, mas o estudo que a Harvard Business Review citou acompanhou por oito meses uma empresa de tecnologia dos Estados Unidos com cerca de 200 funcionários e o que encontrou é que a IA generativa não reduziu o trabalho.

17:32
aumentou o ritmo, ampliou o escopo de tarefas, as pessoas tinham que fazer mais coisas, estender o trabalho por mais horas e muitas vezes por iniciativa dos próprios funcionários, mas que ninguém trabalhou menos, as pessoas trabalharam mais. Eu adorei esse estudo, porque isso é algo que eu venho repetindo aqui há um tempo. Eu tenho certeza que eu trabalho muito mais hoje em dia do que eu trabalhava antes da chegada da IA, nesses últimos dois anos. Eu produzo mais relatórios, mais orçamentos, mais apresentações.

18:01
Porque dá pra fazer, eu consigo organizar, mas material, mas eu tenho trabalhado muito mais, meus dias acabam muito mais tarde. Eu não lembro o último dia de trabalho que eu desliguei o computador antes de 10 da noite. Não lembro. E olha que eu acordo cedo pra correr. Tem sido horas e horas de trabalho. Os autores do estudo identificaram três efeitos principais. O primeiro é a expansão das tarefas. As pessoas começam a fazer mais atividades que antes não eram da área dela e passam a ser. Então você vê designer escrevendo o código, pesquisador fazendo tarefa de engenharia.

18:31
mais ou menos aquilo que eu venho falando, né? E isso nem fica tão bom, na verdade, né? Mais ou menos aquilo que eu venho falando. Não é porque eu consigo gerar um designer com IA que eu vou ser um bom designer. Não é porque eu tenho acesso a ferramenta que eu vou ter o discernimento, o repertório necessário pra ser um bom designer. O segundo efeito é um limite, meio que borrado entre trabalho e descanso, porque as pessoas começam a trabalhar mais e isso vai invadindo a hora do almoço, as reuniões, o fim do dia, e vai reduzindo as pausas. E o terceiro é a multitarrefa.

18:59
Todo mundo tocando várias frentes em paralelo, checando o output, alternando a tensão com mais frequência e você vai levando a carga cognitiva e a pressão por velocidade. Eu mesmo, esses dias estava mexendo no lovable, tentando desenvolver um game que eu tive uma ideia pra fazer e não consegui até agora, O tal do Vibe Coding comigo segue não funcionando, ver o problema é comigo, eu acredito que não, mas não sai o jogo que eu queria.

19:24
Nem lá, nem no Loveable tentando esse jogo, e nem no app chamado Gizmo, que eu comentei outro dia em que você tem um feed de minigames, de mini aplicações que você vai criando ali com vibe coding. Mas o fato é que nas últimas duas semanas, quando eu estava desenvolvendo esse jogo, que eu não desisti ainda, ele está aqui aberto numa aba, mas eu estou várias horas do meu dia, como o prompt fica rodando e demora para dar resposta, eu toda hora fico indo ali na janela para passar o próximo prompt para o negócio ir evoluindo em paralelo, mas na verdade isso atrasa o que eu tinha para fazer no dia mesmo.

19:53
Então eu tenho vivido isso na pele. Eu gosto de experimentar as ferramentas para poder comentar depois, inclusive a parte comportamental que o que me interessa mais. E eu vi no Instagram de um dos responsáveis pelo estudo que a explicação para esse aumento do cansaço, desse aumento do volume de trabalho é a seguinte. Sem IA, para realizar uma tarefa, a gente usa 20 % do nosso tempo no trabalho pesado, que é você pensar o que quer fazer, organizar, pensar estratégia.

20:21
o CERN do que você está querendo executar como trabalho e que os outros 80 % do tempo são usados desenvolvendo essa coisa que você criou nos 20 % do tempo. Então você passava 20 % do seu tempo trabalhando muito duro, muito pesado, na fase mais intensa de pensamento, de raciocínio da tarefa e os outros 80%, montando aquilo tudo que era mais fácil. Acontece que a IA é muito boa justamente nesses 80%.

20:49
em montar o que está feito como estratégia. Isso seria ótimo se a gente fizesse 20 % do trabalho, os outros 80 % fossem feitos pela IA e a gente tivesse esse tempo livre. Mas o que acontece é que como a IA pode fazer os 80%, montar apresentação, montar o orçamento, montar até o texto, em muitos casos, quando não importa essa qualidade de texto e serve para ser usada como vem ali dessas ferramentas, o que acontece é que a pessoa não tem esse tempo livre. E ela é, então, como funcionário,

21:19
ou até como uma pessoa que trabalha por conta própria colocada numa situação de usar os 80 % do tempo da mesma maneira que você usava os 20%, que é criando mais trabalhos, mais conceitos, mais estratégias para serem executados para IA. É exatamente que eu venho falando. Como eu me sinto, na verdade. Eu adorei isso tudo porque ele validou um monte de coisa que eu estou sentindo. Eu passo muito mais tempo queimando a mufa, fazendo coisa, fazendo muito mais volume de coisa por conta das ferramentas de IA.

21:48
você passa 100 % do tempo fazendo a tarefa mais pesada e fica exausto. Então a tem que começar a levar essa consideração para poder ser mais intencional no uso, porque não é porque dá para fazer tudo que você vai fazer tudo. Mas é difícil, né? Eu que estou com a cabeça sempre fritando com um monte de ideia, querendo executar um monte de coisa, eu adoro botar no papel porque eu não gosto de ideia perdida, acabo me vendo quase que obrigado a fazer uso das ferramentas para ajudar a organizar melhor, mas esse estudo me fez pensar um bocado.

22:17
E um outro estudo do Center for AI Safety, da Scale AI, falou que os modelos de AI falham em mais de 96 % dos trabalhos quando comparados diretamente com humanos em tarefas reais. Eles usaram como isso uma série de trabalhos de freelance de algumas pessoas, eles desenvolveram métodos chamados Remote Labor Index para avaliar essas entregas pagas no mundo real. Então eles testaram 240 empregos no Upwork, que é uma plataforma de freelance,

22:46
como design, programação, edição de vídeo e arquitetura. E o melhor modelo alcançou só 3,75 % de sucesso, com falhas frequentes ao longo dos processos. Arquivo corrompido, trabalho incompleto, baixa qualidade, inconsistência técnica. Então mesmo que a IA tenha mostrado um bom desempenho nas tarefas de redação, da geração de imagens, áudio, publicidade, código básico, o que esse estudo sugere é que a IA ainda está longe de substituir os trabalhadores em funções gerais.

23:16
Então, para eles tem um exagero na valorização econômica da IA, e eles citam, por exemplo, se hoje não estão vendo um retorno financeiro muito claro, Previsões de recontratação de funcionários emitidos pela tomação, que eu já comentei por aqui, e vários riscos em áreas sensíveis como medicina, por exemplo. Então, vai se desenhando aí, três anos dentro dessa viagem da IA, vai se desenhando um cenário que vai ficando mais claro algumas das falsas promessas ou do excesso de expectativa, o gizmodo.

23:44
falou também de um outro estudo publicado na Curious, uma revista, que propõe o termo AI Replacement Dysfunction ou Dysfunção de Substituição por IA, para descrever o sofrimento psicológico dos trabalhadores que temem ser substituídos por IA. Ou seja, todos nós, Porque todo mundo que eu converso, tá com medo de ser substituído por IA. E eu quase sempre falo pras pessoas, inclusive pessoas talentosíssimas, em áreas bem específicas. Eu falo, você não vai ser substituído.

24:12
Porque eu só quero ler o roteiro porque você escreveu. Um exemplo de um amigo. Porque o que me interessa nessa história é toda a sua carga, toda a sua origem, todo o seu trabalho. O pregresso a esse roteiro é a sua chancela que faz isso interessante pra mim. E assim com vários outros trabalhos. Mas mesmo que não tenha muita evidência de demissão em massa, ainda causada diretamente por Iá, a narrativa sobre essa automação vai provocando essa ansiedade.

24:42
Então, os autores recomendam que as pessoas, mesmo que não exista um reconhecimento clínico formal dessa disfunção de substituição por IA, estamos todos vivendo isso e deveriam procurar, pelo menos, terapia para tentar restaurar a confiança, o senso de propósito. A gente não vai ser substituído amanhã, eu tenho a certeza disso. Eu posso estar errado e estar gravado, mas eu acho que está longe disso acontecer. Mas nem todo mundo pensa assim. Um texto publicado num blog pelo Matt Schumer

25:11
que é uma pessoa que eu não conhecia, em que ele faz uma comparação do momento atual da IA com fevereiro de 2020, para quem lembra bem, o início da pandemia de Covid. Então, para ele, já é numa fase em que a maioria das pessoas acha que é exagero, mas a mudança estrutural já começou. E aí ele fala que esse salto recente foi muito diferente de tudo que ele viu antes, que ele é um fundador de startup, que ele conhece esse meio e que o lançamento do GPT 5.3 Codex, do Claude Opus 4.6,

25:40
Agora em fevereiro, quando você consegue fazer muito mais coisas só descrevendo, textualmente o que você quer em termos de código e gerando interações automáticas, que para ele significa o início dessa aceleração exponencial, que se em 2022 os modelos erravam conta básica, em 2023 estava passando o exame do OAB, agora é 2026.

26:02
estão se tornando muito poderosos a partir dessa operação com código, E também do uso desses agentes que fazem por nós algumas coisas. Eu achei curiosa a comparação com a pandemia, porque tem até nos episódios dessa época aqui do RESUMIDO, o RESUMIDO começou um pouquinho antes da pandemia, E cresceu muito naquela época em que eu falava de uma expectativa de uma mudança global, né? Uma das coisas que eu previ era que a gente nunca mais iria para o aeroporto sem máscara.

26:31
que viria vacina, a pandemia seria encerrada, mas alguns comportamentos iam ficar, porque realmente o aeroporto é uma coisa que tem um potencial de uma carga viral, uma circulação de pessoas muito grande, que isso então poderia ser revisto, ou deveria ser revisto pelas pessoas, que não iam querer mais se expor, porque a não sabe quando a próxima pandemia pode estourar. Corta para 2026, você está vendo a minha voz aqui, depois de ter me amassado em, sei lá, quantos blocos de carnaval. Então, da mesma forma que esse Matt Schumer aponta a pandemia,

27:00
No fevereiro de 2020, início, como um paralelo do que a gente está vendo, talvez não saia nada como está esperado, porque a vida costuma ser assim, Não sai muito como é esperado. Um outro assunto que tomou conta da pauta foi do pesquisador da Anthropic, o Mirinan Ksharma, que era o chefe de segurança de A da Anthropic, que pediu demissão e anunciou a sua decisão numa carta que ele tornou pública, em que ele falou que o mundo estava sob risco por conta do desenvolvimento de A.

27:29
e que nem as pessoas que estavam trabalhando nas ferramentas conseguiam fazer alguma coisa por dentro para tentar evitar esse colapso. Esse post com essa carta dele viralizou. Inclusive, eu comentei esse post no mesmo dia, porque a carta me chamou muita atenção também, eu fiz um vídeo para o Reels do Instagram, que é o meu maior sucesso na internet. Tirando o vídeo do Chico Buarque falando sobre os comentários da internet que ele lê, que é um trecho, um documentário que eu fiz dele.

27:58
o dia voa, que eu não fiz pra internet, mas que viralizou, Saiu um monte de lugar. Esse post do Rio de Instagram foi o meu maior sucesso online. Mais de 250 mil views até agora, trouxe mais de 3 mil novos seguidores pro perfil. Foi ótimo pro perfil do RESUMIDO no Instagram, mas a gente vê o quanto o assunto tá inflamado, porque todo mundo ficou muito assustado com o que ele disse.

28:21
Mas algumas pessoas também já comentaram que isso pode ser também parte de uma campanha de marketing, porque quando eles vendem esse cenário distópico, não à toa tanto o Sam Altman quanto o Dario Amodei, sempre falam que não sabem dos resultados, que estão geralmente a Mercedo, que essas máquinas operam como se fossem controladas por humanos, não fossem empresas, mas que não se sabe direito quais são as ramificações disso tudo, porque quando você vende essa coisa como tão perigosa, você vem de poder, você está à frente dessa máquina.

28:52
Você quer mais que todo mundo acredite que aquilo funciona muito, porque assim você aumenta a sua valorização no mercado, porque todo mundo quer estar perto dessa coisa, no mínimo para se proteger. O fato é que ninguém sabe o que vai acontecer de fato, para onde essas coisas vão de fato caminhar, se gente vai ter uma regulação mais forte, se essas empresas vão ser obrigadas a ter algumas normas de segurança, até limites, até onde elas podem ir com essas ferramentas, o que vai ser legal para o civil, o que vai ser restrito para o uso governamental e militar.

29:20
E muita gente aposta, inclusive, que o OpenAI nem sobrevive a isso tudo, né? O Google tá aí despontando, como já era previsto, como o líder no setor, que ele já tem toda essa switch instalada em todos os computadores, é muito mais fácil pra eles botarem essas ferramentas na rua, as pessoas já usam as ferramentas do Google, o Google gera a própria receita, não precisa de investimento externo, já ganha muito dinheiro sendo o Google, então com isso a Alphabeta tem uma grande vantagem. Seja como for…

29:48
A OpenAI resolveu comprar a OpenClaw, aquela ferramenta de geração de agentes de ar, para operarem individualmente, independentemente na gestão de tarefas, que depois gerou o Moltbot, que é espécie de Reddit, habitado, supostamente só habitados por robôs e chatbots. A OpenAI contratou o Peter Steinberger para trabalhar por lá. Esse cara realmente chamou muita atenção no que ele fez, Isso indica…

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que a OpenAI vai buscar esse caminho, vai tentar começar a botar os agentes, vai começar a implementar esses agentes autônomos no Chat EPT, que é a ferramenta principal deles. Porque a questão deles é como gerar dinheiro. Eles precisam vender serviços e nem todo mundo vai pagar 20 dólares por mês porque não tem um uso tão massivo da ferramenta e se satisfaz com aquilo, usa como se fosse um Google para tirar dúvidas e fazer perguntas e pode fazer isso no Google, não precisa pagar. Então um dos caminhos que o Chat EPT escolheu

30:46
é botar anúncios, como já foi comentado, e começou, então, agora, a exibir os anúncios para os usuários do plano gratuito e do plano Go, que é o plano mais barato, de 8 dólares por mês. Então, se você não quiser ver publicidade de um chat de EPT, você tem que pagar lá os 20 dólares, pelo menos, ou os outros planos mais caros, de empresa, educacional e outros modelos. Outro caminho de não ver anúncios é você aceitar usar menos o chat de EPT, você tem um limite mais baixo na versão gratuita.

31:14
para você poder não ver os anúncios. E aí é a discussão, né, o que que acontece com um chat bot quando ele começa a essa questão, um conflito de interesse no resultado com pessoas que estão pagando para aparecer ali. Eles dizem que vão fazer de maneira transparente, que não vai haver dúvida para o usuário, mas a verdade é que afeta. Não por acaso a Perplexity, que também estava operando com anúncios, desistiu e reforçou que o foco é a confiança. Eles perceberam…

31:40
que a presença da publicidade já estava fazendo as pessoas duvidarem de tudo, duvidarem das respostas do chatbot. Que, aliás, é ótimo, é bom todo mundo duvidar mesmo, porque vem muito erro dali, mas eles perceberam que essa confiança do público é mais importante do que ter os anúncios, então eles não vão buscar novos acordos publicitários, isso é uma mudança bem relevante, porque a Apurplex se formou uma das primeiras empresas de AI generativa, de chatbots, testar os anúncios. Então eles já estão saindo dessa, duvido…

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que a OpenAI não encontra um caminho que sujeita tanto problema que eles acabem saindo. Ou não também, porque a Asic10Z, que é um fundo de investimento muito grande, que focado em tecnologia, que investe em todas as empresas que você conhece de tecnologia, que ficaram grandes, as startups que explodiram, Uber, Twitter, o que quer que seja, e que também investe muito em IA, para eles eles publicaram um texto, falaram que a internet sempre foi financiada com publicidade, que isso não vai mudar.

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Se você quer um produto com escala global, um produto gratuito, alguém precisa pagar a conta e quem paga é o anunciante. E que a OpenAI vem sinalizando isso até porque precisa gerar receita, já que não gera nada e não pode depender só de investimento externo. Então, para esse XTENZ, a monetização deve seguir o padrão da web, link patrocinado por intenção de compra, separado das respostas, publicidade contextual baseada no perfil, no histórico, comércio integrado ao chat, ou seja, vão destruir a plataforma.

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que vinha funcionando minimamente bem. Agora, tem uma notícia boa em meio a isso tudo, que confirma um pouco do que eu venho falando, da importância de quem está produzindo, que é uma matéria da Business Insider, falando que um dos empregos mais quentes, mais desejados no mundo de tecnologia hoje em dia é redator. É pessoas que saibam escrever, porque enquanto a IA produz um monte de texto em escala,

33:30
As empresas de tecnologia estão investindo em profissionais que são capazes de construir narrativa estratégica, posicionar uma marca, credibilidade no meio desse excesso de conteúdo automatizado. Várias empresas, OpenAI, Anthropic, Netflix, Adobe, estão oferecendo salários astronômicos. E olha, recebi de alguns amigos que moram fora algumas dessas vagas. Eu aplico para tudo. Não sei se já falei sobre isso aqui, eu gosto de passar pelos processos para conhecer como é o processo de seleção. Não fui chamado para nenhuma, não.

33:58
Mas na Netflix tinha uma vaga que pagava 750 mil dólares por ano pra você ser redator. Todas lotadas, né? Você entrava lá, já não tava mais recebendo currículo, porque muita gente tava lá. Ao mesmo tempo, as vagas pra engenheiro de software estão diminuindo nos últimos anos. Então o que o mercado tá começando a perceber é que gerar texto é muito fácil. Mas é muito difícil você criar uma mensagem que realmente se destaque e construa autoridade. Porque ninguém quer essas coisas com cara de ar.

34:25
As pessoas querem alguma coisa que consiga cortar esse ruído todo e produzir uma narrativa que seja autêntica. Tomara que essa coisa chegue por aqui também. Adoraria receber um salário de 750 mil dólares por ano. Se alguém tiver, pode me mandar email, tá? brunnatal.resumido.cc

34:43
E agora é hora de falar sobre como as Big Tech moldam o nosso comportamento.

34:54
O cara que inventou Infinite Scroll, Azaraskin, foi enviado para tomar o stand hoje, mas o juiz recisa para o dia. Mas sabemos que ele expressou desculpas por criar o futuro. E começou um julgamento muito importante contra a meta YouTube que acusa as redes sociais de causar vício por meio do próprio design. Esse processo é muito diferente dos outros que a gente viu até aqui, porque antes se contestava

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o tipo de mensagem, que tipo de post a pessoa está recebendo nessas redes, e a resposta das redes sociais para isso é que eles não são responsáveis pelo conteúdo gerado pelo usuário, de acordo com a sessão 230 da lei nos Estados Unidos, que protege as empresas justamente disso, e sem essa lei seria impossível a internet funcionar, como a gente conhece. Eu lembro no começo do blog, começou a ter problema com a responsabilização dos autores dos blogs.

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sobre os comentários que eram feitos num post, uma pessoa fazer uma acusação difamando alguém, por exemplo, num comentário e o autor seria responsável por isso. Então isso resolveu muita coisa, é uma lei importante, mas a questão é que essas plataformas empurram o conteúdo, eles determinam o que vai aparecer para quem quantas vezes, eles têm o algoritmo, eles têm o scroll infinito, eles têm o autoplay, têm os filtros de beleza, eles têm tanta coisa.

36:16
que estimula e vicia as pessoas a ousarem, que eles não podem se abster dessa responsabilidade. Inclusive, esse processo era também contra o Snapchat e o TikTok. Ambos resolveram fazer um acordo, porque acharam que iam perder, se não, não teriam feito o acordo. A Meta e o YouTube, o Google representando o YouTube, resolveram bancar para ver. Eu acho que essas empresas têm uma grande chance de perder esse caso e isso obrigá-los a rever a maneira mecânica dessas plataformas, o que seria sensacional.

36:44
A gente poderia ter controle dos nossos algoritmos, o que aparece, como aparece e quando aparece. É um sonho isso, E botar limite em decisões de design que eles fazem que são propositalmente feitas pra viciar o usuário, como por exemplo o scroll infinito, ou por exemplo aquela puxadinha que a dá no feed pra carregar os próximos posts, pra renovar os posts e dar uma demorazinha antes de vim, ela não é uma necessidade técnica. Aquilo ali vem do funcionamento dos cassinos. Essa p…

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O tema espera que você tem entre você puxar e o Fidget carregar gera a dopamina, é o tal shot de dopamina que a gente toma quando carrega aquilo tudo de novo, isso é proposital, é feito por design para viciar. Então esse caso promete bastante e vou continuar acompanhando. E o mais importante aqui é o seguinte, passado esse julgamento tem mais de 1600 ações nesse mesmo modelo, então dificilmente essas empresas vão ficar lutando processo por processo.

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vai se chegar em algum acordo, ou pelo menos a minha esperança é essa. Que a gente veja redes que não sejam projetadas para causar dependência. Isso seria um grande ganho para a internet, que depois de ter sido plataformizada, perdeu tanto do seu apelo inicial, da sua proposta inicial de conectar as pessoas. No mundo da Apple, o Apple Podcasts agora também vai ter vídeo. Você deve saber, Spotify aderiu aos vídeos, né? A plataforma vai se transformando cada vez menos numa plataforma de música.

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que você ouve áudio livre, que você assiste vídeos de podcast. É uma pena, né? Eu já não gosto de ter o telefone pra ouvir música, eu gostaria de ter um aparelho só pra ouvir música. E agora, até onde você ouve música, não é só pra ouvir música. Eu acho que tem dias contados pra continuar funcionando assim. Mas seja como for, a Apple tem que correr atrás e resolveu botar vídeo agora nos podcasts também, que é uma grande mudança pra eles, porque perderam muito espaço pro Spotify.

38:37
Aqui no RESUMIDO, os episódios do RESUMIDO drops que eu comecei esse ano, que são mini episódios de 3 a 5 minutos e que eu comento só uma notícia e são bons para compartilhar, saem às quintas-feiras, já são em vídeos, em breve eu vou conseguir fazer o episódio inteiro em vídeo, eu filmo com o telefone, mas dá uma confusão para editar isso depois, porque não é o mesmo áudio que está aqui, e aí quando eu erro tem que editar, enfim, eu vou chegar lá, mas por enquanto só o drops tem vídeo. Muita gente está reclamando dessa mudança da Apple, eu vi um post no LinkedIn,

39:07
de uma pessoa que gerencia uma rede enorme de podcast nos Estados Unidos e que ele fala que as questões relacionadas aos anúncios, né? Anúncios dinâmicos, anúncios inseridos, pode gerar um monte de problema quando você começa a botar isso em vídeo porque é mais difícil de você editar e aí isso pode causar problemas, por exemplo, você pode ter um anúncio que você fez gravado dentro do episódio que você não consegue tirar depois e um anúncio dinâmico desse entrar com um concorrente. Isso é um dos problemas.

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Mas o dado mais importante que o Alan Abdin trouxe é sobre o consumo de vídeo em si. O que ele fala é que 92 % dos consumidores de podcast simplesmente ouvem. Só 8 % assistem a alguma coisa. Normalmente a pessoa está ouvindo podcast fazendo outra coisa. Você deve estar na academia lavando louça, dirigindo o carro, andando com o cachorro, acertei? Deve estar. E as pessoas estão fazendo outra coisa e não estão vendo o vídeo. Então ele defende…

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que é um movimento muito grande da Apple para atender uma parcela muito pequena. Mas não sei se ele está certo, porque eu acho que talvez no longo prazo as pessoas consumam isso mais em vídeo mesmo, né? Pelo YouTube, na televisão, Netflix, entrando nesse mesmo caminho, tentando entrar nos podcasts também. E um estudo publicado na revista Nature concluiu que o algoritmo do X, antigo Twitter, favorece conteúdo conservador em relação ao liberal.

40:28
Além de priorizar as publicações de ativistas políticos em detrimento de veículos tradicionais de imprensa. É o que eu estou dizendo ali sobre o julgamento. Eles botam a mão na balança o tempo inteiro. E isso é muito problemático. Porque não importa se você é conservador, se você é liberal, se você é de direita, se você é de esquerda. O que importa é o conteúdo sendo levado até você sem isso ter sido a sua escolha. É como se enfiasse um jornal na sua cara, botasse na sua mesa do café da manhã, sem você ter como escolher outro jornal para ler.

40:57
Isso não está certo. Os números de estudo disseram que postagens conservadoras têm cerca de 20 % mais chances de aparecer no feed algoritmico, enquanto os conteúdos liberais apareciam só em 3 % mais. Em relação à imprensa e os influenciadores, ativistas políticos, os posts dos jornais aparecem em 58 % menos, e os ativistas políticos aparecem em 27 % mais nos feeds algoritmicos. E falando em Big Tech e vigilância, também tem um outro post no Instagram do RESUMIDO.

41:26
Fala sobre o anúncio no Super Bowl da Google, da câmera do Google, Ring, mostrando como agora pode ser usada para você encontrar um cachorro perdido, mas na verdade, isso é um grande sistema de vigilância, porque se acha cachorro, também acha humano. Se você quiser saber mais dessa história, está lá no Instagram, @resumido.podcast.

41:50
Hora de relaxar com as dicas de ver, ler e ouvir.

41:59
A gente que acontecer!

42:06

42:09
Saiu o trailer de Toy Story 5, por essa não esperava e vai ter mais um. E o vilão dessa vez não é um brinquedo. Adivinha só qual vilão? Uma tela. O Woody e a sua turma tem que enfrentar a concorrência de um tablet chamado Lilipad pela atenção da Bonnie, a protagonista do filme. E uma das frases que esse Lilypad fala no filme, tá no trailer, é eu estou sempre ouvindo. Que é um comentário direto sobre vigilância, hiperconetividade, centralidade das telas na infância de hoje em

42:39
Confesso que achei esse filme pouquinho atrasado, esse tema. Mas vai ver não tá atrasado, vai ver discussão é só agora mesmo, né? E aí a gente vê o tempo de tela sendo transformado num antagonista dramático. Então dessa vez a gente não vai ver um brinquedo antigo competindo com o novo, e sim um ecossistema digital competindo com a própria ideia de brincar. pensando bem, esse assunto não tá atrasado não, ele é urgente. Esse outro filme aqui eu adoraria ter feito.

43:08
A premissa do documentário The AI Doc, ou How I Became a Apocaloptmist, é questionar se é seguro, se é uma boa ideia você colocar uma criança num mundo sendo moldado pela AI. O diretor Daniel Rohwer, vencedor do Oscar por Navownie, entrevista vários Doomers que enxergam o risco existencial nessa corrida pela ADI, super inteligência, e também executivos como Sam Altman e o Demi Hassabis, que defendem essa promessa transformadora da AI.

43:37
O que filme mostra é que não importa de que lado você está na discussão, o fato é que não tem um freio de emergência. E o filme então sugere que a única posição honesta talvez seja o apocalopeotimismo, que é reconhecer o potencial da IA sem ignorar que a está avançando rápido demais para entender exatamente o que gente está construindo. O filme estreou em Sundance, entra em Cartaz em março e eu estou doido para ver, apesar de achar pelo trailer que talvez seja um pouquinho superficial. Mas de novo, discussão muito válida.

44:10
Thunder Cat lançou mais uma pepita do seu próximo disco Distracted. Dessa vez foi She Knows Too Much com a participação do rapper Mac Miller. A música começou a ser feita em 2018, antes da morte do Miller, e foi finalizada com a autorização do espolio dele. Esse tipo de lançamento póstumo parece relacionado com as discussões do bloco de cultura digital, Sobre a alteração do conteúdo, a revelia de seus criadores. Nunca sei se é uma boa ideia, vai que ele não gostava desse take, aí música vai sair mesmo assim, né?

44:38
Mas enfim, saiu. É um groove clássico do Thundercat, aquele baixo elástico, falsete etéreo, um clima de jam intimista, com o Mac Miller rimando em cima. Thundercat e o Mac Miller eram muito próximos e dizem que esse aí pode ser um dos últimos registros inéditos do rap.

44:57
Nesse episódio você ficou sabendo que uma colunista admitiu o uso de IA e abriu uma discussão sobre autoria e transparência. Que a IA previu a estrutura do discurso do Trump essa semana, que a automação intensifica o trabalho em vez de facilitar, que o chat GPT já exibe anúncios na versão gratuita, enquanto a Perplexity desistiu do formato, que a Meta e o Google enfrentam o julgamento pelo scroll infinito e a arquitetura da atenção, que o algoritmo do X empurra para o conservadorismo e muito mais.

45:27
Se você gosta do RESUMIDO, aquilo, faz a sua assinatura, é o mais importante, resumido.cc/assinatura, mas você pode também ajudar recomendando para mais gente. É muito importante, me ajuda a chegar em mais gente. Então, envia aí o link do RESUMIDO, dá newsletter, o futuro explicado, no seu grupo do WhatsApp, o grupo do Condomínio, do trabalho, deixa um Slack, traz mais gente para ouvir e não deixa também de curtir, assinar, seguir, cinco estrelinhas e deixar uma resenha na plataforma que você estiver escutando esse episódio agora.

45:58
E se você quiser provar que você ouviu esse episódio até o final, só você deixar um comentário com a palavra secreta da semana, é autoria.

46:08
O RESUMIDO é produzido e apresentado por mim, Bruno Natal
O roteiro é escrito por mim e pelo Agenor Neto
O Cauê Marques co-edita a newsletter O Futuro Explicado e as redes sociais, que contam com animações do Peri Semmelmann e design do Felipe Araújo
A edição e mixagem é feita pelo Hugo Rocha da Usina Sons
A foto da capa é do Jorge Bispo
E o tema original foi composto por Gustavo Silveira

Eu sou o Bruno Natal, obrigado pela audiência e semana que vem tem mais… RESUMIDO.