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Especial: Vai dar m*rda com as bets, pode apostar!

Conteúdo

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As apostas online estão em toda parte: nos uniformes dos times de futebol, na publicidade na TV e nas redes sociais, nos perfis dos influenciadores, no estrago na economia e nos smartphones de milhões de brasileiros. Um novo hábito que promete fortuna fácil. Um lado obscuro de dívidas e vício.

Como escapar desta roleta russa digital?

No RESUMIDO #284: apostas online dominam o Brasil, o estrago das bets na economia, os efeitos psicológicos do vício, crianças expostas, crimes, conflitos de interesse e muito mais!

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🇧🇷 | Veja os países que mais acessam sites de apostas no mundo. O desempenho do Brasil é impressionante. Isso preocupa demais. https://t.co/YG1jgfZNUt

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Para cada R$ 3 gastos em jogos e apostas on-line, brasileiro perde R$ 1.

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Ao todo, 193 marcas de 89 empresas estão autorizadas a continuar operando

Lei das bets: veja quais empresas de apostas pediram autorização do governo brasileiro para atuar no país
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The evidence is convincing: The betting industry is ruining lives.

https://www.instagram.com/reel/DATOcotu2kT/?igsh=ZHNpNmY1NDh1YTA1
Bets: por que você quase sempre vai perder dinheiro com apostas esportivas, segundo a matemática - BBC News Brasil
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Os gastos dos brasileiros em jogos e apostas online, conhecidos como apostas esportivas, totalizaram aproximadamente US$ 11,1 bilhões no período de janeiro a novembro do ano passado, correspondendo a cerca de R$ 54 bilhões. Esse montante representa, em sua maior parte, remessas destinadas a empresas do setor que operam internacionalmente. De acordo com uma pesquisa do Datafolha, 15% dos brasileiros afirmam realizar ou já terem realizado apostas online. Para comentar sobre apostas esportivas, Isabella Faria conversa com o repórter João Gabriel. Ao vivo, de segunda a sexta-feira, o programa Como é que é? convida repórteres, editores e colunistas do jornal para discutir política, economia, cultura, educação, tecnologia e tudo o que for assunto no país. A transmissão ocorre pelos canais do jornal no Youtube, no Facebook e na Twitch. Depois da exibição ao vivo, todos os episódios também ficam disponíveis em formato de áudio nos principais agregadores de podcast. Leia…

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Empresa será sócia da MGMBet, que chega ao país em 2025 para aproveitar o mercado bilionário de palpites no futebol

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Emissoras pretendem usar credibilidade e alcance para entrar no setor, que já movimenta R$ 150 bilhões por ano

Flamengo encaminha ao Conselho proposta de casa de apostas que renderá no mínimo R$ 82,5 milhões
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Caso seja aprovada pelos conselheiros, a “Flabet” será operada pela Pixbet, patrocinadora master do Flamengo

As exigências do bilionário leilão da Loteria de São Paulo - BNLData
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Interessados na concessão deverão comprovar experiência em jogos lotéricos e realizar ações de conscientização contra vícios. Segundo o governo estadual, o projeto deve trazer arrecadação de 3,4 bilhões de reais aos cofres públicos nos próximos 15 anos

Transcrição

Transcrição EP. #284

Olá, eu sou o Bruno Natal, hoje é dia 20 de agosto e no RESUMIDO número 284: apostas online dominam o Brasil, o estrago das bets na economia, os efeitos psicológicos do vício, crianças expostas, crimes, conflitos de interesse e muito mais!
Vamos nessa, RESUMIDO!

INTRODUÇÃO

Pra todo lado que você olha tem um anúncio de bet. No futebol, o setor dominou o cenário e tem uma bet patrocinando quase todos os clubes e os principais campeonatos do Brasil. Nas redes sociais, centenas de influenciadores e atletas com milhões de seguidores fazem propaganda dos sites de aposta. Uma grande parcela dos brasileiros está viciada nesses jogos e perdendo muito dinheiro. Um terço dos apostadores já está endividado. E coisa toda está só começando.

A força das bets está muito relacionada com nossos hábitos online, muito deles afiados ao longo dos últimos anos mergulhados em redes sociais, com seus algoritmos e mecanismos de recompensa e dopamina que nos deixam grudados na tela.
Muito da popularidade destes jogos está justamente na praticidade e facilidade de participar sem ter que sair de casa ou passar por uma burocracia maior do que um preencher um cadastro e uma confirmação de e-mail. O volume de anúncios e as características dos aplicativos, que permitem apostas rápidas e contínuas, aumentam potencialmente o vício.

Há uns meses viralizou um gráfico animado que mostrava a evolução do acesso a sites de bets ao longo dos anos em vários países. No momento em que o Brasil surge no gráfico, em 2018, ultrapassa todos os outros países e assume o primeiro lugar no com quase 3 bilhões e meio de visitas, o dobro do segundo colocado, o Reino Unido, com uam longa tradição de apostas.

A reação do Eduardo Moreira em um vídeo do ICL dá o tom do quão assustador isso é:

A minha pergunta é: como e porque diabos isso tudo foi liberado, em primeiro lugar? Nesse episódio especial, vou falar sobre o impacto da liberação de sites de aposta e jogos online, como o famigerado Jogo do Tigrinho, no Brasil e no mundo, pra tentar entender, como chegamos até aqui.

COMPORTAMENTO
Frases como “conheço quem vive só de bets” ou “é só estudar bastante para ganhar” se tornaram comuns comuns em bares, redes sociais e nos canais sobre apostas esportivas. Especialistas com mais de 20 anos de estudo ouvidos pela BBC News Brasil, discordam e apontam que, embora seja teoricamente possível lucrar no longo prazo, isso é algo extremamente difícil e viável apenas para poucos. 

Esse áudio é de um vídeo do Instagram do Breno Masi, @macmasi, e o que ele diz, basicamente, é que a banca nunca perde, é uma questão matemática, de um negócio montado pra tirar grana de quem se ilude com dinheiro fácil, através de mecanismos altamente viciantes, especialmente para a população de baixa renda e mais vulnerável socialmente.

As apostas invadiram também a cultura digital. Memes sobre ‘green’ e ‘red’, como são chamado os ganhos e perdas nas apostas, viralizam nas redes sociais. Desafios como o ‘Bet Challenge’, onde pessoas compartilham suas apostas arriscadas, também são populares no TikTok e no Instagram. Essas plataformas de apostas usam mecanismos de recompensa similares aos das redes sociais, com notificações, rankings e bônus que nos mantêm engajados e sempre voltando por mais, assim como fazemos scrolling infinito no feed.

Existem casos de pessoas que tratam o vício como se fosse uma dependência química. Uma mulher de 30 anos de São Paulo entrou com uma ação na Justiça pedindo que a plataforma Blaze a exclua definitivamente. Ela diz que começou a jogar em 2022 e atualmente está viciada, a ponto de gastar todo o seu salário e contrair dívidas com empréstimos.  Mesmo após pedir diretamente para Blaze para sua conta ser suspensa, a empresa desbloqueou seu acesso em momentos de crise e ela diz que continua recebendo e-mails de promoção da plataforma.

Uma empresária de Maringá contraiu uma dívida de 110 mil reais por conta das perdas no Jogo do Tigrinho e gravou um vídeo que viralizou contando como entrou numa espiral de dívidas apenas apostando pelo celular.

ECONOMIA

O tamanho do buraco causado pelas bets na economia e no comportamento de milhões de brasileiros é alarmante. José Roberto de Toledo, no podcast A Hora, traçou um panorama do perfil do apostador médio, segundo dados do Ipec:

Os apostadores são em maioria homens jovens de classe média baixa, concentrados na região sudeste. A motivação principal é o desejo de “ganhar dinheiro”, mesmo que na prática, grande parte dos ganhos seja reaplicada no próprio sistema de apostas, até perder.

São bilhões de reais que passam por estes jogos online toda semana, seja por meio de apostas esportivas ou em jogos como o Fortune Tiger, popularizado como Jogo do Tigrinho.

De acordo com a Folha de S.Paulo, o Ministério da Fazenda projeta uma movimentação que poderia chegar a R$ 150 bilhões por ano. Um levantamento do banco Itaú mostrou que os brasileiros gastaram aproximadamente R$ 68 bilhões em jogos e apostas online entre junho de 2023 e junho de 2024.

Nesse mesmo período, os prêmios recebidos pelos jogadores somaram apenas R$ 44 bilhões. É uma perda de quase R$ 24 bilhões em um ano. O gasto dos apostadores já equivale a 0,22% do PIB do Brasil.

Um estudo da PwC revelou que as apostas já representam 1,38% do orçamento familiar nas classes D e E, podendo chegar a 5,5% das despesas com alimentação em 2024. O Instituto Locomotiva apontou que 86% dos apostadores possuem algum tipo de dívida, e 64% estão com o nome negativado.

Dados do Banco Central mostram o uso do cartão do Bolsa Família para apostas esportivas. Apenas em agosto, beneficiários transferiram R$ 3 bilhões para sites de bets via Pix. Isso levantou debates sobre a liberdade de uso desses recursos e a necessidade de intervenção governamental.

O governo considerou bloquear o uso do cartão do Bolsa Família para essas transações, mas recuou por temor que a medida estigmatizasse os beneficiários. O presidente Lula se mostra preocupado com o vício em apostas, mas decidiu esperar o impacto de ações já em curso antes do bloqueio. 

IMPACTO PSICOLÓGICO

O vício em apostas online compartilha muitas semelhanças com a dependência digital. Ambos exploram os mesmos circuitos de recompensa no cérebro, liberando dopamina e criando um ciclo de busca por gratificação imediata. Assim como passamos horas nas redes sociais, apostadores ficam grudados nos apps de bet, sempre em busca da próxima vitória. Esta combinação de acessibilidade constante e estímulos frequentes torna as apostas online particularmente viciantes no contexto da nossa cultura digital hiperconectada.

Um estudo da Universidade Harvard diz que aproximadamente 1% da população adulta dos EUA tem um grave transtorno de jogo, e entre 2% a 3% apresentam problemas moderados ou leves. O aumento nas chamadas para as linhas de ajuda para viciados em jogos de azar tem preocupado especialistas nos EUA porque quem pede ajuda é cada vez mais jovem, predominantemente homens na faixa dos 20 e 30 anos.

O aumento nas chamadas parece coincidir com a legalização das apostas esportivas e a popularidade dos aplicativos de apostas esportivas desde 2018, quando a Suprema Corte dos EUA derrubou a proibição das apostas esportivas. 

Atualmente, 38 estados, já legalizaram a prática e só para se ter uma ideia do impacto, em 2024, espera-se que os americanos apostem cerca de US$ 35 bilhões em jogos da NFL, um aumento de um terço em relação ao ano anterior, de acordo com uma reportagem da The Atlantic.  Um estudo da Universidade da Califórnia mostrou que a chance de falências aumentou em 28% nos estados que adotaram as bets e as cobranças por dívidas saltaram 8%. E isso aconteceu em 100% dos estados que legalizaram. Então daí você pode imaginar o que vem por aqui.

Um estudo publicado no Periódico Internacional de Medicina e Esporte sobre os efeitos do jogo online na saúde mental de adolescentes entre 15 e 19 anos, identificou uma correlação negativa entre a participação em jogos de apostas online e o bem-estar psicológico. Adolescentes que se envolvem com apostas tem níveis elevados de estresse, ansiedade e depressão, além de um aumento de comportamentos impulsivos, o que compromete suas decisões cotidianas.

Algumas soluções apontadas são a implementação de limites de apostas e depósitos obrigatórios, a criação de programas de educação financeira nas escolas focados em prevenção, estabelecer um fundo nacional para tratamento de vício em jogos financiado por uma porcentagem das receitas das apostas, o desenvolvimento de tecnologias de inteligência artificial para identificar padrões de jogo problemático e intervir precocemente.


CRIANÇAS

As crianças, claro, também são afetadas pelo universo das bets. Em muitas escolas já há relatos de crianças com problemas com apostas.

O Instituto Alana revelou que influenciadores mirins brasileiros estão sendo pagos para promover jogos de azar ilegais para crianças e adolescentes no Instagram. Uma reportagem da BBC contou que esses jovens influenciadores, com idades entre 6 e 16 anos, possuem milhões de seguidores, muitos deles menores de idade. A promoção de jogos de azar para crianças é contra lei.

Essas promoções muitas vezes se misturam com conteúdo de entretenimento,  dificultando para as crianças distinguir entre publicidade e diversão. Além disso, jogos mobile com mecânicas similares às apostas, como loot boxes, normalizam o comportamento de apostas desde cedo.

Plataformas como o Instagram, TikTok e YouTube não têm filtros eficazes o suficiente para impedir que esse tipo de publicidade chegue ao público infantil. Especialistas alertam para os riscos de vício, comparando o impacto desses jogos à dependência química. De acordo com o Estadão, os meninos estão mais suscetíveis atraídos pela relação forte relação com o futebol. 

A melhor forma de combater esse problema entre os pequenos, com disse uma reportagem do jornal O Globo, é acompanhar o uso de internet dos filhos, além de manter um diálogo aberto sobre os perigos dos jogos de azar online e deixar o canal aberto para contarem sobre as suas experiências.


CRIMES

As apostas online abriram novas fronteiras para o crime cibernético. Hackers atacam perfis de usuários nesses sites pra roubar dados pessoais e saldos de conta. Crimes de manipulação de resultados agora envolvem sofisticados ataques de DDoS para influenciar apostas ao vivo. 


Como a maioria das empresas não está sediada no Brasil, as bets também podem funcionar para crimes como lavagem de dinheiro. Uma aposta falsa pode ser feita por um criminoso através de uma dessas empresas e ao ganhar, pode legalizar dinheiro ilícito, conseguido com tráfico de drogas ou comércio de armas, por exemplo. 

A prisão da influenciadora digital Deolane Bezerra e da sua mãe, Solange Bezerra, por suspeita de envolvimento com apostas ilegais nos seus perfis foi bem comentada recentemente. Uma operação da Polícia Federal, com forças policiais de cinco estados, desvendou que uma quadrilha suspeita de envolvimento com apostas online que movimentou bilhões por meio de depósitos e transações financeiras atípicas. Você acha que ela se importou? Que nada, as duas saíram da da prisão fazendo graça.

Empresas como a Vai de Bet e a Esportes da Sorte, que patrocinam times grandes do futebol brasileiro, também foram alvo das investigações e estão fora da lista inicial de bets regularizadas no Brasil, ao menos até o dia 06 de Outubro.

A atração das apostas é tão grande que pode atingir até quem não precisa de dinheiro. Outro caso que ganhou repercussão foi o do jogador Lucas Paquetá, denunciado por envolvimento com apostas e manipulação de partidas, pela Liga inglesa. A acusação é de ter forçado cartões amarelos em quatro jogo para favorecer grupos de apostadores. Paquetá nega.

A suspeita foi identificada por conta de apostas fora do padrão que chamaram atenção das próprias casas de apostas, que monitoram desvios de padrão para tentar identificar fraudes, como por exemplo, um alto volume de apostas num evento pouco usual como uma cartão amarelo numa partida qualquer. Paquetá aguarda uma audiência em que, se for condenado, pode acabar até banido do futebol.

Numa entrevista para o G1, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, falou que a regulamentação vai além da arrecadação e que a dependência psicológica dos jogos é uma pandemia instalada no país que precisa ser enfrentada. O ministro está certo, o vício em bets é questão de saúde.

Como dá pra ver, o problema é gigante.

REGULAÇÃO

No último domingo, enquanto as eleições municipais ferviam pelo país, o presidente Lula afirmou numa coletiva que, embora não seja essa a sua intenção, ele pretende “acabar” com as apostas esportivas no Brasil caso a regulamentação das empresas das bets não funcione

No último domingo, o presidente Lula afirmou que pretende “acabar” com as apostas esportivas no Brasil se a regulamentação não funcionar. Isso vem depois de medidas adotadas pelo governo para restringir a atuação das bets, que explodiram desde 2018, quando Michel Temer liberou a atividade.

Segundo uma portaria publicada no Diário Oficial da União, a partir de outubro, só vão poder continuar funcionando as empresas de apostas que já estão atuando no país e que solicitaram autorização para seguir funcionando. Quem não estava operando ainda e conseguir a autorização, só vai poder começar a operar a partir de janeiro, quando todos sites de apostas legalizados vão ter que estar hospedados no domínio .bet.br.

205 bets, que pertencem a 93 empresas, estão autorizadas a operar até dezembro. A partir de 2025 só vão poder seguir funcionando as empresas sediadas no Brasil e que pagarem 30 milhões de reais por uma licença de cinco anos para explorar até três marcas. A expectativa é que se arrecade mais de R$ 3 bilhões com as licenças. Cerca de 2 mil sites de outras empresas são agora considerados ilegais e estão sujeitos a multas de até R$ 2 bilhões por infração.

Não dá pra ficar só de olho na possível arrecadação com licenças e impostos. Tem que calcular o custo social disso tudo. Como sempre no mundo digital, a regulação chega atrasada. Entre as mudanças propostas, fala-se em proibir o uso de cartão de crédito pras apostas e aumentar os impostos. O governo já fixou 35% pras empresas e 15% sobre os prêmios. Especialistas sugerem uma taxa ainda mais alta, para se equiparar a itens considerados prejudiciais à sociedade, como o tabaco e o álcool.

Outro ponto crítico é a publicidade das bets, que atualmente segue um modelo de autoregulação, o que não é o melhor modelo para esse tipo de negócio. A partir de 2025, influencers, atletas e celebridades não vão poder mais fazer propaganda de bets como jeito de ficar rico e as plataformas serão obrigadas a adotar medidas para prevenir a dependência dos usuários. O Google anunciou que não vai aceitar anúncios de casas de apostas que não estiverem em fase de regulamentação no Brasil.

Alguns especialistas defendem a proibição total das bets, argumentando que o custo social é devastador. Outros argumentam que a legalização pode trazer benefícios como geração de empregos e receita fiscal, além de reduzir o mercado ilegal de apostas e dar proteção ao consumidor.

Internacionalmente, há movimentos para aumentar a regulação. Nos EUA, o SAFE Bet Act quer estabelecer padrões federais para as apostas. No Reino Unido, onde as apostas são legalizadas há décadas, há uma proposta de estabelecer limites de apostas online entre 2 e 15 libras. A Austrália, que tem o maior gasto per capita em apostas do mundo, e Singapura também estão implementando medidas mais rigorosas.

FUTURO

Segundo a Folha de São Paulo, a Globo e a MGM Resorts International, conhecidos pelos cassinos em Las Vegas, anunciaram uma parceria para criar a casa de apostas MGMBet, prevista para ser lançada em 2025. A joint-venture quer aproveitar o alcance de 70 milhões de brasileiros diariamente para promover a nova plataforma de apostas. A ESPN nos EUA já tem sua plataforma de apostas.s.

Não bastasse o conflito de interesses gigante de termos o Campeonato Brasileiro, a Copa do Brasil e vários times patrocinados por bets, agora até os times de futebol querem criar suas próprias plataformas de aposta. O Flamengo quer sua própria bet. Operada pela PixBet, patrocinadora máster do clube, a Flabet já está autorizada pelo Ministério da Fazenda.

Tá achando pouco? A Caixa Econômica Federal também está se preparando para entrar no mercado de apostas, segundo a  Carta Capital. Com o monopólio dos jogos lotéricos no país, a Caixa pediu autorização ao Ministério da Fazenda para operar no setor de apostas projeta que com isso poderia arrecadar uma receita de R$ 6 bilhões de reais a mais, através dos seus 3,3 mil pontos físicos no Brasil.

CONCLUSÃO

O que não lembro é da população ter sido consultada sobre isso. E se tivessem perguntado, provavelmente não teríamos começado a cavar esse buraco.

Um levantamento do Datafolha feito em janeiro de 2024 mostrou que a maioria das pessoas é contra jogos de aposta.  55%, dos brasileiros se posiciona contra as apostas esportivas online. Entre quem já apostou, o apoio é significativamente maior: 67% apoiam, contra 24% de apoio entre quem nunca apostou. A oposição é mais forte entre os que nunca realizaram apostas, com 60% se posicionando contra.

A pesquisa destaca que a grande maioria dos brasileiros (84%) nunca fez apostas online e que entre os que já apostaram, 51% relataram mais perdas do que ganhos, com um gasto médio mensal com apostas de R$ 263.

O fenômeno das apostas online é um reflexo e, ao mesmo tempo, um catalisador das mudanças na cultura digital. Ele demonstra como a tecnologia pode amplificar comportamentos de risco e criar novos desafios sociais. O caso das bets online é um alerta para a necessidade de equilibrarmos inovação tecnológica com responsabilidade social e bem-estar coletivo.

Eu nunca fiz nem cadastro num site de apostas. Se eu fosse você eu não faria. Vai dar merda. Pode apostar.

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ENCERRAMENTO

Nesse episódio você ficou sabendo sobre domínio das apostas online no Brasil e como isso está afetando a economia, dos efeitos psicológicos do vício em jogos de aposta, das preocupações com a exposição de crianças a esses ambientes, dos crimes associados ao setor, dos conflitos de interesse da indústria e muito mais!

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O RESUMIDO é produzido e apresentado por mim, Bruno Natal

O roteiro é escrito por mim e pelo Agenor Neto

com a colaboração de Carlos “Calbuque” Albuquerque

O Cauê Marques co-edita o roteiro, a newsletter O Futuro Explicado e as redes sociais, que conta com animações do Peri Semmelmann 

A edição e mixagem é feita pelo Miguel Mermelstein

A foto da capa é do Jorge Bispo

E o tema original foi composto por Gustavo Silveira

Sou o Bruno Natal, obrigado pela audiência e semana que vem tem mais RESUMIDO!