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OpenAI libera pornô / A internet morreu / Chatbots nucleares

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A internet está morrendo afogada em conteúdo automatizado, jovens se desconectam das redes e cientistas estão céticos quanto à IA, mesmo que investidores alimentem a bolha trilionária do setor.

Começou a desconfiança da dependência?

No RESUMIDO #335: a internet está morta, IA já produz mais conteúdo que humanos, adolescentes criam confusão com pegadinhas com imagens sintéticas, reconhecimento facial falha com milhões de pessoas, a aposta na energia nuclear para alimentar data centers e muito mais!

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Transcrição

Transcrição EP. #335


(transcrição gerada automaticamente, pode haver falhas)

00:01

RESUMIDO. IA já produz mais conteúdo que humanos.  Adolescentes criam confusão com pegadinhas com imagens sintéticas.  Reconhecimento facial falha com milhões de pessoas.  A aposta na energia nuclear para alimentar data centers e muito mais?  Vamos nessa resumir do…

00:40

Olá, Resumista! Esse é o RESUMIDO, um podcast sobre cultura digital e o impacto da tecnologia em todos os aspectos das nossas vidas. Começar o episódio convidando você a participar da campanha O Futuro do RESUMIDO, fazendo uma assinatura por 15 reais e assim,  apoiando a existência do RESUMIDO, viabilizando a continuidade e também recebendo conteúdo extra, como uma newsletter exclusiva, acesso aos links comentados em cada episódio.

01:07

também um grupo de WhatsApp com os outros assinantes, do qual eu também participo, e mais coisas que vêm por aí. Ainda estamos em 38%, aproveitar para agradecer quem assinou nessa semana para confirmar que a maior parte das assinantes são mulheres. Mais uma vez, olha a lista.  Saca, Kibara, Eduarda, Manoely, Gabi, Carol,  Ana, Zela e o Gustavo.

01:31

Muito obrigado a todos vocês, estamos nos aproximando dos 39%. Agora começou meio passo de tartaruga, né? Então quem puder assinar, www.resumido.cc/assinatura. Vai lá, faz a sua, você vai ajudar demais o RESUMIDO, eu te agradeço muito.  Vamos pro episódio.

01:54

Vamos de cultura digital e como nosso comportamento online ajuda a mudar a sociedade?

02:06

A internet está morta agora, essa inteira não minha ideia.  Se é bote, se é AI,  se Slop. Esse que você ouviu foi o Alexi Ohanin, cofundador do Reddit, numa entrevista para o podcast Technology Daily Show, em que ele falou sobre como a internet está morta, porque já está dominada por conteúdo automatizado de baixa qualidade que são produzidos por IA.

02:34

Nessa participação dele no podcast, ele falou sobre a teoria da internet morta, uma coisa que eu já comentei aqui no episódio 199, lá em 2023,  que sugere que a presença de bots já supera a de humanos na internet e que com isso a internet morreu. Para o Alexis,  é muito importante a gente repensar as plataformas digitais a partir das experiências ao vivo e das conexões reais.

02:58

E, apesar de ele elogiar o crescimento de aplicativos como o Signal, como o Discord, em que as pessoas conversam com outras pessoas, assim como é no Reddit, ele vê esses aplicativos como referências importantes, mas ainda são insuficientes para responder a essa crise de autenticidade digital. Porque o futuro são as conexões reais entre humanos, mesmo nos aplicativos digitais, por mais que gente esteja sendo bombardeado.

03:24

por esse conceito de que, ai, o conteúdo sintético e o trabalho digitalizado e automatizado sejam o futuro,  não é bem assim que as coisas devem acontecer, porque isso não é natural dos seres humanos. O Tecnoblog também comentou os dados do relatório Advanced Persistent Bots Report desse ano, que revelou que 50 % do tráfego da internet já é gerado por bots, na verdade, 50,04%, ou seja, já é tecnicamente mais da metade.

03:53

e que 4,8 % desse tráfego tem origem maliciosa. Ou seja, as pessoas já estão usando esses bots para aplicar golpe,  para conseguir tirar vantagem online. Pelo menos, ainda é menos de 10 % do tráfego, mas é um número muito alto, já é muito preocupante que esteja dessa forma.

04:12

Amazon Web Servers,  é o serviço de hospedagem na nuvem da Amazon, que serve boa parte da internet. Inclusive, uma falha na AWS essa semana tirou um monte de sites de aplicativo do ar. Eles estimam que mais de 57 % do conteúdo online foi produzido por IA no ano passado, em 2024. Um número um pouco mais alto do que o apresentado no relatório comentado pelo Tecnoblog.

04:36

Essa realidade afeta várias questões, como a confiabilidade das informações que a gente encontra na rede. E aí, voltando à entrevista do Hanyan, o cofundador do Reddit, ele também falou que até em grupos de mensagem já tem um uso muito crescente de ferramenta de ar para compor, para editar os textos, para editar a imagem, e que isso já vai prejudicando a qualidade das interações. Semana passada também falei sobre a queda no uso nas redes sociais, que setembro desse ano pode marcar uma grande virada.

05:06

com o lançamento dos apps como Sora e o Vibe,  de conteúdo de inteligência artificial, feeds com conteúdo gerado por IA, como isso pode impactar diretamente as redes sociais e ser esse momento de virada em que as redes sociais deixam de ser o principal local de consumo de mídia online. De acordo com alguns estudos, inclusive um gráfico que foi publicado pelo Financial Times, diz que as redes sociais já atingiram o seu pico lá em 2022, que desde lá já vem caindo.

05:35

Falei bastante sobre isso no episódio passado. E esse esgotamento representa não só uma crise no modelo atual das redes sociais, que vem aí sendo o principal modelo digital nos últimos anos, mas também uma oportunidade para o surgimento de uma outra geração de produtos e serviços digitais. Porque como falou o cofundador do Reddit, como apontam os dados do estudo que eu comentei,

05:59

as pessoas estão em busca de um outro tipo de consumo, sai o doomscrolling, você ficar consumindo coisa continuamente de maneira superficial e as pessoas começam a querer experiências mais orgânicas. Não gosto muito desse termo, mas dá pra entender como essas interações reais e essa saturação do conteúdo sintético, do conteúdo repetitivo, pode virar um fator determinante pro aumento desse cansaço e por essa busca de outro tipo de conteúdo. Isso aí.

06:28

abre caminho para outro tipo de produção, para criação de comunidades em torno de algum tema ou de algum veículo ou conteúdo, como é a comunidade do RESUMIDO, que já se organiza online através de WhatsApp, por conversas, por simplesmente acompanhar o mesmo tema, e dessa forma encontrar um ponto de contato e de conversa com outras pessoas. E também porque nesses grupos privados que acabam tendo uma identidade bem própria,

06:53

Pode ser de futebol, pode ser de política, pode ser de comida, pode ser de tecnologia, como o caso aqui do RESUMIDO. Além de encontrar a sua própria identidade dentro da identidade desses grupos,  isso também fornece a oportunidade de evento presencial, de conteúdo verificado, que você sabe quem está produzindo, dentro de uma comunidade que você também sabe quem são outras pessoas, em que o pagamento para participar dessas comunidades acaba gerando uma profundidade nas relações.

07:19

porque a pessoa acaba valorizando um pouco mais aquilo que ela está pagando para participar em vez de ser uma coisa que está vindo sei lá por onde, chegando em você através de algum feed aleatório qualquer. Tudo isso vai levando para essa humanização do conteúdo, vamos dizer assim. As pessoas buscando essa interação verificável para saber que está falando com outra pessoa, quem é que está do lado de lá, né? Porque essa produção e consumo digital constante agora potencializado pelas ferramentas de ar já vai gerando

07:48

confusões e mal-entendidos na internet hoje. A Verge fez uma reportagem sobre uma pegadinha que está na moda nos Estados Unidos entre os jovens, que é usar IA para gerar uma imagem para enganar as pessoas, principalmente os pais. A pegadinha é o seguinte,  o adolescente pega uma imagem da própria casa e insere com IA uma pessoa em situação de rua, como se tivesse recebido essa pessoa porque disse que conhecia os pais.

08:17

E aí manda essas imagens pros pais e fala,  esse cara tá aqui sentado no sofá, falou que te conhece e tá esperando você chegar. O pai ou a mãe que recebe uma imagem dessa, um vídeo super realista no telefone, provavelmente não corre corre do dia, sem tempo de verificar a veracidade daquilo, sai correndo pra casa, muitos ligam pra polícia preocupados com o que tá acontecendo, achando que o filho ou a filha abriu a porta pra um estranho.

08:42

E isso começou a gerar uma sobrecarga no sistema da polícia, de ter que responder esse tipo de ligação quando nada está acontecendo, na verdade. Então, além disso gerar um mau uso da força policial, um policial em Massachusetts também falou que o trote é bem desumanizante, porque explora essa questão de quem não tem casa, dos sem teto, para gerar pânico, e acaba também aumentando o preconceito e a estigmatização das pessoas em situação de rua.

09:10

Além dessa pegadinha, eu já vi umas outras no Instagram também que são com pessoas simulando um encanador super sexy, sem camisa, dentro de casa,  fazendo um serviço e as mulheres que estavam fazendo essa pegadinha enviavam pro marido e o cara ficava louco do outro lado, que esse cara tá fazendo aí, tomando uma cerveja sem camisa na cozinha? E aí já tem várias questões aí de machismo, misoginia inclusive, mas bota a pessoa num estado…

09:39

de tanta desorientação que, de novo, resultado parecido, a pessoa vai pra casa voando, tentar entender o que está acontecendo, encilmado. Isso pode acabar numa tragédia, né? Alguém pode chegar em casa sem fazer muita pergunta, sem dar tempo da mulher, no caso, revelar que era uma brincadeira, e isso acabar em tragédia. A gente sabe que mundo que gente vive, que tipo de reação a gente pode ver de homens numa situação dessa. Enfim, muito perigoso o tipo de brincadeira que pode gerar boas risadas e tudo der certo, mas já mostra

10:08

como a coisa vai tomando uma forma até previsível, mas bastante preocupante. E apesar dessa ultradigitalização das nossas vidas, muita gente ainda está excluída. E às vezes por preconceitos e problemas de vieses nas plataformas. A Wired falou sobre os sistemas de reconhecimento facial que ainda deixam milhões de pessoas fora desses serviços. Eu comento aqui, eu falo que não boto reconhecimento facial na academia, porque eu não sei onde vão…

10:37

ou o mesmo biométrico com a digital, porque eu não sei onde vão armazenar os meus dados, mas a verdade é que para muitas coisas na nossa vida hoje em dia, para acesso a serviço de governo, a gente já precisa de biometria para poder ser atendido. E quando você tem problemas nesses bancos de dados que não conseguem atender a todos, gente tem um problema muito sério, porque vira mesmo um problema social. A reportagem da Wired fala sobre como muitas pessoas, às vezes, estão excluídas desses sistemas.

11:04

por conta de terem condições específicas que fazem com que esses sistemas não as reconheçam, pois isso não está previsto. São pessoas que têm condições crânio-faciais, por exemplo,  a síndrome de Freeman-Sheldon, em que a pessoa tem algumas mudanças na face, e isso acaba não sendo reconhecido pelo sistema, porque boa parte da base de dados é alimentado com o que a gente vê na internet, com fotos padrões, e a organização Face Equality International

11:35

fala que mais de 100 milhões de pessoas pelo mundo já vivem algum tipo de diferença facial e várias enfrentam falhas nos aplicativos de autenticação, de filtros, de vídeos, portões automáticos ou questões de passaporte, reconhecimento de passaporte no aeroporto, por conta disso. Então a gente precisa pensar num sistema que seja mais inclusivo, se isso vai virar tão proeminente na nossa vida. Se essa vai ser a única forma de acesso a tantas coisas, esses sistemas precisam funcionar para todos.

12:02

Porque se não for dessa forma e os sistemas continuarem tendo esse tipo de falhas, o impacto vai muito além da burocracia. O que isso acaba ocasionando é a pessoa se considerar invisível nesse mundo automatizado. Ela está completamente excluída porque não se adeca a determinado padrão. A gente ainda vai precisar de muitos processos humanos e humanizados de reconhecimento das pessoas, de atendimento, porque nem tudo pode ser resolvido com autenticação.

12:31

Falando nesse aspecto de valorizar as relações humanas, uma notícia que me chamou a atenção foi que o Lamínio Yamal, a grande revelação espanhola do futebol, jogador do Barcelona,  negociou um contrato para começar a cobrar pelos autógrafos. A decisão é a seguinte, a partir de agora ele só vai assinar camisa,  chuteira, bola, card, figurinha, sendo pago. Ele vai assinar uma determinada quantidade desses produtos, esses produtos vão ser negociados…

13:00

no mercado de fãs. Como já acontece nos Estados Unidos, já assim, no beisebol, no basquete, no futebol americano, é difícil os atletas por lá assinarem qualquer coisa, porque sabem que isso gera memorabilia, que pode ser vendida depois por milhões de dólares até tacos de beisebol, luvas de beisebol, bola, coisas assim, porque tem um mercado muito aquecido lá. O que os jogadores começaram a perceber, e tem vários vídeos assim no YouTube, é que muita gente vai pra saída ali no estacionamento, na saída dos treinos,

13:29

e fica indo vários dias pedindo autógrafo, porque na verdade depois começa a vender esses produtos online. Os próprios jogadores reconhecem algumas dessas pessoas. E o que o Lamine tá fazendo é justamente organizar esse mercado. Olha, então eu não assino pra mais ninguém e só vou assinar o que tiver dentro do meu plano de negócio pra poder ser vendido. Isso é muito antipático pro torcedor. E aí que entra o que eu achei curioso dessa notícia é que ele vai continuar tirando fotos.

13:56

Foto ele vai tirar de graça com quem aparecer, mas autógrafo vai ser só pago. Isso aí mostra como a gente já tá vivendo num mundo em que o digital tem menos valor do que o físico. Essa experiência digital é muito mais etérea, muito mais descartável. Uma foto digital a pessoa tira, perde, acaba que não tem muito valor aquilo. O autógrafo num objeto físico tem aí uma questão de permanência,  a questão…

14:25

de você poder segurar aquele objeto, levar para casa,  revender e tudo mais que envolve esse tipo de contato com o ídolo. Então a gente vai vendo um mundo em que essas experiências físicas comprováveis de um para o outro, de um humano para o outro, vão sendo mais valorizadas. É antipático, mas não deixa de ser um sinal dos nossos tempos.

14:51

Agora é o momento de explorar as transformações causadas pelas inteligências artificiais.

15:02

Esse que você ouviu foi o Sam Altman numa entrevista para Cleo Ebron dois meses atrás, em agosto. Ele está falando aí sobre como ele se orgulha da OpenAI ou ChatGPT não ter explorado ainda algo como o sexbot,  como os sexuais, para ter conversas eróticas, gerar imagens eróticas.

15:32

como forma de uso da ferramenta. Pois bem,  passado dois meses, o chat GPT anunciou que vai permitir conteúdo erótico para os usuários adultos. A justificativa é até instigante.  Num comunicado publicado no site do OpenAI, a justificativa que o Semalto mandar é que isso é parte de uma nova diretriz de tratar adultos como adultos.

15:58

O que ele diz é que hoje em o chat GPT tem muitos filtros que bloqueiam o conteúdo sexualmente explícito, mas os usuários acabam encontrando outras formas de contornar esse sistema e conseguir ter o resultado. Então, para ele, ao tratar todo o conteúdo como possivelmente problemático e assim vetar o acesso,  as pessoas não estão sendo tratadas como adulto, porque nem todo mundo tem alguma questão psicológica que não pode lidar com esse tipo de conteúdo.

16:27

que se envolvem demais com o chatbot,  então que não deveria ser dessa forma, que quem quer usar dessa forma e consegue deveria ter acesso, e assim eles vão liberar para quem quiser ter conteúdo erótico no chat GPT, vai conseguir a partir de agora. Isso vai contra toda a pressão pública que a gente vê sobre o papel da IA, essas interações sensíveis, principalmente após vários casos de adolescentes que cometeram suicídio por conta da relação com o chatbot, não só os da OpenAI.

16:55

E pra mitigar essa mudança, a OpenAI acelerou a implementação dos controles parentais, de mecanismos de alertas pros responsáveis. Agora você pode registrar seu filho ou sua filha como sendo seu filho ou sua filha, e assim você passa a receber alertas do uso das crianças no chat app. Eu fiz com meu filho já, não recebi nenhum alerta ainda, não sei como tá funcionando, mas eu linquei a conta dele com a minha. A verdade é que isso não tem nada a com a liberdade do usuário, não tem nada a ver com…

17:23

afrouxar os controles para quem não precisa ser afetado por determinado controle. Isso é ver com monetização, porque nada é mais certo de dar dinheiro online do que pornografia e conteúdo erótico. É assim desde sempre. O conteúdo erótico é, inclusive, um pioneiro em diversas formas de exploração da web, inclusive na monetização. São plataformas que exploram e que têm experiências que acabam apontando caminhos para o resto da web.

17:52

É onde se faz mais dinheiro online e é óbvio que uma empresa como a OpenAI e tantos outros laboratórios de ar que precisam começar a mostrar alguma capacidade de monetização, de botar dinheiro para dentro com esses produtos, principalmente pela quantidade de investimento que está sendo feito na área,  assunto que eu comentei já sobre a bolha de ar em setembro, acho que primeiro episódio de setembro. Agora, eles vão atrás do dinheiro, o dinheiro que tiver. É isso. A explicação é essa, mas obviamente que não é assim que vai ser explicado.

18:20

Você pode ter certeza que muita gente vai ganhar muito dinheiro com esse novo formato aí, com essas novas permissões da OpenAI para geração de conteúdo erótico.  E aí, só para não perder o assunto,  eu vi no LinkedIn da Luisa Jarovski, uma PhD que fala muito sobre a no LinkedIn.

18:43

um vídeo que ela destacou da participação do Sem Autumen num podcast há dias atrás, o podcast da A16Z, que é um fundo de investimentos. Lembrando, o Sem Autumen foi CEO da Y Combinator, que uma das principais aceleradoras de startup do mundo. Ele está muito acostumado com esse tipo de conversa, conversa com o investidor, talvez até por isso tenha sentido bem a vontade e relaxado para falar o que ele falou, que foi o seguinte nessa entrevista. Ele falou, abre aspas…

19:11

Eu ainda acho que haverá alguns momentos realmente estranhos ou assustadores.  O fato que até agora a tecnologia não produziu um risco gigante, realmente assustador,  não significa que nunca o fará. Eu espero que alguma coisa realmente ruim aconteça. Esse é o Seymal Toman falando sobre IA. É importante guardar essa frase porque se ocorrer uma catástrofe relacionada a IA ou alguma coisa em conexão com os produtos da OpenAI,

19:39

Nem ele nem o OpenAI vão poder se beneficiar dos argumentos de sempre, que são, ah, a não poderia ter previsto, a gente não tinha ideia, isso foi imprevisível. Não. Ele deixou claro que é muito previsível, que ele espera que algo assim aconteça. O departamento jurídico do OpenAI deve ter dado 70 cambalhotas para trás de raiva com esse tipo de conversa, mas está aí o próprio Semáltimo falando isso. E nesse cenário de produção de conteúdo… questionável ou de má qualidade produzido com as ferramentas de ar,

20:09

que eu comentei no primeiro bloco e que tem relação com essa decisão da OpenAI de gerar o conteúdo erótico também,  a The Economist cunhou mais um termo. O termo é Sloponomics ou economia do Slop, economia da gororoba digital. O que a The Economist fala, a ideia central desse Sloponomics, é que a IA facilitou e baratiou drasticamente essa produção de texto, imagem, vídeo.

20:35

que está inundando a internet com material de baixa qualidade, material repetitivo, o eslope, e que isso é ver transformar o cenário para os editores, para os jornalistas, para os influenciadores e até para as grandes plataformas, que agora vão ficar competindo com robôs pela atenção do público. Isso tudo eu já falei aqui no RESUMIDO.  E o que a Deconomista aponta é que a preocupação principal é a diluição do valor da informação nesse ambiente saturado. Só que o que eles contra-argumentam…

21:02

é que para alguns criadores esse excesso pode ser uma oportunidade. Porque no meio desse ruído todo, quem conseguir se destacar com originalidade, com uma curadoria de qualidade, com uma construção de comunidade, como eu vinha dizendo, vai poder oferecer um porto seguro no mar de repetição automatizada. Se você ouve o RESUMIDO, você sabe que eu venho falando exatamente disso há algum tempo. Eu não conhei o termo Sloponomics da The Economist, nem tem o tamanho da The Economist.

21:29

Mas eu venho falando isso há bastante tempo porque é isso mesmo que vai acontecer. Nessa quantidade de conteúdo que vai estar inundando a internet, pra onde a gente vai olhar? A gente vai cada vez mais querer ir atrás de coisa que a gente conhece. Esses dias eu vi um vídeo de um analista forensico digital, cara especializado em analisar imagens geradas digitalmente, ensinando a como reconhecer uma imagem gerada por IA ou não. É legal o vídeo, tem uns pontos bacanas.

21:56

Mas o que me chamou mais atenção no vídeo foi um alerta que ele fez e um pedido que se a gente não quer que a internet seja inundada por esse tipo de conteúdo que a gente deve também tomar muito cuidado com o conteúdo que a gente produz com ferramenta de ar. Isso me deixou com a pulga atrás da orelha porque todo mundo brinca de produzir uma imagem, mandar alguma coisa, fazer. E eu não tinha pensado ainda essa coisa meio óbvia. Quando a gente participa, por menos que seja…

22:22

A gente está colaborando com essa confusão de conteúdo, então ao menos que a gente faça isso de maneira minimamente responsável, que deixe alertas bem claras que aquilo é criado com o IA, ou que não publique isso de maneira até um alcance muito grande, a gente também está colaborando com o problema, né? Fica isso aí pra pensar.

22:41

Mas voltando aqui à matéria da economia, é isso. Os criadores que começarem a apostar em formato pago, em comunidade fechada, em conteúdo de nicho, acabam resistindo a essa pressão do slop e podem acabar virando referência de bom conteúdo no meio da porcaria que a gente vai ver por aí. Até porque um estudo comentado pela Graphite fala que já existem mais artigos criados por IA do que por humanos.

23:07

O estudo analisou artigos publicados desde 2024 e apontam que desde novembro do ano passado já tem mais artigos gerados por IA do que por humanos publicados por aí. E o crescimento gerado por IA coincidiu, obviamente, com o lançamento do chat GPT em novembro de 2022. E depois desse crescimento muito rápido, essa produção com IA se estabilizou desde maio do ano passado. Esse estudo se baseou em 65 mil artigos encontrados no Common Crawl que foram classificados com detector de IA.

23:37

da Surfer SEO.  A maior parte dos artigos gerados por IA não aparecem nos resultados do Google, nem do chat GPT, porque eles têm tão pouca interação que acabam não indexando muito bem nessas ferramentas e não aparecem tanto, o que é uma ótima notícia. Só que esse estudo não consegue considerar os artigos dos conteúdos híbridos.  Artigos são gerados com IA e depois são retocados por humano,  acabam escapando a detecção do sistema…

24:05

de detecção de conteúdo gerado por IA, mas isso não quer dizer que o conteúdo não esteja poluído, por exemplo, de informação vinda de alucinações no sistema de IA. Então a conclusão do estudo é que, apesar da IA tornar a produção mais barata, não necessariamente torna isso mais eficaz para atrair leitores. Por que tanta porcaria que acaba não atraindo ninguém? E talvez os leitores comecem a ir, como disse o Economis,  atrás de fontes confiáveis para poder consumir esse conteúdo e não só em…

24:35

ferramentas de busca ou ferramentas de IA. O atual CEO da Y Combinator, que acabei de mencionar aqui falando do Semáltima, mas o atual CEO, que é o Gary Tan, fez um vídeo no YouTube falando exatamente sobre como a IA não vai deixar o trabalho dos humanos obsoleto. Ele fala o que vem sendo falado por muita gente, Você não vai ser substituído por IA, você vai ser substituído por alguém que usa IA melhor do que você, porque conforme a gente vai usando essas ferramentas, elas vão gerando mais necessidade

25:05

de trabalho humano em cima do resultado.  E dá o exemplo, por exemplo, dos radiologistas, que o Geoffrey Hinton, o padrinho da IA, que hoje em fala de maneira bem preocupada em relação à ascensão da IA, ele disse em 2016 que a IA ia tornar os radiologistas obsoletos e ele falhou, porque uma década depois a demanda cresceu. Isso, de acordo com Gary Tennant, se explica pelo paradoxo de Stevens.

25:32

que explica o seguinte, a redução dos custos dos exames pelo uso da IA aumenta a demanda, isso aí acaba aumentando a necessidade de especialistas. Então você gera mais trabalho e acaba gerando mais oportunidade, que é uma coisa que vem sendo dita, que essas transformações tecnológicas ao longo da história,  podem desde a containerização nos anos 60 até o surgimento da computação em nuvem nos anos 2010, ou agora o abarateamento de funções pela IA,

26:01

Cada uma dessas revoluções geram novas demandas, geram novos cargos, criam mercados inteiros,  mesmo com uma automação parcial das tarefas. Então, o que se espera, de acordo com o CEO da Y Combinator, é que o impacto da IA deva seguir esse mesmo padrão que reconfigure algumas funções, automatize o básico e libere os humanos para o que é mais estratégico. A gente continua tendo trabalho. Tomara que assim seja.

26:27

E uma outra reportagem, essa da Future Reasonment, faz coro com esse pensamento, que é o seguinte, uma pesquisa divulgada pela editora acadêmica Wiley, mostra que a confiança dos cientistas nas IA’s caiu muito no último ano. A prévia desse relatório de 2025 indica que mesmo com o aumento do uso da tecnologia nas pesquisas científicas, os pesquisadores estão mais céticos em relação à precisão, à segurança e inclusive à ética dos sistemas de IA. A preocupação com as alucinações,

26:57

Quando os modelos de linguagem criam conteúdos ou informações que não existem,  cresceu de 51 % para 64%. Isso aí, obviamente, tinha a ver com o uso. Quanto mais usou, mais descobriu que o sistema de IA falhava muito. Isso aí foi diminuindo a confiança. Outro dado é que,  apesar do uso na ciência ter aumentado de 45 % para 62%, a crença de que a IA pode superar os humanos nas tarefas específicas despencou.

27:25

Em 2024, da metade dos entrevistados acreditava que a IA já superava a capacidade humana em várias aplicações,  e agora em 2025, esse número caiu para menos de um terço. As preocupações com privacidade, segurança, transparência também aumentaram muito. Outras pesquisas feitas antes dessa mostravam que o entusiasmo em relação à IA era muito maior entre quem tinha menos conhecimento técnico, enquanto as pessoas mais experientes tendem a identificar as falhas da IA

27:55

com mais facilidade. Isso aí tem tudo a ver com o efeito Dunning-Kruger, que aquele que diz que quanto menos a pessoa sabe, mais ela acha que sabe, e quanto mais alguém sabe sobre um assunto,  menos essa pessoa acha que sabe sobre o assunto. Uma pessoa com uma habilidade baixa numa área específica acaba superestimando as suas capacidades, enquanto uma pessoa que tem uma capacidade muito alta acaba subestimando as próprias capacidades, porque acha que todo mundo sabe aquilo que ela sabe, já que ela também sabe.

28:25

Ou seja, humildade é sempre muito bom. Quanto mais a gente sabe, menos a gente acha que sabe.  Como diria Sócrates, tudo que sei é que nada sei.  Parece que isso ainda faz bastante sentido. E agora uma rápida atualização sobre a bolha da IA. Comentei sobre isso no episódio 328, em que eu falei sobre como essa corrida para a IA está gerando, possivelmente, uma bolha, porque as pessoas estão investindo mais dinheiro.

28:53

do que essa área talvez seja capaz de dar retorno, então muita coisa vai quebrar no processo. E as pessoas inclusive acham, muitas pessoas acham que é assim mesmo que vai acontecer, que isso é necessário, que para conseguir chegar onde tem que chegar tem que investir muito e nessa muita coisa vai dar errado, mas o que interessa é o que vai dar certo. Não é por acaso que esses laboratórios de ar super dimensionem e inflam as próprias capacidades, porque eles estão de olho em captar dinheiro.  Então, o ex-executivo da Meta, o Nick Clegg,

29:22

deu aí uma refutada em relação à superinteligência.  Ele, foi também vice-primeiro-ministro britânico, disse que tem uma chance bem alta de ter uma correção do mercado de ar, porque essa onda de investimento está sendo marcada por avaliações inacreditáveis, insanas, de cada empresa dessas, sem que elas tenham capacidade de dar um retorno financeiro para quem investiu. Mas o que ele falou de mais importante numa entrevista para CNBC…

29:49

é que a base desses investimentos estão sendo feitos em cima dos modelos de linguagem, que são frequentemente vistos como um caminho para alcançar a superinteligência, mas que para ele essa visão é muito limitada, exagerada, ele acha que essas ferramentas atuais têm restrições que são inerentes ao formato e que não vão chegar onde está sendo prometido e estão que logo essa bolha estoura. Um exemplo que o Nick usou é o desktop, que mesmo com a tecnologia já disponível, demorou 20 anos para as pessoas terem computador em casa.

30:19

Então pode ser que aconteça a mesma coisa com as ferramentas de ar e com essa revolução de ar. Vai estar disponível, mas pode demorar para acontecer. Já um outro investidor da Oak Trees, que é um fundo de investimento bem conhecido também e faz muita análise de mercado,  disse numa entrevista também para CNBC que essa empolgação atual em torno da IA ainda não caracteriza uma gola, porque para ele, embora essas avaliações estejam muito elevadas mesmo, elas ainda não chegaram no nível irracional ou de histeria coletiva.

30:47

E o que acaba diferenciando um mercado aquecido de uma bolha para ele é a exuberância psicológica temporária, algo que ele ainda não está enxergando nesse momento. Então ele acha que tem um entusiasmo muito grande, que só está impulsionando as empresas de chips, de software para essas máximas históricas, mas ele acha que esse otimismo ainda não significa acesso. Ele fala que a bolha da internet do fim dos anos 90, o famoso dot com bubble, foi movida por umas promessas que eram reais de transformação.

31:16

mas que levou à criação de empresas que, na grande maioria, acabou sendo inviável, que a mesma coisa vai acontecer por agora.  Vários investidores apostam líderes atuais, achando que eles vão continuar dominando, mas pode ser que venham outras empresas menos promissoras até que possam ver até sucesso. Então, por conta disso, qualquer empresa com uma chance remota de sucesso exponencial acaba valendo o risco. Vamos ver, o tempo vai dizer.

31:43

E agora é hora de falar sobre como as Big Tech moldam nosso comportamento.

31:54

O presidente Lula assinou uma medida provisória que cria um programa especial de impostos para serviços de data center no Brasil chamado de Redata.  Você ouviu aí um trecho de uma reportagem da CNBC News aqui do Brasil? E essa corrida pelos data centers está virando uma grande aposta numa forma de participar da revolução da inteligência artificial sem necessariamente estar na ponta, Assim, está desenvolvendo tecnologia.

32:23

servindo muito mais como prestador de serviço. A necessidade energética desse Data Science é boçal, uma coisa que está sendo muito falada e os impactos disso.  E por isso, várias empresas dessas, Big Tech, Google, Amazon, Microsoft, que estão investindo em IA, estão sugerindo que o caminho possa ser a energia nuclear. Eles falam bastante sobre reatores modulares pequenos, que chamam SMRs.

32:49

como uma solução viável, porque são mais seguros, mais baratos de construir, mas vários especialistas alertam que essa tecnologia está longe de ser financeiramente viável ou até mesmo ser capaz de atender à demanda de energia desses data centers.  Energia nuclear tem um histórico complicado, né? Carrega muito peso de acidentes que já aconteceram, isso acaba prejudicando a percepção pública em relação à segurança, mas mesmo assim, empresas como a Microsoft já fizeram acordos com o reator.

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que restaram de uma usina que já inclusive teve um acidente, a Three Mile Island, em 79, teve um acidente. E a Microsoft se juntou também à World Nuclear Association. Então, a aposta dessa empresa de tecnologia tem também as questões de motivação ambiental, já que a energia nuclear é livre de carbono. Seja como for,  esse consumo de energia já está dando bastante discussão nos Estados Unidos. As contas de eletricidade estão aumentando dos estados.

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e a população está reclamando que eles estão recebendo, está sendo repassado para ele os custos desses data centers e que por isso muita gente nem quer data centers na sua região. E aí, Saúí, você tem que amarrar com a seguinte notícia. O Brasil, a Argentina,  o Chile, vários países estão tentando se colocar nessa corrida recebendo os data centers, né?  Acreditando que essa vai ser a forma de tirar uma casquinha da revolução de A.

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A Anatel aqui no Brasil está, inclusive, questionando a concentração dos data centers em poucos locais aqui no Brasil. Fizeram alertas que os data centers estão sendo focados em São Paulo, Rio de Janeiro e Fortaleza, e dizem que isso aí gera um risco à segurança digital no Brasil, tem a questão de apagão,  desastre em regiões concentradas que podem afetar o sistema todo, e que eles estão querendo que isso aí seja descentralizado.  O governo criou o Redata, que é um programa de incentivo para essa descentralização.

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Uma MP que foi assinada pelo Lula, está favorecendo investimentos no norte, nordeste, centro-oeste. Mas me chama a atenção isso como um caminho, investir 5 bilhões de dólares nesse tipo de programa,  quando os países que estão na ponta dessa corrida, liderando, estão tentando empurrar os data centers para longe, porque são um baita de um problema. Inclusive, teve uma disputa entre o Brasil e a Argentina para receber os data centers da OpenAI. A Argentina levou essa.

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é o projeto Stargate do OpenAI, que tem um investimento previsto de 25 bilhões de dólares para uma infraestrutura voltada para essa próxima geração de ar, e que vai ter a própria OpenAI como principal compradora da capacidade de processamento desse local.  Argentina acabou levando por uma combinação de incentivo fiscal, pelo custo de energia ser competitivo também, pela abundância de fontes renováveis, eles estão apostando na Patagônia,

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Por oferecer esse potencial energético renovável, ela tem muito vento, solar, possibilidade de hidrelétrica, isso acaba favorecendo a operação sustentável do data center e o apoio do próprio governo argentino que tem como meta posicionar o país como um hub digital e tecnológico aqui na América Latina. Isso acho meio preocupante a gente ser um hub digital oferecendo o que ninguém quer, que é hospedar esses data centers.

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Falando um pouco de regulação,  o Ministério da Justiça e da Segurança Pública vai reformular o sistema de classificação indicativa do Brasil para incluir aplicativos, redes sociais, lojas digitais e ferramentas de ar. Essa mudança vai ser toda detalhada numa portaria que vai passar a avaliar não só o conteúdo audiovisual, como tem hoje, né, classificação etária do cinema, televisão, mas também vai levar a consideração grau de interatividade e o potencial de risco dessas plataformas para crianças e adolescentes.

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Você achou bem legal, faz sentido,  Não é só o conteúdo, mas é a forma que você usa essas ferramentas. E aí, com isso, serviços como o Chat EPT, o Google Gemini, que hoje são considerados, por exemplo, adequados para menores de 13 anos, podem ser reclassificados como impróprios para algumas faixas etárias. Essa revisão se conecta ao ECA digital, essa lei sancionada em setembro, que entra em vigor em março do ano que vem.

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e que obriga as plataformas a verificar a idade dos usuários e bloquear o acesso a conteúdos ou funcionalidades inadequadas. Eu sempre falo aqui que a regulação é muito importante, precisa ter regra mesmo, mas é um pouco preocupante quando isso tudo começa a ficar centralizado em questões governamentais ou das próprias plataformas. Não é fácil resolver essa questão, mas realmente deixar as plataformas abertas e qualquer criança que entrar a ter acesso a tudo também não é ideal. A vai ter que encontrar uma forma de equilibrar esses pratinhos aí.

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Uma dessas formas são as próprias plataformas também tomando frente disso aí. A The Verge conta que o Instagram agora vai transformar todas as contas de adolescente em PG-13, ou seja, classificação etária para 13 anos, também seguindo o sistema de classificação parecido com o do cinema nos Estados Unidos. Isso significa que os jovens vão ter menos conteúdo com nudez, com linguagem forte,  ou com aqueles desafios, que é um grande perigo, os trendos de desafio, opos e sugestivas.

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que eu já acho meio preocupante, começa a virar uma coisa mais moral, uma discussão mais moral do que objetivo, do que conteúdo é esse. E a meta diz que o objetivo é reduzir a exposição aos temas adultos e tornar o ambiente mais seguro para os menores. Eu acho positivo, eu acho meio maluco e acho que a vai olhar para esses anos que a gente vive hoje em dia com uma época muito, muito descompensada no sentido de que qualquer criança tem acesso a mesma ferramenta que o adulto, mesmo sistema operacional que um adulto. E vamos ver…

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Como isso vai evoluir? Entre outras coisas, a plataforma também vai impedir os adolescentes a visualizarem ou interagirem com contas que publicam conteúdo para acima de 18 anos. Isso inclui bloquear o perfil que promovam sites adultos, exemplo, bebidas alcoólicas, outros temas impróprios para menores. E aí mesmo que o adolescente já siga esses perfis, ele vai deixar de ver as publicações ou receber mensagem direta na DM. E os criadores que são afetados por isso aí também vão ser avisados.

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caso queiram mudar de tipo de conteúdo para não perder esse público. Vai se alinhando aí quem tá falando o que, com quem pode consumir o que,  em alguma hora a gente vai conseguir chegar nesse equilíbrio. Espero eu.

39:00

Hora de relaxar com as dicas de ver, ler e ouvir.

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A Vizinha Perfeita é um exemplo de como a tecnologia está redefinindo a linguagem do documentário. Filme dirigido pela Dita Gendbir.  O filme é quase todo construído com imagens de câmeras corporais de policiais, câmeras de segurança e gravações de celular que registram sem mediação nenhuma, sem filtro, um crime que abalou uma comunidade na Flórida em 2023.

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Em vez de entrevista, narração,  a história se desenrola através dessas imagens que vão mostrando o caos e o medo em tempo real.  A Ghandbir subverteu o uso tradicional dessas câmaras corporais, que geralmente são associadas ao controle policial,  para criar um retrato humano sensível sobre vigilância, racismo, violência armada e também para questionar como a tecnologia molda essa nossa percepção de verdade e de justiça. O documentário está disponível na Netflix.

40:15

E aí

40:20

Semana passada, a lenda de Levy,  dos ícones do rap, não só do Rio, do rap nacional,  cofundador do Coletivo Quinta Andar, um grupo que foi revolucionário no uso da internet, na distribuição de MP3, lá nos anos 2000,  tá de volta com um disco novo,  finalmente,  chama-se Mantendo o Rap Vivo,  e eu chamei ele pra falar um pouco do disco aqui pra gente.  Fala aí, Delevy.

40:49

Então, esse disco se chama Mantendo Rap Vivo. Vem depois de dez anos que eu lancei o meu último disco. E de dez anos para cá muita coisa aconteceu. O rap se estabeleceu com uma música,  uma das músicas mais populares do país.  Trap virou essa música muito, muito, muito popular que as novas gerações já estão até saturadas de ouvir. O disco foi feito por mim e pelo Felipe Play.  Muito sampler, tem muito de boom bap.

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bem clássica, bem saudosista, quem já curtia a minha música, espero que você ouça e goste do disco. Grande abraço, Bruno. Obrigado pela oportunidade pro Espaço.  Nesse episódio, você ficou sabendo que o cofundador do Reddit declarou que a internet tá morta, que adolescentes fazem pegadinhas cuiar e dão trabalho pelas autoridades, que reconhecimento facial ainda fale em identificar milhões de pessoas e entender o fenômeno da Sloponomics.

41:45

Também soube que os cientistas que mais usam IA são os que menos confiam nela, que Big Techs apostam em energia nuclear para alimentar data centers e muito mais.  Se você gosta do RESUMIDO,  além de fazer uma assinatura no resumido.cc/assinatura que é forma mais direta e importante que você tem de apoiar o RESUMIDO, custa só 15 reais, você pode também recomendar para mais gente.

42:08

Faz um post no Instagram,  manda pelo WhatsApp, isso ajuda demais a chegar em mais gente, a sua recomendação vale ouro. Também não deixa de curtir, assinar, seguir, cinco estrelinhas e deixar uma resenha na plataforma que você estiver escutando esse episódio agora.

42:24

Se você ouviu o episódio até aqui,  mostra pra mim que você ouviu e deixe um comentário na plataforma que você estiver escutando aí agora. A palavra secreta da semana é conexão.

RESUMIDO é produzido e apresentado por mim, Bruno Natal

O roteiro é escrito por mim e pelo Agenor Neto

O Cauê Marques co-edita a newsletter O Futuro Explicado e as redes sociais, que contam com animações do Peri Semmelmann e design do Felipe Araújo

A edição e mixagem é feita pelo Hugo Rocha

A foto da capa é do Jorge Bispo

E o tema original foi composto por Gustavo Silveira

Sou o Bruno Natal, obrigado pela audiência e semana que vem tem mais RESUMIDO!