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Todo mundo quer desconectar / FOMO de IA não para / AGI chegou (só não é pra você)

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Uma pesquisa mostra que detox curtos já revertem danos cognitivos causados por redes sociais. Ex-funcionários da OpenAI descrevem Sam Altman como um sociopata. A Anthropic criou o Claude Mythos e decidiu que é poderoso demais para o público.

Quem decide o que a IA mais poderosa pode fazer?

No RESUMIDO #359: todo mundo quer desconectar, adolescentes trocam smartphone por tijolão, drones patrulham escolas contra tiroteios, Sam Altman é chamado de sociopata por funcionários, redes sociais fogem do próprio nome, Claude Mythos é poderoso demais para o público geral, Anthropic ultrapassa OpenAI em receita, IA do Google erra um em cada dez resumos e muito mais!

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Transcrição

Transcrição EP. #359

(transcrição gerada automaticamente, pode haver falhas)

00:00

Olá, eu sou o Bruno Natal, hoje é dia 14 de abril no RESUMIDO #359: todo mundo quer desconectar, adolescentes trocam smartphone por tijolão, drones patrulham escolas contra tiroteios, Sam Altman é chamado de sociopata por funcionários, redes sociais fogem do próprio nome, Claude Mythos é poderoso demais para o público geral, Anthropic ultrapassa OpenAI em receita, IA do Google erra um em cada dez resumos e muito mais!

00:46

Olá, Resumista! Esse é o RESUMIDO, um podcast sobre cultura digital e o impacto da tecnologia em todos os aspectos das nossas vidas. Hoje, mais cedo, antes de começar a gravar esse episódio, eu estava checando os números do RESUMIDO no Spotify, os dados de audiência, e aí eu tomei um susto, porque um dos episódios do RESUMIDO Drops, que é uma versão mais curta do RESUMIDO, que só dura cinco minutinhos que eu tenho gravado e…

01:13

publicado uma vez por semana, testando um novo formato, é em vídeo inclusive, chegou a 650 mil plays. Isso não dá nem para comparar com a média normal de plays do RESUMIDO e eu não entendi direito a origem disso. Pelo que eu entendi dos dados, o RESUMIDO foi recomendado na home do Spotify, onde teve mais de 9 milhões de impressões.

01:38

gerando essa quantidade de visualizações. Eu fiquei feliz, porque em fevereiro eu tive a surpresa de um reel no Instagram que chegou a 500 mil plays, e agora esse episódio chega a 650 mil plays também no Spotify. Se você não conhece esse formato, é legal ouvir, eu gosto, eu estou gostando de fazer. Mas o mais legal é ver que, de alguma forma, o algoritmo começou a enxergar o RESUMIDO.

02:01

Pelo menos em alguns momentos. Infelizmente, esse tipo de exposição não reflete tanto no dia a dia depois. Tanta gente que migra e passa a ouvir o podcast porque ouviu um desses episódios. Se for o seu caso e você ouviu esse RESUMIDO do Drops e resolveu conferir o resto do podcast, depois me conta porque é legal entender como esse tipo de funil opera. E uma outra coisa que eu vi logo de manhã foi a quantidade de gente que me enviou…

02:27

uma mesma reportagem, na verdade ela saiu em vários veículos diferentes, sobre um fã de música de Chicago que gravou de maneira clandestina mais de 10 mil shows ao longo de quatro décadas, incluindo umas apresentações bem iniciais do Nirvana e outras bandas assim, e esse acervo todo foi digitalizado, está sendo digitalizado e disponibilizado gratuitamente no Internet Archive. E essa história é um bom exemplo do que a internet tem de melhor e do que a internet das pessoas ainda é capaz de fazer.

02:57

Eu vou falar mais dessa história na newsletter dessa semana, o Futuro Explicado. Se você ainda não conhece a newsletter, está aí uma oportunidade de eu fazer essa chamada em contexto aqui. Sai às quintas-feiras e se você ainda não assinou, é só você ir em www.resumido.cc/assinatura e fazer sua assinatura. E tem uma segunda newsletter do RESUMIDO chamada Linkerama, que é uma coleção de links, como o nome diz, com menos contexto e é mais volume mesmo. Monte de coisa legal para clicar, para assistir, para ouvir.

03:25

E essa vai exclusivamente para os assinantes do RESUMIDO. Aliás, falando em assinatura, hora de agradecer os novos assinantes do RESUMIDO que assinaram semana passada. Tadeu, Mari, Patrick, Tarsizio, muito obrigado. O RESUMIDO só pode continuar se mais gente assinar. Eu tenho várias ideias e propostas do que fazer com o RESUMIDO, inclusive conteúdo extra para os assinantes, mas a verdade é que eu não cheguei ainda nos 50% da meta. E eu falei que ia parar, né, se eu não chegasse na meta. E cá estamos ainda gravando, então…

03:55

Se você puder assinar, são 15 reais por mês. Vai aumentar, eu ia ter aumentado em abril e eu esqueci, verdade, inclusive aviso aí para os assinantes. Quem paga mensalmente vai ser impactado por esse aumento. Espero que você continue assinando. E é uma boa oportunidade de quem quiser fazer assinatura anual garantir o valor de 15 reais por 12 meses. Então é só você ir lá em www.resumido.cc/assinatura. Tem o link aqui na descrição do episódio, é só clicar e fazer sua assinatura.

04:24

Se você já deu uma olhadinha no calendário, já reparou que esse ano tá caprichado de feriados. Olha aí que coisa boa, né? Porque sobra tempo pra sair mais cedo, andar mais, emendar coisas. Naquele pique de um café que vira uma caminhada, que vira um almoço, que vira um encontro. E é nessa hora que você percebe qual roupa que serve pro seu dia todo e qual não serve. Porque é melhor você estar vestido com uma roupa que aguenta o dia inteiro sem precisar trocar, né? E as peças da Insider são assim, são leves, confortáveis, acompanham o movimento e não ficam incomodando depois de algumas horas usando.

04:54

Você já sabe que eu sou fã da Tech T-Shirt, é a minha peça favorita da Insider, eu tenho usado muito mais nesses dias aí mais longos, porque é uma blusa que resolve sem exigir nada. Se você tiver de olho em uma, aproveita que o cupom RESUMIDO continua funcionando, ele dá 15% off para novos clientes e 10% off para clientes recorrentes, e nos próximos dias, pagando no Pix, ainda tem mais 5% off extra, um desconto que é somado ao desconto do cupom RESUMIDO.

05:22

É simples e eficiente, como as roupas da Insider, que acompanham o plano mesmo quando o plano muda. O link com o cupom aplicado está na descrição do episódio, é só clicar e já vai lá direto para o desconto. Confere lá, Insider.

05:38

Vamos de cultura digital e como nosso comportamento online ajuda a moldar a sociedade.

05:50

O meu celular está arruinando minha vida. Eu estava triste. Assim que eu pudesse sair um, outro abriria. O tempo estava se esvaindo e eu deixei meu celular se desligar. Eu queria ter controle. Uma matéria da Business Insider falou que a ansiedade tá fazendo com que a geração Z vá atrás de CD, DVD, volte pro Nintendo DS…

06:16

E por conta disso, a reportagem foi ver quanto tá valendo essas tecnologias antigas hoje em dia com esse revival todo. O meu filho tem 14 anos e tá viciado em CD. O negócio dele agora é colecionar CD de hip-hop. Inclusive, eu tenho todos os meus guardados. Eu sempre cuidei muito bem das minhas coisas. Eu sempre guardei mesmo com cuidado. O meu filho, inclusive, brincou com os meus legos de infância, que já tinham passado pelos meus sobrinhos, voltaram pra mim e foram pro meu filho. Agora ele tá…

06:43

Pegado nos CDs, pegou minha coleção de hip-hop inteira dos anos 90. E esse interesse por tecnologia não é só nostalgia, porque muitos desses jovens nem viveram essa época dos CDs, dos DVDs, dos consoles offline, mas eles já associam esses objetos a essa experiência mais humana, né? Que é menos mediada, mais tangível e é seu, né? Que é a grande diferença. Você assina uma plataforma de streaming, você tá alugando o conteúdo, você parou de pagar, nunca mais tem acesso, se eles tiram da plataforma, você tem que se virar pra encontrar de outra forma.

07:12

E uma pesquisa britânica da Key Production falou que a geração Z já comprou mais CDs no último ano do que os Millennials, a geração X e os Baby Boomers. Nas lojas de games, já aumentou muito o interesse pelo Nintendo DS, PlayStation 1, PlayStation 2, que são videogames que permitem jogar sem você ter que ficar fazendo microtransação, assistindo publicidade ou atualizando tudo constantemente. Era uma outra época. Você comprava o jogo, botava e jogava. Não tinha que ficar comprando item.

07:40

e essas coisas que a gente vê na economia de game hoje em dia. E esse olhar, esse resgate de uma tecnologia mais incipiente, não dá pra chamar de analógica porque é digital, não é mais só essa questão de estética, tá virando uma forma de resistência. Em vez de você ficar no feed infinito, recebendo conteúdo de algoritmo, notificações, os jovens querem coisas com começo, meio e fim claros.

08:04

E aí também tem o retorno das lojas de discos, de games, como o tal Third Places, né? Os terceiros lugares. São os espaços físicos que substituem parte da sociabilidade que a gente vê nas redes. Você tem sua casa, você tem seu trabalho e tem esses lugares de convívio que se perderam. Quem viveu loja de disco sabe bem do que eu tô falando. E nesse final de semana aconteceu Coachella, um dos mais comentados festivais de música do mundo hoje em dia, que mudou muito, né? Eu fui no Coachella…

08:32

quase 10 vezes a partir de 2006. Última vez que eu fui foi em 2018, já estava completamente transformado e eu nunca mais voltei. E hoje em dia você consegue assistir tudo pelo YouTube, até pelo TikTok, eu acho, ter uma transmissão. E eu vi no Instagram trechos da apresentação do Justin Bieber, que era uma das atrações principais do festival. E o show dele foi basicamente ele sentado no palco com um laptop…

08:55

navegando pelo YouTube, encontrando vídeos dele próprio. Lembrando que o Justin Bieber é um artista que surgiu no YouTube, um dos primeiros artistas a ser fruto do YouTube, criança ainda, era nem adolescente, gravando os vídeos. E ele ficou visitando esses vídeos antigos, cantando juntos, vendo os comentários, como se fosse uma live de um influencer e fazendo um react ali em tempo real das próprias músicas, ouvindo pedidos dos fãs pelos comentários.

09:22

E foi curioso ver essa apresentação porque muita gente reclamou, muita gente entendeu que isso era uma forma intimista de estar com ele, porque você está com alguém no laptop vendo coisa, é uma forma de intimidade hoje em dia. Mas eu fiquei pensando nesse mundo pós-pandêmico em que as lives viraram algo tão recorrente, tão comum, porque no Coachella o telão sempre foi uma coisa muito bem feita, era praticamente um DVD você assistindo ali, só uma imagem bonita, o corte bem feito pra caramba.

09:51

e é uma câmera filmando artistas. E nessa apresentação do Justin Bieber ficou muito marcado uma coisa que tem sido bem recorrente também nas apresentações atuais. Como disse meu amigo Rodrigo Herman na apresentação do Bad Bunny no Super Bowl ou nessa do Justin Bieber no Coachella, que é o artista olhando pra uma câmera. Então tinha o Justin Bieber com o laptop olhando pra câmera, né, que tava filmando ele, e o laptop projetado num telão atrás. Inclusive tiveram umas piadas, né? Quem dá bem que era o YouTube Premium pra ninguém ter ficado vendo propaganda.

10:20

Mas isso mostra como mudou a dinâmica, como a intimidade hoje é um artista olhando para uma câmera, falando com o público diretamente, sinal dos tempos. Mas voltando à questão do cansaço digital, que não estava tão bem representado nesse show do Justin Bieber, um criador, um influenciador no YouTube fez um vídeo com um tutorial para você recuperar o controle sobre o seu celular. Ele nem trouxe coisas muito inovadoras, mas organizou de uma forma que ficou legal.

10:46

Passos como você deixar seu celular mais sem graça, né? Tirar as cores da tela, uma coisa que eu faço é ficar em preto e branco, não usar notificação, você aprender a fazer uma pausa real sem recorrer ao celular, né? Em vez de você trocar uma tarefa cansativa por um scroll, você vai caminhar, tomar um café, ficar parado, não dormindo com o celular no quarto, esse tipo de coisa. Eu tô falando desse vídeo que eu vou linkar no post com todos os links comentados em todos os episódios que ficam lá no site do RESUMIDO, www.resumido.cc, o post é exclusivo para os assinantes.

11:14

Porque o Washington Post falou sobre uma pesquisa que disse que um detox digital pode apagar quase 10 anos de estrago causado por redes sociais no seu cérebro. Foi um estudo com 467 participantes que mostrou que bloquear a internet no celular só por 14 dias já reduziu o tempo médio de uso de 314 minutos para 161 minutos por dia. Que já é um absurdo também, né? Porque são quase 3 horas.

11:41

Nesses estudos, os participantes ainda podiam fazer ligação, mandar SMS, mas tinha que usar meio como o tal do dumb phone, o telefone burro. Não era para você ficar usando as funcionalidades, principalmente de rede social. O estudo também mostrou uma melhora nos sintomas depressivos, que foi maior do que observado em alguns antidepressivos, remédios, e próxima do efeito de terapia cognitivo-comportamental.

12:05

E aí os pesquisadores falaram que o problema não é exatamente a internet, mas é o celular mesmo, porque o celular invade a sua caminhada, a sua conversa, suas refeições, o seu filme, seu descanso, tudo ao mesmo tempo. Você está sempre com o telefone perto de você, se você não se cuidar, se você não se educar, não fazer isso. Então isso acaba tendo um impacto muito maior. Ainda mais com essas plataformas que são desenhadas para reter a nossa atenção o máximo possível.

12:31

E aí o estudo faz uma provocação falando que a fadiga mental, a distração, a ansiedade que hoje em dia a gente acha tão normal, na verdade, seja sintoma desse ambiente digital que a gente passou a considerar inevitável. E esse ponto é importante, né? A gente precisa começar a evitar esses ambientes. Cabe a nós mesmos. Porque até as redes sociais não querem ser mais conhecidas como redes sociais. E essa tendência de procurar…

12:55

tecnologias menos viciantes ou esse tipo de detox ou controlar o uso do celular, também apareceu numa reportagem do Público, o Jornal de Portugal, falando que esses telefones com tecla, os chamados dumb phones, os telefones burros, estão crescendo muito entre os jovens em Portugal, inclusive entre os super desportistas, com uma forma de se manter concentrado.

13:19

E isso tudo tem muito a ver com uma reportagem da Bloomberg que falou que as empresas de rede social estão procurando um novo nome. Porque exatamente por conta dessas críticas sobre o vício, saúde mental, danos a crianças, adolescentes, eles estão tentando abandonar esse rótulo de rede social para se definir como uma outra coisa. Eu sempre falo em relação à banda, que quando aparece um gênero da vez e que todo mundo quer ser chamado daquilo, é só você contar o tempo para…

13:46

Quem tem sido classificado por aquilo pedir pelo amor de Deus para não ser chamado mais daquele estilo, sei lá. O Skrillex com dubstep. Ele era o rei do dubstep até que dubstep acabou, ninguém mais queria ouvir aquilo. E ele ficou amarrado a aquele gênero, doido para querer mostrar que sabia fazer outras coisas, que ele não era um cara de dubstep. Rótulo é assim, é bom na hora do momento em alta, é horrível depois que ele ganha uma pecha, e tá acontecendo isso com as redes sociais. O Snapchat mesmo gosta de falar que não é uma rede social, que ele é o Snapchat.

14:14

O YouTube está dizendo que é uma plataforma de streaming, ou uma TV. O TikTok quer dizer que é uma empresa de entretenimento. E a Meta também está anos tentando convencer todo mundo que eles eram uma empresa de metaverso, agora uma empresa de IA, mas ninguém quer falar que é rede social. Isso não é só uma questão de nomenclatura, porque está fora de moda, não. Tem as questões legais. Várias dessas plataformas, como eu falei na episódio de passado, em relação às recentes ações contra o Google, contra a Meta.

14:40

estão sendo processadas justamente dentro dessa categoria rede social. As leis estão sendo feitas pensando em plataformas de rede social e essas plataformas estão pensando que se mudar de nome fugiu do problema ou fugiu da responsabilidade. Não acho que isso vai colar, mas a tentativa está aí, a gente já vê na movimentação para se redefinir. A Engadget falou sobre um app chamado Bind, que tem tudo a ver com esses nossos tempos hiperconectados.

15:07

e mostrando como esse exagero de informação pode acabar estragando as experiências, inclusive as que foram feitas para você ser surpreendido. Eles falaram de um app chamado Bind, que usa a funcionalidade de alertas em tempo real da Apple. No iPhone, por exemplo, se você disser no Google que você torce pelo Flamengo, uma hora antes do jogo começar já aparece ali um aviso do jogo e vai te dando lance a lance em tempo real. Eu adoro essa funcionalidade, boto pro Flamengo, boto pro Forniner.

15:36

Mas esse aplicativo faz o seguinte, ele vai avisando todos os sustos que vão acontecer no filme. Então, ao invés de você tomar um susto, fica aparecendo notificação. Olha, minuto 19h51 vai aparecer um homem na janela do avião. E aí você não toma nenhum susto, porque você fica sendo avisado o tempo todo. Isso é muito maluco, porque, embora possa ter um uso positivo, você pode mostrar, avisar que vai ter uma cena de violência ou um conteúdo sexual que talvez não seja apropriado.

16:05

pra alguém de determinada idade que esteja assistindo junto, você acaba estragando a experiência quando você tira a surpresa por completo. Eu, por exemplo, odeio ver cenas ensanguentadas, essas coisas assim, acho uma vibe horrorosa, não gosto de ver filme de terror por causa disso. Ou cena muito nojenta, agulha entrando, essas coisas, me dá agonia. Talvez eu usasse pra isso. Mas não tem muito sentido você pagar 18 dólares por ano pra estragar o seu filme. Mas tá aí, tá rolando esse aplicativo.

16:34

Porque é esse o momento, né? Todo mundo com pressa de resolver tudo rápido. O YouTube começou a testar, inclusive, duas novas funções para os usuários premium só no Android. Um se chama On The Go, que detecta quando a pessoa está andando, correndo e reorganiza a interface para facilitar o consumo enquanto você está andando, com os botões maiores, mais simplificados. E a outra chama Auto Speed.

16:57

que acelera de maneira automática vários trechos do vídeo para que o usuário consiga terminar de assistir o mais rápido possível sem perder a compreensão. Uma espécie de resumo, então você já vai assistindo querendo acabar, porque não faz muito sentido. Eu vou deixar para newsletter também, dessa quinta-feira, três reportagens falando sobre como esses dumb phones, os telefones burros estão ganhando espaço e as pessoas querendo usar mais. Já virou uma indústria de mais de dois bilhões de dólares.

17:24

Muita gente não esperava que isso fosse acontecendo em épocas de smartphone, mas o Light Phone 3, por exemplo, é um celular bem minimalista, que não tem nenhuma App Store, tem nada disso lá dentro, não tem rede social, não tem notificação. O objetivo dele é ser seco para você usar mesmo telefone, foto, câmera, ouvir podcast, alarme e chamar Uber. E a terceira versão desse Light Phone parece que agora realmente emplacou.

17:47

E aí tem um vídeo no YouTube falando exatamente sobre essa indústria e também uma outra matéria sobre o Clix Communicator, que é um aparelho que serve como segundo telefone, que só tem aplicativo de comunicação. Pra mim é um pesadelo, que é o que mais toma tempo no celular pra mim. Mas lá tem WhatsApp, Slack, Gmail, então você fica com uma coisa isolada no seu aparelho, né? Um outro telefone, um outro aparelho só com as questões de comunicação, que acabam sendo mais usadas para trabalho.

18:14

Então, essa tendência está pegando muito, eu vou botar esses três links e comentar melhor na newsletter. Não deixe de assinar. www.resumido.cc/assinatura. Eu juro que eu não estou fazendo isso só para você assinar a newsletter, é porque eu estou percebendo que o episódio vai ficar longo demais se eu não der uma quebrada nos assuntos. E eu acho que vai ser mais legal você clicar e ver lá com calma do que eu falar correndo aqui. Uma das grandes preocupações que alguns pais nos Estados Unidos têm em relação a restringir telefone nas escolas é no caso de haver um tiroteio, a criança não conseguir se comunicar.

18:44

Embora vários especialistas dizem que isso é uma péssima ideia, porque se ela ficar distraída com o telefone vai acabar não prestando atenção nas instruções. E aí, uma das soluções que está aparecendo são drones. Uma matéria do Wall Street Journal falou sobre a startup Mithril Defense, que está implementando drones de segurança nas escolas dos Estados Unidos, por enquanto na Flórida e na Geórgia, com o objetivo de responder esses ataques mais rápido do que a polícia.

19:10

Os drones chegam a voar a 160 km por hora, ficam armazenados no teto da escola e são acionados remotamente lá do Texas. E aí eles podem entrar na sala, emitir luz, som, disparar sprays de pimenta, tudo para tentar neutralizar os atiradores. O sistema custa cerca de 8 dólares por aluno por mês, já recebeu financiamento público de mais de 500 mil dólares em cada um dos estados e funciona em cima de mapa 3D da escola feito com tecnologia de videogame, a mesma do Fortnite, para essa navegação em tempo real.

19:40

Os operadores conseguiriam enxergar o colégio como se fosse um jogo. Ouvindo, parece uma boa ideia, porque é uma forma rápida de chegar até o atirador sem ninguém estar em risco, talvez neutralizar. Não sei se vai funcionar ou não. Ideal era não ter os atiradores, né? Mas já tem críticos alertando para os riscos, né? O uso excessivo de força, ataques cibernéticos, desvio de recursos que poderiam ir para a saúde mental para prevenir os ataques. Então, falando que você está tratando o sintoma com a tecnologia militar, o que não parece ser exatamente a solução.

20:10

Mas a lógica cultural por trás disso tudo é que as escolas já começam a incorporar infraestrutura de guerra no cotidiano. Já tem muita escola com detector de metal na entrada, tem treinamento para as crianças sobre como se comportar, no caso de um tiroteio que por si só já é super pesado. E assim o ambiente educacional vai virando mais um espaço de vigilância e de resposta armada. Então, ao tentar proteger as crianças dessa violência, pode estar transformando a escola nos cenários de guerra que são operados igual um videogame.

20:38

Normalmente, essas coisas que parecem muito boas à primeira vista têm muitas outras questões por trás. E agora, falando de adultos, o Gardner falou sobre moradores de Rosedale, que é um dos bairros mais ricos de Toronto, que estão discutindo a criação da primeira comunidade fechada virtual do Canadá. Eles querem usar câmera com IA para monitorar todos os carros que entram e saem dessa região. E aí, esse sistema seria operado pela empresa americana Flock, é especializada em leitura automática de placas.

21:07

E isso tudo como uma resposta ao aumento de invasões à residência e a roubos no bairro. Mais vigilância como solução de segurança. E o medo de alguns moradores é transformar o bairro num espaço que vai estar constantemente monitorado pela bagatela de 200 dólares canadenses por mês para conseguir financiar essa quantidade de câmeras para ficar escaneando placa de carro. Lendo essa história, parece que estão disfarçando a verdadeira intenção, porque esse investimento todo para ler placa de carro, isso aí vai ser o suficiente para…

21:36

diminuir o número de assalto, de invasão domiciliar, está parecendo uma grande desculpa para botar mais câmera na cidade e vigiar todo mundo. Mas assim caminha, né? Cada vez mais vigilância. Não tem nem muito pra onde correr. Tem usos muito positivos, mas uns usos que não são muito explicados e sempre fazem pensar qual é o limite.

21:59

Agora é o momento de explorar as transformações causadas pelas inteligências artificiais.

22:10

A Bloomberg falou que a era do FOMO de IA já chegou. A reportagem fala do surgimento dessa forma de ansiedade que está ligada à inteligência artificial, que é esse medo que você deve conhecer, porque todo mundo está passando por isso, parece.

22:32

de ficar para trás enquanto as outras pessoas parecem que usando agentes, copilotos, sistema automatizado, tudo para organizar a própria vida, para ser mais produtivo. E a sensação não é só de você estar perdendo uma tendência, de você estar se tornando obsoleto. Eu falo isso aqui bastante, nessa pressão por produtividade e essas soluções que as pessoas dizem que fizeram, que automatizaram isso, aquilo ou outro, e que eu tenho sérias dúvidas se fez isso tudo mesmo, se realmente resolveu muita coisa da vida, se só está…

23:02

criando mais uma camada, mais uma tarefa para cumprir e organizar esse monte de bot. E as pessoas andam tão cansadas dessa pressão que sendo gerada pela IA, principalmente pelas próprias empresas de IA, que ficam empurrando essa urgência, que o artigo da The New Yorker sobre o Sam Altman acabou viralizando justamente por esse cansaço coletivo. O nome do artigo é Sam Altman pode controlar o futuro. Podemos confiar nele?

23:31

A reportagem é enorme, foi feita pelo Ronan Farrow e pelo Andrew Marantz, entrevistou muita gente que trabalha ou convive diretamente com o Sam Altman para tentar responder a pergunta se ele é uma pessoa confiável. Inclusive, conseguiu acesso a vários documentos que ninguém nunca tinha visto, eram os documentos que foram enviados pelo Ilya Sutskever para outros membros do conselho da Sam Altman quando ele foi derrubado. A Sam Altman chegou a ser tirado do poder na OpenAI, depois retomou o poder.

24:01

e esses documentos descreviam Altman como alguém com um padrão consistente de mentiras. E aí o artigo conta várias histórias como essa de pessoas próximas dele dizendo que ele tem essa tendência a mentir, não mede o que isso pode causar, as próprias mentiras dele, e vários funcionários consideraram ele ou classificaram ele como sociopata. Outra observação que me chamou a atenção da reportagem é que várias pessoas dizem que ele nem sabe tanto de inteligência artificial.

24:29

que ele se embanana com conceitos bem básicos, que ele não é um desenvolvedor muito bom, ele é um cara de tocar negócio, mas se vende como esse gênio de IA e consegue levando todo mundo, que é aquilo muito parecido do Elon Musk, né? Eu tenho sérias dúvidas de quão genial esse cara de fato é, ou quanto que ele é insistente, que ele consegue vender uma ideia, captar os recursos para executar visão dele contratando as pessoas que de fato sabem fazer, porque tem o seu mérito, obviamente, mas me parece que é o caso dele também.

24:58

Várias das críticas também falam dele ter deixado de priorizar a proteção, o alinhamento do ChatGPT para focar em produto, em escala, em receita. É bom lembrar que a OpenAI era uma empresa sem fins lucrativos e virou. E uma empresa que está à beira de ser listada na bolsa para tentar faturar o máximo possível com isso tudo. E aí muitos veículos repercutiram nessa matéria, o Futurism focou muito nessa questão dele ser considerado sociopata.

25:24

E como ele uma pessoa que não tem compromisso com a verdade, as pessoas próximas falaram muito sobre como ele distorce, renegocia, descumpre acordo, ele diz que esqueceu coisas que ele mesmo falou, às vezes por escrito, vai mudando de acordo com os interesses dele. E a Ars Technica resumiu tudo numa frase que é, o problema é o Sam Altman. Esse é o resumo que eles fizeram sobre tudo que foi dito sobre ele. Esse artigo repercutiu demais.

25:52

E uma das consequências dele foi que uma pessoa radicalizou e jogou um coquetel molotov na casa do Sam Altman. Uma pessoa já foi presa e isso mostra como as coisas estão inflamadas. Alguém chegar a esse ponto. Sam Altman, pra tentar demover as pessoas de novos ataques, publicou uma foto dele, do marido e do filho, dizendo que dentro daquela casa tem uma criança que poderia ter se machucado seriamente numa coisa dessa e que isso não é forma de avançar ou conseguir nenhuma mudança desejada. No que eu concordo com ele?

26:21

Só que, por outro lado, então, ele precisa abrir aí o caminho, abrir a possibilidade de frear muito do que ele está propondo ou mesmo fazendo, né? Porque não adianta ele pedir pra todo mundo manter a calma enquanto ele sai atropelando todas as questões de segurança atrás de lucro sem parar. De novo, não estou justificando o ataque, eu só estou mostrando que ele também não está fazendo a parte dele. O que ele faz é continuar com esse discurso assustador de que a IA é inevitável.

26:48

e que a gente precisa dar mais poder para as empresas como a dele para conseguir que essas coisas se desenrolem de maneira positiva. Inclusive, ele escreveu um texto e publicou falando que a inteligência artificial está avançando tão rápido que os Estados Unidos vão precisar de uma espécie de novo contrato social para poder lidar com o desemprego, desigualdade, risco, segurança. E aí, ao mesmo tempo que a OpenAI acelera a corrida pela superinteligência, eles também tentam se posicionar como responsáveis, preocupados.

27:17

de olho nos impactos econômicos, políticos, que eles próprios vão causar, ou podem causar. O que é o mais louco dessa discussão toda para mim, porque fala-se de consequências inevitáveis como se o desenvolvimento da IA fosse inevitável. E não é bem assim. Ele pode ser evitado, ele pode ser contido, ele pode ser regulado. Vou falar mais disso no bloco de Big Tech, numa história sobre Anthropic, que fala justamente sobre isso.

27:43

E aí é sempre bom lembrar que esses discursos todos, os laboratórios de IA tem sempre essa camada financeira do lucro por trás. A OpenAI está aí às vésperas de fazer o seu IPO, né, que lançar as ações na bolsa, e por isso está tentando criar um ambiente positivo para a empresa. Mas a verdade é que a diretora financeira da OpenAI tem sérias preocupações sobre esse IPO.

28:04

Ela diz que não sabe se a OpenAI está preparada como organização para um IPO tão rápido. Essa empresa precisa mesmo gastar esses 600 bilhões de dólares em servidores e data centers nos próximos cinco anos, porque esse é mais ou menos o cenário da discussão. Precisa de mais data center, mais servidor, mais chips para poder chegar onde eles querem. Só que acontece que talvez essa conta nem feche. É tanto gasto que você talvez não gere receita suficiente para justificar esses gastos. Eu acho que o mito da diretora financeira é justamente esse.

28:34

E faz sentido ela estar preocupada porque muitas das limitações das ferramentas de IA estão ficando cada vez mais aparentes. O New York Times fez uma reportagem analisando os resultados dos resumos automáticos do Google, o tal do AI Overview. Aquela resposta que vem automática quando você faz uma pergunta no Google, em vez de ver o link, ele já te dá uma resposta objetiva sobre o que você perguntou, trazendo informações de diversos lugares. Só que apesar de acertar na maior parte das vezes, esses resumos do Google erram muito.

29:04

Um em cada dez dos resumos tem erros bem graves, o que parece pouco, né? Uma taxa de acerto de 90% é bem alta, só que você tem que lembrar que o Google processa mais de cinco trilhões de buscas por ano. Então, um erro que parece relativamente baixo pode significar milhões de respostas erradas por hora. E você não sabe quem está recebendo isso, nem que resposta errada foi essa, com que consequência. Então, isso é um problema grande, só que as ferramentas estão sendo implementadas e distribuídas de qualquer forma.

29:34

desse jeito mesmo, e muita gente às vezes nem sabe que pode estar recebendo a resposta errada, sequer questiona. Um dos exemplos de reportagem é uma busca sobre a morte do Hulk Hogan, é aquele lutador de luta livre muito famoso nos Estados Unidos, e o Google respondia que não tinha relatos confiáveis da morte dele, só que logo abaixo, quando tem os links listados, tinha uma notícia dizendo exatamente contrário, confirmando que ele tinha morrido sim. Eu vi também um post no Twitter sobre um paper da Apple

30:03

que mostrou os limites do raciocínio matemático das LLMs. Esse estudo é de 2025 e os pesquisadores da Apple testaram a capacidade dos modelos de linguagem resolverem problemas matemáticos simples. E o que aconteceu não foi só errar a matemática, é que esses modelos erram na lógica escolar mesmo, quando uma questão ganha qualquer detalhe relevante.

30:24

Então, o que esse estudo mostrou é que esses modelos não entendem o problema de fato, eles só reconhecem os padrões e tentam aplicar as operações que fazem parecer sentido. Por exemplo, os pesquisadores fizeram umas alterações super simples, eles trocavam os números dos problemas mantendo a mesma lógica, mesmo assim a performance do modelo caiu. Depois eles adicionavam alguma frase irrelevante no enunciado, irrelevante do ponto de vista matemático, uma coisa que qualquer humano ignoraria imediatamente, porque não muda a conta, mas para a IA isso virou um grande problema.

30:53

Eles deram um exemplo, era o menino que colhe maçã na sexta, no sábado e no domingo. E aí depois eles botaram uma frase extra e dizia que cinco dessas maçãs eram menores que a média. Isso não queria dizer nada com a quantidade total que era colhida, era completamente irrelevante. Mas esses modelos acabaram subtraindo cinco maçãs da conta final, porque ao ler menor que a média, ele relacionou com uma subtração. Sendo menor…

31:18

Algo foi subtraído, logo isso é uma subtração e tirou cinco da conta. Isso aconteceu repetidas vezes. Alguns dos modelos caíram 65% em desempenho quando esse tipo de alteração no problema foi apresentado. Isso mostra como é frágil, e como está muito mais apoiado em questões de padronização. Como, na verdade, esses modelos seguem um padrão e tiram uma conclusão a partir dali, não estão exatamente pensando como os laboratórios gostam tanto de falar e vender pra gente.

31:46

E uma das coisas que os laboratórios falam também é que o uso da IA pode aumentar a produtividade. Só que um artigo da Harvard Business Review falou que, apesar de sim aumentar a produtividade no curto prazo, não vou nem falar aqui do burnout e de como isso aumenta com as lidas de tarefas, mas isso também pode reduzir a inovação no longo prazo. Porque é o seguinte, quando você começa a receber resposta boa o suficiente, de maneira barata, instantânea,

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menos gente vai fazer o trabalho difícil de investigar, de testar hipóteses, de experimentar, de descobrir algo realmente novo. Vai ficar todo mundo recebendo as mesmas respostas, respostas medianas, literalmente, respostas que vêm de uma média, e com isso todo mundo vai sossegando com soluções que são boas o suficiente, e não exatamente a melhor solução. O artigo cita também pesquisas anteriores que mostraram que quando cientistas tiveram acesso fácil às soluções intermediárias, uns dos outros,

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eles passaram a refinar os caminhos existentes em vez de lá testar uma alternativa nova. Então, os autores falaram que isso é uma espécie de armadilha da produtividade. O trabalho vai ficando mais rápido, mas a inovação vai achatando. E aí, as pessoas vão perdendo essa habilidade de avaliar, de adaptar, de criticar, de melhorar uma ideia em vez de só copiar a média. E aí, a solução apontada pelo artigo é criar uma fricção estratégica. Já falei bastante aqui no RESUMIDO sobre atrito, sobre como a falta de atrito em vários processos

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acaba causando muitos problemas. E essa proposta da fricção estratégica passa por isso, que em vez de deixar a IA entregar a resposta pronta imediatamente, essas empresas deveriam exigir algum esforço humano antes. Por exemplo, pedir com o funcionário apresente uma hipótese inicial, uma tentativa própria, antes de ele ir lá direto consultar IA. Parecido com o que eu falei no episódio 358, quando eu voltei de viagem, sobre os mapas em Nova York. A gente vai delegando as coisas, esquece de parar para pensar coisas que são até fáceis de pensar.

33:42

O artigo cita também os três tipos de usuário, o Centauro, que é aquele que mantém o controle humano, o Ciborgue, que é aquele que colabora de maneira crítica com a IA, e os auto-automatizadores que entregam tudo para a IA e acabam desapreendendo. Então, o risco aí não é só a IA eliminar os empregos, é acabar transformando os trabalhadores em consumidores passivos de resposta pronta. Parece meio óbvio, né? Você ouvindo, assim, sobre um estúdio, eu acho que é uma coisa para tomar muito cuidado mesmo.

34:09

E eu vi um vídeo no Twitter do usuário chamado mo, que tem postado coisas bem legais por lá. Eu sempre falo isso, né? O Twitter é um grande lixão, como todo mundo fala, mas se você fizer uma boa curadoria de quem você está seguindo, vira ali uma espécie de RSS feed onde você fica vendo coisas que você escolheu ver e que muitas vezes são boas. E ele falou sobre como consultoria, governo, empresa estão tratando a IA como inteligência real quando, na verdade, tem vários defeitos.

34:37

Ele dá um exemplo do caso da Deloitte, que recebeu do governo australiano 290 mil dólares para fazer um relatório de bem-estar, mas é um pesquisador que lá verificar as citações de documentos e descobriu que várias delas nem existiam. Um monte de estudo inventado, referência falsa, um monte de frase atribuída a pessoas que nunca disseram nada daquilo. Então a gente fala muito, né, da IA vendo tirar nossos trabalhos, mas a verdade é que ainda está com bastante dificuldade de fazer isso, ainda bem. Talvez seja nossa chance, porque pode ser que isso mude.

35:07

Então é a hora da gente fincar o pé, fazer a nossa parte e estar sempre atento no que a IA pode de fato entregar, porque pode entregar e saber tirar o melhor proveito disso sem cair na armadilha de entregar o seu raciocínio todo para uma máquina nem tão confiável assim.

35:28

E agora é hora de falar sobre como as Big Tech moldam nosso comportamento.

35:40

Eu que nós acreditamos a AGI. Não é uma questão de que a Aclaw foi capaz de criar um app uma app interessante, que de repente, alguns bilhões pessoas usaram por 50 centavos. Nós vimos um monte desses tipos companhias durante a era e a desses websites não eram nada mais sofisticados do o Aclaw poderia gerar hoje.

36:10

Você acabou de ouvir o CEO da Nvidia, Jensen Huang, falando que a AGI para ele, a super inteligência, já está aqui. E semana passada, um acontecimento parou a indústria da inteligência artificial, talvez o maior acontecimento dos últimos anos, ou a maior notícia dos últimos anos, de que a Anthropic segurou um modelo ultra avançado pelo medo de uso em ataques cibernéticos. Supostamente, a Anthropic decidiu não liberar

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o modelo novo chamado Claude Mythos, pelo medo dele ser poderoso demais para encontrar vulnerabilidade em software de sistemas críticos. Segundo a própria Anthropic, o modelo é tão eficiente que seria impossível ou irresponsável lançar ele agora sem que as principais empresas, os principais afetados por um ataque cibernético desses tivessem a chance de aprender antes e tentar se proteger.

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Por isso, eles liberaram esse modelo só para algumas empresas, para elas poderem estudar e conseguirem evitar os ataques. É curioso, né? Porque eles criam um modelo de IA que é superpoderoso e pode acabar com a internet ou com tudo que eles estão falando. Em vez de pensar se isso é uma boa ideia lançar e não lançar, eles dão só um adiantamento para a galera. Vocês podem testar antes, vocês veem como é que você lida com isso, mas eu vou lançar.

37:32

Entre as argumentações deles para provar que esse sistema é tão eficiente assim, que não é puro marketing mais uma vez, terrorismo, para todo mundo achar que a IA é inevitável, é que esse modelo conseguiu identificar falhas e vulnerabilidades em programas que são monitorados ano após ano, mas que permaneceram lá por 27 anos sem ninguém detectar. Então, isso seria uma evidência de que esse sistema é tão poderoso assim.

37:57

Esse debate aparece num momento que toda infraestrutura crítica do mundo depende de algum software. Água, energia, aeroporto, transporte, telecomunicação, banco, o que não usa software hoje em dia? Então, o medo é que os ataques que antes estariam restritos a grandes governos, agências de inteligência, corporações, passem a ser tão baratos e tão acessíveis que qualquer um possa executar isso. Então, o colunista Thomas Friedman…

38:22

na CNN falou que isso seria como colocar uma bazuca nuclear na mão de qualquer pessoa com acesso ao computador. Ele faz inclusive no texto essa comparação, o surgimento dessas ferramentas de IA com o surgimento das armas nucleares e que isso aí pode exigir acordos parecidos com a convenção para a não proliferação de armas nucleares. E outra notícia da semana passada em paralelo a essa é que a Anthropic chegou a 30 bilhões de dólares em receita anual recorrente e que com isso ultrapassou a OpenAI em termos de receita.

38:50

É um salto gigantesco, eles chegaram a 30 bilhões de dólares em 2026, eles tinham 9 bilhões de dólares registrados no fim de 2025, e isso aí está muito relacionado com o uso corporativo das ferramentas de Anthropic, eles focaram nisso. A OpenAI foca no usuário individual e a Anthropic foca nesse uso corporativo que tem sido muito mais lucrativo. Eles dizem que tem mais de 500 clientes corporativos que gastam mais de 1 milhão de dólares por ano.

39:18

e que agora esse número já chegou a mil clientes, fevereiro pra cá, dobrou. Isso aí quer dizer duas coisas, né? Primeiro, que a estratégia da Anthropic está funcionando muito bem, segundo, que a OpenAI pode estar super valorizada. Porque se mesmo com essa receita a Anthropic vale cerca de 380 bilhões de dólares, como é que a OpenAI foi avaliada em 852 bilhões de dólares? Esse tipo de discrepância, ó… cheirinho de bolha no ar. Vamos ver se ela estoura mesmo.

39:46

Agora, voltando ao Claude Mythos, realmente parou a indústria, muita gente discutindo sobre isso, o quanto que é verdade, o quanto que não é verdade, pra ficar assustado ou não. Já tem uma outra discussão sobre criptografia rolando, né? Que em breve a criptografia vai ser completamente quebrada pelos computadores quânticos, isso aí, inclusive, poderia significar o fim das criptomoedas, da criptografia como um todo, né? Mas falando aqui especificamente de…

40:12

de reflexos financeiros do fim da criptografia, mas também de todas as senhas. Ninguém mais estaria seguro quando a criptografia conseguisse quebrar qualquer senha. E hoje essa previsão é para 2030, o que não daria tempo suficiente para se preparar. Se quatro anos não dá tempo para se preparar para a crise da criptografia, é difícil imaginar que uma ferramenta vendida, como o Claude Mythos está sendo, é capaz de ser mitigada, o estrago ser evitável em muito menos tempo do que isso.

40:41

E também faz pensar se eles estão com esse problema todo, não veem a solução então. Porque a impressão é que eles vão lançar uma espécie de supervírus que vai transformar todos os sites que a gente conhece, todas as ferramentas em algo completamente vulnerável. E talvez só eles tenham a resposta para isso com próprio sistema gerando uma solução. Só que nem todo mundo comprou essa narrativa. O Gary Marcus, que eu tenho citado bastante por aqui, fez uma análise desse cenário e ele falou que talvez não seja tão perigoso quanto parece.

41:09

Ele citou a falta de benchmark, comparações independentes, transparência sobre as condições dos testes que a própria Anthropic rodou. Também levantou que esses cenários de teste podem ser muito controlados e acabam não representando o mundo real tão bem. Mas também que o fato desse modelo não ser AGI, não ser tão superpoderoso como está sendo vendido, não significa que ele seja inofensivo, porque a IA já consegue causar dano.

41:33

sem precisar ser super inteligente. Pode ser espalhando desinformação, gerando dependência psicológica, automatizando ataque. Então maior problema hoje é político. A decisão sobre liberar ou não sistema poderoso depende basicamente da vontade do CEO de uma empresa privada. Isso deveria ser uma questão de governos, mas não é assim que a gente está vendo. A gente está dependendo da cautela de meia dúzia de CEOs. A hora que a resolver lançar por conta própria, o que será que vai acontecer?

41:59

E aí, alguns dias depois, a Anthropic fez justamente isso, anunciou o projeto Glasswing, que é um consórcio com mais de 45 empresas e outras organizações para testar os riscos desse Claude Mythos preview antes de um lançamento mais amplo. Sempre me chama a atenção porque não se fala em evitar o lançamento. É um… Antes do lançamento, mas não é interromper o lançamento. Então a ideia, como eu falei, é dar tempo para essas grandes empresas de tech conseguirem ter uma infraestrutura e conseguir entender esses modelos mais avançados para poder…

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implementar alguma segurança digital. Entre as empresas que estão no consórcio estão a Apple, Google, Microsoft, Amazon Web Services, Nvidia, Cisco, Broadcom, Linux Foundation, todas com acesso privado ao Mythos Preview, que também é parte dessa falta de transparência. Se só estão eles lá vendo isso, cadê os cientistas, os estudiosos para poder também analisar as falhas, o poder e o que é verdade nisso tudo, poder fazer as suas críticas?

42:55

E aí o argumento da Anthropic é que o problema não é só o Mythos, que todos os laboratórios estão caminhando para algum modelo parecido com esse nos próximos meses, nos próximos anos, então eles querem usar uma lógica parecida com essa divulgação coordenada de vulnerabilidade. Primeiro avisar os defensores, dar tempo para corrigir os problemas, antes que essas capacidades se espalhem. Mas chama atenção o fato que o Google, a Microsoft aceitaram colaborar com Anthropic, que mesmo que estejam disputando o mesmo mercado.

43:23

Além do Gary Marcus, tem outras pessoas criticando esse anúncio do Mythos. Um deles é o Om Patel, no X, que falou de um estudo de alguém que mediu o quão mais burro o Claude tá. E a resposta é 67%. Desde que eles lançaram modelos supostamente mais poderosos, a capacidade e o nível de acerto dessas ferramentas tem caído muito, chegando a cair 67%. Ou seja, enquanto a gente fica preso aqui…

43:49

Com os modelos ultra limitados, essas empresas estão tendo acesso a um supermodelo, vão preparar coisas enquanto o resto do planeta está aqui na beirada esperando as chances de poder mexer. Pro bem e pro mal, e também fiquei sabendo através do Twitter do projeto chamado ArcAGI3 com benchmark criado para medir a inteligência agêntica, ou seja, a capacidade de um sistema agir, testar, resolver os problemas em ambientes interativos. Aí tem vários critérios lá, o…

44:16

do que significa atingir um nível humano e um deles é que essa inteligência agêntica tem que acertar de primeira sem treino, sem nenhuma instrução prévia, exatamente como os humanos que foram testados no experimento. O projeto tem um histórico bom e virou um termômetro da indústria porque os últimos saltos que marcaram o momento chave como esse avanço a raciocínio em 2024 e os agentes de código em 2025 apareceram primeiro nessa espécie de termômetro.

44:43

ele vai testando, fazendo os testes, e quando tem um salto muito grande no teste que eles estão fazendo, significa que alguma mudança estrutural real na capacidade das IAs está aparecendo. Então, eles acham que a AGI, quando aparecer, vai aparecer lá no sistema deles antes. Pelo menos a gente não toma um susto, porque não sei se vai ter um app, igual que eu comentei do filme, avisando do susto antes. Porque até aqui a gente tem sido surpreendido. Quando a notícia chega, o avanço já está estabelecido.

45:13

Então talvez ferramentas como o ArcAGI3 sejam importantes para gente, pelo menos, ser alertado antes da transformação acontecer.

45:25

Hora de relaxar com as dicas de ver, ler e ouvir.

45:33

A mentalidade foi que precisamos nos melhorar de vez em quando. Se eliminarmos erros que cometemos ontem e não os fazermos próximo sábado, temos uma melhor chance de ganhar. Então a mentalidade na sala foi que o erro é um presente. John McNeil passou pela Tesla numa época que a empresa quase implodiu. Ele viu o Elon Musk operar bem de pertinho e saiu de lá com um framework que ele chama de o algoritmo. São cinco etapas que basicamente mandam você questionar tudo.

46:02

deletar o máximo possível e só então otimizar alguma coisa. E agora ele lançou um livro chamado The Algorithm, é o tipo de coisa que circula muito entre fundadores e que vai acabar dividindo opinião. Tem gente que vai ler como um manual prático de eficiência radical e tem gente que vai ver como uma mitologia corporativa em torno de um personagem que hoje é no mínimo controverso. O dado mais honesto do livro talvez seja esse, o método funcionou, mas o contexto importa tanto quanto a metodologia.

46:31

O novo documentário do genial Louis Theroux na Netflix, Inside the Manosphere, Dentro da Macho Esfera,

46:48

funciona melhor como estudo de personagem do que como um diagnóstico cultural. Para isso, ele passa um tempo com um monte de criador Red Pill e chegou a uma conclusão incômoda, porque pouco importa ser performance ou ser uma crença sincera desses grandes influenciadores da macho esfera, porque o efeito na cultura é o mesmo e é real.

47:08

E aí a frase que ficou foi essa, dita por ele na resenha, que é o detalhe que diz mais sobre o ecossistema é outro. E o exemplo disso é que os próprios influenciadores que são mostrados no documentário cliparam lá os melhores momentos do documentário e redistribuíram nas suas próprias redes. E nessa a Netflix acabou virando uma plataforma de lançamento para a mesma ideologia que o documentário estava tentando examinar.

47:38

Olha, eu ando muito nostálgico dos anos 2000, 2010, das bandas, da cena, do clima. E aí nessa os Strokes anunciam Reality Awaits, primeiro disco deles em seis anos, produzido pelo Rick Rubin, mesmo que produziu The New Abnormal, e já lançaram um single, Going Shopping, isso aí que você está ouvindo, e que saiu primeiro em fita cassete só para 100 fãs um dia antes do streaming.

48:04

É um gesto pequeno, mas diz aí um pouco sobre como a banda sempre operou nessa tensão entre o culto e o compromissado, a consciência total da própria imagem. O disco chega dia 26 de junho, justo na temporada de festivais, já passaram pelo Coachella e devem passar aqui pelo Brasil. Os Watson que eles vão tocar no Primavera Sound no final do ano. Tomara! Nesse episódio você ficou sabendo que o detox curto já reverte danos cognitivos do uso excessivo de redes,

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que adolescentes portugueses estão trocando smartphones por celulares de teclas, que drones podem patrulhar escolas americanas contra tiroteios, que fontes internas da OpenAI descrevem o CEO como sociopata, que Meta YouTube e Snap estão tentando fugir do rótulo de rede social para escapar da regulação, que o Claude Mythos foi considerado poderoso demais pelo lançamento comercial, que Anthropic ultrapassou OpenAI em receita, que o Google erra uma em cada dez respostas com IA e muito mais.

49:02

Se você gosta do RESUMIDO, você pode ajudar divulgando, recomendando para os seus amigos, sua família, para os seus colegas de trabalho. É muito importante, só assim o RESUMIDO chega e mais gente. Você também pode ajudar curtindo, assinando, seguindo, dando cinco estrelinhas e deixando uma resenha na plataforma que você estiver escutando esse episódio agora. E se você escutou o episódio até aqui e quer provar que ouviu tudo, a palavra secreta da semana é tijolão. Só você comentar lá que eu vou saber que você ouviu até o fim.

49:32
O RESUMIDO é produzido e apresentado por mim, Bruno Natal

O roteiro é escrito por mim e pelo Agenor Neto

O Cauê Marques co-edita a newsletter O Futuro Explicado e as redes sociais, que contam com animações do Peri Semmelmann e design do Felipe Araújo

A edição e mixagem é feita pelo Hugo Rocha da Usina Sons

A foto da capa é do Jorge Bispo

E o tema original foi composto por Gustavo Silveira

Sou o Bruno Natal, obrigado pela audiência e semana que vem tem mais RESUMIDO!