
Existem muitos tipos de amizade. A de infância, a colorida, à distância, a virtual e agora as IAs acabam de colocar outro item nessa lista: as sintéticas.
Na primeira edição da newsletter do RESUMIDO, falei sobre o uso e o impacto das tecnologias de chatbots de inteligência artificial no ramo da psicologia para auxiliar pessoas com seus processos mentais. Hoje enveredamos por outro caminho, não tão distante: e se o futuro das amizades e relacionamentos também for através das IA?
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Um repórter do New York Times colocou isso à prova e criou um grupo de amizades sintéticas com as quais se relacionou por um mês. Eram vários perfis diferente, um esportista que dá dicas de como se exercitar, um terapeuta que ajuda com conversas difíceis e outra que trabalha como assistente social e entende muito sobre o cotidiano das pessoas. Como na vida real, os tipos de amigos criados pelo repórter e a maneira como eles interagiam com ele (e entre si) sofriam a influência de humor (bom ou mal), vida profissional, personalidade, vontades.
Onde os perfis criados se distanciaram da vida real foi quando os bots respondiam alguma interação com repostas como “sou uma IA e não posso falar sobre isso”, quebrando o encanto. E diferente do seu amigo que pode recusar um encontro, a disponibilidade da IA é sempre de 100%.
Por outro lado, eles ainda precisam de algum ajuste… social. Nas palavras do próprio repórter, a experiência pareceu muito com “jogar The Sims” e, dependendo de como eram criados, muitas das amizades virtuais pareciam estar presas na adolescência.
Muitos dos criadores de apps que usam a IA para relacionamentos parecem estar presos na adolescência também.
Lançado em Maio, o aplicativo AngryGF simula situações em que uma garota está decepcionada ou irritada por algum motivo (um atraso para um encontro, por exemplo) e o usuário deve acalmá-la (pois é). A proposta do aplicativo é que o usuário aprenda a lidar com as frustrações de um relacionamento e também como contornar essas situações. Como descreve esta reportagem do Indepent, o aplicativo é machista em muitos níveis, reforçando que determinados comportamentos podem ser encarados como um jogo, dependendo de quem participa.
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Mas, para não dizer que tudo está perdido, há usos de inteligência artificial que são direcionados para o que interessa: poupar tempo e encontrar alguém especial. Bumble e Tinder, dois gigantes dos apps de relacionamentos, já usam tecnologias de IA para ajudar os algoritmos a entregar sugestões de parceiros ideais.
A própria fundadora do Bumble, Whitney Wolfe, disse que o futuro dos encontros onlines é você colocar a sua IA para “sair“ com outras IAs e só então receber uma recomendação de quem encontrar no mundo físico.
São tantas possibilidades nesse campo que e tudo indica que, em breve, ter uma relação sintética será comum.