Transcrição
Transcrição EP. #370
(transcrição gerada automaticamente, pode haver falhas)
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Olá, eu sou o Bruno Natal, hoje é dia 30 de junho e no RESUMIDO #370: Devagar que tô com pressa, seu chefe conta seus tokens, wearable lê emoções, todo óculos quer te vigiar, chatbot te deixa mais burro, homem é preso por planejar morte do filho no ChatGPT, PlayStation deleta filmes de usuários, big tech compra estúdio de cinema e muito mais!
Vamos nessa, RESUMIDO!
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Olá, Resumista! Esse é o RESUMIDO, um podcast sobre cultura digital e o impacto da tecnologia em todos os aspectos das nossas vidas. Segue o clima de copa. Esses dias eu vi um projeto que eu achei bonitão, que é uma fotógrafa que está tirando fotos dos jogos, mas na verdade, sem estar nos jogos. Ela está tirando foto da tela da televisão. E aí, explora essa coisa pixelada, umas imagens fora de foco, também explorando outros enquadramentos, corrupando as imagens.
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E aí eu mandei para alguns amigos fotógrafos e um deles, o Jorge Bispo, que fez a foto da capa do RESUMIDO, comentou que já outros fotógrafos já tinham feito isso antes. Aí eu fiquei pensando, tantos narradores narram a copa de um estúdio aqui no Brasil e isso conta como participar da copa? Será que fotografar à distância assim também é? Será que é por isso que tanta gente faz? Sei lá. Outra coisa que aconteceu essa semana que parece quase premonição…
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é que o PlayStation anunciou que vai deletar mais de 500 filmes que os usuários tinham comprado para ter no seu PlayStation e assistir quando quisessem. Entre eles estão Apocalipse Sinal, Exterminador do Futuro 2, e aí é aquilo que vem sendo dito há muito tempo, se você compra um arquivo digital e o acesso é vstreaming, não está baixado na sua máquina, você não comprou, você alugou. E foi isso que aconteceu. As pessoas compraram filme para assistir,
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Enquanto quisessem, agora descobriram que vão perder acesso a esses filmes todos. Eu tenho certeza que isso vai gerar muito processo, a história promete render bastante. O motivo do fim do acesso a esses filmes é porque acabou o contrato de licenciamento entre a Sony e esses estúdios, mas o que os usuários têm a ver com isso? Como se você comprasse um livro, alguém fosse na sua casa e tirasse da prateleira e falasse que agora você não tem mais acesso a isso mesmo tendo pago. Mas aqui, no RESUMIDO, você paga e leva os assinantes.
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Tem acesso sempre aos episódios, apesar de estar em streaming, mas se você quiser eu mando pra você o MP3. Não tem problema nenhum. Vai estar sempre disponível no site do RESUMIDO, pelo menos. E, aliás, hora de agradecer aos novos assinantes do RESUMIDO que ajudam esse podcast a seguir adiante. Se você não fez a sua assinatura ainda, é só você ir em www.resumido.cc/assinatura e fazer a sua, são 20 reais por mês. Você ajuda o Financiário RESUMIDO, tem acesso à curadoria de links de cada episódio.
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a um grupo de WhatsApp só com os ouvintes assinantes. Então muito obrigado aos novos assinantes, Igor, Tel e Fran. O Fran fez pelo Pix, que aliás eu esqueço de falar disso aqui. Muitas pessoas fizeram pelo Pix, algumas inclusive pararam de contribuir, se for o seu caso, a volta. Mas é uma forma de pagar, muita gente não tem cartão, me chama a atenção isso, por opção mesmo. Então tem lá o pixbrunonatal.com.br, você pode fazer uma contribuição ou você pode fazer uma assinatura, eu só mando email pra esse mesmo.
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e-mail aí que é a chave Pix e a gente combina.
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Vamos de cultura digital e como nosso comportamento online ajuda a mudar a sociedade?
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estamos cada vez mais enfrentando fuga. Como é possível fazer o trabalho que você orgulhoso e não sentir que seu trabalho está encrochando em todas as partes da sua vida? Olha, eu ando muito cansado de falar de IA. Não sei se isso aqui é o melhor lugar para eu falar isso e para você ouvinte, mas é realmente assim, uma overdose do tema, né? Eu tento…
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escolher uma abordagem diferente, tentar analisar coisas além da ferramenta, das funcionalidades, das novidades sobre o novo modelo da semana e trazer aqui uma análise mais comportamental disso tudo, até em termos de sociedade. Mas o rapper Dilev ⚠️, a lenda brother do QuintoAndar, me mandou uma compilação que ele fez de uma rádio que ele ouve muito.
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com a quantidade de vezes que as pessoas falavam inteligência artificial ao longo da programação. realmente, o RESUMIDO começou em fevereiro de 2019. O primeiro episódio se chamava Deep Fake AI ⚠️. Não era nem IA, era AI ainda. Então, o início, desde o episódio 1, eu falo sobre inteligência artificial aqui no RESUMIDO. E de uns tempos para cá, realmente eu noto que esse assunto está em toda parte. Antes não estava, hoje em está em todo lugar.
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O que até me faz pensar às vezes, bom, será que esse assunto saturou? Será que eu tenho que falar de outra coisa? Mas acho que não, né? Porque só mostra que esse é o momento de falar mesmo. Muita gente chegando aí agora no assunto, então acho que talvez seja mais importante do que nunca. Mas isso também acaba gerando uma pressão interna, né? Eu me sinto na obrigação de entregar sempre mais e melhor pra você, ouvinte, principalmente pros assinantes também. E isso gera uma…
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demanda grande de leitura e às vezes dá uma canseira mesmo. Uma canseira não só da produção, uma canseira do tema. Às vezes eu fico com vontade de pensar em outra coisa. E aí nessa, navegando por aí, eu vi um vídeo de uma reportagem antiga que um ouvinte Bruno me enviou pelo Twitter, eu acho, que era sobre o MSN, aquele chat, em 2005. Ele já bem popular e a reportagem mostrava uma menina usando
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e falava, ela conversa com quatro amigas simultaneamente. E eu achei uma pérola isso. Primeiro, por considerar falar com quatro pessoas ao mesmo tempo num chat, como muita gente, e hoje em a gente sabe que a coisa está bem mais estourada que isso, e também pela frase mesmo, falando com quatro amigas simultaneamente. Ninguém fala com quatro pessoas, quatro assuntos diferentes simultaneamente, ou pelo menos não conversa, você fica ali falando.
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E ali eu acho que é o ovo da serpente, a gente começa a nesse espiral de hipercomunicação, hiperconectividade. Sexta-feira, hoje é domingo, eu estou gravando antes do jogo do Brasil. Segunda-feira é o dia de gravar normalmente, mas eu resolvi gravar hoje, domingo, porque amanhã um dia vai render também. Quero ver o jogo descompromissado. E na sexta-feira eu acordei cansado, como eu falei, com muita coisa para fazer.
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Tive que finalizar os roteiros do RESUMIDO Drops, é aquela versão mais curta do podcast, que sai às quintas. Aliás, se você não ouve ainda, convido a ouvir e depois me contar o que você achou. São temas específicos, assim, é um tema só, é mais curto, é legal pra compartilhar até, pra mandar pras pessoas, né. Às vezes me perguntam qual episódio indico? Falo, cara, é notícia da semana, é difícil dizer qual. Enfim, RESUMIDO Drops às vezes cumpre esse papel pra quem tá em mais preguiça de ouvir ou pra pessoa começar a ouvir, né, porque cinco minutos é mais fácil. Mas enfim.
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Na sexta-feira eu tava bem cansado, quando deu meio dia eu já tava com uma sensação de fadiga mesmo. Eu resolvi fazer um exercício e olhar no WhatsApp, no e-mail, com quantas pessoas eu já tinha falado aquele dia. E antes de meio dia eu já tinha falado com mais de 150 pessoas. Eu sei que sou absurdo esse número, mas é isso, é falar num grupo do Flamengo, em que tem 10 pessoas e 5 interagiram ali, se eu li que elas escreveram lá, eu…
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entre aspas, falei com essa pessoa. Então, sei lá, tem três grupos assim, tem quantidade de pessoas, você vai falando ao longo do dia, manda mensagem pra um, manda pro filho, manda pra família, manda pra um contato de trabalho, pra um outro trabalho que tá em andamento. E você vai falando por e-mail, respondendo, e realmente, cheguei a esse número absurdo demais, 150 pessoas, eu parei de contar, e fiquei pensando, como é que a gente chegou ao ponto de falar com 150 pessoas antes de meio-dia, e isso ser normal do nosso dia dia? Voltando ali, né, a reportagem do MSN que eu vi, que falava…
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como um número absurdo, quatro pessoas. É, hoje eu falo com 150. E o dia ainda está na metade. E eu não sei se porque esse tema está rondando a minha cabeça, primeiro foi esse vídeo do MSN, depois eu vou fazer essa contagem, e apareceu um vídeo para mim no YouTube do Cal Newport, que é um escritor e professor de ciência da computação da Georgetown University, que é bem conhecido por livros em que ele fala sobre trabalho, foco, produtividade na era digital, nessa realidade que a gente vive hoje.
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E o vídeo se chamava Faça Menos Coisas. Eu fui assistir um vídeo super curto de 6 minutos. Estava falando de burnout no trabalho intelectual, no trabalho do conhecimento. E aí a pergunta que ele fazia é, como é que você faz para você produzir alguma coisa que você se orgulhe sem você sentir que o trabalho invadiu a sua vida inteira? Porque é isso, hoje em dia a produtividade é você estar sempre visível. Respondendo email, aparecendo no Slack, postando no Instagram, escrevendo newsletter.
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falando com essas 150 pessoas, e o que o Cal Newport falou é isso na verdade é uma definição meio falha de produtividade. Porque hoje a gente acaba avaliado pelo quanto a gente parece ocupado. Antes, na época da manufatura, produtividade era uma coisa mais fácil de medir. Quantos carros, quantas peças, quantos produtos eram feitos por hora. E no trabalho intelectual, isso não funciona tão bem porque as pessoas vão lidando com várias tarefas ao mesmo tempo.
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E como a gente não sabe medir bem o valor real do trabalho, gente acaba criando um atalho ruim que é medir o que é visível do trabalho. E aí o Cal chama isso de pseudo-produtividade. E nessa a gente trata o movimento como se ele fosse o progresso. E acaba desembocando nisso, pessoas performando uma ocupação, né, muito mais que fazendo um trabalho importante. E aí a proposta dele é o que ele chama de produtividade lenta, que não é você trabalhar pouco.
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nem você pensar em atingir menos objetivos, mas você medir a sua produtividade pelo valor e pela qualidade do que você entrega ao longo do tempo. E não pela agitação do dia a dia. Então você pode entregar uma coisa na semana, mas é uma entrega robusta, muito boa, e não sei lá quantas micro entregas ao longo da semana que às vezes não agregam tanta coisa, não são tão boas. E aí não é você realizar menos, é você assumir menos coisas simultaneamente. Porque quando a fica…
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alternando de uma tarefa pra outra e eu faço isso tempo inteiro, acho que não tem nenhum momento do dia que eu não tenha 20 abas abertas no meu computador e eu começo a fazer uma coisa e eu lembro da outra, eu inicio a próxima antes que eu me esqueça e volto pra outra e é uma bagunça. Eu sou uma pessoa que demora ao focar numa tarefa pra fazer, grande dificuldade é sentar e focar. Enfim, acho que não sou só eu, né? Mas quando você trabalha dessa forma, o seu cérebro demora pra reajustar, porque você fica com um resíduo de atenção.
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parte da sua mente fica presa na tarefa anterior e isso vai dando uma canseira muito maior. eu, antes de ter visto o vídeo, já estava pensando isso, organizar melhor em blocos, que sempre fala pra… Fala-se sempre pra fazer, se organizar melhor o dia e isso começar a gerar menos cansaço. E aí ele faz uma análise maior de como o trabalho humano sempre teve ciclo, né? Temporada de plantio, de colheita, de migração, de pausar, preparar o terreno, né? E hoje em a gente tem essa expectativa de intensidade máxima o tempo inteiro.
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e que assim você se cansa demais e com uma produtividade mais lenta você pode ter dias mais intensos e alguns dias mais leves, isso dá tempo de você se recuperar. Ele chama isso de você trabalhar num ritmo natural. Outra coisa ele fala sobre obsessão pela qualidade, que é você identificar o que de fato gera valor no seu trabalho e você ter a prioridade de melhorar nisso. No meu caso aqui de novo, eu não gosto de editar vídeo, eu gosto de dirigir vídeo, editar eu não gosto, gosto de sentar numa ilha e editar com alguém, talvez.
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Mas se não é isso que eu vou fazer bem, é melhor focar nos roteiros, em gravar bem e deixar uma outra pessoa preditar, que é que eu tento fazer. Hoje em dia eu tenho gravado na Outlier, que é um estúdio em Botafogo, e eu vou lá, chego com o roteiro pronto, gravo e o Leo ⚠️ finaliza tudo, entrega tudo pronto. Inclusive, ele está agora lançando um produto. O site é sejaoutlier.com, e a proposta da Outlier é transformar a C-Level, o fundador, em autoridade online. Ele faz esse trabalho inteiro com a pessoa, desde ajudar
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a encontrar qual é o tema, qual é o assunto, até gravar, editar, até postar, que é uma coisa que é muito difícil pra muita gente, inclusive que não tem tanto tempo pra dedicar isso, né? Aqui no RESUMIDO, além do vídeo com Outlier, a própria edição de áudio que faz é o nosso Hugo Rocha, porque durante muito tempo eu que editava RESUMIDO, era muito tempo que eu passava editando e o Hugo é especialista nisso, Usina Sons e fica 70 mil vezes melhor do que quando eu editava. Então, aos poucos, na medida do possível, eu vou dedicando mais tempo ao que eu sei fazer melhor.
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Esse é o ideal. E aí, quando você está focado na qualidade do que você faz de melhor, esse monte de penduricalho, reunião, email, tarefa, chat, vai parecendo meio atividade inflada mesmo. Incheção de minguíça, né? Acaba virando um obstáculo para que você quer fazer e é muito melhor você focar no que você quer fazer. E eu achei legal esse vídeo dele, que já tem um ano.
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surgir para mim nesse momento que eu estava pensando nessas coisas, mas também nesse momento em que as empresas de tech estão cobrando muito dos funcionários e tentando medir a produtividade deles através do consumo de tokens. Token é a unidade de medida das ferramentas de IA, principalmente do chatbot, das ferramentas de produção de imagem. Cada vez que você faz um pedido, consome esses tokens e várias empresas de big tech têm medido se os funcionários estão indo bem ou não.
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de acordo com a quantidade de tokens que eles estão gastando ao longo do trabalho. Obviamente que isso é muito fácil de enganar, você burlar. Você pode gerar mil usos para isso que não são verdadeiros, isso é uma péssima unidade de medida. E já está sendo revista, inclusive, porque está ficando muito caro. Eu falei sobre o episódio passado, o consumo está ficando muito caro. Mas é a cristalização desse conceito errado de medir a qualidade do trabalho, o quanto você trabalhou.
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numa métrica bem objetiva, não a qualidade do trabalho. Isso tudo me lembrou também a questão da eficiência. A gente está sendo muito cobrado por eficiência, essas ferramentas já prometem muita eficiência e a gente sempre tendo que entregar mais e melhor e agora você produzir um relatório pode produzir 20, supostamente, Custa o seu bem-estar mental, sua saúde mental. Mas é possível fazer coisas mais rápido, é mais trabalho para você revisar depois, porque você não vai entregar essa gororoba digital.
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Como sai da ferramenta, eu espero. E pensando nisso, nessa época de Copa do Mundo, vendo todo mundo agitado, todo mundo animado, querendo saber quem vai passar em cada grupo, e agora a fase de mata-mata. E me lembrou isso como isso é meio antieficiência. O grande valor da Copa do Mundo, a grande paixão é justamente o inesperado, o desconhecido. Nesse tempo que gente fala tanto de conseguir controlar cada detalhe, fazer tudo da maneira tão perfeita, e você fica ali vendo os jogos.
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E querendo ser surpreendido, É um lugar em que a gente espera não saber. E não saber tudo, como a gente está vendo hoje em dia com a IA, que diz que vai prever tudo e gente vai saber tudo antes de acontecer. E esse comportamento da IA e das plataformas digitais como um todo, vão gerando também uma certa uniformidade no gosto. O Guardian fez uma reportagem, que é uma pergunta, né? Um ensaio, em que a autora pergunta, eu fui influenciada ou isso é de fato eu?
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e tentando entender como o gosto pessoal acabou saindo de moda. E aí a pergunta desse texto é se o nosso gosto ainda é nosso. Porque pra ela ficou muito difícil você responder com segurança do que você realmente gosta, porque antes a gente escolhia roupa, livro, música, filme, virava quase uma marca da nossa individualidade, porque eram escolhas difíceis de fazer, tomavam trabalho, tomavam tempo, e agora os algoritmos parecem que transformaram isso, o nosso gosto pessoal, numa coisa automatizada.
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que além de previsível, é muito fácil de manipular. Então o que o texto argumenta é que a internet não mudou só a nossa opinião, ela acabou enfraquecendo essa nossa capacidade de formar uma preferência própria. Porque quando essas plataformas entregam o que elas chamam de algo feito pra você, elas acabam padronizando o gosto coletivo, porque elas escolhem o vai entregar, pra que grupo de pessoas, e você vai gerando nenhum movimento com aquilo passivo.
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Em vez de as pessoas irem atrás de informação, a informação vem até elas e você vai tendo o seu gosto definido por uma plataforma. Quando a gente estava offline ainda, ou pelo menos não tão cronicamente online, o gosto vinha disso, a comunidade, a geografia, onde você mora, que mídia você acessa, o acaso, a exploração, coisas que você ia encontrando pelo caminho.
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ia numa loja, ia num mercado, li uma revista, aí você descobria uma dica lá dentro, numa loja de disco, o vendedor te indicava uma coisa que você nunca ouviu falar, novos amigos, tinha mais atrito para se descobrir uma coisa. E isso aí que ajudava a transformar esse consumo em parte da nossa identidade. E hoje tudo chega pela rede social, basicamente, por stream, por publicador, por e-commerce, com essas plataformas mostrando o conteúdo sempre na base do que já segurou a sua atenção antes, então você não desenvolve um gosto.
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A plataforma quer te dar uma coisa que mantém você lá dentro o máximo de tempo possível, então não vai arriscar muito se te dá uma coisa nova. E a recebe tanta coisa, com uma capacidade cada vez menor de digerir tanta coisa, de comparar e decidir, que quando chega uma coisa muito diferente no algoritmo, vai ter uma preguiça. Você vê um vídeo, esse vídeo é meio longo, você quer ouvir isso agora, isso é legal, vou ver depois. Eu me policio pra caramba de continuar ouvindo, continuar indo atrás, salvando, vendo o computador com calma depois.
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Mas o impulso inicial é de fugir daquilo. Saiu aqui do padrão. Meu YouTube, por exemplo, agora com copa, é copa de cima a baixo. Mesmo assim eu acho ruim, né? Porque eu vejo um vídeo de um mergulhador arrancando craca de baleia, que eu adoro, e aí começa a aparecer muito disso. Você viu um, já aparece muito, né? A temporada do futebol americano, o Forinani ⚠️, esse é o time que eu gosto, começando a ter muita notícia, eu clico em um, começa a aparecer. Então até para eu só ver vídeo de copa não é tão fácil.
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não tem uma aba só com isso, só com os canais que eu sigo, pra ver só os shorts de copa. A plataforma vem empurrando e se abrindo a consumir naquilo de maneira desorderada. Mas voltando aqui à questão do gosto pessoal, do texto do Guardian, a autora fala isso, é, antes que era uma expressão pessoal, você, através do seu gosto, expressar quem você é, acaba virando um manual de reprodução, porque tem uma tendência, né, as famosas trends no Instagram, no TikTok.
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E as pessoas ficam copiando aquilo, pode ser um look de roupa, ser uma tendência musical, e todo mundo copiando essas coisas o tempo inteiro. E sem falar em ações como, por exemplo, K-Oriac Good Projects ⚠️, que eu já comentei aqui no RESUMIDO, que uma agência que cria várias contas para usar a música dos artistas que contratam essa agência em vídeos diferentes e criar essa ilusão de que a música está tocando em vários vídeos. E aí você simula um trend, chama simulação de trend.
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uma simulação de tendência, ou essas empresas que fazem clipping, vão fazendo umas campanhas pagas, para inundar a rede de conteúdo sobre algum artista, sobre uma série, com vários cortes, aparecer em toda parte, para criar essa ideia de que está todo mundo ouvindo, logo precisa ouvir ou escutar ou assistir também. Então, para responder essa pergunta, se você está sendo influenciado ou se o gosto é realmente seu, a autora fala em três elementos, compromisso, consistência e risco.
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o compromisso de você voltar algumas coisas para você poder construir o seu repertório, a consistência de você não ficar trocando de identidade a cada micro tendência e o risco que é você gostar de algo que talvez as outras pessoas não aprovem. Não importa se ninguém mais gosta. Eu gosto e acabou. Então o que ela diz na conclusão é que o gosto quando funciona ele vira uma ferramenta para fazer você se sentir mais você mesmo. E é isso né, quando é uma banda que você gosta muito assim que
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Você se identifica muito, fala de quem é você, você acaba se sentindo mais representado, ou você, sei lá, define melhor a sua identidade. E aí o caminho para a continuar dominando o nosso próprio gosto é fugir de fideolgorítmico, né? Ir atrás da informação que você quer, você gastar menos tempo em rede social e você começar a ir para um caminho de espaços menores, mais humanizados, menos otimizados para eficiência.
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com uma curadoria mesmo. nessa a gente vê o universo inteiro de newsletter, comunidade como Letterboxd, gente que coleciona vinil, essa coisa de equipamentos analógicos, câmeras fotográficas, mercado, loja, até brechó, que é uma coisa que você vai lá, você tem que encontrar uma coisa que você gosta dentro daquilo que já está ali e não foi feito para você, a sobra dos outros. E assim você vai exercitando o seu gosto. Eu até vi uma plataforma também essa semana chamada ROVR,
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que se diz como uma plataforma de música anti-algoritmos. A ROVR não tem propaganda, não tem locutor, é música 24 horas por dia, só com especialistas que fazem a curadoria de cada sessão dessa de música. E lá tem vários brasileiros, o Trepanado ⚠️, que é o DJ da festa selvagem, a Pérola Matias ⚠️, jornalista também, tá lá, né? Dois brasileiros, tem outros. E eu achei muito legal essa proposta de você ir lá e ouvir uma música que você sabe, que alguém escolheu.
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E é engraçado como isso vira um diferencial, Sempre foi assim, antes alguém estava montando, mostrando e era dessa forma que funcionava. E agora isso vira um valor. E um outro texto da Protein Seeds ⚠️ falando sobre equipamentos hardware com personalidade também tem um pouco a ver com essa questão do gosto. Tá tendo um interesse maior por hardware antigo, telefones antigos, né? Você deve ter visto já…
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aparecer muito no Instagram os Nokia antigos, tinha 500 modelos, cada um mais diferente do outro, e tudo isso com essa proposta de fugir desse retângulo preto que virou qualquer telefone de qualquer marca, são todos idênticos, Desligado, então é tudo a mesma coisa. E aí, como esses aparelhos não têm mais identidade nenhuma, surgem as outras tendências de usar uma capinha, um adesivo, case diferente, para trazer uma identidade para a coisa, é uma necessidade humana mesmo. E aí a Protein Seeds ⚠️.
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Destaque algumas empresas que vão na contramão disso, fala do Flipper Zero, que é aquele equipamento que inclusive é ilegal no Brasil, em boa parte do mundo, que você consegue mexer com as frequências de Bluetooth, até de chave de carro, de rádio, de TV, pra você hackear o mundo por aí, que é um equipamento que tem uma carinha lá bem específica, que tem uma estética que não é pra ser pra todo mundo, Parece que ele é feito pra alguém em particular, né? Alguém que vai gostar daquilo, então tem a ver com aquele tipo de usuário.
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E aí cita Teenage Engineering também, que uma empresa sueca de equipamento de áudio que faz cada coisa linda, é caro pra cacete, mas é tudo lindo. O fone, o player, uns pequenos equipamentos, eles fizeram de reggae agora, que é um absurdo de legal. Aí eu mostro pros meus amigos produtores, mostrei pro Pachu ⚠️, mostrei pro Dilev ⚠️, e todos eles falam, compra um PC a metade do preço pra fazer a mesma coisa, eu falo, mas olha isso aqui que lindinho, cara. É isso, sabe? gente também tá tendo essa tendência que até o Cauê botou na newsletter um tempo atrás.
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dos cyberdecks, que são computadores artesanais mesmo. A cyberdeck vem, obviamente, do clássico da ficção científica, Neuromancer, que são computadores feitos por um uso específico portátil, meio artesanal, que virou uma febre agora. As pessoas montam isso com essas placas desses computadores, o Raspberry Pi, tela que você compra pequena, teclado mecânico, bateria, você monta isso num case.
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Você vai montando várias coisinhas assim pra você ter uma coisa com a sua cara, tem uma galera que faz uns de texto pra você escrever sem distração. E tem um pouco a ver com essa coisa da personalidade, do gosto, né? O Teenage Engineering é isso, talvez você vá lá procurar, não vá achar nada demais. sou do… Por mim eu comprava a loja inteira, mesmo sem saber mexer nos equipamentos. E por isso que me assusta esse assunto confluente na semana passada sobre o Mid-Journey Medical Scanner ⚠️.
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que é o equipamento de espécies de construção de uma ressonância magnética da Midjourney, é o laboratório de IA, que primeiro é estourar com a produção de imagem generativa, e que agora está com esse equipamento. E eu comentei no episódio sobre essa obsessão com dados, que pode gerar uma ansiedade muito grande, né? Você começa a medir seus dados 24 horas por dia, e você não sabe ler aquilo, não é médico, pode gerar um outro tipo de sensação de você achar que falhando alguma coisa.
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que alguma coisa tenha errado com você, mas não, de repente você teve uma noite de sono ruim só naquele dia. A gente não foi feito, não tem o hábito de se monitorar assim o tempo inteiro e também não é assim que esses dados devem ser lidos. Mas essa semana apareceram vários outros gadgets desses pra mim, Um é um colar pra monitorar a exposição ao sol, pra ver se você tá com muita exposição, se você tá com raios nocivos ou não, calcula o tempo que a sua pele vai levar pra queimar naquelas condições, ou uma outra pulseira que foi lançada.
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por uma IA que recolhe 150 métricas para tentar quantificar a emoção. partir do seu tom de voz, do seu ritmo cardíaco, começa a te dizer qual conversa que te empolga mais, aí você decide qual seu, sei lá, colega de trabalho que te faz melhor, baseado nesses dados. Cada gadget desse aí, cada equipamento desse, vai pegando um pedaço da vida que antes você só sentia e vai transformando num painel de número. E vai também, de certa forma, uniformizando a coisa toda, né?
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E claro que tem uso positivo para esses dados. A Fast Company falou de uma plataforma chamada Xella Health que mira diagnóstico cedo para condições que demoram a ser identificadas na saúde da mulher. Isso é super importante porque só 6% do investimento privado em saúde é focado em saúde da mulher. Então tem espaço, tem uso, mas isso começa a virar um incômodo quando todo o resto começa a seguir essa mesma lógica de métrica e gente começa só a se conhecer.
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se estiver transformando tudo em dado. E eu acho que não dá pra medir as coisas por dado, tem muita coisa que não é… Pode ser psicológico, pode ser um momento de vida, ansiedade, você não consegue medir isso com dados de maneira tão precisa. O nosso corpo não é uma planilha que vai melhorando de acordo com a sua observação. Por mais positivo que seja ter acesso a esses dados. E isso falando pra dentro, coletando nossos dados pra fora, cada vez também tem mais equipamento, os óculos inteligentes vão…
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ganhando mais espaço. lembra do Google Glass, o mico que foi aquilo, talvez não acreditasse que um dia chegar nesse momento, sucesso que os óculos da Meta fizeram. Agora o Spectacles também da Snap, foi lançado semana passada e agora a Meta anunciou mais uma nova linha de óculos e agora com design interno e essa linha está um pouco mais barata. O Ray-Ban Meta (Gen 2) ⚠️ que custava US 379.
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é quase 100 dólares mais caro que o mais barato dessa nova linha que começa com 299 dólares. Então, eles estão querendo ampliar esse mercado. Aí, estão fazendo parceria, além da Ray-Ban e da Oakley, fazendo com a EssilorLuxottica e em algumas partes, só agora, para as lentes, não mais usando as marcas. E isso baratiou um pouco. Tem vários modelos, um com a Kylie Jenner e tentando popularizar a coisa mesmo, Mas agora, o objetivo do Orkz é isso, é capturar mais dado, é tirar foto, registrar, é filmar.
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é captar o áudio do que está no entorno, e isso pode gerar questão de privacidade para muita gente. Mas o Mark Zuckerberg falou uma frase na divulgação desse óculos, uma besteira, mas que chamou muita atenção para mim. Ele falou que no futuro todo óculos vai ser um óculos inteligente, que ele não consegue imaginar um cenário em que uma pessoa já está com óculos no rosto e aquele óculos não tem algum tipo de funcionalidade. E é verdade, talvez agora faça pouco sentido porque ou pessoa não usa óculos, ou porque é muito caro, ou porque você não tem o que fazer com aquilo.
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Mas a partir do momento que isso for tudo miniaturizado e você puder ter isso no seu óculos normal, mesmo eu que critico isso bastante, questão de privacidade, eu costumo fugir desse tipo de coisa que gera tanto dado. Talvez use, porque deve ter muita função boa. Hoje as pessoas praticamente usam para ouvir música e para tirar foto. São usos bem superficiais do que a capacidade do óculos entrega, mas é o que as pessoas querem usar. Mas uma coisa que é importante pensar…
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é que nada disso é obrigatório a acontecer na nossa vida. Eu vi um vídeo curtinho da doutora Carissa Véliz falando sobre IA, é uma professora da Universidade de Oxford e ela está também no Instituto de Ética de IA e ela apontou como não é coincidência, democracia, está em crise no mundo todo, nem o mesmo período que a tecnologia digital ganhou tanto poder.
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Ela fala que, primeiro de tudo, o código tende a ser autoritário, código é binário, é sim e não, é uma regra que está embutida no sistema, não tem negociação, não tem exceção, não tem contexto, não tem nenhuma mediação humana, como os programadores gostam de falar, o código manda. E a outra questão é sobre quem escreve essas regras. E aí o que ela aponta é que não são representantes, eleitos, é meia dúzia de homem branco no Vale do Silício.
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que acaba gerando uma concentração de poder num monte de decisão que afeta a vida pública sem diversidade, sem essas pessoas terem sido votadas para decidir isso pela população. Aí ela fala também da questão de vigilância, de captura de dado, obviamente, mas uma coisa que ela fala e que eu gosto muito e que eu já vi outras pessoas falando é que nenhuma tecnologia é pré-determinada. Tecnologia é um design. Design…
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envolve você fazer escolha, escolha política, escolha ética, escolha social. Então, essa tecnologia vai ser o que a gente quiser que ela seja, ou pode ser o que a sociedade quer que ela seja, desde que seja decidido dessa forma. O problema é quando não é feito dessa forma, ninguém pergunta quem quer o quê e como quer que essa tecnologia seja desenvolvida. E aí a gente chega nesse ponto que gente tá, que tá todo mundo bastante resistente a muitas coisas, tentando entender como isso tudo se desenrola.
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Fala-se muito do papel das big techs nas nossas vidas e muito pouco sobre quem habilita isso. Seguir para onde o dinheiro dos investidores está indo mostra no que o mercado está apostando de verdade e no que parou de apostar. É esse o olhar do Follow the Money, um estudo trimestral do inovabra, parceiro do RESUMIDO, sobre o caminho do capital no ecossistema de inovação. O levantamento mais recente, do primeiro trimestre de 2026, mostra um mercado em recorde e concentrado como nunca.
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O venture capital global bateu 285 bilhões de dólares, o maior volume já registrado, e quase metade foi para uma empresa só. A OpenAI levou 122 bilhões de dólares numa rodada do SoftBank e sozinha ficou com 43% de tudo que foi investido no mundo. Para o inovabra, chamar isso de retomada seria ler errado. O mercado está sendo reprojetado em torno de infraestrutura de IA, chips e data centers. Capital tem
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O que ficou difícil é entrar no radar de quem decide o cheque. No Brasil, o desenho se repete numa escala menor, com menos rodadas e cheques maiores. A virada que chama atenção é o crédito passando a IA como o tema que mais recebeu aporte, puxado por fintechs voltadas a pequenas e médias empresas. 99Pay, Asaas, Zippi ⚠️ são algumas que aparecem com destaque, com os FIDCs ⚠️ sustentando essa expansão. A IA segue como base de quase tudo.
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mesmo deixando de ser o tema que mais a traz cheque. Para acompanhar esse tipo de leitura sobre o que está sendo financiado no ecossistema de inovação, vale assinar a newsletter do inovabra do Hype Elroy ⚠️. O link está na descrição do episódio, é só clicar e se inscrever.
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Agora é o momento de explorar as transformações causadas pelas inteligências artificiais.
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Poderia Gen Z se tornar oponentes Poderia. Uma série de momentos have suggested that not all young Americans are thrilled about the possibility of an AI future. Uma história insana essa semana de um homem que preso no Espírito Santo depois de revelar para o ChatGPT que ele estava planejando matar o próprio filho de 8 anos.
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A OpenAI identificou a conversa automaticamente, depois ela passou por moderadores humanos, e aí o FBI foi avisado e esse alerta foi repassado às autoridades brasileiras. Ele foi preso um dia 19 de junho, um dia antes da data que ele tinha escolhido para cometer o crime. A reportagem do G1 fala que no chat lá ele já tinha escrito que tinha arma, corda, veneno, que já tinha tentado contratar um pistoleiro por 50 mil reais para matar o filho, mas o pistoleiro se recusou porque era uma criança de 8 anos.
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E o motivo disso tudo é que ele queria parar de pagar a pensão desse filho que ele nem conhecia. E no meio da conversa dele com o ChatGPT, ele disse que queria saber de onde vem essa vontade de matar as pessoas, e dizia que ele gosta de ver outra pessoa sofrer. Bom ver o sistema da OpenAI funcionando, evitando um crime desse tamanho, mas a gente não pode depender.
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do sistema deles capturar isso, eles quererem habilitar isso, a OpenAI habilitar isso, então fica essa questão um pouco indefinida de como lidar num caso desse. Imagina se a OpenAI não tivesse pescado esse alerta e só depois do crime ocorrido pesquisando, investigando, encontrasse esse chat. Por outro lado, também é invasivo você saber que o está lá disponível para ser monitorado e investigado por alguém. Óbvio, você pode pensar, mas eu não falei nada de errado, não sei.
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Pode ser que você fale algum termo ali que não é exatamente o que você queria dizer, ou que fora de contexto possa ser interpretado como um problema, e suas mensagens serem lidas por um humano, nem seja para definir ou decidir que você não falou nada de errado, mas você nem saber que isso aconteceu, Talvez tivesse que ter um alerta para as pessoas. Não sei como melhor solução para isso, mas o problema está aí. Talvez por esse tipo de questão, que a The Economist publicou uma matéria chamada A Ressaca da IA Tá Só Começando.
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O argumento da The Economist é meio óbvio, a reação popular está só começando em relação a IA porque essa tecnologia também está só começando. Mas aí cita os casos dos protestos contra os data centers nos Estados Unidos, que já até travou quase 100 bilhões de dólares em projetos, e isso num cenário que 40% dos eleitores dizem nas pesquisas que gostariam de banir IA da maior parte das indústrias.
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E não é só nos Estados Unidos, na Coreia do Sul, eu comentei por aqui, trabalhadores da Samsung começaram uma greve porque eles queriam bônus especiais depois que o lucro da empresa disparou por conta do lucro com os chips. Aí a reportagem fala que culpa disso é da própria indústria, que ficou anos aí vendendo só narrativa extrema, Falava substituição em massa de emprego, risco existencial de um super vírus criado por IA. Essa propaganda, né? Tentando fazer parecer muito poderoso, que funcionou?
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de certa forma, porque todo mundo passou a levar esses laboratórios bem a sério, mas também gerou essa ressaca popular mesmo. E aí a reportagem fala que a melhor maneira de combater essa resistência agora é você distribuir os benefícios da IA, você regular firme mesmo os riscos reais, como ataque cibernético, bioterrorismo, e você medir tudo para conseguir separar o que é dado do que é pânico viral. E de novo, eu falando de dado.
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sendo usado fora de contexto e como pode trazer problemas. E, no fim das contas, usar a IA para melhorar o Estado, imposto, saúde, educação, mas para trazer melhoria. Porque se você conseguir convencer as pessoas que os interesses delas estão sendo protegidos, porque a realidade política da IA é essa. Você convencer os eleitores que os interesses dele estão sendo protegidos agora é tão importante quanto melhorar os modelos. Porque senão…
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Ninguém vai aceitar isso. eu acho que se ninguém quiser, os laboratórios não conseguem avançar na marra, por mais que eles tentem. Num outro artigo, na The Atlantic, uma professora de ciências de computação de Berkeley falou que ela prefere arriscar ter câncer ou morrer de câncer do que ver a IA se mover tão rápido. Ela trabalhou com Dario Amodei, cofundador da Anthropic, quando ela tinha 20 anos, e ela queria trabalhar com IA para detectar câncer.
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E parte da argumentação do Amodei, no ensaio que ele escreveu, Machines of Loving Grace, exemplo, é que uma IA sobre inteligente pode acelerar o progresso científico em uma década e conseguiria reduzir a mortalidade por câncer em 95%. Fala-se muito disso no meio de, vai achar a cura do câncer, porque quem não quer ouvir isso, E aí essa professora ⚠️ fala que isso deveria soar ótimo pra ela própria, porque aos 35 anos…
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Ela tem risco aumentado para a câncer, ela já passou por uma cirurgia de remoção de ovários, ela teve que entrar em menopausa induzida, não pode mais ter filho naturalmente, mas mesmo assim ela duvida que a IA vai curar o câncer tão rápido. Então o argumento dela é esse, tipo, câncer não é xadrez, não é matemática, não é código, são dados reduzidos que dependem de experimento biológico, de ensaio clínico que é lento.
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você não vai sair testando livremente no mundo de paciente. Então, assim, já tem as ferramentas ultra poderosas, o AlphaFold, algoritmo de análise de imagem, já tem isso tudo que ainda é sub aproveitado. Porque o gargalo não é só você botar mais inteligência, é isso tudo que eu falei. Você não consegue acelerar o ensaio clínico, precisa de tempo. É uma frase que…
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O programador desenvolvedor gosta muito de falar quando você vai lá, apressar ele com o projeto. fala, bota mais programadores. Ele fala, se você botar nove mulheres grávidas, o bebê não fica pronto em um mês. É mais ou menos a mesma lógica, ele vai demorar mais tempo pra fazer. E pra complementar isso, a BBC falou que os chatbots de IA podem te tornar mais estúpido. E isso porque eles geram esse hábito de você terceirizar a tarefa mental pros chatbots. Pode ser ChatGPT, Gemini, Claude, Perplexity.
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Mas isso acaba dando impacto na memória. Eu faço um exercício de evitar fazer busca quando não lembro uma palavra, não lembro alguma coisa, assim, quando eu estou escrevendo. Mesmo quando eu estou gravando isso aqui, palavra… O Hugo sabe, né? Porque ele vê o bruto do áudio. A palavra não vem, eu fico aqui lembrando. É um exercício mental mesmo, você não ceder. Não, não, tenta achar na sua cabeça a palavra. Óbvio que às vezes a gente precisa de ajuda, mas se você pegar essa ajuda toda hora, você perde o hábito mesmo.
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A matéria falou com uma pessoa do MIT Media Lab que falou que as cartas de apresentação de candidatos hoje em dia estão todas muito parecidas, ou seja, tudo feito por chatbot, e estudantes que esquecem o conteúdo com muito mais facilidade do que antes. Teve uma pesquisa com 54 estudantes e dividiram os participantes em três grupos, um escrevendo os ensaios com o ChatGPT, outro com o Google Search, sem resumo de IA, com a busca do Google mesmo, e um outro grupo sem tecnologia. E foram medindo as ondas cerebrais durante a tarefa.
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E aí, de acordo com pesquisador, o grupo sem tecnologia estava com o cérebro voando, uma atividade espalhada em várias regiões. O grupo do Google, usando só a busca, ainda tinha uma atividade visual no cérebro. E o grupo que estava usando o ChatGPT teve 55% menos atividade cerebral. Claro que são estudos preliminares, tudo muito novo, mas aponto uma coisa que talvez na nossa experiência empírica já apareça, né? Eu pelo menos me sinto assim. E um ponto que eu achei…
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muito importante desse estudo é que mostrou que o uso do ChatGPT ⚠️ também afeta a memória e o senso de autoria, porque depois de entregar os textos, os participantes que usaram a IA para fazer os textos não conseguiam citar trecho do próprio ensaio. E alguns falaram até que sentiam que o trabalho não era deles, O negócio fica meio sem alma. Você vai ali produzindo meio a reboque, né? Então tem que pensar muito nisso, quando a está fazendo esse uso de IA e questionar o que está sendo usado e para que está sendo usado, porque de muitas maneiras
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essas máquinas não são nem confiáveis, essas ferramentas não são nem confiáveis. Então acho que meio cedo pra gente terceirizar o pensamento dessa forma. Acho que não é uma boa ideia, Mas agora, especialmente, não é muito. Outro exemplo disso são os carros autônomos que estão dando problema pra cima e pra baixo. O New York Times fez uma matéria falando por que os carros autônomos não vão estar nas suas ruas tão cedo. E aí fala que os carros da Waymo, que é o da Google,
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está com várias barreiras em vários lugares. Nova York não tem, Illinois, Washington, várias cidades não permitem. Em Nova York, a Waymo chegou a propor um fundo de 20 milhões de dólares para beneficiar taxista, que é uma merreca, considerando todos os taxistas de Nova York e a empresa que estão oferecendo. E a governadora do Estado de Nova York chegou a botar esse lançamento excluindo a cidade de Nova York, mas acabou tirando esse apoio aí porque muita pressão de grupos de motoristas, de taxis, não querendo essa entrada. Então não é
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tão fácil, nem do ponto de vista regulatório e nem do ponto de vista prático. A Futurism ⚠️ publicou um vídeo de um táxi autônomo da Waymo também, parado do lado errado de uma faixa na Califórnia, durante um engarrafamento lá por conta da Copa, tá uma loucura a cidade lá, e o carro em cima de uma faixa dupla, na Califórnia você vai numa faixa do meio quando você vai fazer uma curva pra esquerda, É quase tudo da mão dupla lá. Mas ele tava em cima do lugar errado, na contramão. E aí quando o sinal abre, o
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o robotáxi sai avançando, na contramão mesmo. Eles já tiveram vários casos assim. Então não funciona tão bem e talvez por isso tenha tanta resistência em outros Estados dos Estados Unidos. E eu sempre falo, né, eu quero ver isso aqui rodando no Brasil, porque você desenvolve um táxi desse, um sistema desse, pensando nas regras, as regras sendo seguidas, todo mundo fazendo a risca. Você bota um táxi desse aqui no Brasil, onde as pessoas não se mantêm nem na pista o tempo inteiro, muda de pista sem dar seta.
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anda contra a mão, moto não para em sinal, anda na calçada, sai por bicicleta do céu, sai em carros, dentro de um ralo. Imagina um carro autônomo desses, tentando calcular tudo em tempo real com o fator Brasil. Então, o dia que rodar no Brasil a gente considera pronto. Tá longe, E tem lugar mais difícil, devo confessar. Tem um lugar que eu fiquei traumatizado com o trânsito, foi na Índia. Eu fui pra Índia em 2010, fiz uma viagem longa lá e o lugar doido de trânsito, hein? Tô pra ver lugar pior, nem no Brasil.
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E agora é hora de falar sobre como as Big Tech moldam nosso comportamento.
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A24 não tão independente quanto você pensa. A única estúdio a Gen Z realmente confia, só ganhou 75 milhões de do Google. A24, o estúdio de alguns dos filmes mais amados construiu sua reputação em se sentir independente, humano e anticorporal. Uma estúdio literalmente chamou-los de anti-brand. O último estúdio que você esperava ter que uma checa de Big Tech. O Google investiu 75 milhões de dólares na A24, que é o estúdio de cinema queridinho de hoje em dia. Eu sou super fã.
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Se é da A24, eu acabo assistindo, que eu sei que pelo menos já vai ver uma coisa um pouco diferente. E agora o Google fez investimento como parte de uma parceria de pesquisa entre o estúdio e o DeepMind para desenvolver ferramenta de IA para cinema. É a primeira vez que o Google compra participação no estudo de filme. Lembrando aí que a Amazon já comprou o MGM, que a Netflix anda de olho na Lionsgate, aliás, foi bastante assunto no RESUMIDO Tech Invest. Se você gosta de investimento em empresas de tecnologia, tem o canal RESUMIDO Tech Invest, que é só para isso.
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convido você a ouvir, mas uma das premissas desse acordo é que o Google não vai ter acesso ao catálogo de filme de séries da A24, não vai poder treinar modelo em cima dessa biblioteca, é uma parceria de vários anos, mas não é exclusivo. Mas a leitura do mercado de cinema é que o Google está tentando comprar credibilidade cultural. Como a A24 é uma das poucas marcas de cinema que o público hoje em está seguindo, o estúdio mesmo, não só os filmes individuais, não é o diretor.
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Tem um estúdio que está com essa aura índia, autoral, anti-Hollywood, pelo menos a parte corporativa. Isso acaba virando uma certa forma de culture washing, de você tentar comprar essa credibilidade mesmo. E aí muita gente apontou também essa contradição, porque a A24 construiu o valor deles justamente em cima de autenticidade, de tomar risco, e agora aceitou dinheiro de uma das maiores empresas de tech para desenvolver ferramenta que vários artistas estão vendo como uma ameaça ao próprio trabalho.
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O responsável pelo A24 Labs, o Scott Belsky, falou que a ideia não é usar IA para fazer filme mais barato, mais rápido, mas que é para criar ferramenta que vai preservar o controle criativo. E um outro risco que a A24 corre é que a audiência deles é muito jovem, muito desconfiada de IA. Por exemplo, 85% do público da abertura de Backrooms tinha menos de 35 anos. Backrooms é aquele filme que foi feito a partir de uma série de YouTube, eu comentei alguns episódios atrás aqui.
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Então já está gerando comentário de uma molecada falando bye bye A24, aí estão chamando de AI24, falando que A24 não é mais maneira e começa o pessoal a criticar sem nem saber o que que é, mas aí também é internet, né? O diretor do Toy Story 5, o Andrew Stanton, que está no projeto desde o início, esse é o primeiro que ele dirige, deu um depoimento sobre AI, ele falou isso do ponto de vista de computação gráfica.
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O aprendizado de máquina sempre teve presente. Então ele falou, olha, acho que um depoimento no sentido de, acho que está tendo bastante crítica, bastante preocupação, mas é uma tecnologia que está sendo usada, inclusive, há muito tempo. E ele diz que até aqui a tecnologia não estava sendo usada para substituir o artista e que ele acha que tem um potencial para isso, mas que espera que não seja usado dessa forma, assim, como uma ferramenta para avançar o cinema. Pode ser, uma visão positiva. E tem um ponto mesmo. Dá para usar de diversas maneiras, né?
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E lá dos lados da OpenAI também vem novidade, eles estão testando o Bidi-1 ⚠️, que é um novo modelo de fala que ouve e escuta ao mesmo tempo. Então, hoje em se você tenta conversar com o ChatGPT, na versão paga, você fala e ele responde. Você fala e ele responde. Se você falar enquanto ele está respondendo, ele para, ele não consegue entender aquela interrupção como uma coisa natural, como é a conversa entre dois humanos.
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e que a coisa ficaria mais humanizada mesmo, com essa imperfeição, né? Como são duas pessoas conversando, uma interrompe a outra, às vezes fala meio por cima, ou faz um comentário sem se interromper a conversa. Por um lado, curioso, né? Porque também vai normalizando essa coisa de você falar por cima de alguém, que isso não deveria estar fazendo, Não interromper ninguém. Mas é como as pessoas falam. E a Anthropic também fez um lançamento essa semana, que é o Claude Tag.
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que é uma forma de você marcar o Claude dentro de conversas no Slack. Então, os canais que o admin liberar, ele vai guardando a memória do que a equipe está produzindo e você pode conversar com esse Claude Tag e ele ajudar a organizar em tempo real, como se fosse mais uma pessoa ali dentro do time. E assim, essas ferramentas vão entrando nos fluxos e ficando mais normalizados, você tem que ir a algum lugar fazer. Eu acho que isso vai acabar sendo uma tendência mesmo, uma hora a gente vai…
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menos até a IA, menos até o ChatGPT, o Claude, o site para usar, e essa coisa vai estar mais integrada no dia dia. E semana passada teve o festival de Cannes de publicidade, maior festival de publicidade que tem, o Cannes Lions, e a OpenAI estava por lá e apresentou uma proposta para os anunciantes, para o mercado de publicidade, que é transformar o ChatGPT num novo canal de marketing, não só nessa ferramenta de busca de atendimento.
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e isso muito por conta dessa mudança de comportamento. O usuário agora não vai mais clicar num link, no resultado do Google, ele conversa com um chatbot deles que já traz a resposta, então a tarefa agora dos publicitários é como influenciar o modelo de IA a botar a marca ou o produto na resposta do usuário. Então a OpenAI obviamente quer vender anúncio dentro do ChatGPT.
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Então, com a expectativa de gerar 100 bilhões de dólares em receita publicitária até 2030, isso coloca eles em competição direta com o Google, com a Meta, com a Amazon, nesse mercado de mídia que eles não ocupam hoje, o ChatGPT, né? Você não pode comprar publicidade lá dentro. Enquanto não tem um formato definido para isso, muitas empresas têm buscado criar alguma forma de aparecer no resultado, nas respostas dos chatbots. E o risco disso, né? Quando você cria uma página com perguntas e respostas, detalhe do produto, tudo de uma forma…
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focado e inserido pelos agentes para gerar essa resposta, você começa mesmo a para esse caminho da internet morta, em que as pessoas não estão mais escrevendo para outras pessoas, são máquinas escrevendo para ser lidas por outras máquinas para gerar uma resposta para uma pessoa. E a gente começa a ter o site meio zumbi, só focado nisso. E falando em zumbi, a Meta é entrar nessa seara aí e tirar proveito dos zumbis.
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que gastam seu rico dinheirinho em apostas. A Meta está desenvolvendo uma app independente de mercado preditivo, como são o Polymarket, o Kalshi, que você aposta em previsão de evento, esporte, política, cultura. Já falei sobre isso aqui uma vez, eu acho que isso tem um uso positivo, tem como gerar inteligência com esse tipo de pesquisa. E eu acho que a Meta tendo para esse lado, né, seria sem dinheiro, sem aposta, muito mais um formato de inquetes do que de aposta por si.
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pelo menos no primeiro momento, mas é isso, quando você bota, envolve dinheiro e a coisa vai para lado de aposta e com uma certa facilidade de você manipular esses mercados, ele vira mais um risco. A ideia da Meta é aproveitar a base que ele já tem, mais de 3 bilhões e meio de pessoas cadastrados que já acessam algum app da Meta durante o dia e assim eles entram nesse mercado como o Zuckerberg sempre faz, ele fica olhando os comportamentos.
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que estão começando a bombar na internet, tenta copiar mais rápido possível, como ele fez com stories, como ele fez com Reels. E agora ele está vendo o Kalshi, a Polymarket crescerem muito e está de olho aí no mercado que hoje em dia já está valendo 130 bilhões de dólares. E se você pensar bem, é quase uma volta completa, porque os feeds já operam com alguns mecanismos de cassino, de gerar desejo. Por exemplo, quando você puxa o feed para baixo para ele dar um reload, ou quando você entra no Twitter, ele demora um pouquinho para carregar o feed,
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Aquilo não é demora, aquilo poderia acontecer mais rápido. É feito para simular a mesma ideia do caça-níqueis, onde quando você puxa, negócio fica rodando, sugere ali um frissonzinho ali que dispara a dopamina. Então eles já operam, de certa forma, como um cassino de informações. Agora vai botar o cassino para rodar dinheiro mesmo. Vamos embora. Vamos ver o que nos aguarda nessa nova empreitada da Meta. Eu tenho aqui uma certa desconfiança de como isso vai acabar, e que não vai acabar bem, não.
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Hora de relaxar com as dicas de ver, ler e ouvir.
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Sim, eu acho que, ultimamente, uma história de conexão mas é sobre um garoto que descobriu como hackar o sistema de telefone por acertar um mágico. E documentário que estreou em Sundance esse ano e conta a vida do Joe Engressia. Se você não sabe quem é ele, eu também não sabia. E o documentário conta essa história. Ele é cego de nascença, ele tem um ouvido absoluto, ou seja, ele…
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Houve notas como você ouve palavras. E o Joe descobriu, quando ele ainda era bem pequeno, que ele conseguia controlar a rede telefônica, subiando os tons certos. Então ele conseguia fazer o interurbano de graça, numa época em a ligação custava uma fortuna, só com esse assuvio. Ele invadiu o sistema e liberava a ligação para ele próprio. Então ele é um dos pioneiros do Phone Phreaks, que é uma galera que ficava hackeando o telefone só para ver até onde dava.
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Se você tem Midade, vai lembrar da galera da linha no Rio. Você lembra disso? Era um número que você ligava, da Telerde ⚠️ mesmo, que todo mundo ligava para esse número e ficava tocando lá. Ninguém nunca atendia e todo mundo podia falar por cima. Você ouvia um grupo de pessoas falando, aí tinha um monte de código, diamante, era o 2, rubi, era 1, sei lá, para pessoa poder trocar o telefone e depois tentar falar direito com as pessoas. Um falando por cima do outro. Era uma insanidade isso. A gente tinha um bom documentário, esse negócio.
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O Steve Jobs e os fundadores da Apple saíram dessa cena de Phone Phreaks, inclusive com a famosa Blue Box. O filme ainda não foi lançado, não tem nem trailer. Então isso que você ouviu aí é um trecho de uma entrevista com os diretores. Fiquei curioso para assistir.
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Carl Craig é um dos arquitetos do Tecno de Detroit e agora ele relançou Meditations, que é um disco ambiente sem batida que chega agora ao digital pela primeira vez. Saiu pela Planet E, que é o selo dele, com uma tiragem limitada em cassete também, pra quem gosta de analógico. São seis faixas bem longe da pista, muito mais perto de uma composição orquestral, viajante mesmo. E o lançamento vem na esteira do documentário Desire e da série All Black Vinyl.
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onde o Craig assume esse papel de arquivista da música negra de vez. Música chapada do jeitinho que eu gosto.
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Nesse episódio você ficou sabendo que empresas passaram a medir funcionários pelo número de tokens consumidos e que a boa é seguir a filosofia do devagar e sempre. Que um wearable promete ler emoções para turbinar a inteligência emocional, que a Meta aposta que todos os óculos serão inteligentes para coletar dados, que estudos sugerem que os chatbots estão nos deixando mais burros, que o Google investiu 75 milhões de dólares na produtora A24, que a OpenAI prepara uma aposta de 100 bilhões em publicidade e muito mais.
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Se você gosta do RESUMIDO, já sabe o que eu vou falar agora, que é pra você recomendar pra mais gente. O pessoal tá publicando pouco. Ajuda muito se você publicar no Instagram, mandar no WhatsApp, marcar o RESUMIDO. Eu compartilho, se você quiser que eu não compartilhe, eu só se avisar, eu não compartilho também. Mas ajuda muito. E também ajuda demais se você curtir, assinar, seguir, dar 5 estrelinhas, deixar uma resenha na plataforma que você estiver escutando esse episódio agora. E se você quiser mostrar e que eu vi o episódio até o final, é só você deixar um comentário com a palavra secreta da semana, que é Devagar.
O RESUMIDO é produzido e apresentado por mim, Bruno Natal
O roteiro é escrito por mim e pelo Agenor Neto
O Cauê Marques co-edita a newsletter O Futuro Explicado e as redes sociais, que contam com animações do Peri Semmelmann e design do Felipe Araújo
A edição e mixagem é feita pelo Hugo Rocha da Usina Sons
A foto da capa é do Jorge Bispo
E o tema original foi composto por Gustavo Silveira.
Sou o Bruno Natal, obrigado pela audiência e semana que vem tem mais RESUMIDO!