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“Adolescência” e radicalização / Ghibli reduzido a meme / Viralidade diluída

Conteúdo


Os excessos da tecnologia transformam o legado do Studio Ghibli em memes descartáveis e podem radicalizar adolescentes, como mostrado na série Adolescência. Compartilhamos cópias atrás de cliques, numa realidade em que números inflados alimentam a ilusão de relevância.

O que resta de autêntico em um mundo obcecado por cópias?

No RESUMIDO #307: Adolescência e a radicalização dos jovens online, a viralidade foi inflacionada, rede social pune discurso negativo, ferramenta da OpenAI reduz a estética do Studio Ghibli a um meme, modelos da H&M ganham gêmeos digitais, Espanha criminaliza deepfakes sexuais e muito mais!

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DICAS DE LER, VER E OUVIR

RESUMIDO Tracks

Playlist semanal do RESUMIDO, atualizada a cada edição (se gostou muito de alguma música, salva em algum lugar!)

Para Assinantes

Transcrição

Transcrição EP. #307

(transcrição gerada automaticamente, pode haver falhas)

00:44

Olá, RESUMISTA! Esse é o RESUMIDO, um podcast sobre cultura digital e o impacto da tecnologia em todos os aspectos das nossas vidas.

01:10

Vamos de cultura digital e como nosso comportamento online ajuda a moldar a sociedade.

01:26

Que pancada essa série adolescência. Finalmente assisti a assunto tão debatido nas últimas semanas e, no meu caso, sendo pai de um adolescente de 13 anos, mesma idade do menino retratado na série,  traz um peso um pouco maior. Mas eu imagino que todo pai de adolescente, mãe de adolescente ou quem convive com o adolescente ficou bem assustado com o que foi retratado ali.

01:55

mesmo com o meu filho tendo acesso muito restrito à internet. Eu comentei na época aqui no RESUMIDO, quando ele comprou o primeiro celular com 11 anos, mas ele tem muitas restrições. Ele não pode ter rede social, ele tem um tempo de tela extremamente limitado. Eu uso a ferramenta Qustodio para fazer isso. O Qustodio, inclusive, já foi anunciante aqui no RESUMIDO. Tem lá no RESUMIDO.cc/qusstodio.

02:22

tem um desconto de 10%. Eu não ganho nada com esse desconto, eu tô dando a dica porque eu gosto mesmo da ferramenta e não foi à toa que eles foram almoçantes aqui. Mas o risco existe mesmo com esse controle parental todo. Se você não assistiu a série ainda, porque eu vou falar aqui, é nenhum spoiler, a série não é sobre ele ter ou não matado a colega, a questão é muito maior do que isso. Cada episódio é um plano sequência de uma hora, impressionante a produção, atuações memoráveis.

02:51

Mas as coisas mais legais da série é a forma que a história é contada, fugindo de vários clichês da família disfuncional, do pai alcoólatra, da mãe ausente.  são pais amorosos, presentes, que não veem o que está se formando na cabeça desse adolescente, muito por conta da internet.  Eu recebi um monte de mensagens antes de assistir a série, de gente falando, caramba, você já viu como fala de radicalização online? E fala mesmo, é a questão central, é como ele é radicalizado.

03:19

por essa chamada manosfera, essa machosfera que fica pregando na cabeça de meninos dessa idade, misoginia o tempo inteiro. Isso aí entra na cabeça de uma criança que já está sendo excluída, insegura, sofrendo bullying, sendo rejeitada.  Passar o odiar a mulher é um pulo. E a radicalização desse menino não se dá na escola, apesar da escola que é mostrada em um dos episódios é completamente disfuncional.

03:47

professores sendo, uma bagunça pra tudo quanto é lado, vários casos de bullying, relatos de bullying, sendo mostrados durante essa uma hora do episódio. Mas essa radicalização não acontece ali, ela acontece em casa,  no computador, quando ele está dentro do quarto dele mesmo, e os pais achando que ele está num ambiente seguro. Ele não estava. E esse discurso misógino que ele vai acompanhando, os famosos incel, que são os involuntary celibates.

04:15

Seus celibatários involuntários.  Meninos que são celibatários não por opção,  mas porque eles são excluídos do sistema de aproximação com as meninas. Nada disso existe, é uma balela, tem várias teorias malucas, a teoria do 80-20, que 80 % das meninas vão estar atraídas pelos 20 % dos meninos mais bonitos. Um monte de caraminhola que vai botando na cabeça desses adolescentes.

04:42

que pode acabar chegando no ponto que é mostrado na série. A série não é baseada numa história real, mas tem vários casos já reais que aconteceram parecidos com o que é mostrado na série. Inclusive, foram dois casos desses que dispararam o interesse do ator que interpreta o pai, e é um dos criadores da série, a escrever a adolescência. Então, o mais relevante da série é como esses meninos se identificam com esse discurso de ódio por carência, por frustração e por não estarem sendo vistos.

05:12

nem na escola, nem em casa, e acabar encontrando um lugar para ser visto na internet com as melhores companhias possíveis. O que a gente vê hoje em dia é uma falha estrutural dos pais, da sociedade, são escolas e professores sem nenhum preparo para lidar com bullying, com assédio, com misoginia, pais que estão sobrecarregados de trabalho, que não têm nem a ferramenta, nem o repertório digital para conseguir acompanhar um tema desse, a falta de letramento digital nas escolas, nas famílias,

05:42

Então a discussão pública que eu vi sobre a série acabou ficando muito superficial,  falando sobre coisas como eu comentei, matou ou não matou, cara, isso só pode ser dito por quem não viu a série, ou acreditando que o menino ser levado a se tornar um assassino é o resultado normal, não é, ou que esse possa ser único resultado negativo desse tipo de isolamento digital.  Muitas outras coisas podem acontecer,  não tão ruins quanto um assassinato.

06:10

mas depressão, ansiedade, ficar sem amigos,  baixa autoestima e várias outras coisas que eu falo há tanto tempo aqui no RESUMIDO e que eu fico feliz por um lado de ver esse assunto circulando, sendo debatido, mas a gente já vê nas próprias redes sociais os algoritmos operando, perfis sem pé nem cabeça falando sobre esse tema, repetindo coisa que leu por aí, sem muita reflexão, muitas vezes sem autoridade para falar daquilo e esse conteúdo que acaba circulando mais. Então tem um perigo aí da série

06:39

disparar uma discussão importante, mas disparar ela nos parâmetros errados. Essa é a única preocupação que eu tenho. Porque a mensagem da série é que a gente precisa olhar para esses meninos e para essas meninas também. Mais do que controlar o celular é abrir espaço para conversa, porque o problema não é o celular, o aparelho, o problema é o que é consumido ali. E muitos pais e mães não sabem o que o filho está vendo na internet, não dedicam tempo de olhar o histórico e de principalmente conversar.

07:09

com essas crianças e adolescentes sobre o que significa estar online, que tipos de conteúdo consumir, o que não consumir,  acompanhar o que está sendo consumido e conversar sobre aquilo, tentar entender por que está assistindo e tentar apresentar outras opções, porque esse é único caminho, é da educação, da conversa. De outra forma, realmente o resultado com o que a gente vê na série é possível. Agora, não dá pra acreditar que a série é um remédio em si, eu estou vendo muita gente falar disso, inclusive muita gente falando que quer assistir com os filhos,

07:39

que quer mostrar para os filhos, isso é uma péssima ideia. Um pediatra aqui do Rio, o Dr. Felipe da Veiga, fez um post no Instagram falando justamente sobre isso. Ele comparou exibir adolescência para uma adolescente de 13 anos como servir feijoada para um recém-nascido. Porque apesar da classificação de 12 anos da série, os temas são muito densos. Ele fala muito sobre as questões da família,  sobre coisas que não são diretamente o assunto ou o tema a ser conversado com esse adolescente.

08:07

A conversa, como eu disse, é sobre o conteúdo,  é sobre a inclusão, sobre como esses adolescentes se sentem, como as coisas estão indo na escola. São conversas fáceis. Adolescentes são fechados por natureza, faz parte desse processo renegar os pais, se rebelar e não querer falar, mas é obrigação dos pais, da família, de quem está próximo. Também os professores das escolas estão acompanhando-se muito de perto. O que isso não pode virar, essa série, uma misteria completa.

08:35

uma demonização da adolescência, como bem disse o Dr. Felipe da Veiga,  como se a adolescência fosse definida pela violência. Isso não é verdade.  A adolescência é uma época de muitas descobertas, de muitas transformações, aprendizadas, oportunidades de crescimento, e é assim que tem que ser tratado. A gente vive num mundo cercado de telas, mediado por telas. É a realidade que a está vivendo hoje em dia, é muito grave, muito agudo para os adolescentes dessa geração.

09:05

que a gente pode fazer é ajudar, guiar,  conversar e estar ciente das coisas e dos riscos que estão ali dentro e não acreditar que eles vão se virar sozinhos ou online. Eles não vão se virar se tem um alerta na série que é importante. isso. Converse com os adolescentes. E nesse mundo de visualizações em que as pessoas são capazes de criar conteúdos perversos para conseguir views de adolescentes perdidos para tentar faturar com isso…

09:32

O número de visualizações de um vídeo,  de uma mídia qualquer que seja publicada em redes sociais é muito importante, é um indicador muito importante para pessoa conseguir fechar apoios, fechar patrocínios, inclusive até para alguns espectadores e ouvintes considerarem se eu vou ouvir aquilo ou não. Infelizmente as pessoas medem essas coisas por esses números. Eu já contei a história aqui mais de uma vez do primeiro hit do RESUMIDO no TikTok, que foi um vídeo sobre o pix sexual,

10:01

que chegou a ter mais de 330 mil visualizações. Só que eu fui lá olhar na hora o que estava acontecendo e dessas 330 mil visualizações,  98 % eram de menos de um segundo. Ou seja, o TikTok contabilizava qualquer exibição na tela, qualquer impacto, como é chamado, na tela. E aquilo era contado como uma visualização independente da pessoa ter assistido ou não. Isso é óbvio que é uma métrica completamente deturpada que não serve pra nada, ela só ilude.

10:30

não por acaso os números de TikTok sempre foram muito mais altos, acontece que as outras redes sociais começaram a atrás,  algumas mais discretamente, como é o caso do Instagram, outras agora indo mais frontalmente em busca disso, é o caso do YouTube, com o YouTube Shorts, que é o equivalente ao TikTok ou ao Hews do YouTube, que vai passar a contar as visualizações dessa forma, porque o que eles acreditam que isso vai estimular as pessoas a criarem mais. Eu não discordo completamente, os vídeos que eu posto no YouTube tem números…

10:58

horríveis de visualização que não te estimulam a ficar publicando mais lá. Eu publico porque meu foco aqui não é números de visualização e sem a qualidade dos ouvintes e pessoas, espectadores no YouTube ou nas redes sociais, mas isso conta. Então eles acreditam que isso vai incentivar mais gente a postar mais. A gente vai ter cada vez mais vídeos, mais posts com mais likes e mais curtidas e mais visualizações, porque é isso que a plataforma quer, não necessariamente que a gente quer, né? Uma matéria da Glamour.

11:27

falou sobre o conteúdo repetitivo, sem autenticidade, que vai tomando conta das redes sociais. A gente ainda está falando de humanos produzindo conteúdo. Eu não vou nem entrar no assunto de conteúdo sintético, começar a ser criado com inteligência artificial. Já falei disso por aqui, episódio passado, episódio atrasado. No caso, estou falando de conteúdos de humanos, especificamente da cena em Nova York de influenciadores. Está rolando um desgaste lá que as pessoas não aguentam mais ver o mesmo tipo de influenciadora.

11:56

loura, bonita, branca, que vai tomar café, vai na marca tal e fala as mesmas coisas, fala sobre ter ansiedade por conta da vida digital,  virou uma fórmula. E as pessoas não aguentam mais consumir isso e outros tipos de influenciadoras, principalmente as de outras etnias,  as espânicas, as negras, reclamam de não conseguirem ter a mesma visualização do que essas meninas brancas que falam a mesma coisa sem parar.

12:21

Eu vejo como uma coisa positiva esse cansaço, porque eu sempre falo eu sou otimista em relação à internet, eu acredito na internet desde o início, eu estava na BBS graças à minha mãe em 92, e eu estou aqui acreditando que a internet pode ter uma reviravolta e voltar a ser mais positiva do que é hoje em dia, inclusive voltando assim à internet,  Decentralizada, em que as pessoas vão até sites não plataformizadas, não algoritmicas, que a gente faça escolhas conscientes do que a gente está indo consumir.

12:50

Eu acredito nessa internet, eu acredito que ela vai vir a partir do cansaço dessa internet plataformizada, algoritimizada, em que a gente é empurrado, ou nos é empurrado, conteúdo independente, se a gente querer ou não ver aquilo de fato. São gatilhos, vai explorando as nossas fragilidades, nossos interesses, e a gente fica preso naquilo ali, vendo coisas que não necessariamente são as melhores coisas que a gente quer ver. Então, se as pessoas estão começando a questionar…

13:16

a qualidade,  a repetição, autenticidade desses conteúdos é sinal que tá começando a cair uma ficha de que,  tem outra coisa pra fazer com essa tecnologia.  A Rolling Stone também falou sobre uma crise que tá acontecendo com os criadores que fazem vídeos ao vivo. Um dos mais conhecidos é o Ice Show Speed, um moleque chato pra cacete que não fala nada, ele só grita, finge que tá exaltado.

13:41

Ficou muito famoso porque ficou obcecado com o Cristiano Ronaldo, soube explorar isso, ficou indo atrás dele até conseguir conhecer. Ele é um menino dos Estados Unidos, talvez aproveitando essa onda de copa que vai ser lá no ano que vem, Copa do Mundo. Mas o fato que ele é chato pra caramba, mas ele tem milhões de seguidores mesmo sem fazer nada, ele faz muita coisa ao vivo. Ele fez uma turnê, passou aqui pelo Brasil, foi pra China, teve situação de um milhão de pessoas indo ver ele na China, uma coisa alucinada e tendo problemas de conter essa multidão.

14:09

Só que alguns outros influenciadores até menor do que ele têm tido outro tipo de problema que é ser atacado durante as transmissões ao vivo.  Gente que não gosta deles, não aguenta mais e acaba descobrindo onde eles estão e vão lá, às vezes até para trollar mesmo, para atrapalhar a transmissão. E essas pessoas estão sendo agredidas ao vivo, em tempo real, enquanto estão fazendo as transmissões. No Japão teve um caso bem grave,  uma dessas…

14:33

influências que fazem transmissão ao vivo. Ela foi assassinada durante uma transmissão, eu não tenho certeza se foi exibido assassinato ou não, mas chegou a esse ponto. Então muitos desses influenciadores estão começando a ter medo de se expor dessa forma.  Óbvio que são exagero completo, não tem como apoiar isso, mas é um pouco primo do assunto que eu acabei de falar, desse cansaço que as pessoas estão.

14:56

de influenciadores em toda parte, falando sobre tudo o tempo todo. Eu, como falei, eu abri o Instagram esses dias, eu entro cada vez menos, e a quantidade de vídeos superficials sobre adolescência, sobre a série,  me chamou a atenção. E aí, nesse cenário que as pessoas estão plataformizadas, algoritimizadas, que não conseguem assistir o que elas escolhem, que tudo é empurrado da forma que é, e que as pessoas já estão cansadas de consumir coisa dessa forma, em que…

15:24

O engajamento muitas vezes é trazido pelo ódio, pela polêmica, por você se polarizar algum tema e isso acaba disparando gatilhos na pessoa, que vai lá comenta porque ficou revoltada, com o que leu. Essa dinâmica de rede social que a gente já conhece está gerando novas soluções. A Wired falou de uma rede social chamada Sass Us,  que é toda calcada no conteúdo positivo. Ela vai hierarquizando os usuários.

15:52

a partir do comportamento deles online. Então essa rede social tem uma ferramenta de reputação que mede a reputação dos usuários, como eles se comportam, como eles interagem, como as pessoas interagem com ele, e isso vai trazendo mais visibilidade pro conteúdo daquela pessoa. Isso é muito legal. Eu falei há muito tempo atrás, acho que na época daquela transmissão ao vivo de um assassinato em massa na Christchurch, que eu questiono muito essa habilidade de qualquer pessoa pegar uma plataforma e falar com o mundo. Acho que isso…

16:21

É ótimo que seja democrático e todos tenham acesso, mas eu acho que tinha que ser conquistado através de algumas etapas. Já fez não sei quantas lives, já a repercussão é positiva por isso e aquilo outro. Você vai ganhando direito a fazer uma live sem delay, uma live para mais pessoas, você vai conquistando esse poder de falar com cada vez mais gente. Uma coisa mais orgânica e natural do que você virar um botão e alguém falar com o mundo inteiro.

16:48

porque a está vendo muito problema gerado por isso. E uma rede social pensada dessa forma também faz sentido. Uma outra coisa que eu fiquei pensando também em relação à adolescência, ao consumo de rede social, à dificuldade de mediar o acesso dos adolescentes a conteúdo negativo, é que mais do que aplicativos de controle parental, a gente devia começar a pensar em sistemas operacionais para adolescentes. O telefone é o mesmo aparelho, mas por que que o…

17:16

O OS, o sistema operacional do iPhone ou do Android, é o mesmo para um adolescente. Será que só não devia vir embarcado no aparelho? Um adolescente tem um aparelho com vários limites para tentar evitar esse tipo de coisa. É óbvio que o adolescente vai encontrar uma forma de chegar nos conteúdos que tiver interesse para chegar. Inclusive, eu falei, não é uma recomendação os adolescentes assistirem a série Adolescência, mas eu tenho certeza que vários já assistiram, vão assistir.

17:45

E mesmo se pai disser que não, talvez encontre cortes em redes sociais, em YouTube, enfim, é muito difícil parar.  Eu acho que a gente precisa de questões regulatórias para ajudar a mediar esse dia a dia dos jovens com a internet. Uma hora vai chegar, eu acredito que a internet vai dar certo, eu sigo acreditando que vai dar certo, tem que dar certo.

18:11

Agora é o momento de explorar as transformações causadas pelas inteligências artificiais.

18:21

Eu não encontro mas tenho que pertencimento

18:32

Semana passada foi impossível entrar na internet sem ser impactado por alguma imagem alterada para aparecer uma obra do Studio Ghibli. Studio Ghibli fez alguns clássicos da animação, eles a viagem de Chihiro, Totoro, e a estética é bem peculiar. O motivo disso foi o lançamento da nova ferramenta de geração de imagem da OpenAI,

18:55

A Sora, que antes era usada para vídeo, agora está sendo usada também para imagens estáticas e está embarcada no chat GPT. A qualidade das imagens é absurda, realmente está muito à frente de outras coisas que a gente vê por aí, inclusive as mais manjadas, Me Journey e outras assim, com bastante controle das imagens.  E um dos casos que viralizou foi justamente ficar transformando imagens clássicas do cinema, da política, da história em interpretações…

19:24

do visual do Studio Ghibli. A primeira coisa que veio na minha cabeça, assim que eu comecei a ver, foi, cara, a OpenAI não tá nem tentando esconder mais que rouba conteúdo,  Porque pra conseguir reproduzir as obras, o estilo do Studio Ghibli, com essa qualidade, só tendo ingerido muito material deles pra poder reproduzir. Agora, com que direito? Onde fica o direito autoral nisso?  Essas empresas de inteligência artificial rasparam a internet inteira, como a gente já sabe.

19:54

vários vídeos e filmes e obras que estão por aí sem autorização para poder treinar os sistemas. Me chamou muito a atenção, OpenAI não tem nem se mexido a respeito disso, foi tipo um tapa na cara, aí, pegamos e estamos fazendo o mesmo. Até o Sam Altman fez uma versão dele, do avatar dele,  no estilo do Studio Ghibli. Isso ou não tem compliance na OpenAI, não tem jurídico, porque eu achei uma loucura, uma assinatura de confissão.

20:21

de que sim eles raspam e roubam conteúdo. Eu brinquei com a ferramenta, eu criei uma versão da capa do RESUMIDO que eu tinha até pensado em usar nessa semana de brincadeira, mas depois, conforme essa discussão foi evoluindo, eu fui vendo tamanho do problema que está ali, até desanimei usar a capa. É óbvio que eu uso ferramentas de inteligência artificial para diversas coisas, mas essa questão do direito autoral dessa forma complica muito a discussão. Inclusive o Miyazaki, é o chefe do estúdio Ghibli, já se manifestou no passado

20:51

quando alguns funcionários mostraram umas animações feitas por IABA, isso há alguns anos mesmo, se eu não me engano, em 2018, ele disse, vendo a obra, que tudo bem, não tinha a qualidade que tem hoje, mas ele assistindo tem um vídeo, ele fala que aquilo é uma ofensa à própria vida. Porque, como disse o J.T. Moody, CEO da Renaissance,  no LinkedIn, é um pouco maior do que simplesmente copiar o estilo, se inspirar no estilo. Eu já falei que eu acredito que ninguém é impedido de aprender

21:21

consumindo organicamente alguma coisa, lendo livro, vendo sei lá quantas horas de material e fazer um estilo parecido. Você não pode copiar, né, mas você pode ser influenciado. E a teoria toda dessas empresas de AI é que eles só estão educando o sistema pra ele aprender.  Mas tem uma coisa um pouco maior do que essa cópia descarada, que é o fato disso simplesmente desconsiderar as milhares de horas de trabalho colocadas pelos artistas pra chegar naquele resultado.

21:51

E não é uma questão de preciosismo, ah meu Deus, coitados artistas, não, isso tem um significado.  Aquela obra ser feita daquela forma, ser pensada e criada na velocidade que ela é criada, que é lenta,  aquilo interfere na obra. Quando você começa com um clique e fazer aquele mesmo resultado, vira essa bagunça sem significado, que é o que a gente viu. O atentado de 9 de setembro reproduzido nessa estética, isso é uma coisa de mal gosto até.

22:19

Nesse artigo do LinkedIn, ele fala sobre a tradição dos tesselões de muselina da Índia, que acabou sendo extinto quando chegaram os métodos industriais britânicos. Tudo bem, tem o produto mais acessível, mais barato, tem vantagens, mas essa réplica industrial não tem o mesmo significado, ela não passa pelo processo. E esses processos são muito importantes. E essa popularização de arte em IA, dessa maneira automatizada que a gente está vendo, esbarra nessa mesma coisa.

22:49

Eu dei um exemplo uma vez da Sarah Silverman, a comediante quando ela processou a OpenAI, porque disse que tinha consumido o livro dela e estava reproduzindo as piadas, e pra mim a OpenAI pode fazer a piada igual a da Sarah Silverman. Se eu não souber que foi ela que escreveu, que tem a vivência dela ali por trás, que ela está contando, que eu estou vendo ela contando, falando aquela piada, não vai ter o mesmo valor. Porque o que vale é a origem, de onde veio, porque que veio… Você só pode…

23:18

tentar repetir a piada da Sarah Silverman porque existiu a Sarah Silverman para estabelecer esse parâmetro, concorda? Isso não teria sentido. Se você fizer uma piada que não é de ninguém, não vai ter graça. Se você fizer o Studio Ghibli que não é de ninguém,  também ninguém vai reconhecer, não vai memetizar como memetizou, porque as pessoas não vão ligar pra aquilo. É meio fofinho, mais legal, não sei o que é isso. Mas isso só existe, só tem essa carga, porque tem um artista por trás. E isso pra mim é…

23:45

o ponto crucial dessa coisa toda e é o que, de certa forma,  protege essas artes, conhecimentos.  Eu ouvi esses dias alguém falando uma coisa que eu achei interessante, esqueci onde foi, que falava, você pode aprender, você pode pesquisar qualquer coisa no chat GPT? Pode, mas qual é graça disso comparado com aprender? Eu gosto de aprender, eu gosto de ler, aprender, saber daquilo.

24:12

me envolver com o que eu estou lendo. Eu já falei várias vezes na minha vida, minha encarnação de crítico musical. Eu me interessava muito mais pela história, ficar lendo sobre o disco, como ele foi feito, às vezes mais do que o disco. Às vezes tinha um disco que eu nem gostava tanto, mas a história por trás do disco é encantadora,  ou você fica apaixonado por aquilo querendo ouvir.  Então, não é porque tem todo o conteúdo do mundo no chat de GPT que eu não quero aprender outras coisas.

24:38

Eu quero continuar aprendendo, acho que muita gente vai querer continuar aprendendo. A criação tem uma história por trás, não é uma coisa gerada num prômio, você pode ter certeza disso. E é esse argumento, de acordo com a Variety, que está levando 400 profissionais de Hollywood a protestarem contra a tentativa de isenção legal para as empresas como OpenAI e Google no uso desses materiais que têm direito autoral.

25:03

A indústria está dizendo que não tem como eles utilizar esse conteúdo sem alguma compensação, algum consentimento dos autores. Essa discussão é até um pouco velha, Quando a fala em rede social,  o tanto que essas redes faturam com os nossos dados, com o conteúdo que a gente gera, e alguns poucos,  com centenas de milhares ou milhões de seguidores e visualizações, acabam recebendo alguma coisa.  A maior parte deles não vive dessa receita vinda das plataformas, e eles fazem, as plataformas…

25:30

fazem a vista grossa para que eles vendam anúncios, suas coisas ali dentro.  Mas, enfim,  essa falta de compensação vai chegando a um limite quando a ferramenta por si só, para existir, precisa consumir o conteúdo de outra pessoa, a criação de outra pessoa, como é o caso dos modelos de linguagem de inteligência artificial. Um juiz autorizou o segmento dessa ação e a OpenAI segue argumentando Fair Use, que é um dispositivo da lei nos Estados Unidos, que também é aplicado em outros lugares do mundo, aqui no Brasil, inclusive.

25:59

que é o uso justo, Você tá fazendo,  criando um documentário e você precisa de uma cena que ela tá sendo mencionada por um entrevistado que viveu aquele momento, você tem direito de pegar a cena, pode ser uma música, alguma coisa, um trecho pra ilustrar aquilo, isso é o que é considerado fair use nos Estados Unidos, óbvio que muita gente manipula isso de diversas maneiras, né? Às vezes pede pro entrevistado citar uma coisa específica pra poder usar a obra, enfim, tem vários jogadinhas aí pra conseguir.

26:27

Mas eu não acho que o a OpenAI faz com o consumo desses conteúdos que são protegidos por direito autoral, cabe dentro de Fair Use, porque eles estão fazendo para o uso comercial sem nenhuma nem crédito para a fonte daquilo.  A gente pode pensar, com tecnologias como o blockchain, que hoje em dia essas coisas poderiam estar registradas de uma forma que seria possível gerar micropagamentos para os autores daquela referência. Isso já mudaria dinâmico um pouco.

26:55

Mas ainda assim, o autor tem que ter o direito de falar, eu não quero a minha obra sendo reproduzida dessa forma. Até aqui não o que a gente está vendo. E dentro dessas polêmicas de conteúdo sintético,  a H &M,  a marca de fast fashion, de roupas sueca que tem no mundo inteiro, não tem aqui no Brasil, acho,  mas enfim, muito famosa.

27:15

vai criar gêmeos digitais de 30 modelos que trabalham para eles, ou seja, versões sintéticas desses modelos para poder gerar peça com velocidade, independente de se estarem disponíveis ou não para fazer uma sessão de fotos, por exemplo. O interessante é que os modelos vão ser donos dessas versões, inclusive, eles vão poder licenciar essas versões sintéticas para outras marcas. Isso já me parece uma coisa…

27:41

mais justo um pouco, porque você está usando aquela imagem, você vai pagar pelo uso, você está tentando diminuir o custo em outras pontas. Óbvio que você vai ter questões para várias outras partes da indústria, para os fotógrafos, para os iluminadores,  para os profissionais do estúdio, para o próprio estúdio, pode entrar nessa discussão, mas no caso específico dos modelos, eles estão sendo emunerados como se estivessem trabalhando, talvez um valor menor, e vão poder usar isso que foi criado para o próprio trabalho. E esse assunto vai…

28:10

Isso é uma coisa que vai aparecer mais e mais. Em Nova York já tem uma legislação, inclusive, dizendo que é exigido o consentimento para alguém poder criar uma réplica digital.  E aí leva em consideração o propósito, duração, pagamento, ou seja, já estão começando a ver regras sobre isso. Tem uma notícia que eu sempre me lembro e eu nunca encontrei ela, eu já procurei algumas vezes, talvez não com o empenho que eu devesse, que falava…

28:38

do Arnold Schwarzenegger tendo vendido a versão digital dele para o estúdio, mas isso tem décadas. Não existia nada parecido, ele já tinha se adiantado e licenciado a imagem dele para ser reproduzida digitalmente. Queria muito ver a quanta isanda essa história, ou até encontrar a notícia original que eu nunca mais encontrei. Porque nesse universo ultradigitalizado que a gente vai passar a viver,  essas questões vão ficar importantes,  inflamadas, esse tipo de proteção vai ser essencial.

29:07

E a Espanha agora é pioneira na Europa, é o primeiro país a criminalizar o uso de inteligência artificial para produzir deepfake sem consentimento.  Deepfakes eróticos, sexuais. Isso aí é uma proteção muito grande para as pessoas, principalmente para as mulheres, obviamente. Na newsletter da semana passada eu falei dessa nova onda, dessa nova tendência de homens, óbvio, que estão criando versões digitais de mulheres.

29:34

não necessariamente conhecidas, mas também rouba esse conteúdo em outras redes, para criar uma versão digital, criar uma página no OnlyFans e ficar vendendo conteúdo erótico e infaturando sem fazer nada, só explorando a imagem de uma mulher. Fictício ou não, porque mesmo fictício está errado, Isso não parece correto. Principalmente, quem compra não sabe que é isso. E nessa velocidade que as coisas estão se transformando,

29:58

Eu li uma matéria no Globo falando das três carreiras universitárias mais ameaçadas pela inteligência artificial,  segundo a própria IA. IA IA listou contabilidade, né, pessoas que fazem cálculos de impostos, essas coisas,  tradução básica, não tradução de livro, que você precisa interpretar o texto e trazer para uma língua, uma tradução mecânica. Essa eu acho que faz sentido.

30:19

E em terceiro lugar a IA citou o jornalismo informativo. Isso eu achei uma loucura completa. Se tem uma coisa que não vai ser substituída por IA tão fácil é o jornalismo. Eu dou um exemplo fácil. Me mostra uma IA que vai desenvolver uma relação de confiança com uma fonte. Uma IA que vai conseguir identificar uma fonte para gerar essa relação e conseguir informar a partir daí. Isso não existe. Existem relações interpessoais, humanas.

30:47

que não vão mudar e não vão mudar tão cedo. E eu acho que a gente vai valorizar cada vez mais isso. Cada vez mais a gente vai querer saber quem é que faz aquele conteúdo. Eu falo muito da construção de comunidade do RESUMIDO,  desse momento que gente está passando, até da realidade que do podcast financeiro a gente conseguiu tocar isso aqui. E isso é muito importante, a gente vai ter que financiar esses lugares, esses veículos para poder existir. Você poder ouvir uma pessoa falando, você sabe que é uma pessoa que foi ali investigar aquilo,  que não está…

31:16

fazendo uma coisa de maneira aleatória, automatizada, que você não sabe com que intenção ou com que agenda.  Não que os jornalistas não tenham agenda, ouvi, aí eles têm. Aí você vai conhecer os que você gosta, você não gosta, que você quer apoiar ou não, você quer seguir ou não. Mas esse papel humano… Olha, eu não consigo ver isso mudar por tudo que eu venho falando, aliás, episódio. Eu não nem percebido quando eu separei os links como esse episódio está bem amarrado nesse tema, né? Essa questão da autenticidade.  O que a gente está fazendo, quem está fazendo.

31:45

quem está consumindo e por que, de onde vem aquilo. Essas são questões que eu acho que vão ficar cada vez mais importantes, não menos importantes não. Para muita gente vai ser menos importante, mas para uma parcela muito grande da sociedade, da população, não vai ser assim não. As pessoas vão querer saber e vão valorizar isso. Eu sei que eu valorizo. Um texto da The Conversation fala até dessa transição mesmo.  Todas as tecnologias moldaram a sociedade de alguma forma ao longo dos séculos.

32:13

A gente teve a prensa de Gutenberg, que mudou a propagação da informação, do conhecimento até a internet, que mudou já maneira que a gente vive, como a gente trabalha. Estou eu aqui gravando, tenho uma carreira, minha carreira é toda online.  Eu sempre trabalhei de casa, produzindo coisas, conseguindo falar com o mundo, seja por um blog lá em 2002,  seja por vídeo e áudio, num podcast, numa rede social, hoje em dia.  Essas ferramentas, chat e apeteia,

32:42

e todas as outras, elas têm um volume de informação enorme que vai se adaptando ao conteúdo, ao perfil do usuário.  E essa centralização da informação é que é o problema, né? Isso aí é o que a gente tem que tentar entender como a gente vai evoluir junto, porque isso reduz as perspectivas. Pode reduzir, né? Isso pode passar a quase sempre ser gerada uma resposta única, genérica, sem contestação,  sem…

33:08

um contraponto sem um ponto diferente ou novo,  porque esses sistemas vão dando a média.  Então, quem pensar muito diferente,  mesmo que seja esse pensamento raspado e incluído na plataforma de inteligência artificial,  não vai estar em destaque, não vai ser chamado, porque a plataforma está sempre pensando qual é a média,  o que eu tenho que botar que é o mais próximo do correto, o que é o mais provável que esse usuário que é ouvir como resposta.

33:37

é completamente diferente do conhecimento nássica, na dúvida, no debate,  num esforço contínuo, num desafio, algo que a IA não conseguiu até agora, eu acho que não vai conseguir tão cedo substituir de maneira plena.  Então, nós humanos ainda vamos seguir muito importante, tenho certeza disso.

33:59

E agora é hora de falar sobre como as Big Tech moldam nosso comportamento.

34:10

Essa semana o bloco de Big Tech está bem curtinho. Eu separei quatro coisas só para comentar e eu tenho separado muitas outras e publicado na newsletter o futuro explicado. Se você não assina a newsletter do RESUMIDO ainda é só visitar RESUMIDO.cc bar newsletter e assinar. É de graça. Pelo menos uma edição por semana é de graça.  E lá eu tenho trazido vários desses links, essas discussões. Estou planejando uma segunda edição dessa newsletter para trazer mais links e talvez até…

34:37

passar a fazer uma live em que eu comento os assuntos da newsletter mais profundamente.  Mas cada vez mais esse conteúdo tem indo pra lá, ainda mais quando eu tenho um episódio como dessa semana com tanta coisa pra pensar, tanta coisa pra falar, que acaba se estendendo um pouco mais e pensando e se aprofundando e acabam dando tanto tempo pra essas notícias curtinhas. Mas eu separei quatro que eu gostei muito. O meu ali na Future Reason, que são os pesquisadores da Penn State que desenvolveram uma tecnologia acústica.

35:06

que é capaz de criar um enclave audível. Isso quer dizer o seguinte, uma zona específica em que só uma pessoa ouviu som. Imagina numa multidão, você conseguir mirar e enviar um som e só aquela pessoa ouviu o que está sendo enviado. É uma coisa que era impensável hoje em dia,  E isso pode mudar tudo.

35:25

em relação a a gente vive em sociedade,  A gente pode começar a ter uma comunicação localizada, como a gente se comunica em ambientes que exigem silêncio, já que eu posso falar com aquela pessoa e só ela ouvir, quase como se fosse um walkie talkie acústico, sem o fone, você conseguir direcionar para onde você fala. Isso é muito útil, em museu, biblioteca, hospital,  como se fosse um sistema de cancelamento de ruído. Uma vez eu ouvi, e eu acho que eu falei sobre,  tecnologia…

35:52

que as pessoas iam começar a isolar o ambiente onde elas estão. Ou seja, você está num restaurante e não ouve nada fora da sua mesa. Tem uma criança chorando e você muta. Você vai poder mutar, botar no mudo várias partes do ambiente em tempo real. Isso eu já acho uma maluquice, porque aí você começa a pintar o cenário no mundo físico, no mundo real.  Isso vai levar um isolamento. Não quero ouvir esse, não quero ouvir aquele, eu estou aqui fechado.

36:17

Se o único escape que gente tem das telas e desse isolamento é no mundo real, não quero soar no mundo físico, não. Obrigado. Estarei dispensando.  O Linux Journal falou que a União Europeia está tentando reduzir a dependência dos Estados Unidos em relação a tecnologia, especialmente os Estados Unidos, mas também a China, e eles agora querem adotar uma tecnologia de código aberto, chamada EUOS, que é o sistema operacional da Europa.

36:43

como parte da estratégia de fortalecer a soberania digital da Europa. O que me chama a atenção nisso tudo é que há até pouco tempo não tinha ninguém falando sobre isso. Todos os países usando GPS, é dos Estados Unidos, as redes, maior parte, baseada nos Estados Unidos, e com essas mudanças políticas todas que a gente está vendo,  todo mundo começou a olhar, opa, peraí, talvez eu tenha ter minha própria tecnologia, talvez eu não possa depender do satélite e tal.

37:09

Aqui no Brasil a segue atrás. Eu acho muito importante o Brasil começar a acelerar nossa direção. A gente precisa começar a ter controle das tecnologias essenciais. A gente não tem mais um país sem internet. O país para. A gente não pode ter um país sem GPS. O país para. Então a gente precisa pensar em como a gente tem também uma soberania digital aqui no Brasil. A discussão talvez esteja aparecendo. Eu acho que ainda está muito longe. Para fechar duas notícias de rede social, uma do Tecnoblog.

37:38

um anúncio do Facebook que eles vão voltar com um feed só de publicações de amigos. Cara, isso eu acho muito engraçado, porque essas mudanças das redes sociais, às vezes, eles voltam para onde eles estavam, na maior cara de pau. Ah, vamos botar notícia, priorizar notícia, agora não tem mais notícia, agora vamos botar notícia de novo, porque é importante. E agora voltou para isso, né? O feed dos amigos. A gente entrou nessas redes sociais, maior parte das pessoas, para ver coisas publicadas pelos nossos amigos, não para ser empurrado por algoritmo.

38:07

coisa que eu sei lá quem foi, por mais que seja divertido e interessante ver na hora, eles estão testando esse recurso nos Estados Unidos e no Canadá, e aí eles estão com esse objetivo nostálgico de recuperar a alegria do Facebook. Eu não sei se vai dar tempo, não, mas pelo menos é um movimento na direção correta. E a outra notícia do Olhar Digital é que o Instagram lançou um programa de parceria escolar para ajudar as escolas a relatarem os casos de bullying diretamente para a plataforma.

38:36

A iniciativa garante prioridade para essas denúncias e respostas em até 48 horas já foi aplicado em 60 escolas, o resultado é bem positivo e reforça o que eu falei no primeiro bloco do episódio,  que é o controle,  o acompanhamento dessas plataformas pelos pais, pelas escolas, pelos professores, pelas famílias, porque a gente precisa ter esse controle. Essas redes sociais não podem operar dessa forma, ao Deus dará.

39:02

e cada Pike se vire. No mínimo tem que ter ferramenta para facilitar isso. Que bom que tem mais uma surgindo. Ainda falta muita coisa, mas tem que ficar feliz porque aparece. Isso é um bom sinal.

39:22

E agora é hora de relaxar com as dicas de ver, ler e ouvir.

39:33

Estou tão animado por assistir esse trailer.  Isso vai ser perfeito.

39:40

Eu adoro assistir coisas engraçadas. Acho que a minha intenção inicial quando eu vou buscar alguma coisa pra assistir, eu queria ver uma coisa pra rir.  Apesar dos meus filmes favoritos nem serem comédias, né? Pulp Fiction, Matrix… Mas enfim, eu adoro stand-up, eu adoro comédia, só que o difícil é você encontrar alguma coisa que seja de fato engraçada.  Às vezes você bota lá e tem uma risada pra dar.  Esses dias eu descobri a série The Studio, o estúdio da Apple TV.

40:06

que foi criada pelo Seth Rogen e pelo Ivan Goldberg, e acompanha um recém-nomeado chefe dos estúdios Continental, um grande estúdio de cinema,  lutando para equilibrar as demandas comerciais com as aspirações criativas que ele tem para manter o cinema relevante. Nos dois primeiros episódios já rolam participações especiais de Martin Scorsese e da Charlize Theron, e o Seth Rogen está bem demais no papel do patético chefe do estúdio.

40:33

que fica completamente perdido entre trabalhar e agradar o próprio ego.

40:53

Eu aliás dico isso você não vai imaginar.  Vão desde ler revistas e blogs de música até acompanhar fóruns de nistro, influenciadores, seguir gravadores independentes e também acompanhar programas de rádio online para conhecer novos sons de maneira mais autêntica, ou seja, oferecidas por um humano.  Eu me senti um dinossauro lendo isso, né? O próximo passo é ser um tutorial de como navegar na internet, porque ninguém mais sabe fazer nada.  Se bem que isso aí já devia até estar rolando, né? Será que isso aí é um curso para o resumimento do oferecer?

41:28

Hoje a dica musical vem acompanhada de uma recomendação de um imperdível para quem estiver no Rio ou em São Paulo.  Os Hermanos Gutierrez é um duo instrumental formado pelos irmãos equatorianos suíços Alejandro e Esteban Gutierrez que só com dois violões fazem um som que mistura música tradicional latino-americana com influências contemporâneas. É um troço extremamente viajante. Eles tocam no dia 10 de abril na Casa Natura Musical em São Paulo.

41:55

e no dia 13 de abril no Teatro Casa Grande, no Rio, como parte do Queremos Festival 2025.  Lembrando, eu não sou mais sócio do Queremos, a dica é sincera,  esse show é imperdível, fiquei muito feliz de ter.

42:11

Nesse episódio você ficou sabendo que o YouTube mudou o seu sistema de contagem de plays para aumentar os números de visualizações, que a nova ferramenta de geração de imagem da OpenAI já chegou chutando os direitos autorais para o alto,  que a H &M anunciou a criação de gêmeos digitais de 30 modelos reais para suas campanhas, que a Espanha se tornou pioneira na Europa ao criminalizar deepfakes sexuais e também debati bastante sobre os impactos da série Adolescência.

42:40

Além de outros assuntos. Se você gosta do RESUMIDO, me ajuda a fazer esse podcast crescer. Recomenda para mais gente. Posta no seu Instagram, no seu WhatsApp, manda para os amigos, para a família. Ajuda muito quando você faz isso. Porque nada melhor para uma pessoa do que receber uma recomendação de quem ela já conhece. Se você puder fazer isso, eu te agradeço muito e vou agradecer também se você puder curtir, assinar, seguir, dar 5 estrelinhas, deixar uma resenha na plataforma que você estiver escutando esse episódio agora.

43:10

O RESUMIDO é produzido e apresentado por mim, Bruno Natal. O roteiro é escrito por mim e pelo Agenor Neto, com a colaboração do Carlos Calbuque Albuquerque. O Cauê Marques co-edita o roteiro, a newsletter O Futuro Explicado e as redes sociais que contam com animações do Peri Semmelmann e design do Felipe Araújo.  A edição e mixagem é feita pelo Hugo Rocha, a foto da capa do Jorge Bispo e o tema original foi composto pelo Gustavo Silveira.  Eu sou Bruno Natal, obrigado pela audiência e semana que vem tem mais… RESUMIDO.