Transcrição
Transcrição EP. #285
Olá, eu sou o Bruno Natal, hoje é dia 15 de outubro e no RESUMIDO número 285: o retorno nostálgico do MiniDisc e das fitas K7, a inteligência artificial conquista o Nobel, Threads enfrenta o desafio das iscas de raiva, preocupações com a segurança do conteúdo do Roblox, a Califórnia protege dados neurais, termos de uso impedem casal de processar o Uber e muito mais!
Vamos nessa, RESUMIDO!
Olá RESUMISTA!
Esse é o RESUMIDO, um podcast sobre cultura digital e o impacto da tecnologia em todos os aspectos das nossas vidas.
Semana passada fui convidado para um evento no escritório da Meta, em São Paulo, para conhecer as iniciativas de moderação de conteúdo pra crianças e adolescentes no Instagram. Já tinha comentado sobre essas funcionalidades por aqui e contei um pouco do evento num reels no @resumido.podcast O que continua difícil é para os pais conseguirem implementar os filtros nos aparelhos e também em diferentes apps. Isso precisa ficar mais fácil. Em todo caso, bom conhecer os posicionamentos da Meta em primeira mão.
CULTURA DIGITAL
Vamos de Cultura Digital e como nosso comportamento online ajuda a moldar a sociedade.
Se você teve um aparelho de MiniDisc, você também certamente deve lembrar da Copa de 1994 ou da TV Pirata. Mas, diferente do carisma da Seleção Brasileira e do humor na TV aberta, o MiniDisc está de volta, assim como a fita K7 e outros formatos que você deve achar que ficaram para trás.
O mundo adora uma onda retrô e eventualmente, tudo volta. E como eu venho falando (implorando, na verdade), já passou da hora de lançarem um aparelho exclusivamente para ouvir música. E como não lançam, o povo vai se virando como dá.
O MiniDisc (vulgo MD, antes de MD significar tudo que significa hoje) era uma mídia digital que misturava CD com K7, lançado pela Sony em 1992. Se você nunca viu um, era como se fosse um mini CD dentro de uma caixinha de plástico, com capacidade de gravar 60, 74 ou 80 minutos de áudio. O tocador era quadradinho, com visor de LCD, parecia algo saído de um filme de ficção científica, a coisa mais linda.
Era a evolução do walkman, um áudio com qualidade de CD que não pulava e era bem compacto, como as fitas K7. Durante alguns anos, o MiniDisc apontava o futuro. A Philips e a Matsushita também tentaram criar um substituto digital para as fitas K7, com o DCC).
Só que, apesar de sua popularidade no Japão e algum sucesso na Europa, o futuro do MiniDisc demorou tanto que nunca aconteceu, principalmente por causa do preço alto, e acabou engolido por outras novidades. A começar pelos gravadores de CD, muito mais baratos.
O bom e velho CD-R e depois os tocadores de MP3, como o iPod, tomaram a cena. Com a vantagem de eliminar a necessidade de uma mídia física, os tocadores de MP3 precisavam apenas dos arquivos carregados diretamente nos aparelhos. Isso até o streaming chegar e acabar também com os iPods.
Mesmo nesse cenário, a produção de dispositivos MD só foi encerrada em 2013. Segundo uma reportagem da The Verge, agora é possível fazer o caminho tecnológico contrário e, usando um smartphone e um cabo USB, carregar músicas e podcasts num MiniDisc, pra escutar um som sem as distrações do celular.
No TikTok tem um tutorial feito pelos programadores do site minidisc.wiki e vou linkar na newsletter do Resumido, O Futuro Explicado, que sai toda quinta. Se você ainda não se inscreveu, é só visitar www.resumido.cc/newsletter.
Essa vontade de ouvir música sem interrupções digitais foi assunto num artigo do New York Times falando sobre o ressurgimento das fitas K7. Embora as fitinhas tenham sido substituídas pelos CDs no início dos anos 1990, elas continuaram populares em alguns nichos musicais específicos.
Hoje em dia, artistas pop contemporâneos como Taylor Swift, Billie Eilish e Charli XCX lançam seus discos em fitas K7. E os toca-fitas, que também deixaram de ser fabricados por grandes empresas como Sony e Panasonic há muito tempo, também estão sendo revitalizados por startups.
O custo acessível e o apelo para fãs que valorizam uma conexão física e tangível com a música são os principais fatores desse ressurgimento. Isso é parte de uma tendência mais ampla de nostalgia por formatos retrô que vai além da música. Nos EUA, tem gente dirigindo modelos de BMW, como a Z3 de 1998, que ainda possuem toca-fitas embutidos.
E se você quer ver algo muito legal envolvendo formatos analógicos de lançamento de música, não deixa de conferir o que o Green Day está fazendo pra celebrar os trinta anos de lançamento do clássico Dookie. No site dookiedemastered.com você pode comprar cópias das faixas “demasterizadas” do disco em diferentes formatos de mídia, inclusive analógicos.
Em vez de tentar melhorar a qualidade da gravação original com uma remasterização, o Green Day criou versões das músicas do disco embutidas em formatos físicos inusitados, como uma caixinha de música, uma escova de dente, uma campainha de porta, uma fita de Game Boy ou um Teddy Ruxpin. Além de servir como um colecionável bacana pros fãs da banda, o trio explora essa onda de antigos formatos físicos para ouvir música.
É impossível olhar para essas movimentações e não associar com a crise latente do streaming, que além de estar sendo inundado por conteúdo de baixa qualidade gerado por IA, remunera muito mal os artistas e tenta aprisionar os ouvintes através de algoritmos bastante confusos.
Talvez, apenas talvez, aquele seu amigo hipster que coleciona vinis não estivesse tão errado assim. Em tempos virtuais, o contato físico é um luxo.
CURTINHAS:
O fenômeno recente das “photo dumps”, um estilo de postagens que explora o novo limite de 20 fotos por carrossel do Instagram e consiste em carregar várias imagens aparentemente desconexas num só carrossel. O hábito, que lembra os bons e velhos albinhos da época do filme analógico de 36 poses que misturava um monte de registro de dias diferentes, foi assunto de artigo na New Yorker. A tendência reflete a estética atual de uma vida “não curada”, com uma seleção de fotos de aparência casual, mas que é meticulosamente planejada para parecer despretensiosa. A origem pode ser traçada até a pandemia, quando o isolamento incentivou postagens mais soltas, que não dependiam de um momento específico.
Você pode até tentar fugir e ser você mesmo, mas é o algoritmo que manda. O Instagram lançou uma funcionalidade para contas profissionais, chamada “best practices”, que fornece dicas personalizadas para ajudar criadores de conteúdo a maximizar o engajamento e a monetização. A primeira lição, como todo mundo sabe, é publicar Reels, muitos Reels, Reel até não poder mais.
A Califórnia aprovou uma lei que protege os dados neurais, comparando com informações pessoais sensíveis, como impressões digitais e DNA. O Tecnoblog diz que a medida vai permitir que os consumidores solicitem o acesso e a exclusão desses dados, além de limitar a coleta e compartilhamento. Com o crescimento de tecnologias que monitoram o cérebro e o sistema nervoso, a lei vem para responder lacunas regulatórias, mas já enfrenta críticas de representantes da indústria, que como sempre, alegam que a abrangência pode prejudicar inovações tecnológicas. Deixa eu ver o que tem no seu cérebro, depois a gente vê como lidar com isso. Tá bom.
Pesquisadores da Stanford Lifestyle Medicine apontam que o uso excessivo de telas por adultos pode causar danos cerebrais, como a redução de massa cinzenta e aumento do risco de doenças neurológicas. Os estudos sugerem que o hábito prolongado de assistir vídeos ou rolar nas redes sociais afeta funções cognitivas, além de prejudicar o sono e aumentar a ansiedade. Não que precise de estudo pra constatar isso, basta viver, né. Os especialistas recomendam limitar o tempo de tela, principalmente no início do dia, e adotar hábitos saudáveis para preservar a saúde cerebral.
Perfis que vendem fotos íntimas vazadas estão se proliferando no Bluesky, principalmente depois que os brasileiros tomaram a plataforma de assalto após a suspensão do X no Brasil. O Núcleo conta que Pedro Cardoso, pesquisador da UFMG, identificou mais de 40 perfis relacionados à prática, com indícios de exploração sexual infantil. O aumento do conteúdo criminoso colocou pressão na equipe de moderação do Bluesky.
Um artigo da New Yorker explora a relação entre o uso de redes sociais e a crescente crise de saúde mental e suicídio entre adolescentes e destaca como algoritmos e plataformas, como Instagram e TikTok, podem agravar sentimentos de depressão, ansiedade e isolamento social. Embora seja difícil provar um vínculo causal direto entre redes sociais e suicídio, as plataformas tem sido responsabilizadas pelo impacto nocivo em jovens. Pais e advogados lutam para tornar as empresas responsáveis pelo efeito de seus algoritmos, que promovem conteúdos prejudiciais, como automutilação e suicídio. O tema é complexo porque as redes sociais, em alguns casos, também podem fornecer suporte emocional e conexão.
Essa é uma má notícia para os pais. O Roblox, uma das plataformas de jogos mais populares entre crianças, de acordo com a Business Insider, a empresa atravessa preocupações quanto à segurança do seu conteúdo, com relatos recentes apontando exposição de jovens a jogos com temas violentos e sexualizados. O autor do artigo decidiu proibir o filho de jogar Roblox por conta da falta de controle sobre os tipos de conteúdo disponíveis na plataforma, mesmo com as configurações de segurança ativadas.
Dois estudantes de Harvard hackearam os óculos Meta Ray-Ban para fazer reconhecimento facial e levantar informações como nome e outros detalhes das pessoas em locais públicos a partir de base de dados também públicas. Nada que você não possa fazer com um celular, mas o formato dos óculos torna a coisa toda mais difícil de ser percebida pelas pessoas. Saiba mais sobre essa história na edição da semana passada da newsletter do RESUMIDO, O Futuro Explicado.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Agora é o momento de explorar as transformações causadas pelas inteligências artificiais
E a inteligência artificial ganhou não apenas um, mas dois prêmios Nobel em 2024. E o Google está diretamente relacionado a ambos.
O Nobel de Física foi para John Hopfield e Geoffrey Hinton por suas descobertas e invenções que formaram os pilares do aprendizado de máquina. A dupla utilizou conceitos da física para projetar redes neurais que funcionam como memórias associativas e identificam padrões em grandes conjuntos de dados, que são a base dos modelos de linguagem que alimentam as IA.
Vale ressaltar que Geoffrey Hinton, considerado o “pai da inteligência artificial”, renunciou ao cargo que tinha no Google para passar a alertar sobre os riscos crescentes associados à IA generativa. Ele teme que esses sistemas possam gerar consequências desastrosas, da propagação de desinformação a substituição em massa de empregos humanos, e diz que o desenvolvimento da IA precisa ser controlado antes que seja tarde demais para a sociedade
Demis Hassabis e John Jumper, cientistas do Google DeepMind, ganharam o Nobel de Química, compartilhado com o professor David Bakker, da Universidade de Washington, por suas contribuições à biologia computacional, especificamente no campo do design de proteínas.
A dupla desenvolveu o AlphaFold2, um modelo de IA que resolveu um desafio de 50 anos de prever uma estrutura de proteínas a partir das suas sequências de aminoácidos. Essa ferramenta permite a previsão de mais de 200 milhões de estruturas proteicas conhecidas, o que promete um avanço significativo para pesquisas de doenças e desenvolvimento de medicamentos. Pesquisas em áreas como malária e Parkinson são algumas das que podem se beneficiar. Hassabi também falou sobre a importância de ponderar os benefícios e riscos da IA, levando em conta o seu potencial tanto para o bem quanto para o mal.
A fala dos vencedores do Nobel é um alerta sobre os caminhos da IA. E uma das preocupações é justamente essa centralidade da IA como solução pra tudo. Existem várias tarefas administrativas que vão ser muito beneficiadas, mas existem outras aplicações em que esses benefícios não são tão certos, principalmente porque as IA são treinadas baseadas em dados do que já aconteceu e não no que vai acontecer.
Li na MIT Tech Review sobre o “Future You”, um sistema que permite que os usuários interajam com uma simulação gerada por IA das suas possíveis versões futuras, com o objetivo de melhorar a continuidade do seu eu futuro. Esse conceito psicológico se refere à conexão entre a pessoa no presente e no futuro, o bom e velho “pensar na frente”, o que pode influenciar a tomada de decisões de longo prazo, como poupar dinheiro ou focar em objetivos acadêmicos.
A partir das informações fornecidas pelos usuários sobre suas vidas e suas metas, o Future You cria uma versão simulada da pessoa aos 60 anos e esse “eu do futuro” pode oferecer conselhos sobre os desafios que a pessoa pode enfrentar. Um estudo inicial mostrou que após cerca de 30 minutos de interação, os participantes sentiram menos ansiedade e uma maior conexão com suas versões futuras.
Um eu do futuro treinado com o eu do presente e sem nenhuma ponte, ou dados, entre o agora e o que virá. Isso pra mim parece ilustrar justamente o grande desafio das IA, de trabalhar sempre olhando pra trás, tentando prever o que vem.
Ainda acredito que essa pressa de prever o futuro atrapalha a viver o agora.
CURTINHAS:
Pesquisadores da Cleveland Clinic estão usando IA para encontrar alternativas não-opioides no tratamento da dor crônica, um avanço que pode reduzir a dependência de opioides. Em uma colaboração com a IBM, a equipe analisou compostos do microbioma intestinal e medicamentos existentes pra identificar substâncias promissoras. Isso pode acelerar a descoberta de medicamentos que podem tratar não apenas a dor, mas também outras doenças como Alzheimer.
IA também foi utilizada por Pesquisadores da Universidade de Yamagata, no Japão, pra identificar mais de 300 novos geoglifos das Linhas de Nazca, no Peru. A descoberta quase duplica o número de geoglifos conhecidos e inclui figuras de humanos, animais selvagens e domésticos. Utilizando IA para escanear a região, a equipe ajuda a desvendar os mistérios dessas obras de arte de 2 mil anos.
O Meta Movie Gen, nova ferramenta de IA generativa desenvolvida pela Meta, oferece recursos avançados de geração e edição de vídeo e áudio focados na criação de conteúdo para cineastas e criadores. Como outras ferramentas parecidas, como a Runway, a Kling e a ainda não-lançada Sora da OpenAI, a Movie Gen funciona a partir de comandos de texto para criar e editar vídeos e sons de alta qualidade. A Meta planeja colaborar com criadores de conteúdo para refinar a ferramenta.
Já o Meta AI é um assistente integrado ao como WhatsApp, Instagram e Facebook e permite que os usuários criem de textos e gere de imagens utilizando comandos simples. O lançamento no Brasil chegou junto com a nova política de privacidade da Meta, que agora permite a coleta de dados públicos para treinar seus modelos de IA, alinhado as regulamentações brasileiras. A expectativa da Meta é que o Meta AI se torne o mais usado no mundo até o final de 2024.
Antes das pessoas utilizarem IA com essa novas ferramentas, a Meta resolveu testar uma nova funcionalidade por conta própria. O recurso Imagine Yourself adiciona imagens geradas por IA nos feeds do Facebook e Instagram. O conteúdo sintético é criado com base nos interesses dos usuários e nas tendências atuais e usa até o rosto das pessoas em cenários fictícios. Segundo a Meta, só quem aderir ao recurso Imagine Yourself vai ter suas fotos usadas. As imagens só aparecem para o usuário e podem ser removidas dos feeds. Bem esquisito e invasivo isso aí. Mas logo vai estar normalizado, pode apostar.
BIG TECH
E agora é hora de falar sobre como as Big Tech moldam nosso comportamento.
O Threads, rede social da Meta que surgiu para competir com o X (antigo Twitter), está enfrentando um problema bem familiar: o bom e velho rage bait.
Rage bait, ou isca de raiva, é basicamente aquele conteúdo criado especificamente para gerar engajamento através de comentários, compartilhamentos ou curtidas ao despertar o sentimento de raiva em quem consome. E essa tática manjada parece estar funcionando bem até demais no Threads.
O problema está tão grande que o chefe do Instagram e do Threads, Adam Mosseri, admitiu que a plataforma está sofrendo com um aumento significativo desse tipo de conteúdo. O problema ficou evidente quando um post com uma imagem gerada por IA de uma senhora idosa e comentários sobre a sua roupa viralizou, acumulando mais de 18 mil respostas.
Isso levantou questionamentos sobre como o algoritmo do Threads está priorizando esse tipo de conteúdo. Como toda rede social, o feed do Threads é controlado por um algoritmo que determina o que vai ser mostrado para quem. Quando posts que são essencialmente “iscas” começam a ganhar muitas respostas, o algoritmo confunde quantidade com qualidade e eles acabam aparecendo para ainda mais usuários, o que cria um efeito bola de neve.
Mosseri reconheceu que houve falhas nas ferramentas internas, o que impediu os revisores humanos de acessar o contexto completo das postagens moderadas e afirmou que já foram feitas algumas mudanças para evitar esses erros e prometeu melhorar a experiência de moderação no Threads, além de trabalhar em soluções para controlar o “engajamento artificial” que também tem gerado insatisfação entre os usuários.
Isso acontece em todas a redes sociais. No TikTok vários criadores já admitiram que despertar a raiva do público é o jeito mais fácil de viralizar. A fórmula é simples: postar algo controverso, fazer uma pergunta provocativa e observar os comentários se multiplicarem.
Uma jornalista da Business Insider decidiu testar essa teoria no Threads. Ela publicou opiniões polêmicas sobre temas como gorjetas em restaurantes e etiqueta social, sempre terminando com uma pergunta. O resultado foi que um dos posts ultrapassou 5 mil respostas e continuou gerando comentários dias depois da publicação original.
O mais preocupante é que tanto o Threads quanto o TikTok têm programas que remuneram criadores com base no número de visualizações. Não é difícil ver como isso pode incentivar a produção de conteúdo polêmico ou enganoso, só para gerar números.
A Meta afirma que as respostas são apenas um dos muitos fatores considerados pelo algoritmo ao recomendar conteúdo. Mas a realidade observada pelos usuários e os muitos testes feitos parecem contar uma história diferente.
Se o conteúdo mais valioso é aquele que mais irrita as pessoas, o desafio das plataformas é conseguir ajustar seus algoritmos para valorizar interações genuínas e conteúdo de qualidade. A solução passa pela colaboração dos usuários, ao parar de morder as iscas.
Uma coisa é certa: enquanto houver incentivos financeiros para gerar engajamento a qualquer custo, sempre vai ter gente tentando manipular o sistema.
CURTINHAS:
O Departamento de Justiça dos EUA está considerando uma ação histórica de quebra do Google, em um caso antitruste que busca reduzir seu domínio sobre o mercado de buscas. Além da possível divisão da empresa, os reguladores também estão avaliando outras opções, como obrigar o Google a compartilhar os dados que usa para desenvolver seus resultados de busca e produtos de inteligência artificial. O caso faz parte de uma onda de esforços para limitar o poder de grandes empresas de tecnologia, incluindo investigações sobre Apple, Microsoft e Amazon. O Google, que domina o mercado de buscas e publicidade online, já sofreu penalidades na União Europeia por abusos semelhantes. A empresa criticou as medidas propostas, alegando que teriam “consequências não intencionais” para consumidores e a competitividade dos EUA. O juiz responsável deverá emitir uma decisão final sobre as penalidades até agosto de 2025.
A Comissão Europeia solicitou que YouTube, Snapchat e TikTok forneçam informações detalhadas sobre os algoritmos de recomendação de conteúdo utilizados em suas plataformas. Baseada na Lei dos Serviços Digitais, a iniciativa quer avaliar os riscos dos algoritmos em questões como saúde mental dos usuários e disseminação de conteúdos nocivos. A UE também está preocupada com a manipulação de eleições e a proteção de menores e exige que as plataformas apresentem relatórios até o dia 15 de novembro.
A Meta foi multada em US$ 101 milhões por autoridades europeias devido ao armazenamento inadequado de senhas de usuários em arquivos de texto simples, uma violação do Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR). A falha, descoberta pela empresa em 2019, envolveu centenas de milhões de senhas de usuários do Facebook e Instagram, que não foram protegidas por criptografia. Após cinco anos de investigação, a Comissão de Proteção de Dados da Irlanda decidiu que a empresa não adotou medidas técnicas adequadas, nem notificou a violação corretamente às autoridades.
O Twitter voltou a funcionar no Brasil depois que a empresa se comprometeu a pagar R$ 28 milhões em multas ao Supremo Tribunal Federal, após descumprir ordens judiciais, incluindo o bloqueio de perfis. O pagamento será feito com recursos vindos do exterior e as contas da empresa foram desbloqueadas pelo ministro Alexandre de Moraes para facilitar a transferência. O valor inclui penalizações por tentativas de burlar o bloqueio da plataforma no Brasil. E mais uma vez vemos que o apetite por lucros do Elon Musk é maior que sua ideologia.
Uma pesquisa feita pelo canal More Perfect Union mostrou que empresas de transporte por aplicativo, como Uber e Lyft, podem estar utilizando algoritmos secretos para pagar motoristas de forma desigual. A prática, conhecida como discriminação salarial algorítmica, foi testada em experimentos que mostraram variações significativas nos valores oferecidos a motoristas por corridas idênticas. Essas disparidades podem ser baseadas em fatores não transparentes, como localização, comportamento de trabalho ou até características pessoais, como gênero. Motoristas mulheres ganham, em média, 7% menos do que homens, possivelmente devido a fatores que os algoritmos consideram. A falta de regulação sobre esses algoritmos levanta preocupações sobre a exploração dos trabalhadores e sugere a necessidade de uma maior fiscalização governamental.
Georgia e John McGinty, um casal de Nova Jersey, sofreu ferimentos graves após um acidente de Uber em 2022. No entanto, eles foram impedidos de processar a empresa devido a uma cláusula presente nos termos de serviço. A decisão judicial confirmou que, ao usar o aplicativo, eles renunciaram ao direito de um julgamento com júri, tendo que resolver o caso por meio de arbitragem. O casal argumenta que não sabia estar abrindo mão de seus direitos legais. Juristas criticam o processo de arbitragem por favorecer as grandes empresas com acordos financeiros menores.
O Brasil tem o potencial de se tornar um líder global na produção de semicondutores, apontam especialistas. Com o maior parque industrial fora da Ásia e uma produção sustentável com energia renovável, o país busca retomar a relevância no setor, perdida nos últimos anos. Para isso, o governo federal prorrogou incentivos fiscais até 2029 e começou a liberar recursos para o desenvolvimento da indústria, em uma tentativa de reduzir a dependência da importação de semicondutores, principalmente da Ásia.
Quem quiser falar comigo, já sabe onde me encontrar: @urbe no Twitter, @resumido.podcast no Instagram, no TikTok e no Threads e youtube.com/resumido.
Se você preferir, também pode me mandar um oi pelo WhatsApp e Telegram.
E faça parte da lista de transmissão onde envio alerta de novos episódios, conteúdo extra e link para o post no www.resumido.cc com todas as reportagens comentadas em cada episódio para quem quiser se aprofundar.
DICAS DE VER, LER E OUVIR
Hora de relaxar com as dicas de ver, ler e ouvir.
Money Electric
A identidade de Satoshi Nakamoto, criador do Bitcoin, é um dos maiores mistérios da cultura digital, e o documentário “Money Electric: The Bitcoin Mystery”, da HBO, alega ter descoberto quem é o nome por trás da criptomoeda. O filme apresenta uma teoria que sugerir quem pode ser o verdadeiro Nakamoto, embora a pessoa negue. Com uma investigação detalhada e várias entrevistas com pessoas envolvidas no desenvolvimento do Bitcoin, o mais legal do documentário nem é descobrir o suposto criador, mas sim acompanhar os bastidores da criação ouvindo as fontes que estavam mais próximas disso tudo.
Bremer/McCoy
No texto que acompanha seu novo álbum, “Kosmos”, a dupla Bremer/McCoy, da Dinamarca, encerra, dizendo: “Com amor, de Copenhague, Dinamarca, Escandinávia, Europa, Hemisfério Norte, Planeta Terra, Sistema Solar, Via Láctea, Cosmos”. A dedicatória é acertada porque o som da dupla parece um balão mágico, inflado por jazz e dub, que vai subindo, suavemente, até chegar ao espaço. É uma viagem que os dois amigos de infância vêm fazendo desde 2013, quando estrearam com “Enhed”. O novo disco foi lançado pelo selo Luaka Bop, de David Byrne, e é um som minimalista, meditativo, que dá a impressão de que, de repente, tudo desacelerou e entrou em modo câmera lenta. Alguém disse que é como se o Radiohead tivesse lançado um disco pelo lendário selo alemão ECM. Sei lá. Só acho que “Kosmos” devia vir com um aviso: música para respirar. Fundo.
ENCERRAMENTO
Nesse episódio você ficou sabendo que formatos do passado como o MiniDisc e as fitas K7 estão ressurgindo, que cientistas da IA receberam o Nobel, que o o rage bait é um problema no Threads, de preocupações com segurança do conteúdo no Roblox, que a Califórnia aprovou uma lei para proteger dados neurais, que um casal foi impedido de processar o Uber devido aos termos de serviço e muito mais!
Se você gosta do RESUMIDO, recomende para mais gente, é muito importante e ajuda demais e não deixe de curtir, assinar, seguir, dar 5 estrelinhas e uma resenha na plataforma que você estiver escutando este episódio agora.
RESUMIDO é produzido e apresentado por mim, Bruno Natal
O roteiro é escrito por mim e pelo Agenor Neto
com a colaboração de Carlos “Calbuque” Albuquerque
O Cauê Marques co-edita o roteiro, a newsletter O Futuro Explicado e as redes sociais, que conta com animações do Peri Semmelmann
A edição e mixagem é feita pelo Miguel Mermelstein
A foto da capa é do Jorge Bispo
E o tema original foi composto por Gustavo Silveira
Sou o Bruno Natal, obrigado pela audiência e semana que vem tem mais RESUMIDO!