Transcrição
Transcrição EP. #249
Olá, eu sou o Bruno Natal, hoje é dia 30 de janeiro e no RESUMIDO número 249: uma atualização após um mês e meio de recesso com notícias sobre fake nudes da Taylor Swift, jogo do tigrinho, o estado da influência, NYT processa OpenAI, empregos afetados por IA, lei anti bullying, lei anti deepfake, desinformação eleitoral, novos óculos e diário digital da Apple, novos materiais contra aquecimento global e para baterias limpas, Google perdendo todas, e muito mais!
Vamos nessa, RESUMIDO!
INTRO
Olá RESUMISTA!
Esse é o RESUMIDO, um podcast sobre cultura digital e o impacto da tecnologia em todos os aspectos das nossas vidas.
E abrimos a sexta temporada deste podcast com o primeiro episódio no formato tradicional do ano. Essa semana vou passar por alguns links importantes que separei durante as minhas breve férias do RESUMIDO. Não deu pra cobrir tudo, até porque realmente tentar dar uma descansada desses temas, mas é mais forte do que eu.
Se você não ouviu as conversas da temporada do RESUMIDO Entrevista que publiquei enquanto fingia que descansava, não deixe de ouvir. Falei com os fundadores da Melted Videos sobre o mercado dos memes, sobre desinformação eleitoral com a Camila Tsuzuki, falei sobre reconhecimento facial com o Paulo Rená, aprendi muito sobre revenge porn com a Alice Lana e sobre a presença feminina no mundo dos games com a Nicole Merhy e sobre sustentabilidade humana com o André Carvalhal.
Se você faz parte da lista de transmissão no WhatsApp e no Telegram ou do grupo de RESUMISTAS no zap, também deve ter visto que lancei o primeiro produto do RESUMIDO em janeiro: um boné lindão. Pra fazer parte da lista ou do grupo é mandar um oi para 21. 97 969 58 48.
Muita gente comprou e encomendei umas peças a mais, assim que chegar vou postar umas fotos e vídeos no @resumido.podcast no Instagram e no TikTok e também enviar nas listas, então se interessou, me avisa por um desses lugares pra garantir o seu.
O episódio vai ser num ritmo um pouco diferente. Como tem um volume grande de notícias, vou fazer um resumo e comentar um pouco sobre cada um sem em aprofundar tanto. Considere isso um download de atualização pra gente poder começar o ano.
Aliás, assim que o Instagram deixar, vou abrir um canal de transmissão por lá, que nada mais é que uma maneira de enviar uma mensagem por inbox para um grupo de assinantes. Toda vez que termino o programa, sinto que tem um monte de assunto que não abordei ou um monte de ideias e pensamentos que não botei pra fora. Pensando em usar esse canal para isso.
Ah, um último recado. Quem for sagaz, deve ter notado um logo novo na capa do episódio. O RESUMIDO fez uma parceria com a A-Lab, empresa do grupo dreamers, para expandir o alcance. Por enquanto o foco está em ampliar as redes socias do podcast, mas tudo dando certo, e vai dar, vem muito mais coisa por aí.
Agora vamos lá começar esta sexta temporada.
CULTURA DIGITAL
Vamos de Cultura Digital e como nosso comportamento online ajuda a moldar a sociedade.
O óculos de realidade aumentada e virtual Apple Vision Pro vai disponível a partir de 2 de fevereiro em todas as lojas físicas e online da Apple nos EUA. O dispositivo de computação espacial, como está sendo chamado, integra conteúdo digital com o mundo físico, vai da pra assistir a um filme numa tela virtual gigantesca sentado no sofá de casa. E esse talvez seja o uso mais claro até aqui, bastante gente apontando que esses óculos vão cansar os olhos e não deve pegar. Sou suspeito pra comentar, não porque sou fã da Apple, mas porque na época do lançamento falei que o iPad era só um iPhone grande. E também já falei que o Stories não ia pegar porque o Instagram primava demais pela estética para tolerar conteúdo ma captado. O Vision Pro é controlado pelos olhos, mãos e voz do usuário, com uma interface tridimensional que parece bem intuitiva pelos vídeos. Vamos ver se a Apple consegue quebrar mais esse paradigma e popularizar os óculos virtuais.
Num movimento comportamental que deve ser mais fácil de popularizar, o novo aplicativo do iPhone, chamado simplesmente Journal, foi incluído na última atualização do iOS e, como diz o nome, é um diário. Muitos especialistas de saúde mental recomendam manter um diário como forma de organizar os pensamentos e acalmar a mente. As vezes, questões que causam muita ansiedade podem parecer menos assustadoras depois que você escreve o que está sentindo e pensando. O app possui funcionalidades para adicionar fotos, vídeos, gravações de áudio, geolocalizações e também faz sugestões personalizadas baseado nas suas fotos, por exemplo, pra ajudar a inspirar sobre o que registrar no diário. O Journal oferece privacidade e segurança com criptografia de ponta a ponta e autenticação secundária, mas não tem como não pensar que é mais uma forma de fornecer dados difíceis de minerar, como nossos sentimentos.
Sem falar que um artigo da NY Mag falou que economia dos smartphones, sempre em alta, também gera sentimentos negativos. Isso se deve, em parte, ao custo crescente dos aparelhos, cada vez mais caros, e dos serviços relacionados, já que muita coisa que antes era grande, agora é paga. Isso me fez pensar num outro artigo que li e agora não lembro onde foi, que falava que uma das melhores soluções para termos uma relação melhor com nossos telefones é controlar a experiência, desabilitando notificações, evitando perder horas scrollando que a gente sabe que gera muito sentimento ruim e priorizar usar o telefone para coisas que te fazem bem, que pode ser ver fotos de gente e momentos que gosta e conversar com pessoas que de fato a gente queira falar, em vez de deixar o aparelho tomar conta das nossas vidas.
Um acessório que ganhou bastante atenção foi uma capinha de telefone lançada pela Clicks Technology. A capa tem um teclado físico integrado e o objetivo é liberar o espaço na tela ocupado pelo teclado digital, além de oferecer uma experiência melhor de digitação, como era nos bons tempos do Nokia ou do Blackberry. A capinha custa 150 dólares em média e foi projetada por ex-funcionários da Apple, BlackBerry e Google e parece ser mais um sinal da necessidade cada vez mais aparente de conexão com objetos físicos, após anos de hiper digitalização de tudo. Discos de vinil, câmeras de fotografia e até fitas VHS tem despertado interesse e não é à toa.
Falando em vinil, alguns usuários relataram que músicas de artista como Djavan, John Lennon, Roberto Carlos e Maria Rita sumiram do Spotify. Por aqui ainda encontrei música de todos esses. Em comum, todos esses artistas são da Sony Music. Isso levou a especulações de que as gravadoras podem estar pensando em ter seus próprios serviços de streaming. E também fez alguns ouvintes perceberem a fragilidade que é não termos mais os discos físicos ou mesmo os MP3 para ouvir o que quisermos, quando quisermos, sem sermos pegos de surpresa. O Spotify veio pra consertar muita coisa no formato digital de consumo de música, mas se perdeu quando virou uma plataforma de dados como tantas outras. O que eu sei é que esse formato de consumo vem dando mostras de que não é assim tão bom e acho que nos próximos anos veremos mudanças. Só não sei para que lado vai ainda.
Em 2023, o Google Trends aponta que a busca por “vaga home office” atingiu seu maior nível no Brasil. Muita gente não quer mais ir pro escritório, ao que parece. O interesse cresceu mais de 50% em comparação a 2022 e foi a frase mais procurada na categoria de vagas nos últimos 12 meses. Os picos de busca ocorreram principalmente em fevereiro, março e setembro, com São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais liderando as pesquisas. Além disso, “mesa home office” e “cadeira home office” foram os itens de mobiliário mais buscados relacionados a trabalho.
O sequestro ganhou sua versão digital. Um estudante chinês de 17 anos que estava fazendo intercâmbio nos EUA, foi encontrado vivo após ser vítima de um sequestro cibernético. Kai Zhuang desapareceu no dia 28 de dezembro, logo após seus pais receberem fotos e mensagens de supostos sequestradores. Mas não foi bem isso o que aconteceu. Golpistas digitais convenceram Kai a se isolar nas montanhas do Utah para evitar que algo acontecesse com sua família. A polícia então descobriu que ele estava escondido numa barraca com poucos alimentos e aquecimento, incomunicável, enquanto seus pais eram levados a crer que ele estava sob o poder de sequestradores e foram extorquidos em US$ 80 mil. O FBI informa que estudantes chineses em intercâmbio têm sido alvos desses golpes, iniciados por e-mails ou mensagens fraudulentas. A gente passa tanto tempo online e tem uma urgência tão grande de respostas rápidas que não conseguir falar com alguém por telefone ou aplicativos de mensagem basta para termos certeza que a pessoa possa ter desaparecido, mesmo que tenha só ficado sem bateria.
Aliás, em 2023, dos 51 sequestros registrados em São Paulo, 49 foram através de aplicativos de namoro. Todas as vítimas eram homens. A maioria dos casos ocorreu no Tinder, mas também há registros de uso do Inner Circle e no Happn. Os sequestradores usam perfis falsos de mulheres para atrair as vítimas e levá-las para um local onde são feitos reféns e extorquidos. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o número real de casos pode ser maior devido à vergonha das vítimas em denunciar. A Divisão Antissequestro de São Paulo confirmou os dados e detalhou que a maioria das vítimas são homens solteiros, com boa condição financeira, entre 25 e 60 anos.
No final de dezembro PC Siqueira, primeiro grande YouTuber brasileiro, foi mais uma vítima fatal do tribunal das redes sociais. Encontrado morto em seu apartamento, PC nunca teve sossego desde que passou a se expor na internet. Sua popularidade inicial foi marcada por brigas e polêmicas e apesar de ter tentado se afastar da vida conturbada, PC sofreu uma acusação de pedofilia, da qual foi inocentado posteriormente, mas sua reputação já havia sido destruída. Nos últimos anos, PC tentava reerguer seu canal, mas o linchamento online nunca parou e acabou em tragédia, um reflexo da dinâmica perigosa das redes sociais.
Também no final do ano, a menina Jessica que, de acordo com os pais, tinha depressão, também não resistiu ao inferno que causado em sua vida pessoa depois que o Choquei, perfil de entretenimento gigantesco que passou a se comportar como veículo de notícias – falei sobre o Choquei e a responsabilidade que uma grande audiência traz no episódio 190 em dezembro de 2022 – passou a divulgar que ela tinha um relacionamento com Whindersson Nunes.
A ascensão dos influenciadores, chamada de “egomídia” é um fenômeno global que reflete uma mudança estrutural nas redes sociais. Em 2023, mais de 75% das marcas investiram em marketing de influência. Influenciadores têm vantagens como baixo custo de aquisição e conversão de clientes, eficiência, presença multiplataforma e praticamente nenhuma regulação. Mas alguns países como EUA, Inglaterra e França estão implementando leis mais restritivas para o trabalho dos influenciadores. No Brasil, ainda não há legislação específica, mas o judiciário tem agido contra abusos feitos por esses perfis. A tendência é que regras claras sejam estabelecidas globalmente para essa área.
Um bom exemplo de influenciadores irresponsáveis é a divulgação de jogos de azar como os famosos Tigrinho ou Aviãozinho. O cerco arrochou e alguns influenciadores, como Skarlete Greta Costa de Melo, foram presos sob acusação de divulgar ilegalmente o “Jogo do Tigrinho”. A operação policial também envolveu outros mandados de prisão no Ceará e Maranhão, incluindo apreensão de bens luxuosos. A divulgação desses jogos é considerada crime, e a nova legislação impõe multas de até R$ 1 milhão aos infratores.
E tem empresa operando na zona cinza também quando o assunto é faturar em cima dos outros. No Twitter, Jéferfon Menezes comentou sobre uma função da plataforma de pagamentos Picpay que permite qualquer pessoa emprestar dinheiro para a outra, mesmo sem se conhecerem. O Picpay intermedia a transação, cobrando uma taxa, como era de se esperar, transformando a plataforma essencialmente num canal de agiotagem. Pra ficar ainda mais bizarro, o Picpay disponibiliza alguns dados dos devedores e alguns YouTubers ensinam como quem empresta dinheiro na plataforma pode usar essas informações para encontrar e cobrar os devedores, que deveriam ser anônimos. No fio no Twitter o Jeferfon observa que muitos usuários que recorrem ao serviço estão em situações financeiras difíceis, enfrentando taxas de juros elevadas.
Ser um hater causa prazer, é uma verdade inconveniente, mas é o que é, se não não tinha tanta gente perseguindo ex-parceiros ou seguindo pessoas desagradáveis nas redes sociais. O hábito é bem comum e é entendido como uma maneira de liberar frustrações, mas pode mesmo é levar a um ciclo de negatividade improdutiva. Na Vox, Georgina Sturmer, conselheira integrativa, comparou essa prática com comportamentos como fumar ou comprar compulsivamente e ressaltou que como o ódio online é um exercício que pode ser fazer de maneira privada, isso facilita um aprofundamento do comportamento, o que geralmente resulta em sentimentos de vergonha ou constrangimento.
A ascensão das conversas em grupo, especialmente entre a Geração Z, está mudando o marketing. Com as conversas migrando das redes sociais abertas, com posts visíveis por todo mundo, para chats em grupos fechados e comunidades online privadas, como Discord ou apps de mensagens, as marcas precisam adaptar suas estratégias. Isso significa encontrar maneiras de ou conseguir acessar e participar desses espaços, o que é muito difícil, ou construir suas próprias comunidades. Por isso as marcas estão explorando espaços online fechados, como o metaverso, e comunidades online com suporte publicitário, onde podem se inserir de maneira mais natural para, claro, coletar dados do consumidor e gerar mais vendas. Essa mudança no comportamento online lembra o início dos anos 2000 e o foco do Facebook em comunidades e grupos.
E Mark Zuckerberg, CEO da Meta, que de bobo só tem a cara, já está de olho nessa tendência de privacidade e está construindo um complexo de 0 milhões no Havaí em uma propriedade de aproximadamente 1.400 hectares. O projeto é cercado de segredo, arquitetos e funcionários que trabalham no projeto tem que assinar termos de responsabilidade garantindo que não vão divulgar detalhes do que está sendo construído. No entanto, cá estamos, cheio de informações sobre o empreendimento. Serão mais de uma dúzia de edifícios com mais de 30 quartos e banheiros. O complexo ainda tem mansões, árvores em forma de disco conectadas por pontes de corda, instalações de lazer e uma câmara subterrânea com sala de estar, quarto mecânico e escotilha de fuga. As instalações serão autossuficiente, com fazenda e criação de gado próprias.
A capacidade dos consumidores mais ricos de escapar da publicidade online está levando os anunciantes a buscar novas formas de captar sua atenção. Plataformas como Facebook, Instagram, Twitter e TikTok estão introduzindo opções de assinatura do serviço sem exibição de anúncios. Esse é um pedido antigo dos que alegam que os algoritmos só funcionam da maneira prejudicial que funcionam porque é a publicidade que paga as contas da operação. Ou vende anúncio, ou plataforma nenhuma para de pé. Essa tendência também está surgindo em plataformas como streaming de músicas, vídeos e games. Netflix, Amazon já tem versões com e sem anúncio, dependendo de quanto você quer pagar. Um artigo da The Economist sugere que mesmo que aja uma improvável adoção em massa dos serviços sem anúncio mediante pagamento de mensalidades, os anunciantes continuarão encontrando maneiras de alcançar consumidores, incluindo publicidade em mídias externas e parcerias com influenciadores digitais.
Willis Gibson, um adolescente de Oklahoma, foi o primeiro jogador humano a zerar o clássico jogo Tetris da Nintendo, 34 anos após seu lançamento. Ele postou um vídeo no YouTube alcançando o nível 157 em apenas 38 minutos, fazendo o jogo travar. Até então o consenso era que só dava pra jogar até o nível 29.
Cientistas desenvolveram uma nova cobertura de vidro altamente reflexiva que pode ajudar a esfriar a Terra. Esta “vidraça de resfriamento” tem partículas de óxido de alumínio e pode refletir até 99% da radiação solar de volta para o espaço. Aplicado em superfícies como telhados e estradas, essa pintura especial acelera o processo natural de liberação de calor da Terra, refletindo a luz solar dentro da “janela de transparência atmosférica”, que permite que a radiação passe pela atmosfera terrestre sem causar aquecimento, usando o espaço como um dissipador de calor. Este avanço poderia reduzir a necessidade de ar condicionado e ajudar a combater as mudanças climáticas. Porque se tem uma coisa que eu tenho certeza é que a Terra não vai derreter, porque o ser humano não é assim tão burro, mas também não vamos mudar em nada nosso comportamento que causa o aquecimento global. A solução vai ser encontrar uma forma de reduzir o aquecimento, sem mudar o estilo de vida. O bom e velho, mudar pra ficar tudo igual.
O Guardian identificou e resolveu ajudar a resolver um problema comum a muitos dos seus leitores: o tempo que gastamos no celular e nossa incapacidade de se desconectar geram um declínio na concentração e na capacidade de estar presente. A série “Reclaim your brain”, ou recupere seu cérebro, é programa prático gratuito para ajudar as pessoas a reduzir o tempo de tela de maneira efetiva. A série inclui artigos e uma newsletter com métodos comprovados para diminuir o uso do telefone e encontrar o equilíbrio entre a vida digital e física. Isso me deu uma ideia de criar um guia assim do RESUMIDO.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Agora é o momento de explorar as transformações causadas pelas inteligências artificiais
O grande tema em relação às IAs generativas até aqui tem sido a questão dos direitos autorais do material utilizado para treinar estes sistemas. E o New York Times deu um passo importante nesse posicionamento ao abrir uma ação judicial contra OpenAI e Microsoft por infração de direitos autorais. Este é o primeiro caso de uma grande empresa de mídia processando companhia de IA por este motivo. O processo pode estabelecer um precedente para os tribunais sobre como definir o valor do conteúdo jornalístico no treinamento de modelos de linguagem de grande escala. O NYT alega o uso ilegal do seu conteúdo para criar produtos de IA que não apenas competem com ele ao oferecer respostas que copiam suas informações sem crédito, como podem prejudicar suas reputação quando dão respostas erradas e creditam o jornal. Enquanto outros grupos, como Axel Springer e Associated Press, negociaram acordos individuais com as empresas de IA, o NYT quer responsabilizar a OpenAI e Microsoft por danos estatutários e reais. A complexidade do caso se acentua pela vontade das empresas jornalísticas de experimentar com novas tecnologias de IA, mesmo enquanto buscam proteção legal.
Curiosamente, em meio a esse processo, a OpenAI, criadora do ChatGPT, disse para o parlamento do Reino Unido que é impossível treinar modelos de linguagem avançados sem conteúdos protegidos por direito autoral e apenas usando conteúdo em domínio público. A OpenAI alega que direitos autorais cobrem quase todas as formas de expressão e que limitar-se ao domínio público reduziria drasticamente a eficácia dos chatbots. A OpenAI quer uma flexibilização nas leis de direitos autorais para melhorar a qualidade e abrangência dos seus modelos de IA.
Já a Meta admitiu que usa um conjunto de dados chamado Books3, que contém livros pirateados, para treinar seus modelos de linguagem Llama 1 e Llama 2. Mesmo assim, para supresa de ninguém, se recusa a compensar os autores. Um grupo de escritores processou a empresa por uso ilegal de material protegido por direitos autorais. A Meta argumenta que o uso de obras protegidas para treinar modelos de linguagem avançados não requer “consentimento, crédito ou compensação” e é visto como uso justo.
Nos Estados Unidos, a Fairly Trained, uma organização sem fins lucrativos, começou a certificar sistemas de inteligência artificial generativa que respeitam os direitos autorais. O selo “Modelo Licenciado” é concedido a empresas que utilizam dados protegidos apenas com autorização dos proprietários. Atualmente, a lei americana não exige que desenvolvedores informem a fonte dos conteúdos usados, mas há propostas para mudar isso. A iniciativa visa distinguir empresas que respeitam direitos autorais das que não respeitam.
Segundo a The Verge, as maiores empresas de IA se opõem à ideia de pagar para usar material protegido por direitos autorais como dados de treinamento. Argumentos variam: a Meta diz que a compensação seria mínima; o Google compara treinamento de IA à leitura de um livro; a Microsoft alega que mudanças na lei prejudicariam pequenos desenvolvedores; a Anthropic defende a lei atual; a Adobe e a Anthropic veem a cópia como etapa intermediária; Andreessen Horowitz destaca o investimento bilionário baseado na lei atual; a Hugging Face considera justo o uso de material protegido; a StabilityAI cita exemplos internacionais de uso justo; e a Apple defende o direito autoral sobre códigos gerados por IA.
Agora olha como direito autoral é complicado. Ronaldo Lemos, do ITS, relatou no Twitter que a empresa operadora do bondinho do Pão de Açúcar no Rio, está notificando pessoas que postam fotos do local, alegando violações do tipo “parasitária”, “enriquecimento sem causa”, “concorrência desleal” e “marketing de emboscada”. O próprio ITS recebeu uma notificação extra judicial por conta da divulgação de um evento que usava uma imagem do Pã de Açúcar. Ronaldo argumenta que isso contraria a Lei de Direitos Autorais brasileira, que permite o uso de imagens de locais públicos, citando o artigo 48. A alegação da empresa é que o equipamento do bbodinho em si não é público. Eles devem ter se inspirado no que faz a empresa responsável pela Torre Eiffel, que registrou a decoração de luzes como uma obra e cobra pelo uso de qualquer foto da torre feito a noite com as luzes ligadas.
No Twitter um usuário foi acusado de plágio depois de pegar os conteúdo de um artigo publicado no jornal Daily Mail, da Inglaterra, e rearranjá-lo em formato de fio. O post que falava do escândalo do Post Office viralizou, com muitos elogios ao autor por sua excelente escrita, sem saber que o conteúdo era plagiado. O autor original não foi creditado e o conteúdo foi apresentado como se fosse original pelo usuário do Twitter.
O impacto da chegada da IA nos empregos já pode ser amplamente percebida.
Duolingo reduziu o número de funcionários e aumentou uso de IA na plataforma. Apesar da tecnologia ainda necessitar de revisão humana, o fundador do Duolingo acredita que computadores poderão eventualmente superar professores humanos.
A unidade de vendas de anúncios do Google, carro chefe da empresa vai sofrer mudanças causadas pelo avanço das IA. Os cortes podem atingir 30 mil empregos. A introdução de ferramentas pra automatizar a criação e sugestão de anúncios, reduziu a necessidade de funcionários especializados para atender os anunciantes, já que com o Performance Max eles criam os anúncios diretamente. Recentemente o Google demitiu 12 mil funcionários.
A rede de comida mexicana Chipotle está investindo em robôs agrícolas autônomos da Greenfield Robotics e em fertilizantes sustentáveis da Nitricity para melhorar a agricultura. Esses investimentos, feitos através do fundo Cultivate Next de US$ 50 milhões, visam aumentar a eficiência, sustentabilidade e custo-benefício da agricultura regenerativa. A Greenfield Robotics oferece soluções sem químicos, utilizando robôs para cortar ervas daninhas, enquanto a Nitricity cria fertilizantes mais limpos e eficientes. A Chipotle busca inovações que alinhem com sua missão de cultivar um mundo melhor e que apoiem seu crescimento agressivo. Adivinha pra quem vai sobrar?
Mas nem sempre botar máquinas melhora a eficiência. O Subway tentou implementar máquinas para cortar os frios na própria loja, em vez de usar pedaços já cortados, na intenção de melhorar a qualidade dos sanduíches e atrair mais consumidores. Só que os franqueados dizem que adicionar esta etapa atrasa a montagem dos sanduíches e gera mais trabalho pros funcionários. Então os clientes vão continuar consumindo frios pré-fatiados.
E isso se a transição ocorrer sem maiores resistências, porque um robô de uma fábrica da Tesla em Austin, no Texas, atacou e feriu um engenheiro de software. O incidente ocorreu em 2021 e foi revelado num relatório recente. O ataque aconteceu enquanto o engenheiro trabalhava na programação do software que controla os robôs. Apesar de duas máquinas estarem desligadas para segurança, uma terceira permaneceu ativa e prendeu o engenheiro, causando lacerações e sangramento. Este incidente faz parte de um relatório enviado pela Tesla às autoridades do Texas para manter incentivos fiscais.
Por enquanto os humanos ainda tem vez. Um estudo do MIT apontou que contratar pessoas é mais barato que adotar IA na maioria dos empregos e que apenas 23% dos trabalhadores poderiam ser substituídos pela tecnologia sem perdas de qualidade no resultado.
A Ana Freitas, que vem falando e oferecendo cursos de IA nesse último e intenso ano que atravessamos e fez um fio justamente sobre a chegada do ChatGPT nas nossas vidas e como isso pode afetar o trabalho de muita gente. Convidei ela pra gravar o fio em áudio aqui pro RESUMIDO:
Ana Freitas
O Fórum Econômico Mundial identificou a desinformação impulsionada por IA como a maior ameaça de curto prazo à economia global, especialmente em um ano de eleições importantes no Reino Unido, EUA e outros países. O relatório anual do Fórum, baseado na opinião de 1.400 especialistas, destaca o risco de catástrofes globais nos próximos dois anos e a preocupação com crises de custo de vida e sociedades polarizadas. O Fórum alerta para os perigos da desinformação e da polarização social, com necessidade de ação coordenada para enfrentar crises de curto e longo prazo.
E com o aumento da qualidade dos deepfakes, daqui há pouco vai ficar difícil saber o que é real e o que não é mesmo. O produtor musical Anderson Junior usou IA para criar um vídeo do funkeiroPoze do Rodo cantando a música “Voando pro Pará” da Joelma. O vídeo, publicado no TikTok, viralizou com mais de 3,5 milhões de visualizações. O sucesso foi tanto que o próprio Poze do Rodo, o real, de carne e osso, passou a cantar a música nos shows.
Um exemplo bem pior aconteceu esses dias com a cantora Taylor Swifit, que viu deepfakes de nudes dela circulando por aí e vistas por milhões de pessoas. Após serem compartilhadas no Telegram, as imagens falsas de Taylor nua foam vistas 47 milhões de vezes no Twitter antes de ser removida. O caso renovou os apelos para uma mudança na lei federal dos EUA relativa a deepfakes. O projeto de lei “Preventing Deepfakes of Intimate Images Act” tornaria ilegal compartilhar pornografia deepfake sem consentimento, um problema que afeta as mulheres de forma desproporcional. A necessidade da lei foi reforçada por um estudo mostrando que 96% dos deepfakes na internet são pornográficos e difíceis de distinguir de conteúdo real.
A OpenAI está se preparando para as eleições mundiais de 2024 com um foco em prevenir abusos, aumentar a transparência sobre conteúdo gerado por IA e melhorar o acesso a informações de votação precisas. A empresa trabalha para antecipar e prevenir abusos, como deepfakes enganosos e operações de influência em larga escala. Há uma ênfase em refinar políticas de uso para prevenir usos indevidos, como a criação de chatbots que imitam pessoas reais. A OpenAI também está colaborando com organizações como a National Association of Secretaries of State para direcionar usuários a informações oficiais de votação. O Google também disse que vai limitar o uso do Bard, sua IA, para consultas sobre eleições.
Durante a pré-campanha eleitoral nos EUA, suspeitas de adulteração de áudios com IA foram identificadas em três estados. Aqui no Brasil, um caso aconteceu em Manaus, com o prefeito David Almeida, que denunciou à Polícia Federal ter sido vítima de um deepfake. No áudio falso, a voz de Almeida criticava professores, chamando-os de “vagabundos”. É um exemplo prático de um cenário preocupante num ano eleitoral. Falei bastante sobrei isso no RESUMIDO Entrevista com a Camila Tsuzuki, no episódio #244.
BIG TECH
E agora é hora de falar sobre como as Big Tech moldam nosso comportamento.
O governo federal anunciou o plano de política industrial “Nova Indústria Brasil”, projetado para os próximos dez anos. Com um orçamento inicial de R$ 300 bilhões para os quatro primeiros anos, o objetivo é criar uma política industrial inovadora e digitalizada, incluindo smart factories e UA generativa, para impulsionar o desenvolvimento econômico do país e revitalizar a indústria nacional pro século XXI.
O presidente Lula também sancionou uma lei que incluiu bullying e cyberbullying no Código Penal, com penas que vão desde multas até reclusão para os infratores. A pena de reclusão poderá chegar a 4 anos. A lei também classifica crimes contra crianças e adolescentes como hediondos, impossibilitando a fiança ou liberdade provisória para acusados. Agressões em escolas e indução ao suicídio online tiveram as penas agravadas.
Com a pressão de órgãos reguladores globais aumentando, a Meta anunciou novas medidas de proteção para adolescentes no Facebook e Instagram. A empresa vai aplicar configurações de controle de conteúdo mais restritivas para adolescentes e limitar ainda mais os termos de pesquisa no Instagram. A ideia é limitar o acesso por crianças e adolescentes a conteúdos potencialmente prejudiciais.
O YouTube atualizou suas políticas e agora proibe vídeos de IA que simulem depoimentos de crianças mortas ou vítimas de crimes violentos. Essa mudança ocorre após a popularidade de vídeos bizarros que usam vozes simuladas de vítimas reais contando como suas mortes aconteceram. O TikTok já possui políticas semelhantes.
MrBeast, o maior YouTuber do mundo, respondeu ao convite do Elon Musk para postar seus vídeos no Twitter. E MrBeast deu a e melhor resposta possível ao afirmar que não valeria a pena, pois seus vídeos custam milhões para serem produzidos e mesmo um bilhão de visualizações por lá não bancaria um dos seus vídeos. Ele acabou publicando uns vídeo por lá, mas não está claro se foi uma ação comercial.
Em um ano, a presença do X (ex-Twitter) em smartphones brasileiros caiu de 37% para 29%. Foi a maior queda entre plataformas digitais segundo a pesquisa Panorama Mobile Time/Opinion Box. O Facebook também teve queda, de 85% para 81%. O Instagram lidera em popularidade, estando em 91% dos smartphones. WhatsApp é o app mais aberto diariamente, enquanto Instagram é mais usado pelo público feminino e jovem.
O Instagram anunciou mais uma nova função. O Flipside permite aos usuários criar um lado privado em seu perfil para postar fotos mais pessoais e sinceras apenas para amigos próximos. Essa funcionalidade, que replica os “finstas”, de fake insta, como são conhecidas as contas alternativas no Instagram, facilitaria o compartilhamento com um grupo privado sem a necessidade de ter mais um perfil só pra isso.
O app agregador de links Flipboard vai integrar sua plataforma ao fediverso, adotando o protocolo ActivityPub. Isso significa que curadores no Flipboard poderão compartilhar conteúdos de forma que aplicativos como o Mastodon possam interagir. A partir de março, qualquer usuário do Flipboard poderá abrir sua conta para o fediverso e seguir contas do fediverso dentro do aplicativo Flipboard. O Threads também ativou sua integração com o fediverso.
A Epic Games venceu a batalha antitruste contra o Google para permitir que os desenvolvedores possam vender seus apps e serviços fora da loja oficial da Play Store. O veredicto unânime encerrou uma disputa legal de três anos e a decisão é vista como uma vitória para desenvolvedores e consumidores contra práticas monopolistas. A justiça americana decidiu que a Google criou um monopólio ilegal com a Play Store e serviços de faturamento.
Após decisão judicial nos EUA, a Apple também vai ter que permtir que desenvolvedores usem plataformas de pagamento independentes na App Store, mas seguirá cobrando uma comissão de até 27%. A Epic Games, crítica das taxas da Apple, considera a comissão anticompetitiva e planeja contestá-la legalmente. A Apple exigirá relatórios de compras feitas fora da App Store para cobrança da comissão.
E teve mais pro Google, que concordou em pagar US$ 700 milhões para consumidores por práticas anticoncorrenciais na PlayStore. A decisão segue a acusação de cobranças excessivas e restrições ilegais na distribuição de apps em dispositivos Android. O acordo abrange todos os 50 estados dos EUA e inclui medidas para oferecer opções alternativas de faturamento e facilitar o download direto de aplicativos pelos usuários.
A 99 lançou em São Paulo a modalidade 99Negocia e agora permite que passageiros e motoristas negociem o preço da corrida. Os usuários podem sugerir um valor menor para economizar se não tiverem pressa ou oferecer mais para obter um carro mais rápido. O recurso tá disponível em mais de 1.800 municípios e é mais um passo em direção a precarização do trabalho dos motoristas.
Durante a CES 2024, a Microsoft anunciou a descoberta de um material que pode reduzir o uso de lítio em baterias em até 70%, graças a pesquisas com IA que analisou mais de 32 milhões de materiais para baterias em 80 horas, um trabalho que antes levaria 20 anos. O material pode oferecer uma alternativa mais segura e sustentável para baterias, diminuindo os impactos ambientais e geopolíticos associados à mineração de lítio. A descoberta ainda passará por mais testes antes de uma possível aplicação industrial.
Em um mês de operação, o programa Celular Seguro do Ministério da Justiça registrou 12.591 bloqueios de aparelhos e 1,2 milhão de cadastros. A maior parte dos bloqueios ocorreu devido a roubo, seguido por furto, perda e outros motivos. São Paulo lidera o número de casos, seguido por Rio, Bahia, Pernambuco e Minas Gerais. O programa permite que usuários ou pessoas de confiança bloqueiem aparelhos roubados, furtados ou extraviados.
Mas já tem gente dando golpe, menos de 24 horas após o lançamento do app Celular Seguro, criminosos começaram a usar links falsos para aplicar golpes, enviando-os via WhatsApp e redes sociais para roubar dados ou cobrar taxas pelo uso do app. O Ministério da Justiça alertou que o cadastro deve ser feito apenas pelo app oficial ou site do governo.
A partir de 29 de janeiro, o Amazon Prime Video começará a exibir anúncios em filmes e programas de TV. Os clientes têm a opção de pagar US$ 2,99 adicionais por mês para evitar anúncios. O preço atual da assinatura do Amazon Prime não mudará, mas para manter a experiência sem anúncios, os usuários terão que pagar mais.
Sob pressão de reguladores no Reino Unido e na UE preocupados com o potencial monopolista da aquisição, Adobe desistiu de comprar a Figma. A Adobe adquiriria a plataforma de design de produtos Figma por bilhões. Como isso, a Adobe vai pagar uma taxa de rescisão de bilhão para Figma.
O Spotify havia planejado encerrar suas atividades no Uruguai devido a uma nova legislação, que exigia remuneração justa aos artistas por reproduções online. O Spotify fez um acordo com o Uruguai e vai permanecer no país. Ficou decidido que os detentores de direitos autorais arcarão com os custos adicionais da nova legislação,
Um grande volume de transações financeiras e empresariais globais ainda depende de COBOL, um código de programação com 64 anos, conhecido por poucos programadores atualmente. A IBM acredita que a IA pode ajudar a converter esse código antigo para linguagens modernas. É uma tarefa desafiadora, já que a manutenção e modernização deste código são essenciais e hoje há escassez de desenvolvedores qualificados para atualizá-lo.
Grandes empresas de semicondutores, como TSMC, Samsung e Intel, estão competindo para desenvolver a próxima geração de chips de processador de 2 nanômetros. Esses chips são fundamentais para o avanço de smartphones, centros de dados e IA. A TSMC lidera, com um protótipo promissor, enquanto Samsung e Intel estão correndo atrás. A miniaturização dos componentes é crucial para a indústria e dominar essa tecnologia pode significar o controle de um setor com vendas globais de mais de US$ 500 bilhões.
LEITURA EXTRA
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DICAS DE VER, LER E OUVIR
Hora de relaxar com as dicas de ver, ler e ouvir.
Miguel Atwood Fergunson
Como episódio ficou mais longo que o normal, hoje só vai ter uma dica. Já falei sobre como o Tïk Tok têm moldado a música pop, favorecendo a criação de canções mais curtas, mais diretas, que não passem, jamais, dos três minutos. Já chamaram isso de “audição ansiosa” ou de “tiktokização” da música. Felizmente, tem sempre o outro lado da moeda. É o caso do maestro Miguel Atwood Ferguson, que acaba de lançar um álbum com três horas e meia de duração. “Les jardins mystiques vol.1” saiu pelo selo Brainfeeder, do Flying Lotus, tem 52 músicas e levou 14 anos para ser feito. Entre os convidados estão Kamasi Washington, Thundercat, Jeff Parkere o saudoso tecladista Austin Peralta, filho da lenda do skate Stacy Peralta.
ENCERRAMENTO
Nesse episódio você ficou sabendo das últimas atualizações sobre regulação de IA, das plataformas de rede social e de influenciadores, sobre avanços da IA nos empregos, novos produtos da Apple, das disputas judiciais do Google, da descoberta de novos materiais e muito mais!
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O RESUMIDO tem o apoio do Instituto Vero.
É produzido e apresentado por mim, Bruno Natal
O roteiro é escrito por mim e pelo Agenor Neto
com a colaboração de Carlos “Calbuque” Albuquerque
A edição e mixagem é feita pelo Hugo Rocha
As redes sociais são editadas pela Evelyn Nogueira e equipe A-Lab, com animações do Peri Semmelmann
A foto da capa é do Jorge Bispo
E o tema original foi composto por Gustavo Silveira
Sou o Bruno Natal, obrigado pela audiência e semana que vem tem mais RESUMIDO!